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Mostrando postagens com o rótulo Guerra dos Emboabas

Viva o Príncipe Celeste nas terras de São João del Rei!

  - Valei-me, meu São Miguel Arcanjo! Não foram poucos os são-joanenses que com estas palavras, algum dia, invocaram a proteção dele: o anjo poderoso que, com sol no peito e espada de fogo, é invencível na luta contra o mal e contra os maus. É infalível no combate ao Maligno, a quem, com seu olhar brilhante e firme, porém sereno, e o nome de Deus em pensamento, afugenta e acorrenta no fundo do Inferno. Trazendo-nos a temperança, a justeza, a justiça e o equilíbrio, dele pende na mão esquerda uma balança de dois pratos, onde compara em peso as virtudes e as impurezas do mundo. Dizem que São Miguel estabeleceu-se em São João del Rei nos primeiros anos do século XVIII, antes até que a febre do ouro e a cobiça pelo rico metal fizessem dos homens inimigos, na sangrenta Guerra dos Emboabas.   Sangue, selvageria, tortura, crueldade, destruição, morte, desolação, pavor. Nesta cruenta peleja, o  Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar ardeu-se em chamas, mas como por milagre, ...

Inconfidência dos escravos: Reis foram presos na Quaresma de São João del-Rei.

Da história colonial de São João del-Rei, especialmente de alguns capítulos, pouco se fala. A bem da verdade, deles nada se fala, principalmente quando não exaltam fatos grandiosos, vangloriam feitos gloriosos, louvam atos destemidos e corajosos daqueles que, por razões que aqui não vem ao caso, foram consagrados como heróis. Assim como em quase toda parte, também aqui a história dos oprimidos não consta dos livros de História. Uma pena. Mas vamos adiante... Desde os anos setecentos, a Quinta-Feira Santa sempre sensibilizou e mobilizou fortemente a população de São João del-Rei. Principalmente as cerimônias da Última Ceia do Senhor e do Lava-pés, além da visitação às igrejas, que retratam primorosamente e com grande criatividade as cenas bíblicas que contam os milagres, sermões e outras passagens da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Vem daquela época o costume, ainda hoje muito vivo, de na noite de Quinta-Feira Santa visitar uma a uma as belas igrejas barrocas e capelas do...

Em São João del-Rei, Mãe do Ouro fez estrela virar pepita e dragão virar serpente no fundo Rio Jordão

Quem anda por São João del-Rei se encanta com a paisagem urbana. Seus casarios, suas pontes, seus largos, seus jardins, suas escadarias, balaústres e monumentos. Se encanta com a paisagem religiosa. Suas procissões, suas novenas, seus ritos, seus ofícios, responsórios, antífonas, Te Deum's. Suas igrejas, seus anjos, seus santos, suas portadas e suas torres. Se encanta com sua paisagem sonora. Seus toques de sino, dobres, tencões, terentenas, tens-tens, floreados, repicados, canjica queimou. Seus sons de orquestra, violinos, violas, bombardinos, trompetes, trompas, trombones, flautas, vozes. Seus toques de banda, dobrados, marchas. Seus apitos do trem, das fábricas, com o estrelamento ruidoso e brilhante de seus foguetórios... - Mas e a paisagem humana de São João del-Rei, o que ela nos mostra? - Ora, muito mais do que a gente imagina! A paisagem humana de São João del-Rei é feita de tempo, de sonho, imaginação e sentimento. Ela está em toda parte. O tempo todo. É só ...

Fortim dos Emboabas: riqueza ainda escondida entre as pepitas de ouro de São João del-Rei

O passado de São João del-Rei, notadamente nos tempos coloniais, resplandece não só de ouro e arte. Ele reluz fatos históricos decisivos em um momento em que Minas Gerais nascia e o Brasil, ainda Colônia Portuguesa, firmava as juntas na construção de sua identidade - como povo e como pátria. Mas São João del-Rei - é verdade - ainda não utiliza, convictamente, a lembrança de fatos históricos em favor do seu fortalecimento turístico. Um dos mais antigos e marcantes acontecimentos que literalmente incendiaram o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar foi a Guerra dos Emboabas. Em um brutal enfrentamento acontecido na região ocorreu o sangrento Capão da Traição - episódio violento no qual forasteiros "emboabas", vindos de toda parte para Minas em busca de riqueza, enfrentaram e massacraram os bandeirantes paulistas que insistiam pela exclusividade na exploração e posse das minas de ouro. Hoje na sombra do passado, o Capão da Traição foi definitivo na criação das primeira...

