sábado, 18 de abril de 2015

Orvalho e neblina matutina em São João del-Rei


                                          Em São João del-Rei
                                          nas manhãs frias
                                          de orvalho reticente
                                          o sol inconfidente
                                          sonha outros dias
                                          outras Minas...

Antonio Emilio da Costa                         

sábado, 11 de abril de 2015

São João del-Rei é mais bela e mais misteriosa do que se imagina...


Uma joia preciosa da arte barroca em São João del-Rei está desde sempre - e permanentemente - à vista de todos, mas é conhecida por poucos. Inegavelmente tem muito do mestre Aleijadinho e integra a portada de uma das mais importantes obras que ele projetou: a nossa igreja de São Francisco de Assis. De tão bonito e delicado, o templo parece uma sinfonia celeste, composta em nuvens de pedra.

Muita gente, tanto são-joanenses quanto turistas, já entrou na igreja mas não percebeu tão surpreendente joia, o que é tão fácil. Basta olhar para o alto quando se cruza o portal da igreja franciscana de nossa terra. Do que se trata?

De um sublime medalhão com a face de Cristo brotando entre ramos de cravos. Seus olhos, de imaginárias pupilas, e a expressão hipnótica da boca dão a ela a impressão do Cristo Transfigurado no encontro com os profetas Moisés e Elias, na presença dos apóstolos João, Tiago e Pedro, em dias próximos à sua morte. A iluminação do Messias, realçada neste episódio que ficou conhecido como "milagre da montanha", irradia em doze curtos, retos e absolutos raios resplandecentes.

Em São João del-Rei, da próxima vez que você estiver atravessando a portada da igreja de São Francisco de Assis, olhe para o alto. Você vai ver que ela é ainda mais bela e mais misteriosa do que você imagina...

quinta-feira, 9 de abril de 2015

São João del-Rei, templo do tempo, precisa pulsar no ritmo do coração


As cidades históricas são templos do tempo, são arcas da memória, são vertentes dos sonhos. Lugares sagrados, são testemunhas vivas de feitos e fatos, são o território da história, ou melhor são territórios onde a história habita.

Quem vive em uma cidade histórica precisa ter consciência do privilégio que é viver em terras que por si só são espaços de memória, lembranças e recordações, constituídos por suas ruas e avenidas, seus becos, seus largos e suas praças. Neles, igrejas, casarões e monumentos estão o tempo todo a silenciosamente contar o que viram ao longo de tantos séculos.

Quem administra uma cidade histórica precisa ter compromissos verdadeiros com a cultura e com a memória local, pois a saúde destes patrimônios depende muito de atitudes e decisões que só do poder público podem emanar. Principalmente os homens públicos têm na história a vitrine e o porta-retrato de sua competência, de seu comprometimento, de seus valores, da sua trajetória, do seu fazer.

Quem visita uma cidade historica precisa ter consciência de que está transitando em um santuário do tempo e da delicadeza, onde o ontem, ainda vivo, clama por respeito e aspira chegar à eternidade. Onde o ontem, ainda vivo e materializado, depende da sabedoria, da sensibilidade e das atitudes do homem de hoje para manter acesa sua memória, sempre pronta para resgatar personagens e revelar fatos do passado.

O trânsito urbano é hoje um problema que incomoda e preocupa cidadãos de vários países e a questão dos estacionamentos, então, é tão grave que chega a ser considerada alarmante. Mas esta é uma situação que não pode ser realidade nas cidades históricas, sob pena de danificar seus monumentos e quebrar toda a auréola de encanto que o tempo lhes coroou.

Mesmo nos tempos modernos, as cidades históricas continuam tendo vielas do paraíso, nas quais o bom senso pede não se transitar de carro, com pressa, mecanicamente. Estas vias foram feitas para se atravessar a pé, com a alma e o coração de mãos dadas com a bondade e com a lembrança de que os sonhos devem ser todos de felicidade.

As cidades históricas são lugares raros, não são lugares comuns. E precisam de amor, compromisso, responsabilidade, competência, racionalidade, zelo e soluções eficazes para continuarem sendo lugares raros. Inclusive, e principalmente, quando a ameaça é o trânsito...

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Arte Sagrada. Os santos desceram dos altares e se juntaram ao povo em São João del-Rei.


Em 2015, as cortinas cor de sangue que durante a Quaresma cobriram os altares da Matriz do Pilar de São João del-Rei, mais do que ocultar, revelaram. Isto mesmo. Revelaram a beleza e a riqueza de detalhes que quem visita o mais dourado templo barroco são-joanense não consegue ver de perto.

É que desta Quinta Feira Santa até o Domingo da Ressurreição, todas as imagens de seis altares e dos oito nichos da matriz estão expostas ao público no Museu de Arte Sacra, na mostra temporária Arte Sagrada - Imagens da Catedral. Da padroeira, Nossa Senhora do Pilar, até a beata Nhá Chica. De São Miguel e São Sebastião a Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora da Assunção. E também os recém-restaurados Santana Mestra e São Joaquim, além de São José, Santa Bárbara, São João Menino, os Anjos Custódios e tantas outras imagens barrocas, setecentistas e oitocentistas. Em uma das salas do Museu, o visitante pode admirar um requintado tapete processional, confeccionado com areia colorida e serragem pelo artista plástico e restaurador Carlos Magno.

Como trilha sonora e ambientação, está sendo exibido no local o vídeo Semana Santa Cultural, produzido pela ONG Atitude Cultural, que você pode ver abaixo.