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Mostrando postagens com o rótulo cultura

Depois do Coronavirus, quem construirá a nova São João del-Rei?

Uma longa pausa, que já durou um mês e, certamente, ainda vai durar vários, ninguém sabe quantos. É assim que vai vivendo São João del-Rei onde, nestes tempos temerários do novo coronavírus 19, aqui como acolá reinam o isolamento social e, em consequência, o adormecimento cultural. A cidade que é viva e festiva o ano inteiro, especialmente no bimestre março-abril - quando acontecem algumas das festas mais importantes e representativas de seu calendário turístico-religioso-cultural, que são a Quaresma / Festa de Passos e a Semana Santa - em 2020 viu esse tempo passar em branco, em silêncio e inerte. Sem as cores, as flores, a música, os odores, os movimentos e encenações dos ofícios e procissões. Consciente, cautelosa, cuidadosa e amorosa, a população são-joanense atendeu volitivamente o solidário chamado e ficou em casa. Guardou para depois a magia e o encantamento que há 300 anos viveria naqueles dias. Apesar do desejo de que tanto este medo quanto este perigo passem logo, aind...

São João del-Rei 2007-2017: Dez anos Capital Brasileira da Cultura

Há dez anos, em 2007, São João del-Rei recebeu um título de grande valor: " Capital Brasileira da Cultura ". Mais do que uma simples homenagem, essa honraria foi a expressão nacional de reconhecimento da importância de nossa terra para a educação, as ciências, as artes - enfim para a cultura de nosso país. No mesmo sentido, merecidamente, no ano seguinte, São João del-Rei se autodeclarou " Capital Brasileira da Cultura para Sempre " - uma iniciativa muito lúcida, pois o significado de uma história como a nossa 'não tem prazo de validade'! Como Capital Brasileira da Cultur a, durante todo o ano de 2007 nossa cidade sediou uma série de eventos que movimentaram ainda mais a vida cultural de São João del-Rei, que normalmente já é sempre muito intensa. Em dezembro daquele ano, quando a cidade preparava-se para cumprimentar a nova cidade-irmã que também receberia "o título, a faixa, o cetro e a coroa", a Secretaria da Cultura de Minas Geras...

São Miguel Arcanjo. Há 300 anos Príncipe da Milícia Celeste protege São João del-Rei

Faz mais de 300 anos que São Miguel Arcanjo chegou a São João del-Rei, ainda Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes. Aqui, ele viu o ouro brotar da terra e, por cobiça humana, facões e espadas crisparem seus metais, acendendo no ar raios e relâmpagos. Arcabuzes lançarem pólvora e estouro de trovão e até o Córrego do Lenheiro correr tinto de sangue na Guerra dos Emboabas. Há quem diga que, sinal de sua força e poder, ele escapou das chamas que incendiaram a primitiva capela de Nossa Senhora do Pilar, no Morro da Forca, saindo a salvo na companhia de seu vizinho, o guerreiro e mártir São Sebastião. Vencidas as chamas e abrandado o calor das pedras em brasa, em 1716 São Miguel criou seu exército humano na recém-criada Vila de São João del-Rei: a Irmandade de São Miguel e Almas. Desde então, toda segunda-feira é saudado com uma missa vespertina e no mês de setembro festejado com muita oração e especial louvor. Depois de um tríduo noturno, de leituras e cânticos bar...

As boas coisas de São João del-Rei: a Taberna d'Omar e seus mistérios...

Em São João del-Rei, dizem que os menores frascos guardam os melhores perfumes e secretam os piores venenos. Quem aqui conhece a Taberna d'Omar não só confirma este adágio quanto fica completamente intrigado: como pode em um lugar tão diminuto se encontrar tantas coisas boas? Diminuto é quase pouco, pois o lugar é - alegoricamente falando - uma pepita de prata onde a Rua Direita fica estreita no centro histórico de São João del-Rei. Mas ali se degusta, e também se compra, o que de mais delicado e refinado existe para o paladar de quem procura uma pausa. Cervejas artesanais, cachacinhas especiais, drinks descomunais, chás orientais, sucos frugais, petiscos transcedentais e até mesmo o irrecusável cafezinho, que é a bebida preferida de muitos mortais. Queijo catauá do João Dutra? Lá tem. Doce de leite Caxambu? Lá tem. Geleias da própria casa? Lá tem... Livros do Professor Gaio? Lá tem. CDs das orquestras barrocas e dos músicos de São João del-Rei? Lá bem podia ter... Poucas m...

