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Mostrando postagens de Maio, 2011

São João del-Rei em festa: salve o Divino Espírito Santo!

São João del-Rei está sempre em festa. Graças a Deus! Foguetórios, alvoradas festivas, cortejos, toques de sino, procissões, orquestras, gente na rua, música, movimento...Se foi sempre assim, Tomé Portes Del-Rei, quando aqui chegou, em 1703, para fundar a cidade, deve ter sido saudado por uma banda de música e a primeira coisa que fez não pode ter sido outra coisa senão, de braço para o alto, soltar uma caixa de foguetes. Só depois disso, então, é que começou a catar ouro e a cobrar pedágio pela travessia de pessoas e cargas no caudaloso Rio das Mortes...

Agora falando sério, depois da amanhã, dia 2 de junho, São João del-Rei mais uma vez dá início a uma festa grandiosa: o Jubileu do Divino Espírito Santo.

As celebrações em honra à terceira pessoa da SantíssimaTrindade aqui são muito antigas. Começaram em 1774, no arraial de Matozinhos, da então Vila de São João del-Rei, e nove anos depois, em 1783, por sua importância para a Colônia - e talvez para todo o Reino Português -, foram ele…

Mineirice, mineirismo e mineiridade - A sabedoria de Minas em São João del-Rei (2)

Bebamos mais uma dose branquinha da santíssima trindade mineirice, mineirismo e mineiridade, engarrafada por frei Beto. Mas antes que ela suba à cabeça (em São João del-Rei, cachaça do quilombo cada gole é um tombo), convém perguntar: Ser mineiro é uma sina?

Mineiramente falando, a resposta não precisa ser nem sim nem não. Nem muito pelo contrário. Pelo menos do jeito que, pejorativamente se propaga. A sabedoria de Minas é ter consciência de que muitas vezes pensamentos folclóricos, frases de efeito e ditados populares transmitem e reforçam  idéias menores, impõem padrões e valores superados, difundem e constroem preconceitos, ditam normas questionáveis e moldam comportamentos ultrapassados. Quando isso acontece, são um atraso de vida, contrariando a evolução humanística e dificultando aperfeiçoamentos de toda ordem. 

Mineirice, mineirismo e mineiridade, acima de tudo, têm em si este saber. Sua astúcia é, essencialmente, a sabedoria de Minas. E mineiro de verdade sabe disso, mas não con…

Festival Inverno Cultural aquecerá com arte o frio de São João del-Rei

Julho é um dos meses mais frios em São João del-Rei mas nesta época, a temperatura cultural esquenta nas duas semanas em que acontece oInverno Cultural. Em 2011, começará no dia 16 e termina em 30 de julho.

Os Sentidos do Corpo será o tema central de todas as atividades: oficinas, shows, exposições, instalações, performances, teatro, concertos, espetáculos de rua e tudo o mais que você imaginar. No amanhecer entre nuvens, orvalhadas de sereno; ao meio dia com céu de todo azul e sol alto; quando o sol cai vermelho atrás da Serra do Lenheiro e até madrugada adentro - a lua acompanhando tudo ao girar em compasso na noite estrelada -, o tempo todo, em toda parte, a cidade será luz, cor, som, forma, movimento, palavra, gesto, música, sabor.

Há grandes promessas, em todas as áreas. Na música, por exemplo, desde já se destacam duas: Elza Soares e Jacques Morelenbaum. Para antecipar um pouco do que vem por aí, basta clicar abaixo e ouvir o casal Morelenbaum em O Boto, de Tom Jobim.



Leia mais s…

Mineirice, mineirismo e mineiridade desde sempre vivem em São João del-Rei (1)

Você sabe qual a diferença entremineirice, mineirismo e mineiridade? Pois é diferenças existem, mas isso é assunto para os estudiosos, já que os cidadãos comuns da Terras Alterosas não só sabem quanto praticam, no viver de todo dia, o que é cada coisa. Porém "não dizem nem a si mesmos, este irrevelável segredo chamado Minas"*.