São Sebastião: contra a peste, a fome, a guerra, a amargura e a tristeza, protetor de São João del-Rei

De um lado, o sonhado Eldorado. O ouro a rolar entre o redondo cascalho, a misturar-se às raízes do capim silvestre, a escorrer pelos fios d'água, a se infiltrar em veios profundos no meio do quartzo rochoso. De outro, a cobiça, a violência, a ganância, o desvario, as febres, as crenças, as trapaças, os homicídios, delírios, traições, desorientações e alucinações. No meio de tudo, no ponto de exato equilíbrio entre os lados extremos - a falta, a falsidade, o feitiço, a fúria e os funestos sentimentos. Foi neste universo que São Sebastião chegou a São João del-Rei, mal amanhecera o século XVIII para, com seu lume, seu poder e suas flechas, abrandar os ânimos, abrir os caminhos, clarear as noites, iluminar as trevas da alma e proteger são-joanenses e forasteiros contra a peste, a fome e a guerra. Sua primeira casa foi a capela de capim e taipa, erguida no Morro do Bonfim e incendiada na Guerra dos Emboabas - idos de 1709. Mas ele sobreviveu e hoje vive altivo em altar dourado ...

Quem escreveu, com letras arabescas, os primeiros capítulos da dourada história de São João del-Rei?

A história de São João del-Rei e tão antiga - e dá tantas voltas no tempo - que muitos nomes que a escreveram estão diluídos nos séculos, esquecidos das memórias, desconhecidos do são-joanense de hoje. Um deles é o do capitão José Álvares de Oliveira. De origem legitimamente portuguesa, Álvares de Oliveira viveu em São João del-Rei por quase cinquenta anos, aqui chegando pouco depois da descoberta do ouro na Serra do Lenheiro e da criação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar. Aqui, teve participação destacada, como capitão, na violenta Guerra dos Emboabas, que aterrorizou a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro entre 1708 e 1709. Com a instituição da Vila de São João del-Rei, em 8 de dezembro de 1713, foi eleito procurador da primeira Câmara e depois, em 1719, juiz ordinário do Senado da Câmara. Em 30 de outubro de 1751, eleito fiscal da Real Casa de Fundição da Vila de São João del-Rei, não aceitou o cargo. Seu estado de saúde não era bom e, além do mais, a sensatez sabi...

Um canto de louvor e gratidão, de São João del-Rei, para sua áurea, excelsa e espanhola padroeira

Outubro, mais precisamente no dia 12, é a data consagrada à padroeira de São João del-Rei, Nossa Senhora do Pilar. Contam que a Virgem aqui chegou em imagem primitiva, trazida pelos próprios bandeirantes, a quem protegia de perigos, tristeza, violências, emboscadas, animais peçonhentos, maus pensamentos e infortúnios. Em troca, de início eles lhe construíram uma capela, incendiada em 1709, no final da Guerra dos Emboabas. A matriz atual, dedicada à Virgem espanhola começou a ser construída em 1721 e é um dos mais belos templos do barroco brasileiro. Nela acontecem as principais cerimônias da Semana Santa mais tradicional do Brasil, algumas únicas em todo o mundo. Volta e meia ali se ouve a música colonial de uma novena, dobres e repiques de sinos em tencões e terentenas. Da Matriz do Pilar sempre sai uma procissão... Como aqui se repete há quase 300 anos, a novena de Nossa Senhora do Pilar começa no dia 3 de outubro e vai até o dia 11, véspera da data maior. A parte musical, comp...