Semana Santa de São João del-Rei, original e autêntica, é destaque na mídia regional

Por sua originalidade genuína como tradição setecentista, única em Minas Gerais e no Brasil, a Semana Santa de São João del-Rei vem ganhando grande espaço na mídia regional em 2014. Trata-se de reconhecimento merecido, pois a preservação destas celebrações, não só como expressão de fé, mas também como manifestação artística, é fruto do esforço e da dedicação dos são-joanenses, amantes da riqueza cultural barroca herdada de seus antepassados: pais, avós, bisavós, tataravós... Sobre este assunto, veja, abaixo, uma reportagem recente do programa Viação Cipó e matérias veiculadas este mês no canal G1 . http://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2014/04/oficio-das-trevas-e-tradicao-secular-na-semana-santa-de-sao-joao-del-rei.html

Novena barroca de Natal em São João del-Rei. Encantamento, magia e mistério!

O calendário festivo de São João del-Rei é tão intenso que mal termina uma "festa" e outra já está a caminho, quando não começando ou, então, já na metade. As comemorações do Natal, por exemplo, na "terra onde os sinos falam" começam no dia 16 de dezembro, com uma novena barroca, na igreja do Rosário - a mais antiga da cidade. Nesta celebração, durante nove noites a Orquestra Lira Sanjoanense - a mais antiga das Américas - executa hinos, salmos, responsórios e ladainhas compostos no século XIX, entre eles as famosas "Matinas do Natal", que o compositor são-joanense Padre José Maria Xavier criou especialmente para a ocasião. Muito alegres, vivas e suaves, as Matinas são cantadas em latim e descrevem a história do nascimento de Cristo. Narram o chamado que o Anjo fez aos pastores, o movimento do cometa que guiou os Reis Magos do Oriente até Belém, a humildade devota dos animais que estavam na estrebaria, a harmonia infinita e brilhante dos astros no céu ...

Folias de Reis anunciam - com cor, suor, devoção e alegria - o Natal em São João del-Rei

São João del-Rei está em um momento muito feliz. Não apenas pelo calor e entusiasmo com que está comemorando os 300 anos da criação da quarta vila  de Minas Gerais, ou melhor, da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, quando o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes foi elevado à categoria de Vila, com o nome de São João del-Rei, em homenagem ao faustoso soberano português D. João V. São João del-Rei está em um momento muito feliz porque está voltando seu olhar para si própria. Não que negue e desvalorize o mundo que existe do outro lado da Serra do Lenheiro, mas sim porque está garimpando suas próprias riquezas, se apropriando de seus tesouros culturais, reconhecendo suas origens e reforçando-as como bases de sua identidade e de sua cultura. É de posse desta história, desta memória e deste patrimônio que, a partir de então, São João del-Rei vai se apresentar para o mundo. E recebê-lo na intimidade dos quintais da alma são-joanense, onde se cultiva e co...

A música de São João del-Rei é a afilhada preferida de Santa Cecília.

São João del-Rei é terra abençoada. Santos e anjos que moram na corte celestial habitam também a terra que tem no nome uma homenagem ao Rei Sol português, D. João V. Entre as tantas divindades que habitam o firmamento, mas que não tiram os olhos do povo são-joanense, uma, inclusive, fica mais na cidade do que no céu. É Santa Cecília! Mas pudera: como desde 1717 a Música firmou morada em São João del-Rei, aqui a santa tem para cuidar quatro bandas de música e três orquestras, vários corais, grupos de câmera, duos, trios e quartetos, muitos maestros, sineiros e compositores, sempre em permanente atividade. Nas igrejas, nos teatros, nas praças, nas ruas, nos auditórios. E como Santa Cecília é padroeira dos músicos, não é sem motivo que ela está em toda parte... Mas aqueles a que a santa dedica tanto olhar e zelo não lhe são ingratos. Deram-lhe lugar de honra, em um dourado altar lateral da Matriz e Pilar, e a guardam consigo, em imagem ou estampa, na sede da Orquestra Ribeiro ...

