domingo, 29 de janeiro de 2012

São João del-Rei, pioneira e vanguarda em Educação. Desde 1774...

São João del-Rei sempre deu grande valor à Educação. Documentos levam a crer que no século XVIII, naVila de São João, se buscava as letras com a mesma sede e com o mesmo afinco que se catava ouro na Serra do Lenheiro.

Prova disto é que no dia 30 de janeiro de 1774, portanto há 238 anos, foi formalmente criada, naquela Vila, a  Aula Régia de Latim. Como para muitos historiadores, esta foi a primeira escola pública criada na Capitania de Minas, 30 de janeiro é uma data que merecia ser dignamente festejada em São João del-Rei!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Carnaval São João del-Rei 2012 - Uma embolada de alegria. Bloco na rua dia e noite. Noite e dia!


São tantos, tão criativos, sugestivos e inusitados os nomes dos blocos que fazem o Carnaval de Rua de São João del-Rei que pode ser uma divertida brincadeira pré-carnavalesca elencá-los em uma "embolada" - exercício literário despretensioso e popular muito comum nas feiras nordestinas. Como estamos às margens do Lenheiro, tentemos  do nosso jeito, de cá:

- Psiu! Ei! Meninas!... Vamos a la playa, virar uma Cambalhota, tomar uns Birinights, chupar Pirulito e comer Arroz com Vinagreti?, convidou o Gato de Botas às fogosas e despudoradas Piranhas.

Mas elas, se juntando no Largo do Carmo às debochadas Domésticas e atraídas pelo hipnótico som do Bombatuque, por volta da Zero Hora, responderam: Trem Bão mesmo é arrebentar as Pérolas e depois enfiar uma a uma na maior Bandalheira; matar a sede no Alambique, chafurdar na lama do Pantanal, beber no Copo Sujo toda a Cachaça Acumulada...

A conversa ia ficando quente mas sempre naquela Lesma Lerda. Ele insistiu: Deixe o Mundo Girar, vem comigo que o Bloco da Alvorada, sem demora, antes que o sol traga o dia, Arrasta o Resto pra bem longe daqui.

Elas responderam: só Se Mamãe Deixar, pois ainda temos a Banda Mole e nosso pai, que é um Boi Cego, está esperando, amarrado com o Cordão da Zona no portão da Santa Casa. Anda fraco da Saúde.

Ouvindo de longe este lero-lero, o lendário João Alvarenga, endureceu o Coração Rubro Negro e, com a Mala  e a cuia cheias de remédio Cura Ressaca, não se conteve. Valente, caiu na maior Trinca-Ação. Saiu furioso da Chácara, depressa atravessou a Ponte, jogou fora a cobiçada Caixinha, pôs a boca no Bambu e gritou bem alto e forte: que saudade que eu tenho do Carnaval de Antigamente!
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Carnaval de São João del-Rei 2012 durará onze dias

Quando, às 14 horas do dia 11 de fevereiro, nas imediações do Kibon, erguer-se o grande estandarte branco - estampado com a planta de quatro pés em afetiva e sugestiva posição amorosa - e os instrumentos  de metal soprarem os primeiros versos de qualquer conhecida marchinha carnavalesca, estará dado o grande e esperado sinal: o Carnaval de Rua de São João del-Rei está começando. E começando bem, pois é a Bandalheira que vai passar.

Com mais de 30 anos abrindo o Carnaval de Rua da cidade, a Bandalheira é uma tradição. Um bloco pacífico, que à luz do dia percorre um pequeno trecho do centro histórico. Seu combustível? Música, alegria, amizade, entusiasmo, empolgação, juventude de espírito e, claro, cerveja. Muita cerveja...

Desde aquele instante até o amanhecer do dia 22 de fevereiro, serão onze dias seguidos (e onze noites!) de desfiles, quando 38 blocos concentrarão e arrastarão foliões e brincantes por todos os bairros da cidade. Como uma cruz, do Tejuco a Matozinhos. Do Bonfim ao Senhor dos Montes. A maioria deles no coração do centro histórico de São João del-Rei. Isto sem falar nas onze agremiações que, representando o carnaval oficial, desfilarão à noite, com horário marcado e tempo regulamentado, sob os holofotes da Avenida Tancredo Neves.

O Carnaval de São João del-Rei é democrático; tem alegria para todos. Idosos, maduros, jovens, crianças - todo mundo encontra, em algum momento e em algum lugar - seja um largo, uma praça, um bar, um jardim, um terraço, uma ladeira ou um beco estreito - um espaço para brincar, distrair, extravazar.

Que seja sempre na paz, com responsabilidade... E que no Carnaval de São João del-Rei não falte fantasia(s). Nem imaginação...
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

São João del-Rei. Cidade mais iluminada do que uma noite de céu estrelado


A bela iluminação das igrejas barrocas e dos monumentos grandiosos de São João del-Rei agrada os são-joanenses ao mesmo tempo em que surpreende e encanta turistas e visitantes. Mas engana-se quem pensa que este requinte é coisa que chegou com a luz elétrica.

Pelo contrário, muito antes do invento de Thomas Edson, já era tradição iluminar decorativamente toda a Vila de São João em ocasiões especiais. Não só os edifícios religiosos e monumentais, mas todas as casas, independentemente do status de seus donos ou de seu porte arquitetônico.

