segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

São João del-Rei, a caráter, alegremente, abre alas para o Carnaval de Antigamente

Um dos momentos mais aguardados da festa de Momo em São João del-Rei é o entardecer do domingo de Carnaval. Nele, no cenário setecentista do Largo do Rosário, sob o olhar distante da lua nova e vespertina, a alegria dá piruetas com a folia, voltam cem anos no tempo e trazem para a rua o Carnaval de Antigamente.

A banda, centenária, sopra em seus metais marchinhas da infância de nossas avós, e à frente dela, a pé, no colo, no ombro, em carrinhos de bebê, vão foliões de todas as idades. Todos com sorriso no rosto, encantamento nos olhos, felicidade no peito e aceno nas mãos. Namorados, amigos, casais, pais e filhos, vizinhos, desconhecidos, o bloco do eu sozinho...

Salpicadas aqui e acolá, fantasias sentenciam que é Carnaval: palhaços, pernas de pau, bailarinas, arlequins, colombinas, piratas, espanholas, mágicos, ciganinhas, toureiros, acrobatas, havaianas, borboletas, joaninhas ... Chovem confetes, relampeiam serpentinas. Cores se movem pelo ar. À frente de tudo, abrindo alas, vão estandartes alegres e um animado corso de jardineiras, calhambeques e furrecas, enfeitados como no tempo do Chico Brugudum.

Concentrado em frente à igreja da mais antiga irmandade negra de Minas Gerais, o cortejo dá meia-volta e segue em frente. Passa pela rua estreita, atravessa a Ponte dos arcos do Rosário e floresce na Rua da Prata. Depois, desabrocha nos canteiros da lira que é o jardim do Largo de São Francisco.

Nesta hora, as estrelas invejosas, debruçadas no céu, suspiram:

                             - Salve a Atitude Cultural!
                             - Viva o Carnaval de Antigamente!...


Foto da abertura: São João del-Rei Transparente / Atitude Cultural

domingo, 23 de fevereiro de 2014

No Carnaval de São João del-Rei, feito de sonho e ilusão, qual é a sua fantasia?


Brincar o Carnaval. Esta expressão era o que mais se ouvia em São João del-Rei há até mais ou menos trinta anos atrás, quando chegava o mês de fevereiro. Agora, não se usa mais, caiu em desuso este modo falar. Apenas 'vou para o Carnaval', se diz. Sequer cordão, farra e folia... E não vai aqui qualquer saudosismo ou nostalgia. É assim, e pronto!

Naquele tempo, na verdade, o que se fazia no Carnaval era brincar, num faz de conta em que tudo se podia: o bancário ser sheik, a cozinheira odalisca, o farmacêutico pierrô, a escriturária colombina, o pedreiro arlequim, o carteiro Mandraque, a balconista havaiana, o relojoeiro pirata, a empregada doméstica trapezista, o açougueiro bebê-chorão, a "mulher da vida" dama antiga, o pai-de-família palhaço, a mãe-de-família melindrosa, o desempregado mandarim, o caixeiro Maciste, a professora fada madrinha, o escoteiro Peter Pan, a estudante meiga oncinha, o comerciário Nega-maluca, o funcionário da Prefeitura Aladim, o sapateiro faquir, o carroceiro centurião, a sorveteira domadora, o camelô ilusionista, o medidor da Cemig astronauta, o verdureiro zé-pereira, o sapateiro príncipe da lua.

Os mágicos destas metamorfoses? Costureiras, alfaiates, floristas, desenhistas, artesãos minuciosos, que numa alquimia de imaginação e engenho, tecidos brilhosos, tramas transparentes, armações de arame e papelão, brilhos falsos, reflexos convexos, faíscas de sonho, fagulhas de ilusão, centelhas de desejo, transformavam imaginação em realidade. Como Deus multiplicado criavam, para um tempo de três dias, os delírios das mil e uma noites...

São João del-Rei tem becos e esquinas. Tem alfaites e costureiras. Tem delírios, sonhos, cordões, liras, pierrôs e colombinas. Tem confetes e serpentinas. E então: que tal mandar fazer e vestir de novo, neste Carnaval, suas fantasias?...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Sabedoria de São João del-Rei encanta. Tanto pelo que mostra quanto pelo que esconde...

Na ancestralidade da história de Minas, raiar do século XVIII e infância desta terra, o ouro em São João del-Rei qual gabiroba era catado à flor da terra. Cada pepita brilhando à luz do sol, como num milagre, reluzia de eternidade uma semente do espírito de Minas.

