sexta-feira, 29 de junho de 2012

Em São João del-Rei, "a terra parece que evapora tumultos ... a natureza anda inquieta consigo"

Quarta vila colonial instituída em Minas Gerais, em 1713, muito influenciada pelos efeitos e consequências da sangrenta Guerra dos Emboabas que ali ocorrera em 1709, São João del-Rei vivia, nos seus primórdios, o mesmo clima de desaforos, desmandos, insurreições, violências e conflitos que predominava nas demais vilas mineradoras.

A situação era tão perturbadora para a metrópole portuguesa que o Conde de Assumar, então governador da Capitania, assim definiu a região das minas de ouro e diamantes:
              
               "A terra parece que evapora tumultos; a água exala motins;
                o ouro toca desaforos, destilam liberdades os ares.
                Vomitam insolências as nuvens, influem desordens os astros,
                 o clima é a tumba da paz e berço da rebelião. 
                 A natureza anda inquieta consigo
                 e amofinada por dentro, como é lá no inferno."

Passados praticamente 300 anos, muito do que escreveu o Conde de Assumar ainda prevalece em São João del-Rei, e tem se inflamado nos últimos dias, quando o assunto é a Câmara Municipal. Confira no vídeo abaixo.  
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Fonte: VASCONCELLOS, Sylvio. Mineiridade. Ensasio de CaracterizaçãoImprensa Oficial de Minas Gerais, Belo Horizonte,1968. 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

São João del-Rei - Terra da Música sempre foi fértil para as palavras grandiosas e eloquentes

Casarão colonial, tendo ao fundo as torres da Matriz do Pilar de S.J. del-Rei

Tão acostumados são os são-joanenses às pregações que fazem parte das grandes festas religiosas, complementando e situando no tempo e espaço o que representam as celebrações barrocas, que muitos deles - principalmente os bem-vividos - são capazes de se revelar excelentes oradores e fazer, de improviso e com propriedade, os mais tradicionais e setecentistas sermões: Sermão do Encontro de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos com sua mãe Maria Santíssima, Sermão do Calvário, Sermão do Descendimento da Cruz e vários outros. Se um orador sacro, ao ocupar o púlpito em uma destas ocasiões, não corresponder à expectativa na narração da história sagrada, tricentenariamente tão conhecida da população de São João del-Rei, com certeza causará críticas, frustrações e descontentamentos.

Pelo que se percebe, tão comuns no século XVIII, os sermões desde sempre fazem parte da história de São João del-Rei. Tanto que José Álvares de Oliveira, na obra escrita em 1750 relatando os primórdios da criação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes, refere-se às pregações feitas pelo orador sacro Mathias  Barbosa na Matriz de Nossa Senhora do Pilar.

Vários são os documentos históricos que tratam deste tema. Um exemplo, anterior até ao citado registro de Álvares de Oliveira, é o Livro de Compromisso da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo são-joanense relativo ao ano de 1727. No seu Capítulo 32, fala sobre os cuidados que deveriam ser tomados para que o pregador dos Sermões dos Passos das Sextas Feiras da Quaresma e de outros sermões da Ordem fosse compatível com a "grande devoção e piedade com que a Venerável Ordem Terceira do Carmo faz nas tardes das sextas feiras da Quaresma, à memória dos Passos da Sagrada Paixão de Cristo Senhor Nosso".

O mesmo Livro de Compromisso orientava quanto à "observância dos estilos até aqui (1727) praticados, para não desgostar nossos Irmãos zelosos e também pelo crédito de nossa religião nas ditas sextas feiras, em que concorre a maior parte desta cidade" e recomendava que o bom pregador fosse escolhido e convidado com grande antecedência, "a tempo para que estes se não possam escusar, alegando que têm já outros sermões".
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Fonte: MASSIMI, Marina. A Pregação no Brasil Colonial. Acessada em 26/06/2012 em http//www.cielo.br/scielo.php?pid=S0104-87752005000200009&script+sci arttext

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Tumulto e prisão na setecentista Câmara da Vila de São João del-Rei


Não é de hoje que a Câmara dos Vereadores de São João del-Rei, vez por outra, vê seu nome envolvido em situações, no mínimo, embaraçosas.

