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Parodiando Carlos Drummond, São João del-Rei é apenas um retrato na parede?

Há décadas atrás era comum em São João del-Rei pensar que o moderno era inimigo do antigo. Que as novidades tinham vindo e se alastravam para apagar todas as marcas do passado. Mesmo falso, este pensamento refletia uma visão simplista da evolução da história local, no caso específico da arquitetura são-joanense, que das casas de pau-a-pique, cobertas com capim, do Arraial Velho de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes, até os sobradões imperiais e os edifícios art noveau , não foram poucas as vezes em que a mais nova custava o sacrifício da mais velha. Se por um lado isto deu à cidade uma face bastante heterogênea e diversificada na paisagem de sua arquitetura, por outro é como se fosse uma história contada em capítulos, cada um falando de seu tempo, por meio de fachadas, sacadas, volumes, ferragens, estuques, cancelas e aldabras. Pena que cada novo capítulo era escrito apagando partes dos capítulos anteriores Hoje sabe-se que o moderno pode, deve e quase sempre é amigo do antig...

São João del-Rei. Sempre São João del-Rei! Salve São João del-Rei!

Não são poucos os que, olhando a São João del-Rei de hoje, suspiram, pesarosos.  Que com olhar distante, perdido no horizonte, lamentam os casarões e palacetes erguidos nos séculos passados que foram demolidos nos últimos 75 anos, dando um ritmo arquitetônico alternado e incomum a diversas áreas do nosso espaço urbano. E, nostálgicos e pessimistas, sentenciam: "É uma pena; não tem mais jeito! O Almanaque Eletrônico Tencões e terentenas pensa diferente. Quando vive a cidade fisicamente, ou a mira virtualmente, enche o peito e pensa: "Como é belo, rico e importante o muito que ainda existe em São João del-Rei! Como, nos últimos tempos e a cada dia, mais nosso patrimônio se fortalece, ganha visibilidade positiva e responsável, conquista garantia de perpetuidade e proteção, recebe zelo, cuidado e dedicação de vários setores da sociedade são-joanense! Na última semana, duas menções na imprensa - uma no jornal local Gazeta de São João del-Rei e outra no canal nacional Glo...

Destombamento da Avenida Hermilo Alves deixou cicatriz inapagável na paisagem de São João del-Rei

Os representantes do povo, legitimados por meio do voto para o poder legislativo municipal, são defensores da memória coletiva da população que os elegeu? Lamentavelmente, nem sempre! Em São João del-Rei, isto aconteceu no começo da década de 1990, mais precisamente no dia 21 de março de 1990, quando a Câmara Municipal promulgou a Lei Orgânica que destombou construções de valor histórico situadas na Avenida Hermilo Alves. A proposta, do vereador José Vicente Davin, deixou fortes, inapagáveis e irrecuperáveis cicatrizes no conjunto arquitetônico eclético daquela importante via são-joanense. Na ocasião, a dois anos das grandiosas comemorações do Bicentenário da Inconfidência Mineira, o assunto ganhou destaque na imprensa de Minas Gerais e assim foi divulgado no jornal Hoje em Dia - página 25 do caderno Cultura -, edição de 05/04/1990: " Prédios históricos estão sendo destombados Em São João del-Rei, vereadores revogaram  decreto que preservava construções especiai...

São João del-Rei, setembro de 1993. Relembrar, para não esquecer! E cada vez mais aprender...

Há 20 anos, São João del-Rei foi manchete nos principais jornais impressos do país. Nos telejornais, não foi diferente: o nome da cidade era repetido várias vezes por dia. E não era por um fato glorioso ou um acontecimento à altura dos são-joanenses. Pelo contrário. O motivo de tamanho alvoroço  era  uma questão preocupante para o patrimônio arquitetônico-urbanístico do país, que colocava de um lado o poder público local e de outro o poder público federal. Do que se tratava? Do asfaltamento da Rua Santo Antônio - uma das mais antigas e bonitas do centro histórico colonial, famosa por suas casas tortas e por ser endereço das sedes das duas orquestras mais antigas das Américas - a Lira Sanjoanense e a Ribeiro Bastos - e da centenária Banda de Música Theodoro de Faria.Temia-se que a rua, que fora trilha de entrada dos bandeirantes no Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar, em 1703, 290 anos depois servisse de caminho para o asfalto chegar definitivamente às ruas, becos, praç...