O cobiçado metal exauriu-se, mas a semente brotou, floresceu e frutificou na forma de um "sigiloso desafio", como tão bem interpretou o célebre são-joanense Otto Lara Resende. Aliás, Fernando Sabino, na crônica Mineiros por Mineiros, jura ser de Otto um "causo" que bem mostra a sabedoria que subjaz nos códigos diários embaçados pela fumaça das cozinhas e pela sombra cheirosa dos velhos quintais são-joanenses.

Conta a estória que certo rapaz, em visita a uma casa amiga, quatro vezes foi convidado a jantar e quatro vezes recusou a oferta. Somente depois deste último não a dona de casa providenciou mais um lugar à mesa.

Terminada a refeição, a sobremesa, o licor, o café e a conversa, despediu-se o rapaz satisfeito e agradecido com tanta gentileza. Mas mal cruzou a soleira da porta da sala, os filhos ainda na sala de jantar perguntaram à matriarca qual a razão de tantos passos até que fossem providenciados talheres para o visitante. Sem qualquer dúvida, a mãe respondeu:

- " Pelo seguinte: a primeira vez, ele recusou por educação. A segunda, para ver se eu também não estava convidando apenas por educação. A terceira porque, tendo chegado sem aviso, podia ser que a comida não desse para ele. Na quarta negativa ele estava aceitando, mas não ficava bem dizer sim depois de ter dito não três vezes."

Como recomendava Tancredo Neves, "às vezes convém colocar as pelúcias do sim entre as asperezas do não!" - Ah, esses códigos inconfidentes do povo de São João del-Rei!...

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Fonte: CASTRO, Moacir Werneck, in Minas e Mineiridade. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 11/03/1995.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Lembrando os antigos carnavais, São João del-Rei pode rimar alegria e folia com soberania e cidadania!


Não são só a lembrança e a saudade dos são-joanenses mais velhos que dizem. Fotografias, panfletos, jornais antigos, marchas-rancho e sambas testemunham como era singular e grandioso o Carnaval de São João del-Rei por quase oito décadas no século XX.

Esta fotografia, de 1923, mostra como era aristocrático, respeitado, elegante e refinado o Club X - no estandarte identificado como X PTO.  O Rancho Carnavalesco Custa Mas Vae,  na marcha-rancho composta em 1929, para servir-lhe de hino, esnobou lirismo, erudição e conhecimento da mitologia grega para exaltar uma das mais antigas agremiações carnavalescas de São João del-Rei. Seu compositor, J. Colombiano, vulgo Collombo, assim escreveu:

                "Como estrela a cintilar
                  a luzir lá no céu / sempre azul.
                  Tal é o Custa Mas Vae
                  rivalizando com o Cruzeiro do Sul.

                               Phebo morre de ciúmes de ti
                                porque brilhas no Carnaval.
                               Vênus te rende homenagens.
                               És o Rancho Escola
                               o Rancho ideal.

                        És forte como Hércules,
T                     eu passado é de glória.
                        Tens um porvir glorioso,
                        viva a folia, viva a vitória!

                                 És bravo com denodo,
                                 e todos de ti bem dizem.
                                 Do Carnaval és a nata,
                                 brava gente heróica e juvenil.

                            Qual farol que ilumina o caminho,
                            tu és vencedor.
                            Sempre, sempre altaneiro,
                            brilhas com muito e com grande esplendor.

                                     Do civismo és a alta expressão.
                                     Tu jamais serás abatido.
                                     Timoneiro valoroso,
                                     és o Rancho Escola,
                                     o Rancho ideal!"

Por tanta beleza e tanta riqueza, já é hora de se começar a pensar na criação de um pequeno memorial do Carnaval de São João del-Rei - ação que bem pode ser capitaneada pela Secretaria de Cultura, dedicando para isto uma sala do Museu Tomé Portes del-Rei. Ninguém melhor do que a Associação São-joanense das Escolas de Samba, Blocos e Ranchos  para sair em campo na busca de materiais como fotografias, fantasias e adereços, desenhos de figurinos e alegorias, letras, gravações e partituras de sambas-enredo. Tudo com a participação e apoio dos antigos e novos carnavalescos, foliões, intelectuais, historiadores e ONGs que se dedicam à questão da cultura e da memória.

Aliás, por falar nisso, há anos a Atitude Cultural atua com esta visão. Além de criar o Carnaval de Antigamente, formou um banco eletrônico de imagens sobre o tema, a partir de imagens digitais cedidas pelos próprios carnavalescos, foliões e por suas famílias. Este material está o tempo todo disponível na internet e, na ocasião do Carnaval, sai às ruas para exposições itinerantes a céu aberto.