Prova disto é que, no dia 24 de junho de 1775, aquela 'Casa' teve que tomar providências contra o vereador Joaquim Lopes do Vale - "o único vereador que assiste nesta Vila dos que serviram o ano próximo passado".

Melhor dizendo, Joaquim era o único vereador que ficou no cargo por mais um mandato. Mas ele não honrou o cargo e, quebrando o decoro, insubordinou-se às normas, recusando com bravura carregar o estandarte do Senado, muito provavelmente no cortejo da procissão de Corpus Christi.

O ato e o fato, por terem sido considerados graves, tiveram a merecida punição. A Câmara da Vila de São João del-Rei deliberou que o vereador Joaquim Lopes do Vale fosse "preso e recolhido à cadeia por três dias, para emenda sua e exemplo a outros em semelhantes casos".

Enquanto isto, quase exatamente 237 anos depois, no dia 20 de junho de 2012 ...


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Fonte: CINTRA, Sebastião de Oliveira. Efemérides de São João del-Rei. Volume I, 2a edição, revista e aumentada. Imprensa Oficial de MG, Belo Horizonte, 1982.

terça-feira, 19 de junho de 2012

São João del-Rei sempre desejou boas noticias


Quarta vila ínstituída em Minas Gerais há quase exatos trezentos anos, já no século XVIII a próspera São João del-Rei desfrutava de tudo o que à época - mesmo improvisado e precário - era conhecido como progresso e modernidade.

No final dos anos setecentos, carteiros já circulavam por Minas Gerais. Armados, para proteger-se dos assaltantes, com os pés descalços e pesadas malas postais, percorriam os mais tortuosos e íngremes caminhos, para levar mensagens, cartas, notícias. Muitos deles levaram alegrias, saudades, sustos, esperanças e tristezas em palavras retorcidas, escritas com longas penas, para o povo de São João del-Rei.

O viajante inglês John Luccock, na sua viagem por Minas Gerais em 1817, registrou na caderneta de anotações o serviço prestado pelos carteiros. A minuciosa descrição inspirou o artista plástico Ivan Wasth Rodrigues a criar a obra acima, que integra a série de cartões postais Evolução dos uniformes de carteiros, lançada pelo Museu Postal e Telegráfico, possivelmente nos anos 80 ou 90 do século passado.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Muxinga. Em São João del-Rei todo mundo sabe onde fica. Pouca gente sabe o que significa


Famosa em São João del-Rei por ser o endereço do artesanal e encantado presépio natalino (foto), de dois grandes e centenários cemitérios e, mais recentemente, da Capela do Espírito Santo e do Memorial Natividade, a ladeira da Muxinga é um lugar bastante conhecido dos são-joanenses. Inclusive é a rua onde muitos, contrariados, passam pela última vez, a caminho da derradeira morada.

Não fosse a urbanização, com certeza facilmente se confundiria com um morro, parte de uma montanha, tão acentuadas são suas curvas e inclinações. Em uma subida tem até duas alternativas de acesso: uma para carros e outra para pedestres, a segunda na forma de escadaria de pedras, disfarçada em degraus largos, com corremão de ferro. Do alto da Muxinga se tem belas e inusitadas visões facetadas e conjuntas do harmonioso e barroco centro histórico são-joanense, com suas torres, janelas, jardins e telhados.

Tudo indica que o nome Muxinga existe desde as primeiras décadas da elevação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes à categoria de Vila de São João del-Rei, mas nem todos sabem o que a estranha denominação significa. O saudoso historiador Fábio Nelson Guimarães, no seu livro Ruas de São João del-Rei, escreve linhas elucidativas sobre o topônimo Muxinga.