São João del-Rei, fundada cerca de 1703, foi uma das primeiras vilas de Minas Gerais, elevada a esta categoria em 1713. Foi também sede da Comarca do Rio das Mortes - uma das três áreas geográficas e administrativas em que se dividia o Estado no século XVIII. Cenario, em 1709, da Guerra dos Emboabas, São João del-Rei foi também berço da Inconfidência Mineira, terra natal de Tiradentes e Bárbara Heliodora. Nos séculos XIX e XX continuou destacando-se na história do país e, hoje, é reconhecida nacionalmente não só por seu  patrimônio histórico-cultural mas também por sua cultura viva, representada pelas orquestras, irmandades, ternos de congada, grupos f…

Lembranças de maio em São João del-Rei

Uma das lembranças mais belas, ricas e fortes de São João del-Rei no mês de maio era o Mês de Maria. Durante trinta dias, principalmente aos domingos, nas igrejas suntuosas ou nas humildes capelinhas, depois da missa vespertina ou noturna, crianças vestidas de anjos e de virgem subiam ao altar, cantavam canções ternas em louvor à Nossa Senhora, coroavam a imagem e lhe jogavam pétalas de flor. Entre nuvens de incenso, parecia uma chuva perfumada e afetuosa, orvalho de poesia, inocência e cor. Os sinos tocavam alegres e os são-joanenses voltavam felizes para casa, confortados por terem presenciado um momento celestial, por terem vivenciado um instante divino. Prontos para uma boa e nova semana.

Hoje, quando acontecem, as coroações são mais raras. Há poucos anjos no mundo. O Céu não desce à Terra tão facilmente. Está mais distante.

Mas pode ser diferente. Numa cidade tão rica culturalmente e tão fervorosa como São João del-Rei, resgatar, nos meses de maio, as coroações dominicais de Nossa…

Ide a São João del-Rei!, pede Oswald de Andrade

Na busca de melhor conhecer a riqueza cultural brasileira para, a partir de então, traçar rumos que ajudassem a encontrar, fortalecer e expandir a identidade nacional, um grupo de artistas e intelectuais,  confabulando o Movimento Modernista de 1922, visitaram as cidades históricas de Minas Gerais. Se encantaram com o que lá viram.

Oswald de Andrade, por exemplo, fascinado pela São João del-Rei de 1920, fez a todos - juntamente com uma descrição minimalista da paisagem são-joanense - o seguinte, breve e irrecusável, apelo:

Convite

São João del Rey
               A fachada do Carmo
               A igreja branca de São Francisco
               Os morros
               O córrego do Lenheiro


                Ide a São João del Rey
                De trem
                Como os paulistas foram
                A pé de ferro

............................................................................
Fonte:http://www.redutoliterario.hpg.ig.com.br/poesia/osvaldandrade.htm

Ilustração:São João de…

São João del-Rei não perde o trem. Nem o prazo?

Há exatamente dois anos, a imprensa mineira noticiou que o Ministério Público Federal e o Instituto de Patrimônio Histório e Artistico Nacional - zelando pela qualidade e integridade do patrimônio arquitetônico-urbanístico de São João del-Rei -julgaram as guaritas de ônibus situadas em frente à Estação Ferroviária e ao Chafariz da Legalidade incompatíveis com aqueles importantes bens  patrimoniais.

Por isso, os dois órgãos federais determinaram que as mesmas fossem demolidas para reconstrução de outras, pela Prefeitura Municipal, em estilo mais adequado, que não agredissem os dois monumentos nem descaracterizassem  suas paisagens.

Segundo matéria publicada no portal UAI, e também divulgada no site do Ministério Público, MPF e IPHAN fixaram até o prazo em que a determinação deveria ser cumprida: 150 dias.

Já se passaram 150, 300, 450, 600 dias. Em breve completaremos 750 dias, ou seja, cinco vezes o prazo determinado. Mas as guaritas continuam firmes e inabaláveis. Mais fortes do que o…