Em 1816, por exemplo, de 26 a 29 de janeiro, por ordem da Câmara, todos os moradores da Vila de São João del-Rei iluminaram a fachada de suas casas, para comemorar a elevação do Brasil à categoria de Reino Unido aos de Portugal e Algarves.

Na mesma ocasião, também por demanda da Câmara, foi oficiada missa cantada, com o "Senhor Exposto" e Te-Deum Laudamus naMatriz do Pilar, "pelo benefício que acaba de receber das mãos de Sua Alteza Real de elevar o Estado do Brasila Reino Unido ao de Portugal".

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Carnaval de São João del-Rei pode ter mais do que Liberdade Condicional


Carnaval, com certeza, dura mais do que três dias, ou, sendo mais objetivo, dura o tempo todo que nele se pensa ou que dele se lembra. A não ser a data fixada por calendário e o estabelecimento de "áreas" geográficas e cronológicas que, disciplinadoramente, fixam locais e horários, e da oficialização manifesta pelo estabelecimento - por meio da subvenção - de algumas atividades organizadas, como desfiles das escolas de samba, blocos, ranchos, tudo no Carnaval genuíno é espontâneo. Algo como se fosse a subjetividade coletiva. Por isso, vez por outra se ouve dizer "espírito do carnaval", "alma carnavalesca" e por aí afora...

Pensando assim, chega-se à conclusão que Carnaval, no seu sentido autêntico e verdadeiro, é uma festa onde não cabe a "liberdade condicional", ou seja, é uma festa que transcende a oficialização que tentam adotar como sua determinante. Indo direto ao assunto, falo do fato de condicionarem e submeterem esta prática cultural à subvenção financeira do poder público, resumindo-a ao desfile de agremiações carnavalescas.

Lançada esta isca de pensamento e reflexão, vamos dar uma volta pelas lembranças e relembranças do reinado de Momo nos velhos carnavais de São João del-Rei? Os são-joanenses octogenários com certeza se lembrarão do Rancho Carnavalesco do Boi Gordo e do Bloco União das Flores. Os são-joanenses antigos se lembrarão do Príncipe da Lua, do Custa Mas 'Vae', do Bate Paus, da Depois Eu Digo, da Qualquer Nome Serve, da Falem de Mim, do Largo da Cruz, do Pão Molhado. Os mais jovens têm como referências a Bandalheira, o Bloco da Alvorada, a Lesma Lerda, as Domésticas e o Vamos a La Playa.

Cidade plural, múltipla, diversa, construída e vivida por muitos - muitos velhos e muitos jovens - São João del-Rei, tal qual no tempo do ouro, hoje harmoniza nativos e forasteiros. Com um olho e com uma mão conserva e preserva riquezas culturais de ontem, mas com outro olho procura ver o futuro e com outra mão construir o amanhã, tudo no tempo marcado pelo coração.

Folhear o Carnaval de rua, espontâneo, de ontem, de São João del-Rei em décadas passadas é como folhear um livro de Debret. Negas Malucas, diabos, melindrosas, ciganos, havaianas, piratas, baianas, carrascos, palhaços, colombinas, gatinhos, Donas Onças, Zé-Pereiras, malandros, centuriões, bailarinhas, presidiários, pierrôs, borboletas, demônios, mosquitos, caveiras, fadas - a fantasia interior de cada um a brincar pelas ruas, becos, jardins, ladeiras e largos de São João del-Rei, dando asas à imaginação e criando uma ambiência lúdica que nâo tinha lugar em outros dias do ano. Fantasia interior, asas da imaginação e ambiência lúdica que não eram subvencionadas.

O olhar de São João del-Rei que busca o futuro bem podia olhar-se neste espelho e ver nele a necessidade que existe de libertar e fantasiar o Carnaval. Cada um pondo na rua seu sonho, sua imaginação e sua fantasia, brincando em liberdade criativa, ampla, responsável, geral e irrestrita. A alegria verdadeira é incompatível com a liberdade condicional.
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Batucada de sinos? Em São João del-Rei tem...



Todos os muitos sinos de São João del-Rei plangem. Tocam. Tangem.  Dobram. Repicam. Batucam.

Epa! Batucam? Isto mesmo, batucam. E não é no carnaval nem em nenhuma outra festa de origem afro-brasileira, como as Congadas e Folias de Reis ou de São Sebastião. É nas chamadas, saídas e chegadas de determinadas procissões que os sinos são-joanenses batucam.

No alto das bisseculares torres das igrejas coloniais de São João del-Rei, Batucada é o nome de um repique muito festivo e alegre, em ritmo que lembra a batucada feita com um conjunto de tambores. Este repique tem variações:

. Batucada franciscana é uma modalidade mais sofisticada e complexa da batucada tradicional, ao passo que o Batuqinho caracteriza-se por ser um repique mais simples, porém mais veloz.

Viu como, por mais que a gente conheça, o patrimônio cultural de São João del-Rei é surpreendentemente muito mais desconhecido, original e rico do que a gente imagina?