Sujeira, pancadaria e bordoada, ele aponta como sinônimos de Muxinga, e lembra que esses significados têm muito a ver com a localidade. Afinal, fica atrás da antiga cadeia pública (hoje Museu de Arte Sacra) e era o local onde os presos, no tempo colonial, eram levados para, sob ameaças e violências, confessarem suas culpas. Sem dúvida, muita sujeira, pancadaria e bordoada rolou por ali...

Outro sentido que ele apresenta para a palavra Muxinga é "depressão de solo, onde se acumulam sujeiras e ouro de aluvião" e, neste mesmo sentido, informa que Muxinga é palavra africana, que dá nome a "uma serra ao norte de Moçambique, muito rica em ouro."

Bom, o que é Muxinga, agora quem leu sabe!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Pepita barroca de São João del-Rei, entre pés-de-moleque e jabuticabeiras da Rua Santo Antônio

Capela de Santo Antônio, São João del-Rei (dez/2011) Foto do autor

Em São João del-Rei, musical, poética, estranhamente bela é a Rua Santo Antônio. Desafiando a gravidade, muitas de suas casas - ora térreas, ora assobradadas - jogam para trás suas paredes, recuam seus beirais de cachorro e de beira-seveira, algumas, até, os aéreos baldaquinos. Por que tudo isso?

Porque se extasiam com a graça da capelinha de Santo Antônio, setecentista pepita barroca, avulsa na paisagem comprida e retorcida da encosta por onde, há três séculos, entraram brancos bandeirantes, passaram morenos sertanistas, transitaram mulatos compositores sacros, vagaram negros escravos e forros.

Tão pequena quanto a palma da mão, a igreja é construção colonial, edificada antes de 1764, conforme relata o historiador Antonio Gaio, no seu livro Sanjoanidades.  Também sobre a mesma capela, o historiador Geraldo Guimarães, na obra São João del-Rei Século XVIII, conta que um testamento de 1778 oficializa doação para a capela de Santo Antônio do Tejuco, assim como no ano seguinte, 1779, ali se realizaram casamentos de escravos.

Mantendo tradição fervorosa, muitos são-joanenses visitam a capela toda terça-feira, onde acendem velas votivas em reverência ao santo, aliás muito popular e poderoso. Atribuem a Santo Antônio poderes importantes, como arranjar casamentos e 'afugentar demônios e tentações infernais, encontrar objetos perdidos, acalmar mares e furacões'.

Para o bem de todos e felicidade geral de São João del-Rei, a capela de Santo Antônio está sendo mais valorizada  no calendário religioso e cultural da cidade. Foi incluída no roteiro das visitações da Quinta Feira Santa e da Sexta Feira da Paixão e também da Procissão de Corpus Christi, onde o bispo dá a primeira bênção do cortejo.

Sempre que for visitá-la, observe a sofisticada cruz de pedra em seu frontão, o grande sino atipicamente instalado em uma janela, a artística balaustrada de madeira escura, os diminutos púlpito e coro e a beleza da talha de seu altar-mor.

terça-feira, 12 de junho de 2012

São João del-Rei aplaude em lembrança seu setecentista Mestre de Música Antônio do Carmo


Há 282 anos, exatamente no dia 12 de junho de 1728, o Senado da Câmara da Vila de São João del-Rei contratou o mestre de música Antônio do Carmo para "dar boa música, com dois coros" à festa do santo São João, nosso padroeiro. O valor pago pelo serviço? 40 oitavas de ouro.

Este seria apenas um registro contábil-administrativo não fosse oportunidade para trazermos à lembrança um dos mais importantes nomes da música em São João del-Rei - o do mestre Antônio do Carmo. A bem da verdade, é o primeiro nome de destaque na região, pois coube a ele, onze anos antes, em 1717, coordenar toda a atividade musical desenvolvida para homenagear o governador da Capitania de Minas Gerais e de São Paulo, Dom Pedro de Almeida e Portugal, o Conde de Assumar, em sua primeira visita à recém-criada Vila de São João del-Rei.

