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Casa do Tesouro diversifica os mosaicos do rico caleidoscópio cultural de São João del-Rei

A cultura de São João del-Rei é diversa, múltipla, plural e complementar.Vem de muitas matrizes, de sucessivas épocas históricas, de origens variadas. É uma cultura de matizes diferentes, porém convergentes em uma única direção: a valorização do homem, sua dignificação, elevação e felicidade. Por isto é tão rica. Ela acredita no paraíso, certa de que ele existe e de que grande parte dele pode ser vivida em São João del-Rei, e no presente. Talvez por se lembrar do que ensinou o Padre Antônio Vieira, no distante século XVI,  1694, quando em um sermão disse: " cada um sonha como vive ". Na verdade, São João del-Rei é um caleidoscópio cultural, onde algumas peças ocupam o centro e maior espaço e outras, menores, se movem nas pontas. Todas integradas. A cada movimento de todas ou de somente uma delas, novo mosaico se forma e se transforma, sem nunca se repetir. Neste panorama de avançado, evoluído e ecumênico respeito, a Associação Afrobrasileira Casa do Tesouro - E...

Lembrando os antigos carnavais, São João del-Rei pode rimar alegria e folia com soberania e cidadania!

Não são só a lembrança e a saudade dos são-joanenses mais velhos que dizem. Fotografias, panfletos, jornais antigos, marchas-rancho e sambas testemunham como era singular e grandioso o Carnaval de São João del-Rei por quase oito décadas no século XX. Esta fotografia, de 1923, mostra como era aristocrático, respeitado, elegante e refinado o Club X - no estandarte identificado como X PTO.  O Rancho Carnavalesco Custa Mas Vae,  na marcha-rancho composta em 1929, para servir-lhe de hino, esnobou lirismo, erudição e conhecimento da mitologia grega para exaltar uma das mais antigas agremiações carnavalescas de São João del-Rei. Seu compositor, J. Colombiano, vulgo Collombo, assim escreveu:                 "Como estrela a cintilar                   a luzir lá no céu / sempre azul.                   Tal é o Custa Mas Vae        ...

Na memória de São João del-Rei, onde foram parar Todos os Santos?

Uma tradição muito antiga que já dobrou a  esquina - e há décadas não se vê mais em São João del-Rei - é a Ladainha de Todos os Santos . Apesar de o dia de Todos os Santos ser 1º de novembro, em nossa cidade a ladainha era rezada na alvorada dos três dias que antecediam o domingo em que se comemorava a Ascensão do Senhor. A recitação acontecia durante uma procissão sem andor, que saía da Matriz do Pilar ainda de madrugada, antes do nascer do sol. Puxada pelo vigário, percorria em círculo irregular ruelas e becos do centro histórico, retornando para a mesma igreja de onde saíra. O padre, cantando, chamava alto, pelo nome, todos os santos e os devotos, em coro cantado, suplicavam também em alta voz: rogai por nós ! No passado, o clamor era em latim: ora pro nobis ! Tem coisas que o tempo leva e não traz de volta. Em São João del-Rei, a Ladainha de Todos os Santos foi uma delas. Ficou em algumas lembranças. Oxalá para sempre vire memória. Sobre o mesmo tema, leia també...

Quem escreveu, com letras arabescas, os primeiros capítulos da dourada história de São João del-Rei?

A história de São João del-Rei e tão antiga - e dá tantas voltas no tempo - que muitos nomes que a escreveram estão diluídos nos séculos, esquecidos das memórias, desconhecidos do são-joanense de hoje. Um deles é o do capitão José Álvares de Oliveira. De origem legitimamente portuguesa, Álvares de Oliveira viveu em São João del-Rei por quase cinquenta anos, aqui chegando pouco depois da descoberta do ouro na Serra do Lenheiro e da criação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar. Aqui, teve participação destacada, como capitão, na violenta Guerra dos Emboabas, que aterrorizou a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro entre 1708 e 1709. Com a instituição da Vila de São João del-Rei, em 8 de dezembro de 1713, foi eleito procurador da primeira Câmara e depois, em 1719, juiz ordinário do Senado da Câmara. Em 30 de outubro de 1751, eleito fiscal da Real Casa de Fundição da Vila de São João del-Rei, não aceitou o cargo. Seu estado de saúde não era bom e, além do mais, a sensatez sabi...

Em São João del-Rei, no mês de outubro, viva Nossa Senhora do Rosário!

Em São João del-Rei, antes que em qualquer outro lugar de Minas, "Bendito, louvado seja ô ganga,    o rosário de Maria!    No mundo, já era noite, ô ganga.     Lá no céu, parece dia... Foi por meio de nossa cidade que a Senhora do Rosário desceu nas terras mineiras. Antes que surgisse o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar, ela ainda não havia chegado nas regiões onde o ouro brilhava qual as estrelas. A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São João del-Rei é a mais antiga de Minas Gerais. A segunda mais velha do Brasil. Como não se orgulhar disso? Como não ser grato à Senhora do Rosário por esta preferência pelos são-joanenses, a quem, desde a madrugada do século XVIII, oferece o Menino Jesus e o rosário da salvação? Como não se rejubilar por esta distinção? A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Negros de São João del-Rei foi fundada em 1708, quando fervia na região a sangrenta Guerra dos Emboabas. Nenhuma vila t...