terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Em São João, o Céu desce ao chão, Domingo de Passos, na procissão



Faltam menos de duas semanas para o Domingo de Passos, um dos dias mais belamente impactantes da religiosidade de São João del-Rei. Com suas rasouras, missas cantadas, adoração da Cruz, oque de sinos enfeitados com penachos de papel crepom, procissão do Encontro, canto dos motetos sacros e sermões, é uma tradição grandiosa e singular de nossa cidade e, pela riqueza de sua autenticidade barroca, não encontra similar tão genuína, original, tocante e expressiva em outras partes do mundo. Muito amada pelos são-joanenses, a Festa de Passos é um dos orgulhos de São João del-Rei.

Uma das faces mais bonitas da Festa de Passos é a legião dos anjinhos, com a delicadeza e a inocência das crianças, algumas muito pequenas, às vezes até carregadas no colo,  vestidas com túnicas de cetim claro, coroa de flores miúdas e até com asas. Mas acontece de alguns anos o número de crianças vestidas de anjo ser menor, principalmente porque a Festa de Passos é a primeira grande celebração da Semana Santa e, em nossa cidade, acontece quando a Quaresma ainda está pela metade.

Pensando nisto, este Almanaque Eletrônico, juntamente com a Irmandade dos Passos, com o Museu de Arte Sacra, com a Atitude Cultural, com a Associação dos Amigos de São João del-Rei e com a JUNFEC, lançou o projeto Anjos del-Rei, cujo objetivo é incentivar o aumento da quantidade de anjinhos nas procissões de São João del-Rei, em especial nas atividades do Domingo de Passos, que acontecem em horário muito favorável para as crianças.

Uma das atividades deste projeto em 2016 é esta mensagem dirigida aos pais, mães, tios e padrinhos de crianças que gostariam de sair nas procissões:

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Projeto Anjos del-Rei

Com inocentes anjinhos
o Céu desce ao chão
nas belas procissões
de São João del-Rei


Prezado são-joanense,

A infância é uma das fases mais abençoadas, bonitas, felizes e importantes de nossa vida. As coisas boas que vivemos quando somos crianças não esquecemos mais, nem quando crescemos e ficamos adultos. Por isto, as crianças devem aproveitar bem e viver tudo o que a infância lhes oferece.

As procissões de São João del-Rei são muito bonitas, com seus belos andores enfeitados, as irmandades, a banda de música e as crianças vestidas de anjinho. Quanto mais crianças vestidas de anjinhos, mais bonitas são as procissões. Parecem o Céu, onde as crianças, inocentes, adoram a Deus em Seu Trono e brincam em redor de Nossa Senhora e de todos os santos. Por isto, os anjinhos são tradição importante nas procissões de nossa terra.

 Diante disto, convidamos você a proporcionar a seus filhos, netos e sobrinhos a oportunidade de vestir-se de anjinho nas procissões e viver uma experiência de que jamais se esquecerão. É só providenciar uma túnica de cetim de cor clara, uma coroa de flores miúdas (e, se possível, as asas) e comparecer na igreja meia hora antes do início da procissão. Se não for possível fazer a roupa, talvez seja possível conseguir alguma emprestada na Casa Paroquial do Pilar, mas é bom lembrar que existem poucas disponíveis.


Vestir-se de anjinho é agradar a Deus, contribuindo para a beleza das tradições de nossa terra, e também viver uma experiência única e encantadora. Traga sua criança para ser  anjinho em nossas procissões. Elas serão gratas pelo resto da vida!

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Texto: Antonio Emilio da Costa
Foto: JUNFEC

sábado, 20 de fevereiro de 2016

São João del-Rei e suas esquinas. São João del-Rei e suas sinas. São João del-Rei & outras Minas!


A escolha do nome São João del-Rei, dedicando a Vila erigida em 1713 em honra ao faustoso Rei Sol Português D. João V, selou para a cidade um destino luminoso. A cidade reluz como ouro, brilha como o astro-rei, pulsa como um coração apaixonado, sopra como uma brisa suave, murmura como a confessar um carinhoso segredo de amor. São João del-Rei é festa, é luz, é música, é arte, é vida, é devoção, é gozo. São João del-Rei é inspiração.

