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Mostrando postagens com o rótulo arquitetura

Cara e coroa. A outra face da rica memória de São João del-Rei

Nem só de grandiosidade e opulência vive o patrimônio arquitetônico de São João del-Rei. Para além de igrejas magníficas, nobres casarões e elegantes sobrados, que encantam gentes do mundo todo, a cidade possui também outro tipo de patrimônio construído, igualmente importante.  Assim como os monumentos patrimonialmente consagrados, que em geral registram a história dourada do domínio português, da igreja católica e da nobreza da época colonial, este outro patrimônio é igualmente valioso, porém muito diferente. Em sua grande maioria, ele é registro da história das pessoas humildes, que em épocas passadas viveram entre muitas dificuldades e, mesmo assim, contribuíram decisivamente com sua força de trabalho - e também com sua criatividade - para a construção do que é a identidade são-joanense. Aliás, mais do que a identidade, mas a própria alma de São João del-Rei. Um ótimo exemplo é esta residência da foto. Edificada na subida do Largo da Cruz rumo ao Alto das Mercês, fa...

Entusiasmo, harmonia e felicidade nas cores de São João del-Rei

Às vezes, muito pouco é bastante para tornar a paisagem urbana de São João del-Rei, com seu belo casario, ainda mais bonita, alegre, poética e vibrante. E ninguém duvida que, vivendo em um ambiente visualmente mais estético, harmonioso e equilibrado, a rotina do dia a dia torna-se menos enfadonha e mais suave, fazendo as pessoas mais felizes. Mais beleza, mais conforto, menos estresse! Em nossa região, as estações do ano são bastante definidas e isso nos facilita perceber os tons firmes de nossa natureza - das montanhas, do céu, das árvores e das flores - o perfume característico de cada época, diferentes entre si, mas quase todos doces e suaves. O céu sempre azul, em certas épocas com pinceladas rosadas, avermelhadas, alaranjadas e mesmo arroxeadas, principalmente no crepúsculo e no amanhecer. O que isso nos quer dizer? Que a natureza faz a parte dela, mas que também precisamos fazer a nossa para deixar ambiente mais bonito. Na escolha das cores da fachada de nossa casa, por ex...

São João del-Rei. Aposto que aqui tem coisa que você ainda não viu!

Mesmo quem vive em São João del-Rei, e atravessa todo dia as ruas, praças e becos do centro histórico, pode sempre se surpreender com a paisagem. Basta desprender-se do pensamento demasiadamente racional e da visão rotineira dos caminhos e percursos, para deixar livre o olhar e, então, ver o que sequer  imagina. Os telhados, por exemplo, com suas sucessões de muitas águas, formando belas geometrias, com a textura das telhas curvas, coloniais, que alternam cores que vão do marrom e do avermelhado até o quase ocre-rosado das capas e bicas mais novas, que foram trocadas há pouco tempo. Eles mostram uma face surpreendente e praticamente desconhecida da paisagem são-joanense, acostumados que somos a olhar apenas as fachadas do casario. Que também são muito bonitas. Aliás, como são belas as fachadas das casas e sobradões do centro histórico de nossa cidade! Retratando diferentes estilos, característicos principalmente da evolução econômica, social e cultural que marcou São J...

São João del-Rei de todos os tempos, de todos os estilos, sem preconceito...

Andar pelo centro histórico de São João del-Rei, prestando atenção nos detalhes de sua arquitetura, é uma viagem no tempo, rica de linhas e estilos - um prato cheio para dar asas à imaginação. Além das torres, telhados, frontispícios, pináculos, portadas, colunas, cornijas, coruchéus, cimalhas, rocalhas, ombreiras, aldabras e tudo o mais que é tipico da arquitetura colonial, a cidade possui exemplares  preciosos de outros estilos arquitetônicos característicos a séculos seguintes ao período setecentista, também muito ricos em suas figuras, linhas e curvas. Isto, aliás, é o que particulariza São João del-Rei em relação a outras cidades históricas mineiras, tornando-a arquitetonicamente mais plural, diversificada e rica, como um relógio que marca a passagem do tempo, por meio de suas construções. Figuras de animais, letras , flores, plantas, flechas, setas, estrelas, corações, enfeitam diversas construções do centro histórico e de outras áreas antigas um pouco mais afastadas, ...

Líricos e poéticos becos de São João del-Rei: Beco do Salto, veiazinha de um coração colonial

O Beco do Salto é como uma veiazinha estreita e acanhada, na aurícula mais colonial do coração histórico de São João del-Rei. Unindo a Rua Santa Teresa à Rua Santo Elias e desaguando em esquina da casa mais antiga da cidade, tem por vizinhos próximos, quase porta a porta, uma grande pedreira com uma mina de ouro, a igreja e o Cemitério do Carmo, o Chafariz da Municipalidade, o Largo da Cruz, o Largo do Carmo e a Sociedade de Concertos Sinfônicos de São João del-Rei. Tão grande e por tanto tempo foram sua timidez e autoabandono que suas casas quase se autoarruinaram. Hoje, com restaurações, estão novamente reforçando sua face de outros tempos. A memória nacional ganha com isto. Personagens famosos, verdadeiramente importantes na cultura musical de São João del-Rei, moradores de um pequenino sobrado no Beco do Salto, foram o violinista Geraldo Ivon da Silva, o Geraldo Patusca, e sua primeira esposa, Maria José, a Maricota - ambos músicos da Orquestra Lira Sanjoanense. Ali, sob esta...

Beco do Capitão do Mato: atalho entre o Céu e o "Inferno" na São João del-Rei colonial

Desde seu planejamento urbanístico original, esboçado na segunda década do século XVIII, São João del-Rei aviva antagonismos urbanos próprios do espírito barroco, aqui muito fecundo. A própria geografia local, com seus montanheses altos e baixos, impôs um traçado urbano diversificado, com becos estreitos e ruas sinuosas que se convergem em largos claros, amplos, arejados e esplanados, povoados por chafarizes, pelourinho, lampiões, jardins e monumentos, coroados por templos que são tesouros de outros tempos. Um bequinho muito conhecido, mas quase anônimo, é o que liga a face lateral da igreja do Carmo à Rua da Cachaça e da Alegria. Talvez, porque seu nome lembra a brutalidade e os terrores da escravidão. Beco do Capitão do Mato, diz o historiador Fábio Nelson Guimarães, em sua obra Ruas de São João del-Rei . Menor em extensão, porém tão belo quanto o Beco do Cotovelo, Beco do Salto, Beco da Romeira e Beco da Matriz, a história injustamente não lhe deu a mesma nobreza nem o mesm...