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Mostrando postagens com o rótulo bloco dos caveiras

No carnaval de São João del-Rei 2016, mais uma vez. "o samba agoniza mas não morre".

Será o samba como um pássaro mitológico, que quase sempre voa alto e gorjeia soberano, mas de vez em quando murcha as asas, perde as penas, apaga o brilho, engole em seco, cai o bico e cochila sem ânimo nos recantos mais sombrios? Em São João del-Rei, cada vez mais tem sido assim. Antigamente, carnaval era magia, alegria, fantasia. Subverter a ordem e a rotina com um reino imaginário de beleza, realeza, cor, soberania de três dias em que esquecia a monotonia cinzenta do dia a dia. Mal acabava a festa de São Sebastião, no dia 20 de janeiro, carnavalescos, compositores, desenhistas, figurinistas, costureiras, artesãos - todos davam asas à imaginação e, em pensamento e ação, já começavam a gestação do que alegraria os são-joanenses na semana que antecedia a famosa Terça-feira Gorda. Durante muito tempo foi assim. Há mais de cem anos, corsos, cordões, Zés-Pereiras, desfiles de automóveis enfeitados, Club XPTO, Bloco do Boi, Lua Nova, Príncipe da Lua, Custa Mas Vae, Bate Pa...

Finados. Junto aos veios de ouro, às raízes e às nascentes de São João del-Rei, requiescat in pace

São João del-Rei, desde sempre, tem intimidade com a morte. Cemitérios colados às casas, os vivos são vizinhos dos mortos. No século XVIII, a Procissão das Cinzas lembrava em cortejo solene e figurado, nas ruas coloniais, a finitude da vida. Desde aquela época, durante a Quaresma, no ciclo da Festa de Bom Jesus dos Passos, Encomendações de Almas, em três consecutivas sextas-feiras, percorrem encruzilhadas, cruzeiros e portões de cemitérios, a chamar os mortos e entregar-lhes músicas e orações. São João del-Rei, a religião, a morte e as contradições. No Carnaval, uma escola de samba ensaia sua bateria no limite exato que une e separa os mortos e os vivos - o alto portão de ferro do Cemitério do Carmo. Nos desfiles, o Bloco dos Caveiras expõe debochadamente a morte, com a irreverência em estandartes, caixões, defuntos, ossos, fogo, fumaça e figuras tenebrosas. É medonho. Na Sexta-feira da Paixão, o grande momento é a Procissão do Enterro, também chamada Procissão do Senhor Morto. ...

Retrato falado da Procissão das Cinzas de São João del-Rei no começo do século XIX

 2013 - Há exatamente 150 anos, no dia 18 de fevereiro de 1863, as ruas de São João del-Rei foram cenário para mais uma Procissão das Cinzas. Promovida pela Ordem Terceira de São Francisco, esta procissão era realizada sempre na Quarta-Feira de Cinzas, para assinalar o começo da Quaresma e conclamar o povo são-joanense ao jejum, à abstinência e penitência. Tudo indica que este ritual já era tradicionalmente praticado em nossa cidade há muitas décadas, senão desde o século XVIII, pois o viajante francês Augusto de Saint-Hilaire, que visitou São João del-Rei em 1819 e em 1822, assim a descreveu em sua caderneta de campo, onde registrava suas anotações de viagem (versão simplificada) : "(...) Por volta das cinco horas, a procissão entrou na rua onde morava o pároco. À frente, vinham três mulatos, com túnicas cinzentas. Um deles carregava uma cruz de madeira e os outros dois, um de cada lado, carregavam altas lanternas. Em seguida vinha um personagem caract...