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Fonte: Pequeno Glossário da Linguagem dos Sinos

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Pequeno Abecedário dos toques de sinos de São João del-Rei (3ª Parte)



"Sinos começam a dobrar e todo me envolve uma sensação fina e grossa." Assim o poeta Carlos Drummond de Andrade finalizou o poema São João del-Rei, publicado em 1929 em seu primeiro livro, batizado Alguma Poesia.  

Na sua passagem pela cidade, o poeta surpreendeu-se com a riqueza sonora de São João del-Rei - dos apitos da maria fumaça e das fábricas de tecido até o dobrar dos sinos - patrimônio que não encontrou em nenhuma outra cidade histórica que visitou na mesma época e retratou no conjunto poético Lanterna Mágica, também presente no livro Alguma Poesia.

A este propósito, avancemos na terceira parte da relação de nomes dos toques dos sinos de São João del-Rei, apresentando os dobres fúnebres.

Dobre fúnebre para homem - Três séries de dobres simples (de uma pancada), começando pelo sino menor, passando pelo médio e em seguida pelo maior, descaindo-se os sinos após cada série, executadas nos sinos da irmandade a que o falecido pertencia.

Dobre fúnebre para mulher - De execução semelhante ao dobre fúnebre para homem, difere-se no número de séries: apenas duas.

Dobre fúnebre para ex-mesário - Três séries de dobres duplos,  na mesma sequência dos dobres anteriores.

Dobre fúnebre para ex-mesária - De execução semelhante ao dobre fúnebre para ex-mesário, difere-se no número de séries: apenas duas.

Dobre fúnebre para mesário / mesária que prestou importantes serviços - Três ou duas séries de dobres duplos (conforme o sexo), de hora em hora no sino da irmandade a que o falecido pertencia.

Dobre fúnebre para sacerdotes, vigários, bispos e papas - O anúncio da morte de líderes da igreja católica variam de acordo com a quantidade das séries de dobres duplos, que começam pelo sino maior, passam para o médio e em seguida para o menor, descaindo-se os sinos após cada série. São executados simultaneamente, nos sinos de todas as igrejas e capelas da cidade, nas seguintes quantidades:

       . Sacerdote - 4 séries
       . Vigário - 5 séries
       . Bispo - 7 séries
       . Papa - 14 séries

Saída do cortejo fúnebre de irmãos - Três dobres duplos, da saída do cortejo até a entrada do féretro na igreja onde a irmandade, confraria, arquiconfraria ou ordem terceira tem sua sede.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

São João del-Rei tem, à vista, tesouros que ninguém sabe, ninguém conhece nem reconhece

Hoje, 20 de janeiro, é dia de São Sebastião. Em São João del-Rei, o culto ao mártir crivado de flexas chegou junto com as primeiras alvoradas do século XVIII. Era uma devoção tão fervorosa que, segundo o livro Piedosas e Solenes Tradições de Nossa Terra - Volume II, editado pela Paróquia de Nossa Senhora do Pilar, a imagem que se venera naquela catedral e sai em procissão uma vez por ano foi salva da capela que, em 1709, incendiaram durante a Guerra dos Emboabas.

Invocado defensor contra a "peste, a fome e a guerra", São Sebastião, naquele episódio, não teve dúvida nem culpa e legislou em causa própria. Com suas quatro setas de prata, saiu ileso das chamas daquele sangrento e traiçoeiro combate para viver, há séculos, glorioso em um altar dourado lateral na Matriz do Pilar, casa da  padroeira de São João del-Rei.

Ao que tudo indica, além do povo, o poder também tinha grande apreço e devia muitos favores a São Sebastião. Tanto que no século XVIII, por várias vezes, sua procissão foi custeada com recursos públicos pelo Senado da Câmara que, nos anos 17.. e 17.., saiu "formado" no cortejo, com um estandarte vistoso que identificava e destacava tão importante participação.

Quem conta é o historiador são-joanense Sebastião Cintra, no primeiro volume da preciosa obra Efemérides de São João del-Rei. Uma produção tão importante que bem  merecia ser reimpressa e oficialmente relançada no quadro das comemorações dos 300 anos da Vila de São João del-Rei, a se comemorar no ano que vem.

Para saber mais sobre a presença tricentenária de São Sebastião em São João del-Rei, acesse http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com/2012/01/sao-joao-del-rei-sauda-sao-sebastiao.html

São João del-Rei nas escolas de Minas

Nos anos sessenta  e cinquenta do século XX (ao que tudo indica também nos anos quarenta), a história de São João del-Rei fazia parte do programa oficial da disciplina História de toda a rede de ensino público de Minas Gerais.

Prova disto está na ilustração deste post. Ela reproduz a página 82 do livro Vamos Conhecer Nossa História?, de autoria da pedagoga Leonilda S. Montandon e adotado pelas escolas públicas para o terceiro ano do Curso Primário, hoje Ensino Fundamental.

A edição reproduzida na ilustração foi impressa em 1967 pela Editora do Brasil em Minas Gerais, é numerada (livro nº 1.427) e tem prefácio escrito por Abgar Renault. Mas um fato interessante é que, antes dela, haviam sido lançadas outras 26 edições da mesma obra, o que permite supor que a primeira edição, possivelmente, deve ter sido lançada por volta de 1940.