Um ramo de saudade para Bárbara Heliodora


24 de maio de 1819. Morria, nesta data, a poetisa inconfidente Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, nascida em São João del-Rei em 1758. Inspirada em seu enterro, Cecília Meireles, no clássico Romanceiro da Inconfidência, assim escreveu: 
ROMANCE LXXX OU DO ENTERRO DE BÁRBARA HELIODORA
Nove padres vão rezando - e com que tristeza rezam! - atrás de um pequeno vulto, mirrado corpo, que levam pela nave, além das grades, e ao pé do altar-mor enterram.
Dona Bárbara Eliodora, tão altiva e tão cantada, que foi Bueno e foi Silveira, dama de tão alta casta que em toda a terra das Minas a ninguém se comparara, lá vai para a fria campa, já sem nome, voz nem peso, entre palavras latinas, velas brancas, panos negros,  lá vai para as longas praias do sobre-humano degredo.
Nove padres vão rezando... (Dizei-me se ainda é preciso!... Fundos calabouços frios devoraram-lhe o marido. Quatro punhais teve n'alma, na sorte de cada filho. E, conforme a cor da lua, viram-na, exaltada e brava falar às…

Vanguarda e pioneirismo na valorização do folclore brasileiro sacudiram São João del-Rei oitocentista

 Nem ainda começara o século XX e, em São João del-Rei, uma professora já se dedicava, pioneiramente, a estudar, documentar e valorizar a cultura popular brasileira, especialmente o folclore infantil. Era a são-joanense Alexina de Magalhães Pinto, por muitos considerada a primeira folclorista de nosso país.

Nascida na segunda metade do século XIX (1870), seu trabalho foi tão inovador que tornou-se conhecida como "a mineira ruidosa" e não era sem motivo. Consta que, sempre no primeiro dia de aula do ano letivo, rasgava diante dos alunos as cartilhas tradicionais, tipo b, a, ba, para mostrar que era contrária ao método de leitura por associação de palavras e propunha um método de aprendizagem global. Foi quem usou pela primeira vez as cantigas, lendas, brincadeiras, jogos e outros elementos do folclore com fins educacionais, transformando-os em livros infantis e outros instrumentos pedagógicos.

Produções acadêmicas sobre sua obra dizem que ela foi a primeira professora a subs…

Alô!? São João del-Rei?!...

Domingo de outono. Tempo bom pra se pensar na sensatez, que há de guiar todos os dias. 

São João del-Rei, 1938: a número 1, tombada no Livro de Belas Artes do SPHAN.

 Menos de cem anos. Mais precisamente, 87. Pensando bem, não faz muito tempo que o Brasil começou a valorizar seu patrimônio histórico-cultural. Consta que em 1924, por influência e iniciativa dos intelectuais, escritores e artistas do Movimento Modernista, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Olívia Guedes Penteado e Blaise Cendars fizeram uma viagem percorrendo e observando as principais cidades históricas de Minas Gerais. Foi aí que tudo começou...

Na sequência, José Mariano Filho, à frente da Sociedade Brasileira de Belas Artes, convocou arquitetos e alunos para inventariar detalhadamente o acervo arquitetônico histórico brasileiro, visando produzir albuns a serem usados na divulgação do patrimônio nacional. Àquela época, neste propósito, a riqueza da paisagem arquitetônica e paisagística de São João del-Rei foi documentada por Nereu Sampaio. Muito se revelou...

O cenário encontrado na cidade por Nereu Sampaio era tão fantástico que  foi o primeiro bem tombado …

São João del-Rei. Segundo o Vaticano, uma das cidades mais tradicionais do mundo católico

A Semana Santa já dobrou a esquina. Agora, só no ano que vem... Como disse um poeta, penso que Adélia Prado,

"uma cor tão roxa desmaia. Uma dor tão grande não há. Só quaresmal ninguém suporta ser."
Mas a precisão cirúrgica - e ao mesmo tempo tão poética, quase lírica - com que as celebrações da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo em São João del-Rei são descritas e narradas neste vídeo, colhido do Youtube, torna-o atemporal, oportuno de ser visto em qualquer tempo. Então...



Veja, abaixo, parte da descrição do vídeo:

Minas Gerais é nacionalmente conhecida pela beleza de seus ritos litúrgicos, que são realizados com minúcias memoráveis. São João del-Rei é uma das cidades mais antigas do estado e segue os rituais com pompas e iconografias únicas, sendo até reconhecida pelo Vaticano como uma das cidades mais tradicionais do mundo católico. A Jovem Pan Online foi até a cidade e acompanhou a cerimônia e, agora, mostra para você as curiosidades das cerimônias pascais mineira…

Sabedoria de São João del-Rei na poesia de Bárbara Heliodora

Às vésperas de se completar, no dia 24 de maio, o 192º ano da morte de Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, heroína inconfidente, filha de São João del-Rei, o almanaque eletrônico Tencões & terentenas reverencia sua memória divulgando aqui, para a geração atual, um dos poemas que, no século XVIII, ela escreveu para seus quatro filhos.

