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No Carnaval de São João del-Rei tem a Bandalheira do bem!

Se São João del-Rei, por sua infinita riqueza sonora e musical, deseja ser consagrada também como "terra da música", nada mais certo do que seu carnaval - efetivamente - começar com uma banda: a Bandalheira!

Na verdade, a Bandalheira é bem mais do que uma banda, e do que um bloco carnavalesco. Com suas tantas décadas de existência, ela é mesmo uma corporação. Um sentimento que vive adormecido durante um ano inteiro para, na tarde do sábado que antecede o sábado de carnaval, corporificar-se por algumas horas, exalando alegria, samba, marchinhas e amizade, conforme declaravam seus estandartes este ano.

Na Bandalheira, democraticamente, há igual espaço para todos, independentemente da idade, sexo, raça, religião, condição social ou econômica e qualquer outro tipo de diferença. Desse modo, como toda e qualquer ação humana, seu cortejo é um ato político em favor da alegria, da fraternidade, do respeito humano e da igualdade. Tanto que as marchinhas e sambas que a banda tocava e …
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Vamos redesenhar, pintar e bordar a história de São João del-Rei?

Sobretudo a partir da vinda dos intelectuais modernistas à nossa cidade, no começo do século 20, São João del-Rei passou a ser paisagem muito retratada por um sem-número de artistas plásticos, principalmente desenhistas e pintores, que vinham a esta terra em busca da originalidade, da graça, das cores, da vivacidade e da simplicidade de nossa paisagem.

De Quirino Campofiorito a Tom Maia, de Alberto da Veiga Guignard e José Pancetti a Emeric Marcier e Carlos Bracher - cada qual com sua percepção humana, geográfica e cultural, sua técnica e sua sensibilidade - a "terra da música, onde os sinos falam" foi e continua sendo grande musa inspiradora. Isto sem citar os consagrados fotógrafos e cinegrafistas, que para cá voltaram suas lentes e flashes e, também, lembrar dos viajantes europeus que por aqui passaram no século 19 e produziram desenhos muito importantes para conhecermos como era nossa região naquela época, há duzentos anos atrás.

Entretanto, essa produção é majoritariam…

Em São João del-Rei, camiseta da Festa de Passos é uma nova tradição!

Ainda estamos a um mês do Carnaval, mas as quaresmeiras roxas já floriram, dando um sinal muito ansiado pelos são-joanenses: daqui a alguns dias, já será tempo quaresmal.

Dias contritos, noites arrastadas, sinos pesarosos, tempo complacente, vento reticente, pausas no olhar distante, pro alto, pra dentro, pro sempre, pro nada, pra aqui, pra lugar nenhum... Pausas simplesmente.

Em São João del-Rei, Quaresma é Festa de Passos. Vias Sacras, lembranças antigas, manjericão, recitação do terço, saudade por perto, desejo de penitência, arnica, aperto no peito, hortência, sopro no coração, orquídea, suspiro calado, rosmaninho, saudade seca de seiva e alento. Cera da vela, cruz com o lençol branco, crucificado erguido andando veloz pelas ruas, o povo em alas, ao lado, àtrás, bandeira roxa SPQR, passinhos enfeitados, encomendação de almas. Senhor Deus, misericórdia! Miserere mei Popule Meus. Ó vos omnes!

Aos são-joanenses não basta viver. É preciso vestir. Inclusive a Quaresma. Revestir o corp…

Orações fortes amarram o amor nas esquinas e becos de São João del-Rei

Dizem que o mineiro é desconfiado de tudo e, tal qual São Tomé, só acredita naquilo que vê. Mas não é bem assim. Pelo menos em São João del-Rei, não é! A verdade é que os mineiros - e os são-joanenses em especial - guardam tudo a sete chaves, não alardeiam o que suspeitam nem proclamam o que imaginam e muito menos o que desconfiam. O que desejam, então...