Clique sobre a ilustração e leia o que se ensinava sobre a história de São João del-Rei em Minas Gerais naquela época.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Tencões & terentenas: mais São João del-Rei no ciberespaço.

Desde o mês de dezembro, São João del-Rei está ainda mais presente no ciberespaço. Marcando as comemorações do primeiro aniversário deste almanaque eletrônico, postagens deste blog passaram a ser publicadas também na revista eletrônica Nota Independente e no jornal O Tempo online. A coluna preservou o nome Tencões & terentenas e semanalmente, às quintas feiras, republica posts aqui divulgados.

Em tempos pós-modernos marcados pela virtualidade, pela desfronteirização e pela territorialização imaginária, quem ganha com isto é São João del-Rei. Vê alargar-se ainda mais os horizontes de sua difusão cultural, com benefícios diretos de imagem e ganhos atuais e futuros no segmento Turismo.

Ao ilustrador Bruno Grossi, Tencões & terentenas agradece pela parceria, apoio e colaboração.

Navegue pelos sites de nossos parceiros, que são:
. Nota Independente - www.notaindependente.com.br
. O Tempo online - http://www.otempo.com.br/blogs/?IdBlog=85

As cem horas que o Imperador do Brasil passou em São João del-Rei

No dia 19 de janeiro de 1831, São João del-Rei recebeu uma visita importante. Na época, a autoridade política mais elevada do país. Ninguém menos do que o imperador Dom Pedro I, que permaneceu na cidade por quatro dias. Tempo suficiente para acontecerem alguns fatos grandiosos e outros, digamos assim, inesperados.

No primeiro caso, demonstrando a cultura refinada de seu povo, São João del-Rei homenageou o ilustre visitante com recitais de literatura e poesia, inclusive com a leitura de uma ode especialmente composta para Sua Majestade, o Imperador do Brasil.

Fato surpreendente e desapontador foi o comportamento dos "moços de estribeira" (cavaleiros da guarda de Dom Pedro) que, contrariando as ordens imperiais relativas à conduta ética, extorquiram grandes quantias dos donos das casas que os hospedaram. Segundo o historiador Xavier da Veiga, na obra clássica Efemérides Mineiras, Dom Pedro reprovou-os duramente. "Houve-os por indignos de seu serviço e os fez despedir".

Quanto à reparação dos prejuízos, bem, sobre isso ninguém sabe...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Pequeno Abecedário dos toques de sinos de São João del-Rei (2ª parte)


Na vasta relação dos toques de sino de São João del-Rei, as "chamadas" ocupam um lugar especial. Como o nome tão claramente diz, são sinais sonoros empregados com a finalidade de chamar os irmãos para solenidades, celebrações e eventos religiosos católicos específicos, sendo mais comuns:

Chamada de irmãos às eleições e definitórios  (toque) - Nove pancadas no sino grande nos seguintes intervalos: 1 hora, 30 minutos e 15 minutos antes do horário das eleições ou dos atos definitórios. Esta chamada é feita apenas quando os eventos se realizam separadamente de outras cerimônias para as quais os irmãos já tenham sido chamados.

Chamada de irmãos para enterros (toque) - Dezoito pancadas no sino principal da irmandade, confraria ou ordem terceira da qual o falecido foi irmão em três intervalos de 15 minutos (45, 30 e 15) antes do horário do enterro.

Chamada de sineiro, ajudante de sineiro e sacristão (toque) - 3 pancadas fortes que vão se sucedendo, primeiro acelerando o ritmo, depois decrescendo até chegar ao pianíssimo, para convocar estes "funcionários" especialmente  importantes para as celebrações barrocas.

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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Concerto crepuscular em São João del-Rei


Quem estiver em São João del-Rei não pode perder a este crepuscular recital. Quem não estiver, mas puder, faça tudo para comparecer!

O instrumento? Um raro órgão de tubos, fabricado na região de São João del-Rei em finais do século XVIII. O  único de origem civil em funcionamento que foi confeccionado no Brasil Colônia, com técnicas manuais e matérias-primas locais.

A concertista? Ninguém menos que Elisa Freixo - organista titular da Arp-Schnitger da Sé
de Mariana (MG), com passagem pela Escola de Música de Hamburgo, na Alemanha.

O programa? Com certeza o melhor da música barroca...

Então, agende: dia 19 de janeiro (quinta-feira), às 18h30, no Museu Regional de São João del-Rei – Rua Marechal Deodoro, 12, Largo Tamandaré - Entrada Franca.

No raiar de São João del-Rei, o povo tinha vez e voz! E alimentos...

A História não nega: nos tempos coloniais, especialmente nas vilas do ouro, o poder era exercido com punhos cerrados, de ferro. Entretanto, em São João del-Rei, talvez pela representatividade e participação popular, houve vezes em que as necessidades povo, em alguns aspectos, foram postas em primeiro lugar.

No dia 16 de janeiro de 1774, por exemplo, a Câmara de São João del-Rei lavrou edital determinando que "nenhum carro, cavalo ou besta de qualquer espécie de mantimentos se descarregasse nas casas de negócio antes das 4 horas da tarde." Mais cedo do que este horário, deveriam percorrer todas as ruas, becos, largos e recantos da vila, oferecendo os produtos para que o povo fizesse suas compras antes que artigos e alimentos fossem postos à venda nas casas comerciais.