Quem foi que disse que folia e alegria não podem rimar com soberania e com cidadania? Só depende de intenção, participação e colaboração. Vocação para a felicidade? São João del-Rei já tem...

Uma curiosidade: pelo desenho do estuque da platibanda da fachada das casas ao fundo, pode-se arriscar que o local da fotografia é a antiga Prainha (hoje região do Terminal Turístico) Esteve o Pelourinho ali instalado no começo do século XX?


Leia também
http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2012/01/blog-post.html


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Ti-ti-ti da alegria com a morte? Só mesmo no Carnaval de São João del-Rei...



Em São João del-Rei, quando o assunto é Carnaval, a alegria não escolhe lugar.  Insubordinada na sua emoção despreocupada e expansiva, ignora restrições, subverte convenções, extrapola limitações - toma conta de todos. Em toda parte...

Democrática, dialoga com todos, rompendo barreiras possíveis e inimagináveis. E nem espera a chegada de Momo. Mal janeiro vira as costas, largos, praças, cantos, becos viram campos de artilharia das baterias de escolas de samba. Nem o Largo do Carmo, com sua pompa e circunstância, escapa. 

Pelo contrário, é exatamente no portão do solene e altivo Cemitério do Carmo que uma bateria se instala. Dali, do por do sol ao primeiro cantar do galo, vibra suas caixas, surdos, metais e chocalhos, hipnotizando em frenesi o requebrar alucinante das mulatas, o gingar gracioso das cabrochas, o deslizar dolente das pastoras, o gira-girar rendado das baianas. Toda noite. Tudo com o maior respeito. Quem disse que a alegria não combina com a lembrança e com a saudade?

Em São João del-Rei, quando o assunto é Carnaval, a alegria não se intimida com a morte. Quase a convida para a festa. Para isto, tem o Bloco dos Caveiras...

Para saber mais sobre o Bloco dos Caveiras, veja





domingo, 9 de fevereiro de 2014

A eterna rainha do Carnaval de São João del-Rei


A verdadeira rainha do Carnaval de São João del-Rei não desfila na passarela. Não se agita com a batucada, nem repete o requebrado dos becos tortos e das vielas estreitas. Não se perturba com os delírios nem desvairios da carne pulsante e ardente. Soberana e serena, olha tudo do alto, com seu fino diadema de prata, destacando no manto azul.

Dizem que ela é nova, mas sua idade, ninguém sabe. O que se sabe é que ela chegou por aqui muito antes dos primeiros bandeirantes que vieram em busca do Eldorado. Que ela viu nascer o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar, assistiu aflita a Guerra dos Emboabas, testemunhou o batismo de Tiradentes, o casamento de Bárbara Eliodora, a chegada da estrada de ferro, a passagem de Dom Pedro, a partida dos soldados são-joanenses para a guerra, entre tantas coisas que aconteceram nestes trezentos anos.

Na euforia, na sedução, na lascívia e no torpor do Carnaval, pouca gente vê quando a lua nova, por volta das seis da tarde do domingo, segunda e terça feira gorda, vem se despedir do sol, de entre as torres da igreja do Rosário. Verdadeira rainha do Carnaval de São João del-Rei, em poucos minutos ela completa lentamente seu suave movimento e, com seu leque de brisa  e manto de estrelas, descai silenciosa atrás da Serra do Lenheiro.

Houve um tempo em que ela tinha uma corte de pastoras sorridentes, cheirando a rosas, que saudavam seus encantos. Depois, conquistou um negro nobre e garboso que, apaixonado de entorpecido amor, cantava só para ela. Eram os ranchos carnavalescos Lua Nova e Príncipe da Lua, saudosos, com seus passoa lentos, ao som de marchas lânguidas e dolentes.

Mas isto tem setenta, oitenta, certamente quase noventa anos. E ninguém mais sabe ou lembra...


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Velhos carnavais. São João del-Rei, 1929: "um enorme, tonto, doido e alegre inferno"


A tradição do Carnaval em São João del-Rei começou nas últimas décadas do século XIX, semeada pelos entrudos, que mais tarde possivelmente deram origem aos blocos de sujos e zé-pereiras.

Na virada do século XX, mais precisamente no domingo de Carnaval 17 de fevereiro de 1901, aconteceu na cidade um baile a fantasia, promovido pela notável Sociedade Filarmônica Sanjoanense. A música, em sua maioria valsas, esteve a cargo da Orquestra Ribeiro Bastos e a chegada dos foliões, fantasiados ricamente e a caráter já era uma atração para o povo, que esperava em frente à sede da Filarmônica aquele desfile incomum.