Tanto é assim que no ano passado a cidade ganhou parte do título de um livro e vários poemas do escritor Nelson Di Francesco, paulista da capital do estado bandeirante, apaixonado por São João del-Rei desde que aqui veio pela primeira vez, há coisa de dez anos. A obra, chamada São João d'El-Rey e outras Minas, foi lançada em 2015 e reúne poemas, crônicas, reflexões poéticas, pensamentos, sentimentos e percepções do autor sobre o universo histórico-barroco destas coloniais cidades alterosas, visto e sentido, principalmente, a partir desta terra de El Rey.

Nelson Di Francesco é apaixonado pela cidade: seu casario, suas ruas sinuosas, suas igrejas de muitos sinos e exércitos de anjos, seu chão de pedras, seus becos serpentinos apertados por casas tortas, seus doces, seus sabores, seus temperos, sua rica e musical sonoridade, sua tradicional religiosidade, sua gente simples, alegre, comedida, digna, generosa, modesta, acanhada, humilde, simpática, mineira.

Tudo isto ele nos mostra, com um olhar a um só tempo contemplativo e contemporâneo, em seu livro, que já está caminhando para a 3a edição, de tiragens muito limitadas. Tão minimamente limitadas que os exemplares bem poderiam ser numerados, como são as xilogravuras, litogravuras, gravuras em metal e outras obras de arte.

Nosso autor é de tal modo são-joanamente enfeitiçado que por duas vezes ao ano passa uma temporada na cidade.  Já pensou até em se mudar para cá, mas por enquanto alimenta esta paixão a uma certa distância, com o romantismo de antigamente, quando se namorava por correspondência.

Sua simbiose com São João del-Rei é tamanha que, quem o ver andando pelas ruas e largos da cidade certamente pensará que ele é o mais comum dos são-joanenses. E se algum desconfiado ou incrédulo lhe perguntar a origem, a resposta virá rápida, sincera, convicta e decidida: "sou são-joanense de coração"!

Ah, onde encontrar e como adquirir o livro? Na agência de turismo Rumos em Rotas (Rua da Prata), na Pousada Estação do Trem (Praça da Estação) e diretamente com o autor, pela internet / facebook






domingo, 7 de fevereiro de 2016

Sinos de São João del-Rei desobedecem Rei Momo e tocam até no Carnaval!



Carnaval ou não, todo domingo de manhã, de vários pontos da cidade 
se ouve os sinos da igreja do Carmo chamando os fiéis para a missa, 
tradicionalmente, com este sofisticado concertinho sonoro:



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Texto e foto: Antonio Emilio da Costa

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

No Carnaval de São João del-Rei o bloco Cordão da Zona concentra, mas sai!


Mesmo quando não tem o glamouroso desfile dos blocos carnavalescos oficiais e das tradicionais escolas de samba, o Carnaval de São João del-Rei é bastante animado.

Principalmente à tarde e à noite, os blocos espontâneos agitam os mais diversos pontos da cidade, mas se concentram principalmente nas ruas, praças do centro histórico, onde as paredes dos casarões, apertando os becos e cercando largos, dão ainda mais movimento e agito ao mar de gente, fazendo o canto, o batuque, as marchinhas tocadas pelas bandas de sopro e o som elétrico ecoarem ladeiras acima e abaixo.

Não tem cetim, lantejoula, pluma, pedraria, confete nem serpentina, mas o improviso - mais parecido com descontraído de todo dia - tem no conforto e liberdade duas de suas grandes vantagens. Por outro lado, há pouca cor e alegoria, quase nenhuma fantasia, tudo é realidade, porém com mais alegria.

Um dos blocos que a cada ano se torna mais tradicional é o Cordão da Zona que, como não poderia deixar de ser, concentra, mas sai, da Rua da Cachaça, que ainda hoje faz jus ao nome e, antigamente, era o endereço das casas da luz vermelha.

Em 2016, por exemplo, quem sair no Cordão da Zona com sua banda vai cantar o seguinte:


"Vem pro Cordão da Zona meu bem
Vem que tem, vem que tem... (bis)
Tem uma grande festa de brilhos e cores,
Paz, amor e alegria.
Tem carnaval de verdade
Pra qualquer idade cair na folia.
Vem pro Cordão da Zona meu bem
E traz quem quiser que é de graça.
Vem pro Cordão da Zona meu bem
Na Rua da Cachaça."
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Texto: Antonio Emilio da Costa
Música: João Oliveira
Foto: Barteliê