O edital determinava também que os lavradores não podiam vender aos negociantes mais do que a quantidade necessária para o adequado abastecimento de seu comércio. Com isso, evitava a formação de grandes estoques e a possibilidade de especulação, consequentemente garantindo a democrática distribuição e acesso.

Os especuladores de gêneros alimentícios seriam duramente punidos: ficariam vinte dias na cadeia e teriam que pagar multa de seis mil réis. Também para evitar especulação, os preços foram tabelados, fixando-se por exemplo, na ocasião:     

      . Farinha .................. 02 vinténs o alqueire
      . Toucinho ............... 02 vinténs o alqueire
      . Entrecosto ............. 01 vintém a cambada
      . Mocotós ............... 01 vintém a cambada
      . Lombos ................ 01 vintém a cambada

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Pequeno abecedário dos toques de sino de São João del-Rei - 1a parte


Tantos são os toques de sino de São João del-Rei que a relação de seus nomes, a contar da primeira inicial, chega perto de um alfabeto completo. Tencões & terentenas, no limite das pesquisas que forem possíveis, em várias publicações, divulgará vários deles, sumariamente caracterizando, descrevendo e informando as ocasiões e situações em que ainda hoje são executados. Confira:

Agonia (toque) - Nove pancadas no sino principal da irmandade ou confraria a que pertence o irmão agonizante. Normalmente o espaço entre as pancadas corresponde ao tempo de se rezar uma Ave Maria. Por origens históricas, não é incomum que esse toque seja feito no sino da Igreja de Nossa Senhora das Mercês independentemente de o cristão doente ser ou não filiado à irmandade ali sediada.

Almas  (toque) - Assim é chamado o último Angelus do dia, executado em horários diferentes, segundo duas estações do ano: às 21 horas no verão e às 20 horas no inverno. Possivelmente a dicotomia verão / inverno foi a forma encontrada para identificar a diferença dias mais longos, mais regidos pelo sol, e dias mais curtos, quando anoitece mais cedo.

Angelus (toque) - Nove pancadas espaçadas no sino principal das igrejas, ao meio dia, às seis da tarde e às 20 ou 21 horas. Do mesmo modo que o toque das Almas, o toque do Angelus é executado diariamente durante todo o ano, exceto na Sexta-Feira da Paixão e no Sábado de Aleluia.

Canjica queimou, Pé de galinha ou Canjiquinha (repique) - Bastante movimentado e alegre, é usado nos finais de festa em todas as igrejas, exceto na Matriz de Nossa Senhora do Pilar.

Chagas ou Morte do Senhor (toque) - Quatro dobres bem espaçados de uma pancada no sino da Irmandade de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos da Matriz do Pilar, seguidas do "descaimento" do sino. É executado às três horas da tarde de todas as sextas-feiras do ano, exceto na Sexta Feira da Paixão.

Cinzas (dobre) - Dobre duplo bastante compassado e pungente, executado no sino do Santíssimo Sacramento da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, na Terça-Feira de Carnaval (Terça-Feira Gorda), às 21 horas, durante cerca de 10 minutos, como aviso de que haverá missa no dia seguinte. Tocado várias vezes, desde a manhã da Quarta-Feira de Cinzas, anuncia a realização de missa noturna e, durante a missa, é executado desde seu início até o final da imposição das cinzas. Finda quando se descai o sino.
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Fonte: http://www.horizontegeografico.com.br/index.php?acao=exibirMateria&materia%5Bid_materia%5D=1226

Sobre o mesmo assunto, acesse também:
. http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com/2011/08/tencao-do-rosario-de-sao-joao-del-rei.html
. http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com/2011/04/na-semana-santa-de-sao-joao-del-rei_20.html
. http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com/2011/12/em-sao-joao-del-rei-sino-que-nao-se.html

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Quando a alegria perturbou a ordem pública e foi proibida na Vila de São João del-Rei

O barroco, em São João del-Rei, não é apenas um movimento estético-artístico. A alma de São João del-Rei é extremadamente barroca, o que desde a origem setecentista fez da cidade terra de dualidades; de contradições e contrastes harmoniosos. É assim até hoje.

Por um lado, o povo são-joanense cultua e cultiva o sentimento trágico e a expressão dramática da existência humana e da ordem divina e  universal, principalmente através dos rituais religiosos que há três séculos se repetem nos ofícios sacros, novenas, encomendações de almas e procissões. São tantos e tão importantes que constituem marcos no calendário civil.

Por outro, celebra com grande entusiasmo tudo o que é mundano, naturalmente espontâneo e até profano, nas festas coletivas e populares como o carnaval, festivais diversos, serestas, cortejos, desfiles, rodas de samba, capoeira e toda forma do que hoje muitos chamam de folclore.

Em São João del-Rei, a fé e a alegria se equivalem - ambas são crença no aquém, no aqui e no além. Mas ao que tudo indica, a alegria chegou primeiro e se alastrou rapidamente, ao passo que a fé e a contrição, induzidas e como mecanismo de controle, tiveram expansão menos espontânea.