Em uma das apresentações destinadas ao governador, foi executado um Te Deum Laudamus, a dois coros, que segundo o maestro são-joanense José Maria Neves mais pareciam dois conjuntos de instrumentos de sopro semelhantes aos franceses chalumeau e bombardas. Por isso, eram popularmente conhecidos como "charameleiros". Ainda hoje executado em São João del-Rei, o Te Deum Laudamus é uma forma alternada de canto, onde os padres cantam um verso em gregoriano e o conjunto musical responde com um verso em música polifônica.

Desde então, e por muito tempo, na primeira metade do século XVIII, mestre Antônio do Carmo tornou-se o principal responsável pela parte musical das mais importantes festas realizadas na Vila de São João del-Rei. Em 1724, por exemplo, dirigiu a música da solenidade de bênção da nova igreja Matriz do Pilar. Depois, a programação musical da festa em homenagem a São João, em 1728. Em 1730, grande responsabilidade, mestre Antônio do Carmo coordenou a música executada em comemoração aos "Desponsórios dos Sereníssimos Príncipes Nossos Senhores".
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Fontes
http://www.dc.mre.gov.br/imagens-e-textos/revista-textos-do-brasil/portugues/revista12-mat3.pdf
http://opus.grude.ufmg.br/opus/opusanexos.nsf/d3000e7c5bf9c18583256efb006f7c03/2799e69cce289cbf8325791900618c24/$FILE/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Fernando%20Sales.pdf

terça-feira, 5 de junho de 2012

Irmandade do Rosário dos Pretos de São João del-Rei. A mais antiga irmandade negra de Minas Gerais


1º de junho de 1708. Nesta data foi fundada, em São João del-Rei, a mais antiga irmandade dos negros de Minas Gerais - a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Ela é, também, a mais antiga irmandade religiosa de São João del-Rei. Exatamente em 1708 começava na região a sangrenta Guerra dos Emboabas e o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes, com apenas quatro ou cinco anos de existência, sequer havia sido elevado à categoria de Vila.

Sua igreja - a primeira a ser construída no lado esquerdo do Córrego do Lenheiro, datada de 1719 - é considerada a mais antiga entre as ainda hoje existentes na cidade. Isto porque a capela de Nossa Senhora do Pilar que a precedeu, situada na margem direita do mesmo córrego, no Morro do Bonfim / alto do Morro da Forca, foi incendiada no conflito entre paulistas e emboabas, em 1709.

Apesar de ter sido, nos séculos XVIII e XIX, uma agremiação de escravos, a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos era uma instituição forte, o que demonstra como era importante e socialmente representativa a presença dos africanos em São João del-Rei. Tanto que a irmandade chegou a ter, até, uma "embaixada" - a nobre nação benguela -, que favorecia a reunião dos negros com a finalidade específica de fortalecer sua cultura. Irmandade e embaixada socorriam os irmãos negros desamparados, desasssistidos e necessitados.

Ainda hoje, no calendário religioso de São João del-Rei, a Irmandade do Rosário é responsável pela festa do Natal, com novena, tencões, Te Deum e rasoura do Menino Jesus. Também é em sua igreja que começam as comemorações da mais tradicional Semana Santa são-joanense, no Domingo de Ramos, com cânticos barrocos e saída de procissão para o Ofício de Ramos e Canto da Paixão, na Matriz do Pilar.

Aliás a própria localização da igreja do Rosário, rodeada de imponentes casarões em um largo desde sempre endereço da elite e em situação de igualdade geográfica, urbana e social com a Matriz do Pilar e com a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, é prova inconteste da força, reconhecimento e expressão que a comunidade negra conquistou em São João del-Rei e desfruta deste os tempos coloniais setecentistas.