Na obra - que tem  valor ainda maior considerando ter sido escrita numa época em que, no Brasil Colônia, poucas mulheres eram letradas - Bárbara Heliodora transmite valores humanos de grande sabedoria, ensina virtudes e recomenda atitudes prudentes e sensatas.

Aprendamos com ela e repassemos para os mais jovens!

Conselhos a meus filhos
Meninos, eu vou ditar As regras do bem viver, Não basta somente ler, É preciso ponderar, Que a lição não faz saber, Quem faz sábios é o pensar.
Neste tormentoso mar De ondas de contradições, Ninguém soletre feições, Que sempre se há de enganar; De caras a corações Há muitas léguas que andar.
Aplicai ao conversar Tod…

IPHAN cortou asas do Red Bull em São João del-Rei mas cidade continua querendo voar

 Em fins de abril, começo de maio, uma nova "Guerra dos Emboabas" quase aconteceu em São João del-Rei, repetindo um fato histórico ali ocorrido em 1708. Desta vez, de um lado está o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN e do outro um conjunto de instituições públicas e privadas, formado pela administração municipal, parlamentares estaduais e federais da região e várias entidades associativas e representativas culturais são-joanenses.

Motivo: "enérgico", o IPHAN - que tem um escritório regional na cidade - não permitiu que o "energético" Red Bull desse asas a São João del-Rei, impedindo a realização, no Largo São Francisco, de um evento esportivo de visibilidade internacional, que já teve como cenário até as pirâmides do Egito e o Coliseu, de Roma: o X Fighters Jam Session, transmitido para 130 países.

Como a negativa gerou muitos e indignados protestos, o superintendente do IPHAN em Minas Gerais, Leonardo Barreto, falando para o …

São João del-Rei tem livraria-biblioteca de bolso. Você sabia?

 Quem desce apressado ou distraído o Largo Tamandaré, na direção do Museu Regional, caminhando pelo lado esquerdo, certamente não percebe que "no meio do caminho não tem uma pedra". Pouco antes do Beco da Romeira, que dá acesso ao Largo do Rosário, tem uma estação cultural interessante: a Livraria Libertas, que não deixa de ser quase uma preciosa pepita.

Discreta na apresentação externa, pequena no acervo, mas rica no conteúdo, bem pode ser considerada uma 'livraria de bolso'. Livros jurídicos, de literatura, fotografia e outras artes se dividem nas estantes; convidativamente ficam dispostos nas mesas de leitura, prontos para ser folheados. É que a despojada livraria pode ser usada também como breve biblioteca, já que alguns livros que não estão à venda podem ser ali consultados.

Da próxima vez que passar pelo Largo Tamandaré, se puder, entre na Livraria Libertas.Você vai conhecer mais uma surpresa cultural que São João del-Rei oferece e, com certeza, um bom papo co…

Humor e morte à moda São João del-Rei

 Em todo o país, ninguém duvida da esperteza do mineiro. Quanto mais cara de bobo tiver, mais astuto, mais matreiro o ser. Até na hora da morte. Só que não conta vantagem, não fala pra ninguém. No caladinho, dá nó em pingo d'água, não dá ponto sem nó; vê fumaça onde ainda não há sinal de fogo e não dá passo nem coice maior do que as pernas. Afinal, ensinam que em Minas entender logo é muito tarde; que bom mesmo é antecipar. Esse espírito deu origem a muitas piadas, como a reproduzida abaixo, cuja moral bem pode ser: macaco velho não mete a mão na cumbuca!