1713 - 2013 . Contagem regressiva: faltam 30 dias para os 300 anos da Vila de São João del-Rei

Daqui a exatos 30 dias, no dia 8 de dezembro, São João del-Rei estará vivendo uma data especial: os 300 anos da elevação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes à condição de Vila, com o nome de São João del-Rei. A quarta vila instituída na Capitania de Minas Gerais homenageia, no nome, o rei sol Português, Dom João V, soberano daquela época. Sua esposa, Mariana, havia sido homenageada nomeando a primeira vila de Minas. Na Casa de Câmara e Cadeia daquela cidade existe, até hoje, em pintura, um retrato de cada um deles. A programação comemorativa do tricentenário é longa e vasta. Além dos eventos pontuais já realizados este ano, se tornará mais intensa a partir do dia 22 de novembro, com uma jornada de educação patrimonial. Mas a partir do dia 2 de dezembro, vários eventos acontecerão todo dia, até encerrar-se no dia 6 de janeiro, com o já tradicional Encontro de Folias de Reis. Do barroco ao popular, do erudito ao artesanal, da fé à festa, do sagrado ao pro...

Em São João del-Rei todo dia é Dia da Cultura. 24 horas por dia. 365 dias por ano! Há três séculos...

Desde quando Minas Gerais - ainda Capitania unida a São Paulo - no alvorecer do século XVIII, começava a construir sua identidade, arte, memória, criação, patrimônio, música, tradição, criatividade e várias formas de expressão erudita e popular fazem parte da alma de São João del-Rei. Os são-joanenses vivem isto cotidianamente, 365 dias por ano. Por este motivo, 5 de novembro, em princípio, deveria ser uma data reluzente no calendário de São João del-Rei. Começar com uma alvorada festiva, feita pelas cinco bandas de música, continuar movimentado durante todas as horas seguintes com exposições de arte, cortejos dos grupos de congada e folias, shows e recitais nas praças públicas, apresentações de música barroca, concertos sinfônicos, até encerrar-se, tarde da noite, com uma ruidosa, harmônica e colorida queima de fogos de artifício. Mas para os são-joanenses, nada disto é excepcional. Pelo contrário, tudo isto faz parte do dia a dia de São João del-Rei, em autêntica celebração do...

Um canto de louvor e gratidão, de São João del-Rei, para sua áurea, excelsa e espanhola padroeira

Outubro, mais precisamente no dia 12, é a data consagrada à padroeira de São João del-Rei, Nossa Senhora do Pilar. Contam que a Virgem aqui chegou em imagem primitiva, trazida pelos próprios bandeirantes, a quem protegia de perigos, tristeza, violências, emboscadas, animais peçonhentos, maus pensamentos e infortúnios. Em troca, de início eles lhe construíram uma capela, incendiada em 1709, no final da Guerra dos Emboabas. A matriz atual, dedicada à Virgem espanhola começou a ser construída em 1721 e é um dos mais belos templos do barroco brasileiro. Nela acontecem as principais cerimônias da Semana Santa mais tradicional do Brasil, algumas únicas em todo o mundo. Volta e meia ali se ouve a música colonial de uma novena, dobres e repiques de sinos em tencões e terentenas. Da Matriz do Pilar sempre sai uma procissão... Como aqui se repete há quase 300 anos, a novena de Nossa Senhora do Pilar começa no dia 3 de outubro e vai até o dia 11, véspera da data maior. A parte musical, comp...

A História de São João del-Rei é feita de muitas histórias. E também de belas estórias...

Desde que no alvorecer do século XVIII Tomé Portes del-Rei fincou pé nas margens do Rio das Mortes, cobrando pedágio pela travessia fluvial que levava às portas do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar, até a mais recente badalada dos sinos da Matriz do Pilar, muitos personagens estão - há mais de 300 anos, na lida do seu dia a dia - a escrever a história de nossa terra. Brancos, negros, mulatos, morenos, criolos. Nobres, proscritos, desbravadores, déspotas, clandestinos, bandeirantes, sacerdotes, escravos. Livres, cativos, forros, libertos, sonhadores, serviçais. Intelectuais, iletrados, artistas, artesãos, analfabetos, escultores, músicos, cientistas, inventores de estórias que mais parecem a própria vida. Depois de Tomé Portes, ainda no Arraial, a Guerra dos Emboabas, certamente acendeu o lume para a instituição da vila de São João del-Rei. Em 1717, o Conde de Assumar esteve aqui e foi saudado com a música do mestre Antônio do Carmo. Gostou tanto que voltou outras vezes....

