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Mostrando postagens de Dezembro, 2012
Se pela beleza, imponência e grandiosidade de suas igrejas os largos do Carmo e de São Francisco são os que, de imediato, sempre encantam, no mês de dezembro é para o Largo do Rosário, no abraço que dá à mais antiga igreja de São João del-Rei, que todos os sentidos se voltam.

O olhar, para ver o belo cenário, iluminado ou natural, coroado pela igreja do Rosário e ponteado por orgulhosos sobradões . Os ouvidos, para escutar a magia que causa arrepios a quem ouve os tencões, terentenas e floreados de Natal, assiste a novena barroca do Menino Jesus e presencia o Te Deum Laudamus cantado no crepúsculo do dia 25 de dezembro. O olfato, para aspirar o perfume das flores que enfeitam os altares e o cheiro do incenso queimado nas brasas dos turíbulos de prata trazendo o céu para o interior daquele templo, construído em 1719. O paladar, para perceber o sabor da hóstia consagrada, que no dia 25 se converte no próprio Jesus Menino, descido dos braços da virgem em visita a todos, na mesa da comu…

Presépio da Muxinga é mágico: transforma São João del-Rei em Belém da Judeia. Há 84 anos!

A  Belém da Judeia, que há 84 anos existe em São João del-Rei, na aguda ladeira que os mortos sobem rumo à "sua derradeira morada", não fica em meio ao deserto. Ergue-se à sombra da Serra do Lenheiro, em paisagem absolutamente montanhosa, montanhesa, mineira, são-joanense. É lá que, desde 1929, Jesus, em seu mistério, também nasce.
Na Belém são-joanense, pacificamente, em meio a diminutas ruas e quintais, convivem galinhas, camelos, cavalos, vacas, elefantes, burros, galos, gatos e cachorros. Nela,o  ferreiro forja o ferro que faz o serrote que os serradores usam para serrar a madeira que o marceneiro usa em seu trabalho. Nela, tal qual o milagre dos peixes, o pescador tira da água o alimento que o jacaré deseja, mas que vai para a panela da cozinheira, que antes soca temperos para uma boa muqueca, assistida pela negra, que a tudo espana.
Nela, dois galos brigam, dois meninos brincam na gangorra, Papai Noel embala uma criança no balanço, um carrossel roda, uma roda gigante…

Natal em São João del-Rei: a "Estrela Guia" já no céu desponta!

Sempre que dezembro chega, São João del-Rei já está olhando para o céu. Lendo na pauta de estrelas a barroca novena de Nossa Senhora da Conceição. Aprendizado muito antigo, do tempo em que a santa, pousada sobre a lua crescente, esmagava a serpente verde, que ainda trazia entre os dentes  pecado vermelho e a maçã que traiu Eva e condenou Adão ao castigo do trabalho: "ganharás o pão de cada dia com o suor do teu rosto!"
Mal Nossa Senhora da Conceição recolhe-se ao seu altar na igreja de São Francisco, voltando do passeio que faz todo dia 8 de dezembro para, em gratidão, homenagear o aniversário da cidade que tanto lhe ama, São João del-Rei volta pela Rua da Prata, atravessa a Ponte do Rosário para de novo afinar seus instrumentos, preparar foguetes e fogos de artifício, lustrar pratarias, aparar velas, encomendar flores. Tudo para adorar, em novena, o sorridente Menino Jesus. Ele gosta tanto desta festa que faz questão de descer dos braços de Nossa Senhora do Rosário para fi…

Ainda quando vila, São João del-Rei batizou os irmãos do herói Tiradentes

Ainda hoje, aos olhos de todos, o herói Tiradentes parece um homem solitário, de história isolada, que brotou dos mineiros campos vertentes e lançou sementes de liberdade e esperança sobre montanhas e vales cobertos de ouro e diamantes.

É bem verdade que não teve madrinha, como declara seu registro de batismo, realizado a 12 de novembro de 1746 na capela de São Sebastião do Rio Abaixo e assentado na folha 151 do Livro de Batizados da então matriz da Vila de São João del-Rei, Mas na infância, teve família de numerosos irmãos.

Vários deles também receberam o sacramento do batismo na mesma capela de São Sebastião do Rio Abaixo, entre eles José da Silva Santos, no dia 5 de dezembro de 1747. Passara-se, portanto, um ano e poucos dias depois do batismo do herói sonhador da Inconfidência Mineira.

 José da Silva Santos não só foi batizado em São João del-Rei como também sepultado, no dia 11 de junho de 1833, com quase 86 anos, na igreja do Carmo desta cidade. Tinha posto de capitão.

Sobre o m…

São João del-Rei: da Guerra dos Emboabas à Guerra do Paraguai

Passados 133 anos desde que os portugueses, inflamados de ódio na Guerra dos Emboabas, incendiaram em 18 de novembro de 1709 o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes, São João del-Rei cobriu-se de festa para receber por três dias, com entusiasmo e homenagens, o Barão de Caxias, heroi brasileiro da Guerra do Paraguai.

Por coincidência ou de propósito, em 1842, no dia 11 de setembro, Caxias chegou à cidade pelo mesmo lugar onde o bandeirante Tomé Portes cobrava pedágio pela travessia do caudaloso Rio das Mortes: o Porto Real da Passagem. Dali então, por todo o trajeto, de trechos em trechos era saudado por foguetes e fogos de artifício - recursos sonoros até hoje muito usados em São João del-Rei, frequentemente até várias vezes por dia. De longe a população fica sabendo que em algum lugar não muito distante alguém está comemorando alguma coisa, mas exatamente qual o motivo da alegria, não dá para saber.

Em seu percurso até o centro da cidade, Caxias passou sob vários …

À luz do dia, cemitério desapareceu no centro histórico de São João del-Rei

Quem disse que morto não anda? Bem, se anda ou não anda,  isso ninguém ainda não viu, mas que cemitério muda de lugar, ah, isso muda. Pelo menos em São João del-Rei. Duvida? Então veja só:

Ainda não havia acabado o século XIX. Era, mais precisamente, dia 30 de novembro de 1897, quando a Mesa Administrativa da Irmandade da Misericórdia  de São João del-Rei foi convocada para tomar ciência de um documento que trazia um pedido inusitado - o fim imediato de sepultamentos no cemitério daquela irmandade.

Como aquele campo santo ficava em frente à Santa Casa de Misericórdia, bastava atravessar a rua para que o defunto, tendo deixado a vida naquele hospital, chegasse à morada eterna. Então, se morto não incomoda a ninguém - a não ser os que tem a alma apenada - por que tornar mais longa a distância entre este e o outro mundo, levando os mortos para o "Cemitério da Fábrica", que ficava na entrada da cidade, na margem esquerda do Rio das Mortes?

O ofício que, assim como os mortos, t…