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Mostrando postagens com o rótulo cemiterios

São João del-Rei, "verás que o filho teu não foge à luta, nem teme quem te adora, a própria morte..."

"Você sabe de onde eu venho"? - perguntou com poucas notas a Banda do Batalhão de Infantaria de Montanha, tocando o primeiro verso da Canção do Expedicionário, tão conhecida e tão cantada em São João del-Rei. Muito querida do povo são-joanense, esta marcha não pode nunca faltar no repertório de desfiles, marchas, retretas e concertos militares, por seu poder de, pela memória e pela lembrança, chamar de novo à vida nossos jovens soldados que, aqui deixando sonhos e família, atravessaram o oceano para combater e derrotar  na Itália o grande inimigo mundial. O nazi-facismo. Muitos, nesta 2a guerra mundial, deixaram lá a própria vida e outros tantos regressaram ao Brasil, para viver mais 50. 60, 70, 80 anos na terra da qual foram feitos, e nela fechar definitivamente os olhos, à luz de algum último raio de sol. Isto foi o que se reviveu no Largo do Carmo de São João del-Rei, no fim da tarde azul da quarta-feira, 22 de julho de 2020. Mesmo em tempos de pandemia, vários populares ...

Rua das Flores. Caminho de história, do século 18 à eternidade, em São João del-Rei

Como uma veia importante que escorre vida para o coração do centro histórico de São João del-Rei, a Rua das Flores é um caminho de história, que começa no século 18, atravessa o tempo e vai às portas da Eternidade. Subindo da Muxinga ou descendo dos lados do Tejuco, ela é irmã paralela da Rua Santo Antônio e, por estar mais alta um degrau acima, na topografia que um dia se chamou Morro do Pagão, é um mirante esplendoroso para se admirar o Largo e a igreja de São Francisco, apontados pela Rua da Prata, e se extasiar com a majestade da igreja do Carmo - soberana coroa de pedra e beleza sobre os poéticos telhados do Largo da Cruz. Pontuada por monumentos singulares - como o sobrado da esquina, onde o Presépio da Muxinga fica adormecido de sol a sol e só acorda poucos dias entre o Natal e o Dia de Reis; a imponente casa oitocentista, guarnecida pela guirlanda de flores debruçadas sobre o gradil que delimita o colorido jardim; os portões dos cemitérios da Matriz e do Rosário, onde dorm...

O diabo dia e noite no dia a dia da antiga São João del-Rei

Hoje as coisas estão muito diferentes, mas antigamente o diabo estava presente dia e noite em todas as coisas de São João del-Rei. Afinal, quanto maior for a religiosidade de um povo, mais canais e ambientes existem para as pessoas estabelecerem relacionamentos com o mundo sobrenatural. E sendo São João del-Rei uma cidade tão religiosa, imagine ... Principalmente pelos são-joanenses mais simples, mais humildes, mais crédulos e menos letrados, a presença do anjo das trevas era muito temida. Chegava às vezes a ser pressentida e evitada, mas as vezes, em situações diversas, seu nome era exclamado e, mais raramente, até invocado. Quem nunca ouviu: - isso é coisa do diabo! ou, - mas que diabo, sô!, ou, ainda, - vai pro diabo que o carregue!? Se fora de hora o galo fazia barulho estranho no galinheiro, tinha-o visto passar por perto. Se algum objeto ou documento misteriosamente sumia dentro de casa, era ele que tinha escondido. Se alguém se via diante de um desejo incontrolável de faze...

O enigmático, misterioso e encantador aniversário dos cemitérios de São João del-Rei

Alguém já ouviu falar que cemitério faz e celebra aniversário? Pois é, em São João del-Rei isto acontece. O que é popularmente conhecido pelos são-joanenses mais ligados às tradições litúrgicas coloniais como aniversário do cemitério é a cerimônia que a igreja local denomina Missas Aniversárias dos Cemitérios. Esta celebração, que se repete sete vezes em diferentes dias, consiste em uma Missa de Réquiem, ofício de responsórios e marchas fúnebres, executados pelas bicentenárias orquestras Lira Sanjoanense ou Ribeiro Bastos. O repertório é composto por obras de compositores são-joanenses dos séculos XIX e XX, destacadamente o padre José Maria Xavier, Luiz Baptista Lopes, Emídio Machado, João Feliciano de Souza, Pedro de Souza, Benigno Parreira e Geraldo Barbosa de Souza. Após esta missa, na igreja que é sede da Irmandade homenageada, os "irmãos" saem em procissão até o cemitério da referida Irmandade, onde o padre faz orações fúnebres, abençoa os presentes e pede a Deu...