Aliás, parece que a alegria, principalmente dos escravos da Vila de São João del-Rei, era  tão intensa, tão contagiante e tão "descontrolada" que chegava a ameaçar a ordem constituída. Tanto que, em 13 de janeiro de 1720, o Senado da Câmara daquela Vila, atendendo a orientação do Conde de Assumar, publicou edital proibindo que os negros se juntassem para realizar bailes e folguedos. Para reforçar esta ordem, um mês depois, no dia 17 de fevereiro, foi lançado novo edital tornando mais rígida a proibição "pelos danos que podem resultar de semelhantes ajuntamentos". E mais: proibia também que os escravos usassem capotes, para evitar que sob eles escondessem pequenas armas.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Astro de Minas iluminou a chegada do primeiro "Doutor Médico" a São João del-Rei

Mesmo com a decadência do ciclo do ouro, que afetou o desenvolvimento de importantes vilas mineiras a partir do fim do século XVIII, São João del-Rei não diminuiu seu desenvolvimento nem perdeu sua condição de um dos mais importantes centros urbanos de Minas Gerais. Prova disso é que o jornal são-joanense Astro de Minas, que circulou no dia 10 de janeiro de 1835, assim noticiou, com grande entusiasmo, a chegada novo morador ilustre à cidade:

"Acaba de chegar nesta Vila o senhor Francisco José de Araújo e Oliveira, formado em Cirurgia e Doutor em Medicina pela Faculdade do Rio de Janeiro, para fixar residência neste lugar. É o senhor Oliveira um dos sete primeiros que receberam no Brasil o grau de Doutor, o que não nos faz mais preciso atravessar os mares para irmos mendigar em países longes e estranhos o socorro das Ciências. Principiamos a aprendê-las em nosso próprio país. Possa isto servir de incitamento à nossa mocidade, por natureza talentosa."

Há 177 anos, Doutor Oliveira assentou residência na Rua da Prata onde, a partir das 9 da manhã, diariamente, prestava atendimento gratuito a "indivíduos pobres". Além da Medicina, em São João del-Rei Francisco José de Araújo e Oliveira pegou gosto pela "coisa pública". Foi vereador, inspetor da Instrução Pública, Juiz Municipal e deputado na Assembléia Provincial por diversas legislaturas.

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Fonte: CINTRA, Sebastião de Oliveira. Efemérides de São João del-Rei. 2ª edição revista e aumentada. Imprensa Oficial de Minas Gerais. Belo Horizonte, 1982

Ilustração: Rua da Prata, tendo ao fundo a Ponte e as torres da igreja do Rosário. (foto do autor)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

São João del-Rei, cingida de sangrento vermelho, saúda São Sebastião

"São Sebastião, livrai-nos da peste, da fome e da guerra!" Talvez seja esta invocação que tenha tornado o santo crivado de flexas tão popular em São João del-Rei desde os primeiros tempos, no alvorecer do século XVIII. Tempos em que o ouro era catado à mão sobre a terra, entre cascalhos na Serra do Lenheiro. Tempos em que a cobiça e a morte reluziam mais do que o ouro fazendo com que, em meio a tanta riqueza, se morresse de fome, de febre, de inanição, de disputas, de emboscadas, de traições, desumanidades, atrocidades e guerras. Como a sangrenta Guerra dos Emboabas, que fez arder em chamas vermelhas o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes, nos idos de 1709.

O culto a São Sebastião, em São João del-Rei realizado na Matriz do Pilar, é dos poucos que reunem, a um só tempo, expressões barrocas e manifestações da cultura popular. Enquanto a Folia de São Sebastião, com seus instrumentos populares e bandeira, percorre as ruas periféricas e alguns becos e largos do centro histórico, do dia 11 ao dia 19 de janeiro, na mais dourada igreja da cidade, em vários horários, os sinos tocam tencões especiais. No começo da noite, uma orquestra bicentenária executa  composições setecentistas e oitocentistas em louvor ao Santo.

No entardecer do dia 20, uma procissão une a todos no mesmo cortejo: a folia, com seus músicos, a bandeira com suas flores e instrumentos populares com suas fitas; a solene e impecável orquestra e até a Banda de Música do Batalhão. Guerreiro, São Sebastião também não foge à luta, como os militares.

Quem bem prestar a atenção, vai ver que a procissão de São Sebastião tem certas peculiaridades. Primeiro, que, à saída, o Santo é saudado por ruidoso foguetório. Depois, que a procissão faz um percurso muito próprio, diferente do trajeto das demais procissões. Também diferente é a presença, no centro do cortejo, do terno de Folia, guarnecido pelas irmandades, porém com os instrumentos em respeitoso silêncio. A marcha que marca o ritmo, rápido e quase bélico, vem da Banda do Batalhão. Fato muito raro, às vezes ainda acontece de se ver meninos vestidos de São Sebastião. Contam que, muito antigamente, da novena até a procissão, tinha barraquinhas com quitandas, bebidas, jogos e  leilão.

