Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Março, 2015

Procissão das Lágrimas. Tradição ímpar da Quaresma em São João del-Rei

Às nove da noite de ontem, o sino dos Passos fez dobres incomuns para uma quinta feira. Incomuns não fosse para informar à população são-joanense que naquele momento estava se encerrando a celebração do último dia do Setenário das Dores. E também para lembrar que o dia seguinte (sexta sexta-feira da Quaresma), em São João del-Rei é Sexta Feira das Lágrimas, ou da Soledade. E que haverá procissão, de Nossa Senhora das Dores, realizada pela Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos.
Mal o sino tocou o último dobre e na Matriz do Pilar - fechadas todas as portas - já se iniciaram providências e preparativos para a procissão desta noite. A imagem foi retirada do altar e arrumada no andor, conferindo-se com desmedido zelo o vestido roxo, a capa cor da noite, as joias, espadas e o diadema de estrelas. Em seguida, a colocada a arnica que, colhida na Serra do Lenheiro, será muito disputada ao final da procissão, tanto devido à força devocional da fé curativa quando ao poder de suas propriedad…

Territórios de memória, lembrança, fé, sofrimento e divindade no coração de São João del-Rei

Andando a pé pelo centro histórico de São João del-Rei, e adjacências,  é impossível não percebê-los. Eles estão sempre ao alto, no centro, em posição de destaque. São os antigos Cruzeiros da Penitência, plantados na paisagem colonial são-joanense nos séculos XVIII e XIX.

Os mais antigos, imponentes, iconograficamente ricos e completos, têm todos os estigmas da Paixão: coroa de espinhos, cálice de amargura, cravos, chicote, túnica, corda, lança, lençol, dados, escada e até o galo que condenou São Pedro pela negação do Salvador.

Estão no lado direito da igreja das Mercês, no Morro da Forca, no Largo da igreja do Senhor dos Montes, na pedreira do Pau D'Angá e no alto da Rua do Ouro, territórios da Serra do Lenheiro. Cinco. Um para cada chaga de Cristo.

O do Largo da Cruz, na fachada de uma casa residencial, é singular em todo o país. Fica no ponto exato entre o público e o privado, entre a casa e a rua.

Na lateral direita da Matriz do Pilar tem uma cruz em relevo, encimando uma pea…

Anjos del-Rei - O espelho do céu nas procissões de São João del-Rei

Ser anjinho nas procissões de São João del-Rei é um momento especial e mágico na vida das crianças. A túnica, a coroa de flores, as asas, caminharem legião entre as alas das irmandades, à frente dos andores incensados, ao som da banda, da orquestra e dos sinos. Tudo isto cria uma emoção
que é lembrada para sempre como um momento feliz, por toda a vida.
Além disto, vestir-se de anjinho faz parte de um processo evangelizador, que aproxima a criança da Igreja e da religiosidade, por meio da beleza, da pureza e da inocência, que são estrelas brilhantes na alma infantil.
Sair de anjinho nas procissões é um presente valioso que pais, padrinhos e avós podem oferecer às crianças, como momentos de sublime recordação; a  São João del-Rei, com o embelezamento das tradicionais procissões, e a Deus, pela louvação de Seu Reino, que é feito de amor e paz.
...................................................
O projeto Anjos del-Rei prevê a formação de um banco de imagens com fotografias antigas e rece…

Em São João del-Rei, roxo não é uma cor. É um sentimento!

Nesta época do ano, cada dia mais São João del-Rei se veste de roxo. Nos quintais, as orquídeas na sombra apontam flor. Nos jardins e nos campos, quaresmeiras com singeleza explodem a cor. Nas igrejas, altares cobertos de roxo atenuam a dor.

Nesta época do ano, roxo em São João del-Rei não é uma cor; é um sentimento presente em tudo. E isto faz com que o coração dos são-joaneses, a cada dia que se aproxima da Sexta Feira das Dores, do Sábado dos Passos e do Domingo do Encontro fiquem mais suspensos em um tipo de expectativa que aperta o peito, chega a tirar o fôlego. Os sinos que dobram giram penachos de papel crepom, desprendendo fitas roxas que voam pelos ares e se espalham pelos telhados, pelas árvores, pelos jardins, pelas pedras do chão, espalhadas pelo som e pelo vento. Roxo no céu, na terra, no ar. Roxo em toda parte.

O alívio só vai voltando à alma lentamente, o coração só acalma seus batimentos aos poucos, quando o Senhor dos Passos, com cruz e buquê de orquídeas roxas, sai …