Pular para o conteúdo principal

28.dezembro.1750. Exéquias de Dom João V, em São João del-Rei, ficaram para a história

Apesar do pouco tempo em que foram concebidas, preparadas e organizadas (apenas três dias), as celebrações das Exéquias de Dom João V em São João del-Rei assumiram tamanha importância e significado que se tornaram um livro, publicado em Lisboa em 1751, ou seja, pouco tempo depois de sua realização, em 28 de dezembro de 1750.

Seu título, pela quantidade de palavras dava idéia de sua imponência, pretensão e grandiosidade: Monumento do Agradecimento, Tributo da Veneraçam, Obelisco Funeral do Obséquio, Relaçam Fiel das Reaes Exequias que à Defunta Magestade do Fidelíssimo e Augustíssimo Rey o Senhor Nosso Dom João V dedicou o Doutor Mathias Antonio Salgado Vigario Collado da Matriz de N. Senhora do Pilar da Vila de São João del Rey offerecida ao Muito alto e Poderoso Rey Dom Joseph I, Nosso Senhor.

Com nome tão extenso e autoria compartilhada entre o poeta Correia e Alvarenga e o vigário Mathias Salgado, a obra reunia poemas, mensagens, descrições e o sermão proferido nos dois ofícios fúnebres realizados na Vila de São João. Um, marcando a presença do estado português, foi celebrado em cumprimento a uma obrigação da Câmara. O outro, firmando a posição política da Igreja e seus vínculos com o governo de Lisboa, foi iniciativa realizada e custada pelo Vigário da Matriz de São João del-Rei.

Além do registro de cronistas da época, como o de José Alvares de Oliveira - que, nos primeiros anos do surgimento da Vila de São João del-Rei escreveu a célebre obra "História do Distrito do Rio das Mortes" - o Monumento do Agradecimento ... Relaçam Fiel das Reaes Exequias que à Defunta Magestade do Fidelíssimo e Augustíssimo Rey o Senhor Nosso Dom João V ...  é retrato fiel de um evento que, ao mesmo tempo sociopolítico, religioso, artístico e cultural, na análise da historiadora Júnia Furtado, constituiu uma das três mais importantes "festas" barrocas realizadas em Minas Gerais na primeira metade dos anos setecentos.

.......................................................................
Fonte: CINTRA, Sebastião de Oliveira. Efemérides de São João del-Rei, volume II, 2a edição revista e aumentada. Imprensa Oficial. Belo Horizonte, 1982.



     

Comentários

  1. Eu tenho essa Obra original, mas infelizmente toda carcomida por cupins.
    Ainda que muito danificada é possível ler suas páginas.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Debaixo de São João del-Rei, existe uma São João del-Rei subterrânea que ninguém conhece.

Debaixo de São João del-Rei existe uma outra São João del-Rei. Subterrânea, de pedra, cheia de ruas, travessas e becos, abertos por escravos no subsolo são-joanense no século XVIII, ao mesmo tempo em que construíam as igrejas de ouro e as pontes de pedra.

A esta cidade ainda ora oculta se chega por 20 betas de grande profundidade, cavadas na rocha terra adentro há certos 300 anos.  Elas se comunicam por meio de longas, estreitas e escuras galerias - veias  e umbigo do ventre mineral de onde se extraíu, durante dois séculos, o metal dourado que valia mais do que o sol.

Não se tem notícia de outra cidade de Minas que tenha igual patrimônio debaixo de seu visível patrimônio. Por isto, quando estas betas tiverem sido limpas e tratadas como um bem histórico, darão a São João del-Rei um atrativo turístico que será único, no Brasil e no mundo.

Atualmente, uma beta, nas imediações do centro histórico, já pode ser visitada e percorrida. Faltam outras 19, já mapeadas, dependendo da sensibiliza…

Padre José Maria Xavier, nascido em São João del-Rei, tinha na testa a estrela da música barroca oitocentista

 Certamente, há quase duzentos anos, ninguém ouviu quando um coro de anjos cantou sobre São João del-Rei. Anunciava que, no dia 23 de agosto de 1819, numa esquina da Rua Santo Antônio, nasceria uma criança mulata, trazendo nas linhas das mãos um destino brilhante: ser um dos grandes - senão o maior - músico colonial mineiro do século XIX. Pouco mais de um mês de nascido, no dia 27 de setembro, (consagrado a São Cosme e São Damião) em cerimônia na Matriz do Pilar, o infante foi batizado com o nome José Maria Xavier.

Ainda na infância, o menino mostrou gosto e vocação para música. Primeiro nos estudos de solfejo, com seu tio, Francisco de Paula Miranda, e, em seguida dominando o violino e o clarinete. Da infância para a adolescência, da música para o estudo das linguas, José Maria aprendeu Latim e Francês, complementando os estudos com História, Geografia e Filosofia. Tão consistente era seu conhecimento que necessitou de apenas um ano para cursar Teologia em Mariana. Assim, já ordenado…

Em São João del-Rei não se duvida: há 250 anos, Tiradentes bem andou pela Rua da Cachaça...

As ruas do centro histórico de São João del-Rei são tão antigas que muitas delas são citadas em documentos datados das primeiras décadas do século XVIII. Salvo poucas exceções, mantiveram seu traçado original, o que permite compreender como era o centro urbano são-joanense logo que o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes tornou-se Vila de São João del-Rei.
O Largo do Rosário, por exemplo, atual Praça Embaixador Gastão da Cunha, surgiu antes mesmo de 1719, pois naquele ano foi benta a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, nele situada e que originalmente lhe deu nome. Também neste ano já existia o Largo da Câmara, hoje, Praça Francisco Neves, conforme registro da compra de imóveis naquele local, para abrigar a sede da Câmara de São João del-Rei. A Rua Resende Costa, que liga o Largo do Carmo ao Largo da Cruz, antigamente chamava-se Rua São Miguel e, em 1727, tinha lojas legalizadas, funcionando com autorização fornecida pelo Senado da Câmara daquela Vila colonial.  Por …