Em São João del-Rei, até defuntos e cemitérios comemoram aniversários. Sabia?

Na tradição popular, novembro é o mês dos mortos e, em São João del-Rei, esta característica do penúltimo mês do ano é reforçada diversas vezes. A partir do dia 2, quando se celebra Finados, começam as missas aniversárias dos defuntos que pertenceram a uma, ou a várias, das dez Irmandades bicentenárias, sediadas no centro histórico são-joanense. Também conhecida como "aniversário dos cemitérios", a cerimônia é composta de duas partes. Começa com uma missa, na igreja que é sede da Irmandade, onde, no centro da nave estão dispostos, no chão, um tapete preto, com galões e uma grande cruz dourados e bordados. Em cada uma das quatro pontas, um castiçal alto, com uma vela acesa, como se estivesse aguardando um defunto para a oração final. Terminada a missa, os sinos tocam exéquias e os irmãos saem em procissão, vestidos com suas opas ou hábitos, e assim vão até o cemitério correspondente, onde o padre faz orações fúnebres. Tudo - missa e orações no campo santo - ao som de mú...

Finados. Junto aos veios de ouro, às raízes e às nascentes de São João del-Rei, requiescat in pace

São João del-Rei, desde sempre, tem intimidade com a morte. Cemitérios colados às casas, os vivos são vizinhos dos mortos. No século XVIII, a Procissão das Cinzas lembrava em cortejo solene e figurado, nas ruas coloniais, a finitude da vida. Desde aquela época, durante a Quaresma, no ciclo da Festa de Bom Jesus dos Passos, Encomendações de Almas, em três consecutivas sextas-feiras, percorrem encruzilhadas, cruzeiros e portões de cemitérios, a chamar os mortos e entregar-lhes músicas e orações. São João del-Rei, a religião, a morte e as contradições. No Carnaval, uma escola de samba ensaia sua bateria no limite exato que une e separa os mortos e os vivos - o alto portão de ferro do Cemitério do Carmo. Nos desfiles, o Bloco dos Caveiras expõe debochadamente a morte, com a irreverência em estandartes, caixões, defuntos, ossos, fogo, fumaça e figuras tenebrosas. É medonho. Na Sexta-feira da Paixão, o grande momento é a Procissão do Enterro, também chamada Procissão do Senhor Morto. ...

Finados dias, de lembranças, dores, ausências e de saudades, em São João del-Rei

Novembro ainda se avizinha, mas já se sente um suspiro fundo no peito colonial de São João del-Rei. Um sopro no coração, barroco, de saudade. O décimo primeiro mês do ano traz consigo, como estandarte, o vazio deixado por aqueles que já se foram. A lembrança daqueles que não mais existem. Traz no ar o que Adélia Prado escreveu: " a ausência a ocupar todos os meus cômodos ". Nos dias que antecedem Finados, os são-joanenses já acorrem, preventivamente, aos cemitérios. Lavam e enceram os túmulos, espanam os crucifixos, avivam os nomes das placas, tiram fora as desbotadas flores de plástico. Vazias, as floreiras novamente serão enfeitadas com ramos da flor saudade na manhã do dia 2 de novembro, enquanto os sinos, de todas as torres, choram Exéquias. Outubro de 2013. Em São João del-Rei ainda é assim...

À luz do dia, cemitério desapareceu no centro histórico de São João del-Rei

Quem disse que morto não anda? Bem, se anda ou não anda,  isso ninguém ainda não viu, mas que cemitério muda de lugar, ah, isso muda. Pelo menos em São João del-Rei. Duvida? Então veja só: Ainda não havia acabado o século XIX. Era, mais precisamente, dia 30 de novembro de 1897, quando a Mesa Administrativa da Irmandade da Misericórdia  de São João del-Rei foi convocada para tomar ciência de um documento que trazia um pedido inusitado - o fim imediato de sepultamentos no cemitério daquela irmandade. Como aquele campo santo ficava em frente à Santa Casa de Misericórdia, bastava atravessar a rua para que o defunto, tendo deixado a vida naquele hospital, chegasse à morada eterna. Então, se morto não incomoda a ninguém - a não ser os que tem a alma apenada - por que tornar mais longa a distância entre este e o outro mundo, levando os mortos para o "Cemitério da Fábrica", que ficava na entrada da cidade, na margem esquerda do Rio das Mortes? O ofício que, assim co...