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Sobre o mesmo tema, leia também
http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2011/05/13-de-maio-sao-joao-del-rei-teve.html

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Em São João del-Rei, ainda se lê, datilografado, o jornal mais rápido do país



Velocidade não é a principal característica do povo mineiro. Pelo contrário, o homem das montanhas de Minas é reflexivo, circunspecto, recatado. Pensa duas vezes, ou quantas vezes julgar necessário, antes de falar. Mas em São João del-Rei ainda existe um jornal que, há quatro ou cinco décadas atrás, chegou a ser considerado o jornal mais ágil do país, por lançar em um único dia três edições. Bastava que novidades importantes acontecessem. É o Jornal do Poste.

Doutor ou analfabeto, não existe são-joanense que nunca tenha parado nas calçadas para reparar o que noticiam as tabuletas pretas do Jornal do Poste, afixadas em diversos pontos do comércio central de São João del-Rei. Tão grande era a credibilidade do veículo que muitos são-joanenses, após ouvirem no rádio  notícias sobre acontecimentos importantes, iam até o mural para se certificarem de que aquilo tinha mesmo acontecido. Se estivesse no Jornal do Poste, então não havia dúvida: era mesmo verdade. Para muita gente, por exemplo, a chegada do homem à lua e a morte de papas só passaram a ser inquestionáveis quando foram noticiadas pelo Jornal do Poste.

Tema já estudado pela folkcomunicação, o Jornal do Poste foi criado em 1958. Falam que inspirado em, para uns, O Malho, para outros, O Cacete -  publicação apócrifa e manuscrita, que circulou na cidade lá pelos anos 20, afixada em postes. Diz a lenda que esse folheto, de uma só página e manuscrito, era redigido por uma mulher, com o objetivo de fazer denúncias, principalmente do que julgava hipocrisia da sociedade local e mal comportamento alheio.

Veículo de comunicação tão inusitado só podia mesmo ser obra de uma figura lendária: o fiscal fazendário e dono do Bar Bife de Ouro, João Lobosque Neto, para os são-joanenses Joanino Lobosque. A redação do Jornal do Poste? Era no próprio bar, onde Joanino, durante as madrugadas, ouvia os noticiários de rádio e, em meio a jiboias de criação, redigia - com versão pessoal - as notícias que divulgava, logo o dia clareasse, nos murais. Sobre sua conduta de funcionário público, quem o conheceu nos velhos tempos relata que era exemplar. Penalizava com neutralidade e igual rigor tanto comerciantes ricos quanto 'ladrões de galinha'.

Para o "jornalista" Joanino Lobosque, São João del-Rei era mais importante do que Roma, Paris e Nova Iorque, pois, como declarava para definir sua linha editorial,  "uma briga num bar daqui é mais importante do que uma revolução outro lado do mundo".

O Bar Bife de Ouro fechou suas portas há muito tempo. Joanino Lobosque também faleceu há décadas. Mas o Jornal do Poste, patrimônio cultural da cidade onde os sinos falam, continua vivo em São João del-Rei. Ainda datilografado com fontes grandes e manchetes escritas a pincel atômico azul, preto ou verde, está cada vez mais enfraquecido - é verdade - pela concorrência desleal dos atuais meios de comunicação de massa, que tudo transmitem, a mil vozes, em tempo real.

Sem dúvida, o Jornal do Poste é um marco da comunicação de uma era passada, em especial da comunicação praticada em uma cidade do interior, cuja tradição jornalística remonta ao século XIX, com o periódico Astro de Minas. Da mesma forma que impulsionou a criação de todos os outros muitos murais que até hoje "circulam" parados nas fachadas comerciais da cidade, bem que o modelo do Jornal do Poste poderia inspirar o surgimento de um veículo contemporâneo de comunicação, próprio de São João del-Rei, na temática, linguagem, repertório, interesse e competência que são característicos desta cidade histórica.
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Fontes: www.overmundo.com.br
              http://encipecom.metodista.br/mediawiki/index.php/A_voz_do_Poste:_Um_estudo_do_ve%C3%ADculo_comunicacional_%E2%80%9CJornal_do_Poste%E2%80%9D_na_cidade_de_S%C3%A3o_Jo%C3%A3o_del_Rei