Mas a década de 1920 despediu-se de São João del-Rei com um Carnaval grandioso. Em 1929, conforme divulgado no tablóide O Carnaval, editado pelo comércio local com tiragem de10 mil exemplares (a população são-joanense ficava na casa dos 20 mil habitantes), a farra de Momo foi descrita assim:

"... As duas magníficas avenidas, separadas pelo rio, formam como uma enorme praça aberta, onde se agita a onda borborinhante da folia; onde desfilam os carros do corso, numa corrente interminável de automóveis algazarrentos; onde se exibem e passam os cortejos luminosos, deslumbrantes; onde, emfim, a iluminação profusa, o businar de automóveis, o desfile de préstitos sumptuosos, com carros de confecção esmerada e vistosa, o vozerio das canções carnavalescas, as execuções animadas de várias bandas de música, os sons vermelhos do corpo de clarins do Club X, as batalhas, as luctas, as porfias de confetti, lança-perfumes, serpentinas, fazem da praça um enorme, tonto, alegre e doido inferno em que bem vale a pena a gente esquecer, apagar as máguas de todo um anno passado na vida apertada ou a apertar, cono nos vae esta, cada dia mais.

Quando o corso termina, quando os préstitos se recolhem, é então nas sedes das sociedades carnavalescas e nas sedes do Athletic Club e do Minas F.C. que intensifica o prazer, em animados bailes, durante os três dias. Sendo assim, o Carnaval em São João d'El-Rey, é natural que à cidade acorram, em grande número, os forasteiros, as pessoas de fora, a ver o que seja uma boa folia carnavalesca..."


Como se vê, desde aquela época o Carnaval de São João del-Rei é atração turística e atrai para a cidade milhares de foliões e visitantes. Mas isto é história para outro dia...
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Fonte: DANGELO, Jota. Subsídios para a história do carnaval de São João del-Rei, de 1950 a 2000. Editora Atheneu. SP, RJ, BH, 2003.

Foto: Corso moderno no Bloco Carnaval de Antigamente (Mauro Nuno)


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Sinos de São João del-Rei. "Sentinelas Sonoras" de meu coração


No crepúsculo de 2013, como mais um presente pelos 300 anos da elevação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes a Vila de São João del-Rei, nossa cidade recebeu um presente tão valioso quanto raro. Um inventário e uma radiografia daquela que é uma das mais singulares manifestações culturais de Minas e do Brasil - as vozes de bronze que do alto das torres, em linguagem muito antiga, desde o século XVIII conclamam para o regozijo e para o pranto: os sinos de nossa terra. 

Quem presenteou foi um homem nobre e digno, a quem a cidade muito deve, pelo tanto que ele contribui, com produção intelectual e tecnico-arquitetônica para a preservação do patrimônio de São João del-Rei - o arquiteto André Guilherme Dornelles Dangelo, ou simplesmente André Dangelo.

- Mas, afinal, o que foi este presente tão badalado?
- Ora, o livro Sentinelas Sonoras de São João del-Rei!

O livro é, pode-se dizer, a mais completa e detalhada obra já produzida sobre os sinos de São João del-Rei. Suas 168 páginas reúnem informações técnicas e contextuais, histórias e estórias dos sinos e dos sineiros, recolhidas, organizadas e relatadas por um autor que é mestre no assunto. Que desde menino subiu às torres para dobrar sinos, por influência de seu pai, que também semeou pelos ares, no vale do Lenheiro, dobres e repiques, tencões, floreados, ângelus, clens, tanquins, tens-tolins e terentenas. Estes são nomes de alguns toques de sinos locais.

Rico de glossários, descrições, explicações, ilustrações e imagens, o livro pesquisa a história dos sinos desde o tempo advento de Nosso Senhor Jesus Cristo, no Oriente, e o situa na São João del-Rei do século XXI. Conta como sua linguagem foi codificada, no século XVIII e, vencendo o tempo adverso, permanece viva e apaixonante para os sineiros, para são-joanenses e não-sãojoanenses.

Oferecendo também para os pesquisadores uma vasta bibliografia sobre o assunto, inclusive de sites, vídeos e documentos eletrônicos, o livro mostra a base científica que, ao lado da vivência pessoal do autor e da pesquisa de campo, fundamentou sua produção.

E para brindar outros sentidos, traz encartado um DVD com o inventário campanológico das igrejas de São João del-Rei, um documentário sobre o funcionamento das torres e o ofício dos sineiros, além do samba carnavalesco Sentinelas Sonoras do Bloco Unidos da Cambalhota (2008) e também do toque que é considerado o mais singular e sofisticado toque de sino de São João del-Rei: A Senhora é morta, executado unicamente na noite do dia 13 e em todo o dia 14 de agosto, pela morte de Nossa Senhora.