Festa das Mercês: São João del-Rei reinventa ícones, ressignifica símbolos e reescreve sua história

Na sua dinâmica sociocultural, a cada dia São João del-Rei ressignifica elementos e símbolos de sua história, dando-lhes novos e contemporâneos sentidos. No vale da Serra e ao longo do Córrego do Lenheiro, o que antes ostensivamente apontava condenação, hoje serve para induzir questionamentos. O que outrora, em séculos passados, sinalizava colonial castigo, neste terceiro milênio, é alvorada da consciência dos direitos humanísticos e cidadãos. Você imagina que o Pelourinho, onde desde 1713 se castigavam escravos e executavam severas punições na Vila de São João del-Rei, pudesse servir de mastro para um toldo da principal barraca da quermesse da Festa de Nossa Senhora das Mercês? Pois é! Em setembro de 2013, isto aconteceu. A face religiosa, tradicional e barroca, da Festa das Mercês continua fiel aos rituais setecentistas. Toques de sinos, foguetes, novenas, missas cantadas, incensos, irmãos com hábitos, escapulários e mantos caudalosos, andores enfeitados, procissões, fogos de ...

Festa das Mercês - Doce, sereno e sublime encanto de São João del-Rei

Há quase 300 anos o povo de São João del-Rei participa - com fé, devoção e encantamento - da sublime novena barroca de Nossa Senhora das Mercês. É um ofício encantador, numa capela delicadamente dourada, entre flores, incensos, música suave que vem de violas, violinos, violoncelos, flautas, clarinetas e de belas vozes que se harmonizam em rendilhados de notas musicais que formam volutas sonoras inigualáveis. O sino sozinho, na torre altaneira, soberana e solitária, toca alegre. Padre Geraldo canta vigoroso responsórios seculares, que orquestra e fieis, em coro único, respondem convictos. Fieis em sua maioria negros de carapinha branca, entre jovens e crianças, compenetrados vivenciam por uma hora e meia, um amoroso abraço imaginário com Nossa Senhora das Mercês. Com o olhar trocam palavras, fazem pedidos, promessas, agradecimentos. A tudo a Virgem acolhe de braços abertos e face levemente inclinada na direção da mão direita, que estende para o povo são-joanense com um buquê de crav...

Sinais de São João del-Rei do outro lado e muito além da Serra do Lenheiro

Os são-joanenses quarentões e cinquentões certamente se lembram do selo acima - um adesivo plástico que na década de 80 foi afixado em muitos automóveis de São João del-Rei ou que passavam pela cidade. Nos veículos, além dos limites do município, informava a todos que a bordo possivelmente tinha um são-joanense ou alguém que nutria admiração e carinho pela cidade. Para os são-joanenses ausentes da terra onde os sinos falam, funcionava como um código de identificação nativista, que facilitava a descoberta e o encontro de conterrâneos bem abria caminho para aproximações e amizades. Mediado pelo adesivo, voltavam em memória a São João del-Rei. Hoje, São João del-Rei não tem mais uma peça que cumpra esta finalidade - ostentar a identidade e o orgulho de ser são-joanense. Aliás, salvo uma ou outra exceção, São João del-Rei é pobre em souvenirs que levem até muito longe lembranças da alma local, apesar de ser uma cidade tão rica de memória, patrimônio, arte e cultura... A cidade car...

Tira-se o véu por trinta dinheiros em São João del-Rei. Findava agosto de 1755...

Mesmo nas solenidades mais tradicionais, tocantes e piedosas, como as da Festa de Passos e da Semana Santa, hoje é muito raro, nas igrejas de São João del-Rei, ver uma mulher usando véu para cobrir a cabeça, quando segue a caminho da mesa da comunhão. Até pouco mais do que a metade do século passado, este lenço retangular de renda fina e transparente ainda fazia parte do vestuário religioso feminino, como símbolo de respeito, devoção, obediência, pureza e elegância. A cor variava entre branco, azul claro, cinza e preto, sinalizando entre outras coisas a idade e o estado civil da jovem ou senhora que o véu usava. Poucos sabem, mas houve um tempo em que as mulheres de São João del-Rei só podiam andar em determinados espaços sagrados são-joanenses com a cabeça bem coberta por um gorro padrão, possivelmente adquirido da própria igreja. Prova disso é que no dia 28 de agosto de 1755, o padre comissário Manoel da Costa Faro propôs -  em reunião da Ordem Terceira de São Francis...

PAC das Cidades Históricas - Em São João del-Rei, palavra de rei não volta atrás. Nem de Presidenta...