Na chegada da procissão, mais um movimento diferente para quem quiser observar: a banda fica na rua; a folia sobe a escadaria até o lado esquerdo do adro; apenas as irmandades e o andor entram na igreja. Esta hierarquia vem do tempo da Colônia, marcando duas formas de estratificação: uma, simbólica (dos profanos instrumentos musicais) e, outra, social (o prestígio periférico do grupo musical espontâneo na sociedade).

Se você estiver em São João del-Rei no dia 20 de janeiro e puder, observe a quantidade de são-joanenses que, intencionalmente ou por acaso, acompanham São Sebastião vestidos de vermelho. Crença, fé, identificação, pedido, promessa, agradecimento, quem sabe? A verdade é que predomina esta cor. E que, durante o ano sem muito alarde, de 11 a 20 de janeiro, São João del-Rei faz muita festa para São Sebastião ...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Sanfona de Prata do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, chorou saudades de São João del-Rei


Não é de hoje que São João del-Rei está presente na obra de grandes nomes da cultura brasileira, independentemente da área em que atuam e se destacam: artes plásticas, poesia, música, cinema, fotografia e muitas outras linguagens que expressam  o que há de mais elevado no pensamento e no sentimento humanos.

É vasta a lista de artistas que moraram à sombra da Serra do Lenheiro, juntando-se aos que aqui nasceram e desfrutando da riqueza cultural que a cidade cultiva e a todos proporciona.

O pernambucano Luiz Gonzaga, por exemplo, morou por algum tempo em São João del-Rei na década de trinta do século passado, na ocasião como militar do Exército. Antes de ser consagrado Rei do Baião, na cidade era conhecido como "bico de aço", por ser um excelente corneteiro.

Naquele tempo, a gratidão e a amizade que Luiz Gonzaga sentia por São João del-Rei eram tão profundas que ele gravou, em seu primeiro disco, a música instrumental Saudade de São João del-Rei, composta por Turquinho. O disco chama-se Sanfona de Prata e foi lançado em 1941, quando ele não morava mais aqui.

Atualmente a música só é conhecida pelos são-joanenses de outrora e muitíssimo raramente é executada em São João del-Rei. Bem que ela poderia fazer parte da musicalidade local, ser incluída, por exemplo, no repertório da Sociedade de Concertos Sinfônicos, da Banda Theodoro de Faria e de músicos da terra. Com a intenção de torná-la mais conhecida dos são-joanenses de agora, Tencões & terentenas orgulhosamente, mais uma vez, apresenta:

Com vocês, o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, e sua sanfona dourada, tocando Saudade de Sâo João del-Rei!...


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Folia de Reis - Tradição muito mais do que centenária de São João del-Rei


Realizadas no período que vai de 25 de dezembro a 6 de janeiro, as Folias de Reis são manifestações populares importantes no calendário cultural de São João del-Rei. Organizadas espontaneamente por grupos formados em bairros periféricos ao centro histórico, suas toadas e danças têm função evangelizadora: violeiros, sanfoneiros, tocadores de pandeiro, triângulo e reco-reco, dão ritmo à movimentação de diversos personagens, entre os quais o mascarado Bastião - tudo para lembrar a viagem que fizeram os três reis magos do oriente, seguindo a Estrela Guia até Belém, para entregar presentes ao recém-nascido Menino Deus. O valor arrecadado geralmente é entregue à ígreja católica do bairro ou a alguma obra social, e, mais raramente, empregado também para a compra de uniforme e instrumentos para o grupo.

Notícias publicadas na imprensa são-joanense provam que já na metade do século XIX as Folias de Reis aconteciam expressivamente em São João del-Rei. Segundo estudiosos do tema, o artigo assinado por Severiano de Rezende, publicado na edição de fevereiro / 1883 no Jornal Arauto de Minas, é o mais antigo registro histórico brasileiro sobre Folia de Reis. Intitulado "Tira Reis", descreve detalhadamente como aquela manifestação cultural era realizada em São João del-Rei no tempo do Império, mencionando, inclusive a prática de pedir "ofertas à Bandeira" nas casas visitadas.

Sobre o mesmo tema, também no século XIX, o jornal O Resistente, que circulou no dia 7 de janeiro de 1897 noticiou uma novidade: naquele ano a cidade foi surpreendida por um 'bando de reis' formado por soldados do 16º Batalhão de Infantaria, que percorreu algumas ruas, foi saudado pela população e até mesmo convidado a entrar em algumas casas, para ser "obsequiado".

Como se vê, as Folias de Reis, ainda hoje vivas e muito respeitadas, são tradições culturais bem mais do que centenárias em São João del-Rei.

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Fontes: PASSARELLI, Ulisses. Dez antigas notícias do Folclore de São João del-Rei in Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, nº11, 2005.
            A Tradição das Folias de Reis na Região de Rio das Flores e áreas adjacentes (http://www.csr.xpg.com.br/historia2.htm

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Tencões & terentenas 365 dias. 294 publicações. Quase 23 mil vezes São João del-Rei!


