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Mostrando postagens com o rótulo gastronomia

Independente de religião, boldo é planta sagrada em São João del-Rei!

  Especialmente procurado para curar a ressaca  braba de são-joanense que exagera na água que passarinho não bebe e em outras canjibrinas, sem dispensar o torresmo, o bife de fígado acebolado, as almôndegas, chouriços, costelas com mandioca e até mesmo o mocotó e a dobradinha, o boldo é um remédio miraculoso. Seu gosto amargo, mais amargo ainda do que o caldo do chifre do diabo, tem poderes que ninguém duvida. Como por exemplo desarmar as bombas que estouram na cabeça e espremem os miolos do infeliz moribundo;  lavar da boca o gosto de cabo de velho guarda-chuva e levar para bem longe as náuseas, enjoos e até mesmo os vômitos, que desgraçadamente torcem o estômago e trazem a bílis por sobre a língua. Por tudo isto, o boldo, em São João del-Rei é uma planta, podemos até dizer, bastante venerada. Muito fácil de ser plantado, não é raro encontrar um pé, às vezes até mesmo florido com seus pendões roxos, nos velhos quintais que ainda resistem à exploração imobiliária. Mas o q...

Em São João del-Rei o come-quieto come melhor debaixo de seu próprio teto

A culinária de Minas tem lugar de destaque na cozinha brasileira. Dos saborosos e fartos pratos dominicais e festivos, capitaneados pelo lombo com tutu ou pelo feijão tropeiro, com arroz branco, couve e um enorme séquito de acompanhamentos,  onde se destacam o torresmo, a farofa, a maionese caseira, até o trivial feijão com arroz mais simples, feito à hora com verduras e legumes colhidos nos canteiros do quintal, que começa na porta da cozinha, e um ovo caipira frito, pego no ninho do galinheiro. Cachaça. Caipirinha de limão rosa ou de limão galego.Tudo que se come e se bebe na casa mineira é tão sagrado quanto foram o pão e o vinho na santa e última Ceia de Cristo com os apóstolos. Talvez desse modo se explique o fato de, em sua terra, o mineiro nato não ser tão chegado a comer fora. O come-quieto sabe que o que há de melhor é o que ele come sob seu teto. Mas para ele, no rotineiro dia a dia, da porta da rua para fora, também tem pedaços do Paraíso; alguns espaços se salv...

As coisas boas de São João del-Rei 10 - Barteliê: o que você não espera, ali espera por você!

Em São João del-Rei tem uma via que começa no século XVIII e leva gente, jovem e sorridente, do século presente,  aos anos setenta do século que ficou para trás. Tudo atravessando as três portas do Barteliê. Assim como o nome é uma mistura inusitada das palavras Bar e Ateliê, a proposta artístico-etílico-gastronômico-musical também é ousada: um bar fundido com uma galeria de arte e artesanato, onde se ouve a música que ninguém espera. Jazz, blues, mpb, chorinho, samba, clássicos, grandes nomes, inéditos, desconhecidos, alternativos, música autoral. Tudo cabe no Barteliê. Bob Dylan, Janis Joplin, James Taylor, Joan Baez, Beatles, Egberto Gismonti, Sivuca, Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Tropicália, Clube da Esquina, Samba, Forró: Tudo a seu dia se ouve no Barteliê. Melhor dizendo, tudo à sua noite, pois o bar sempre abre quando o sol se esconde. Aquela rua, outrora, foi mal-afamada, mal-dita, de tanto que nela moravam o prazer, a alegria e a diversão, amamentados por mulh...