Mais uma vez São João del-Rei destacou-se no panorama de todas as cidades históricas brasileiras, da mais soberba à mais humilde. Neste 20 de agosto, mais uma vez a cidade recebeu um presidente da República, em 2013 a Presidenta Dilma Roussef. Na terra onde os sinos falam, ela anunciou a destinação de R$ 1,6 bilhões para o Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas brasileiras. Nesta etapa, serão contempladas 44 cidades de 20 estados, com o desenvolvimento de 425 projetos de restauração de bens históricos, revitalização de espaços culturais e áreas circunvizinhas. Sem dúvida um marco importante que deve ser considerado homenagem da Presidência da República aos 300 anos da elevação do Arraial Novo de Nossa Senhor do Pilar do Rio das Mortes a Vila de São João del-Rei. Em seu discurso, Dilma Rousseff destacou o valor dos são-joanenses na história e na cultura do Brasil, entre eles o herói Tiradentes, sacrificado por defender a liberdade dos brasileiros frente ao c...

São João del-Rei celebrou exéquias para o rei da Itália, Humberto I

Não se sabe bem porque, mas  a simpatia e a afeição de São João del-Rei pela Itália fertilmente germinavam antes mesmo que chegassem à cidade os primeiros imigrantes italianos. E também que soldados são-joanenses imaginassem um dia atravessar oceanos rumo aos gelados campos de batalha italianos, para bravamente lutar na segunda guerra mundial. Tanto que no dia 9 de agosto de 1900 - ou seja, há 113 anos -, a cidade realizou solenes exéquias em memória do rei italiano Humberto I, assassinado por um compatriota anarquista no dia 23 de julho daquele ano- o primeiro do século XX. Até então, durante todo o período da colônia e do império, São João del-Rei realizava este tipo de solenidade fúnebre apenas para homenagear defuntos da família real portuguesa. Em nossa terra, as cerimônias póstumas dedicadas ao falecido rei Humberto realizaram-se num único dia, mas em dois locais e em duas ocasiões diferentes. Primeiro, foi um ato litúrgico, na igreja do Carmo, com participação especial...

A eterna primavera da fé em São João del-Rei

São João del-Rei é como um jardim, sempre em primavera a florescer. Todo mês, durante as festas religiosas, altares e andores em cascatas se cobrem das flores mais diversas: angélicas, antúrios, cravos, crisântemos, copos-de-leite, "egpsy", gérberas, hortências, lírios, margaridas, palmas e rosas, entre muitas outras. São as estrelas da terra luzindo gentileza, cor e perfume; brilhando fé, suavidade e devoção. Agosto, por exemplo, quando chega, acende em todos memórias antigas, que se tornam realidade nas ladeiras, largos e becos do centro histórico da terra onde os sinos falam. A bicentenária Orquestra Lira Sanjoanense afina instrumentos e vozes, ensaia partituras antigas para que, no período de 5 a 15, a música barroca de mulatos compositores locais se junte ao som dos sinos e ao perfume de incenso para criar ambiência celeste em honra a Nossa Senhora da Boa Morte, Nossa Senhora da Assunção, Nossa Senhora da Glória e também à Santíssima Trindade - Pai, Filho e Espírito...

O universo fantástico de São João del-Rei: o Rio Jordão, a serpente e o castigo de Adão e Eva

Dentro de poucas horas, São João del-Rei já estará na glória do dia de Nossa Senhora do Carmo. Alvorada festiva, sinos dobrando, gente arrumada chegando no largo e na igreja, missas cantadas, adorações, horas santas, música barroca, procissão, estandartes, crianças vestidas de anjo, tapete de flores, banda tocando, cheiro de incenso, de pipoca, de beijo quente de coco e de amendoim, perfume forte de mulher no ar, foguetes ruidosamente estrelando de cores o luzeiro celeste. Tudo tal qual se fazia há quase três séculos, para agradar o Céu e a Terra. Com tanta intensidade, entusiasmo, fé, cor e luz, talvez não seja assim em nenhuma outra cidade. Tão antiga quanto a festa do Carmo - e envolvendo o magnífico templo - é uma crença que ouvi, na infância, de minha avó, Francisca Maria da Conceição (1898 - 1994). Nos idos anos 60, eu criança pequena ela me dizia que sua mãe jurava que sua avó contava que o Rio Jordão, onde Cristo foi batizado, corria debaixo da igreja do Carmo. Que n...