Neste 4 de janeiro, o almanaque eletrônico Tencões & terentenas completa o seu primeiro aniversário. Precisamente às 13 horas e 27 minutos, quando foi publicada a primeira postagem "Democratizar mais a cultura de São João del-Rei" (link abaixo). De lá pra cá, sempre autônomo e independente, "livre e desimpedido" o blog não parou mais: publicou 294 posts (a intenção era ter publicações diárias, mas ninguém é de ferro!), foi visitado 22.700 vezes e acessado em todos os continentes, principalmente - além das terras brasileiras -  nas Américas e na Europa, de norte a sul, de leste a oeste. Mas o ranking inclui também o Oriente Médio e países como Camboja, Índia, Filipinas e outros. Seus posts receberam 125 comentários e, pelo ineditismo de sua proposta, Tencões & terentenas foi citado em diversos blogs são-joanenses, mineiros e até portugueses.

Divulgou o retrato poético de São João del-Rei na poesia de grandes nomes, como Carlos Drummond e Oswald de Andrade, e na música de Luiz Gonzaga Rei do Baião. Divulgou documentos históricos raros, como o Auto da Elevação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes à Vila de São João del-Rei (1713), resgatou detalhes das Exéquias de Dom João V celebradas na Matriz do Pilar em 1750. Descobriu e divulgou fotos, filmes, clipes e vídeos desconhecidos e raros sobre a cidade e sua gente.

Desvelou o anteontem e o ontem seculares sem desprezar o hoje, na figura dos artistas, dos músicos, dos sineiros, dos artesãos; reverenciou os mortos sem se esquecer dos vivos, valorizou as mais diferentes expressões culturais que formam a identidade são-joanense, na tentativa de humildemente minimizar injustiças que toda História produz e que o tempo alimenta.

Um ano se passou, aumentando a todo instante o volume de visitas ao almanaque eletrônico Tencões & terentenas.

- Mas o que são 365 dias diante dos 310 anos de São João del-Rei? - pode-se perguntar.

- Bem, se a medida for apenas cronológica, então, de fato, não é nada. Porém, percepção mais apurada nos mostra que outras medidas existem quando a questão é comunicação, principalmente nos dias atuais. No exato tempo que a Terra gasta para dar uma volta em torno do Sol, planetariamente, incontadas mil pessoas navegaram neste Tencões & terentenas, somando quase 23 mil visitas - grande demonstração de  interesse por São João del-Rei, por sua gente e por sua cultura.

Muitos são-joanenses, certamente  "folheando" este almanaque eletrônico, melhor conheceram suas raízes históricas, souberam de fatos interessantes da infância de sua terra natal, foram apresentados a coisas que tornam São João del-Rei um lugar ímpar no mundo - inclusive em relação às demais cidades coloniais mineiras. Tiveram acesso a um patrimônio informacional de conhecimento e saber que os seduz e impulsiona a se apoderarem da própria história e a desejarem protagonizá-la, no tempo atual e no futuro, resgatados em sua auto-estima.  

Tencões & terentenas tem uma ambição: um dia servir como recurso didático-pedagógico nos níveis fundamental e médio de Educação Patrimonial para ensino da história e da cultura de São João del-Rei a crianças e jovens.

Muitos sonhos viram realidade. Sendo assim, que venham então os próximos 365 dias! E muitos outros...

Leia, no link a seguir, a primeira publicação do almanaque eletrônico Tencões & terentenas (http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com/2011/01/democratizar-mais-cultura-de-sao-joao.html
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Ilustração: Detalhe da portada da Igreja do Carmo de São João del-Rei (foto do autor)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

São João del-Rei, 360 graus. Dia e noite.

Para nativos e forasteiros, São João del-Rei é sempre um destino irrecusável. Ímpar em suas riquezas naturais e culturais, que vão da abissalidade de suas betas de ouro, das profundezas do Olho D'Agua que brota da pedra na Serra do Lenheiro, com o Canal dos Ingleses e as milenares grutas com pinturas rupestres datadas de 9 mil anos, até a eternidade das músicas barrocas compostas por são-joanenses mulatos nos séculos XVIII e XIX.

Da imemorialidade das orquídeas, dos jasmins e dos manacás, debruçados nos muros e nas sacadas até a contemporaneidade dos tapetes processionais feitos de areia, serragem, sementes e pétalas. Da antiguidade material e estética dos templos dourados, das pontes e monumentos feitos de pedra, adobe e  cal até o sabor fugaz de amêndoas, bolinhos de feijão, cachaça com mel, picolé do "Seu" Amado e pastéis de sabor apaixonado Romeu e Julieta.

Da teluridade cheirosa de alecrins, arnicas, manjericões e rosmaninhos até a sonoridade secular e para sempre dos sinos, dos silêncios, dos violinos, das pausas, das matracas, dos foguetes, dos apitos das fábricas de tecido e da Maria Fumaça.

São João del-Rei, 360 graus, dia e noite no site http://www.minastur360.com.br/br/sao_joao_del_rei.html, destino que tem o nome da cidade. A única  do Brasil que apresenta turisticamente, em passeio noturno pelo centro histórico, as lendas que constituem seu patrimônio imaterial, apresentadas no cortejo Lendas Sanjoanenses.

Se você está à sombra da Serra do Lenheiro, viva São João del-Rei, ao vivo. Se não, viaje, mergulhe e navegue pelas ondas da internet. Real ou virtual, sempre São João del-Rei. Não é exatamente a mesma coisa, mas quem não tem cão ...