Vá ao Youtube, acesse http://www.youtube.com/watch?v=ACZ_4zxojXQ e veja / ouça o toque A Senhora é morta, gravado pelo exímio sineiro Helvécio Benigno.Você vai se surpreender com a beleza dos sons e das imagens.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

São João del-Rei. Sempre São João del-Rei! Salve São João del-Rei!


Não são poucos os que, olhando a São João del-Rei de hoje, suspiram, pesarosos.  Que com olhar distante, perdido no horizonte, lamentam os casarões e palacetes erguidos nos séculos passados que foram demolidos nos últimos 75 anos, dando um ritmo arquitetônico alternado e incomum a diversas áreas do nosso espaço urbano. E, nostálgicos e pessimistas, sentenciam: "É uma pena; não tem mais jeito!

O Almanaque Eletrônico Tencões e terentenas pensa diferente. Quando vive a cidade fisicamente, ou a mira virtualmente, enche o peito e pensa: "Como é belo, rico e importante o muito que ainda existe em São João del-Rei! Como, nos últimos tempos e a cada dia, mais nosso patrimônio se fortalece, ganha visibilidade positiva e responsável, conquista garantia de perpetuidade e proteção, recebe zelo, cuidado e dedicação de vários setores da sociedade são-joanense!

Na última semana, duas menções na imprensa - uma no jornal local Gazeta de São João del-Rei e outra no canal nacional Globonews - provam que esta convicção não é sem fundamento.

A Gazeta, na sua edição do dia primeiro de fevereiro, traz na matéria "Prédio ao lado da igreja das Mercês poderá ser derrubado" uma notícia muito positiva para o patrimônio arquitetônico de São João del-Rei: a determinação judicial de demolição ou adequação às normas técnicas de um edifício de dois andares em construção nos fundos do Cemitério da Irmandade das Mercês, que tem forte  e negativo impacto visual na paisagem que envolve uma das igrejas que mais se destacam no centro histórico. Tal sentença vem de Ação Civil Pública, da Promotoria de Justiça e Defesa do Patrimônio Histórico de São João del-Rei, que condenou tanto o proprietário, pela construção, quanto a Prefeitura Municipal, por ter sido negligente no cuidado com a paisagem histórica que faz parte da memória nacional (link abaixo)

À questão ainda cabe recurso, mas foi uma importante manifestação do Ministério Público em relação à proteção do patrimônio cultural são-joanense.

No canal Globonews, o jornalista Fernando Gabeira, em um programa exclusivo sobre São João del-Rei, mostrou como os sinos têm um papel importantíssimo na cultura são-joanense, inclusive influindo com grande força na sonoridade e na musicalidade que são próprias de nossa cidade.

O programa derivou de uma curiosidade de Gabeira: quando esteve em São João del-Rei em 1985, cobrindo jornalisticamente o enterro do presidente Tancredo Neves, o autor de O que é isto companheiro? ficou impressionado com a intensa e ostensiva presença dos sinos, adensando com seus toques fúnebres, durante todo o dia 21 de abril, a ambiência de consternação que as exéquias do presidente morto tiveram em sua terra natal.

De volta a São João del-Rei 29 anos depois para verificar se esta tradição se mantinha, e com tanta força, Gabeira constatou que sim, tanto nas suas andanças pelo centro histórico quanto em entrevistas que realizou com vários sineiros. E a matéria foi ao ar nacionalmente no dia 26 de janeiro e certamente será também apresentada outras vezes, ao longo dos próximos meses.

Gabeira encerra o programa manifestando cuidado para que os toques dos sinos, no futuro, não se transformem em lembranças e registros para museus, a exemplo das linhas de trem que partiam de São João del-Rei e foram desativadas.

Conhecendo o povo de São João del-Rei e sendo testemunha, pelo sentimento próprio, do amor que os são-joanenses têm por sua terra, Tencões e terentenas afirma, com convicção e tranquilidade, que isto não acontecerá.

Principalmente porque
no peito de cada são-joanense, o que bate é um sino!
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Fontes
Globonews - http://globotv.globo.com/globo-news/fernando-gabeira/v/sao-joao-del-rei-ainda-e-a-cidade-onde-os-sinos-falam/3104489/

Gazeta de São João del-Rei http://www.gazetadesaojoaodelrei.com.br/site/2014/01/predio-ao-lado-de-igreja-podera-ser-derrubado/