Nhá Chica do Rio das Mortes. Fé e bondade nascida em São João del-Rei

No dia em que Nossa Senhora da Conceição vier a São João del-Rei, certamente fará questão de visitar o distrito são-joanense de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, ou simplesmente Rio das Mortes. Lá, tomará pela mão sua afilhada e com ela caminhará por uma estrada de terra, até chegar à sombra de um bambuzal e à margem de um rio, onde as ruínas de uma igreja emanam perfume de sereno, orvalho e inocência. E então a menina lhe mostrará o local exato onde, no começo dos anos oitocentos, foi batizada Francisca de Paula de Jesus - a hoje Beata Nhá Chica, afilhada de Nossa Senhora. O Rio das Mortes é um lugar claro e iluminado. Seu povo alegre e gentil sabe a graça divina que é viver no local onde nasceu Nhá Chica. E compartilha isto com todos que visitam o lugar, para agradecer favores ou em busca de intercessões da santa contra dificuldades e aflições. Logo que alguém desconhecido se aproxima do portão e do cruzeiro para olhar a igreja de Santo Antônio, algum morador logo aparece...

As boas coisas de São João del-Rei 8 - Empório Gourmet tem cervejas do Éden

Entre os barrocos templos magnificos de São João del-Rei existe um outro, moderno e minimalista, dedicado ao culto de cervejas especiais. Alquimias milagrosas que misturam hibisco com pétalas de rosas, gengibre com erva doce, abóbora com capim cidreira.  Todas preparadas na mesma fase da lua em que os produtos foram plantados e colhidos. É o Empório Gourmet Del Rei. Mescla de armazém, bistrô e taberna, o empório é um lugar intimista e contemporâneo.  Funciona no térreo de um casarão da Rua Direita, apenas enquanto brilha o sol correndo o horizonte de ponta a ponta, com hora extra até a lua começar sua noturna jornada. Fica no caminho sagrado que liga a Matriz do Pilar à igreja do Carmo. Esta taberna/bistrô nada mais é do que um pequeno e gentil espaço de refinada degustação e compra das 150 mais conceituadas cervejas artesanais, queijos raros, cortes especiais para churrasco e, até mesmo, de uma elegante cachacinha. Como internamente comporta apenas 12 pessoas - a...

As boas coisas de São João del-Rei: a Taberna d'Omar e seus mistérios...

Em São João del-Rei, dizem que os menores frascos guardam os melhores perfumes e secretam os piores venenos. Quem aqui conhece a Taberna d'Omar não só confirma este adágio quanto fica completamente intrigado: como pode em um lugar tão diminuto se encontrar tantas coisas boas? Diminuto é quase pouco, pois o lugar é - alegoricamente falando - uma pepita de prata onde a Rua Direita fica estreita no centro histórico de São João del-Rei. Mas ali se degusta, e também se compra, o que de mais delicado e refinado existe para o paladar de quem procura uma pausa. Cervejas artesanais, cachacinhas especiais, drinks descomunais, chás orientais, sucos frugais, petiscos transcedentais e até mesmo o irrecusável cafezinho, que é a bebida preferida de muitos mortais. Queijo catauá do João Dutra? Lá tem. Doce de leite Caxambu? Lá tem. Geleias da própria casa? Lá tem... Livros do Professor Gaio? Lá tem. CDs das orquestras barrocas e dos músicos de São João del-Rei? Lá bem podia ter... Poucas m...

1713 - 2013 . Contagem regressiva: faltam 30 dias para os 300 anos da Vila de São João del-Rei

Daqui a exatos 30 dias, no dia 8 de dezembro, São João del-Rei estará vivendo uma data especial: os 300 anos da elevação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes à condição de Vila, com o nome de São João del-Rei. A quarta vila instituída na Capitania de Minas Gerais homenageia, no nome, o rei sol Português, Dom João V, soberano daquela época. Sua esposa, Mariana, havia sido homenageada nomeando a primeira vila de Minas. Na Casa de Câmara e Cadeia daquela cidade existe, até hoje, em pintura, um retrato de cada um deles. A programação comemorativa do tricentenário é longa e vasta. Além dos eventos pontuais já realizados este ano, se tornará mais intensa a partir do dia 22 de novembro, com uma jornada de educação patrimonial. Mas a partir do dia 2 de dezembro, vários eventos acontecerão todo dia, até encerrar-se no dia 6 de janeiro, com o já tradicional Encontro de Folias de Reis. Do barroco ao popular, do erudito ao artesanal, da fé à festa, do sagrado ao pro...