Corre a lenda que certo são-joanense estava muito mal de saúde. Sua vida estava por um fio, já a arrebentar em poucas horas. Definitivamente desenganado pelos médicos. Esgotadas todas as esperanças de dar socorro ao corpo, a única saída então era tentar salvar a alma. Para isso a família chamou um padre, para a extrema unção.
Piedoso e solidário, o sacerdote não negou o pedido. Como a morte não espera, adiantou-se o quanto pode e f…

São João del-Rei, da música, dos sinos e dos queijos...

São João del-Rei sempre foi conhecida pela qualidade e pelo sabor de seus queijos. Puros como a alvorada nebulosa dos dias frios de inverno, fresquinhos como o orvalho, branquinhos, imaculados e únidos como a neblina das montanhas alterosas.Tanto que, carinhosamente, durante muitas décadas, a cidade ficou conhecida em todo o país como São João dos Queijos.

Nos anos sessenta e setenta, produto são-joanense conhecido nacionalmente era o pão de queijo do Lelé. Não havia quem, tendo passado por São João del-Rei e conhecido a delícia de polvilho e queijo, esquecesse seu cheiro, sua consistência e seu sabor.

Não tem jeito,  queiramos ou não o tempo passa. Mas, felizmente, algumas referências não. São João del-Rei continua sendo São João dos Queijos. Que o diga quem conhece o Rei dos Queijos, que funciona no Mercado Municipal. Queijo Minas fresquinho, catiara, provolone, gorgonzola, mussarela de trança, de bolinha e cabacinha, parmesão, brie, do reino, goulda, goiabada cascão, pessegada, do…

13 de maio - Brasil reconheceu, em São João del-Rei, influência afro-brasileira no barroco mineiro

Não é sem motivo que se diz: a cultura afro-brasileira cada vez ganha mais espaço, é reconhecida e fortalecida em São João del-Rei. Transcendendo o aspecto cultura / folclore / espetáculo (sem dúvida também muito importante), a questão volta e meia é tratada com grande profundidade e abrangência nacional, por instituições respeitáveis. Até sob novos enfoques, como por exemplo reconhecendo a participação negra na autoria e construção da arte "clássica" mineira.

Exemplo disto foi a 22ª Assembleia Nacional do Instituto Mariama - associação que congrega bispos, padres e diáconos do Brasil - realizada na cidade há menos de um ano, mais precisamente no período de 26 a 30 de julho de 2010. Presidida pelo padre Guanair da Silva Santos, era propósito do evento, progressista e ousado: "... Trabalhar para que os padres sejam homens comprometidos com a transformação da realidade a partir do anúncio do Evangelho, que nos impulsiona a estar com os olhos abertos à situação atual da co…

13 de maio. Abolições & ebulições em São João del-Rei

Especialmente na última década, expressões da cultura negra cada vez ganham mais espaço e visibilidade em São João del-Rei, passando a fazer parte, inclusive, de programações comemorativas oficiais. Grupos de congada ressurgem; novos grupos de capoeira se criam, até maracatu às vezes se ouve na "terra da música". O tema negritude se faz presente em exposições de arte, seminários e debates. Isto é bom. Como consciência política, negritude está ganhando mais cor em São João del-Rei.

Festejando este avanço, ouça Baba Alapalá, que fala sobre o conhecimento e a busca da ancestralidade negra.

13 de maio - São João del-Rei negro

 Quem andar pelas ruas de São João del-Rei de olhos semicerrados - obscurecendo a visão para melhor observar a dinâmica social - terá a impressão que a cidade é de uma única cor. Que os são-joanenses são todos uma gente morena, feita de um barro só, exposto igualmente ao sol, pelo mesmo tempo, para queimar.

De olhos abertos, a realidade é outra: negros e mulatos, em notória maioria, reforçam a cor da paisagem humana. Com alegria esfuziante ou recatada timidez, com nobreza e fidalguia das antigas cortes africanas ou com a humildade de quem, desde a escravidão, foi explorado e teve tudo subtraído. Com  força mansa, atitudes delgadas e vozes sonoras mas com a emoção que remonta a crimes históricos.

Até para os são-joanenses, todos, às vezes parece que não há diferença. Que brancos, negros, mulatos e morenos somos todos iguais. Essa relativa igualdade é positiva, ainda mais que  foi impulsionada pela força flexibilizadora da arte na qual, desde os tempos do ouro, negros e mulatos se desta…