O são-joanense acredita no que não vê e, mais do que isto, dialoga e se relaciona intimamente com o que a vista não alcança. Mas isto ele não confessa. Se por algum motivo - crença, promessa ou obrigação - tem que professar essa sua crença, o faz da forma mais anônima. Torna pública a sua fé com tanto segredo e tanto mistério que é impossível identificá-lo, mesmo que a revelação seja no local mais público, na mais movimentada esquina da cidade.

Você quer local mais visível, dia e noite, do que o sobradão do lado direito de quem se vira para a Matriz do Pilar, exatamente aquele onde começa o bequinho de degraus largos que disfarça as…

Todo Ano Novo que começa é tempo dos reis de São João del-Rei!

Mal o ano começou e São João del-Rei, no imaginário do povo deste lugar, já está se avançando cinquenta, sessenta dias no tempo, vislumbrando os dois primeiros grandes marcos de seu calendário: o Carnaval e a Semana Santa. A cultura de nossa cidade é construída a partir de festas, ora religiosas, ora profanas, que se interligam, se sucedem, se complementam e dialogam, mostrando que o viver local é uma caminhada involuntária por um percurso fantástico e mágico, que transcorre entre a finitude e a eternidade. Quer realidade mais barroca do que esta, própria desta terra de el-rei?

No dia 6 de janeiro - dia dos Santos Reis -, o Menino Jesus, Rei dos Reis, sentado em seu trono, sai em uma pequena rasoura, pelos arredores da tricentenária igreja do Rosário, ao som dos sinos e da Banda de Música, reluzente em sua pueril majestade. Alguns dias passam...

Súdito deste rei, soldado de Cristo, a partir do dia 11 de janeiro, a cidade rende homenagens a São Sebastião, com novena, tencões e terente…

A magia do Natal através dos tempos em São João del-Rei

Mal dezembro se anuncia, Jesus dá sinais de seu Advento em São João del-Rei. Serena orvalhos de ternura, semeia estrelas luminosas na noite escura, faz brotar flores de bondade, que dão frutos de calor e fartura, sopra brisas de fina música e sorri com mansidão.
Foi assim no anoitecer deste domingo - o primeiro do Advento de 2019. Como no conto alemão do flautista de Hamelin, a Rua das Flores transformou-se em uma longa pauta musical, por onde os sons suaves de um violino, de um violoncelo, de um piano e de uma flauta subiam até o altar-mor da Capela do Divino Espírito Santo e, de lá, pousavam nos corações serenidade, encantamento, conforto, alívio, esperança, humanidade. Nos corações infantis,  jovens, maduros e mais vividos, de homens e mulheres, brancos e negros, indistintamente. São João del-Rei tem dessas coisas, surpreende sempre, com arte e encantamento, quando menos se espera, como por exemplo numa noite qualquer de domingo!

Peças de compositores consagrados - como Vilani-Côr…

Cara e coroa. A outra face da rica memória de São João del-Rei

Nem só de grandiosidade e opulência vive o patrimônio arquitetônico de São João del-Rei. Para além de igrejas magníficas, nobres casarões e elegantes sobrados, que encantam gentes do mundo todo, a cidade possui também outro tipo de patrimônio construído, igualmente importante. 
Assim como os monumentos patrimonialmente consagrados, que em geral registram a história dourada do domínio português, da igreja católica e da nobreza da época colonial, este outro patrimônio é igualmente valioso, porém muito diferente. Em sua grande maioria, ele é registro da história das pessoas humildes, que em épocas passadas viveram entre muitas dificuldades e, mesmo assim, contribuíram decisivamente com sua força de trabalho - e também com sua criatividade - para a construção do que é a identidade são-joanense. Aliás, mais do que a identidade, mas a própria alma de São João del-Rei.
Um ótimo exemplo é esta residência da foto. Edificada na subida do Largo da Cruz rumo ao Alto das Mercês, fazendo esquina p…