sexta-feira, 27 de setembro de 2013

São Cosme e São Damião brincam inocentes nos largos, ruas e becos de São João del-Rei


No meio de tanta festança que no mês de setembro acontece no centro histórico de São João del-Rei - todas grandiosamente belas, corporativamente promovidas pelas Irmandades e Confrarias setecentistas, pode parecer que não existe espaço para manifestações culturais singelas e espontâneas. Mas não é bem assim.

Mal avançam as primeiras horas da manhã do dia 27 de setembro, já se percebe nos mais diferentes pontos da cidade, principalmente nas áreas residenciais, um alvoroço diferente: são as crianças correndo atrás dos doces distribuídos  para saudar São Cosme e São Damião. Balas de coco, paçoca, pé de moleque, maria-mole, pirulito, doce de batata doce, pipoca industrializada - tudo vale para adoçar a vida e acariciar a infância da inocência, legítima e verdadeira, não aquela oficialmente "pastichificada" no comercial Dia da Criança.

Na verdade, a tradição de deixar nos jardins e também distribuir guloseimas açucaradas no dia de São Cosme e São Damião tem mais significados do que se imagina. Além do caráter religioso, ainda cultivado por alguns, como retribuição pela graça de favor divino intermediado pelos santos gêmeos, por alguns instantes ela devolve a alegria da infância a quem já embaçou o brilho dos olhos porque avançou no tempo ou endureceu o coração. Promove troca de olhares, de sentimentos, de esperanças, de emoções. Redime adultos e acalenta crianças, com promessas de respeito e dignidade.

Seja para os erês, para os ibejis ou para os anjos da guarda - em São João del-Rei a lembrança de São Cosme e São Damião se materializa no ciclo da festa de São Miguel e de outros arcanjos custódios. Ao povo são-joanense, todos guiam, protegem e defendem...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Festa das Mercês: São João del-Rei reinventa ícones, ressignifica símbolos e reescreve sua história


Na sua dinâmica sociocultural, a cada dia São João del-Rei ressignifica elementos e símbolos de sua história, dando-lhes novos e contemporâneos sentidos. No vale da Serra e ao longo do Córrego do Lenheiro, o que antes ostensivamente apontava condenação, hoje serve para induzir questionamentos. O que outrora, em séculos passados, sinalizava colonial castigo, neste terceiro milênio, é alvorada da consciência dos direitos humanísticos e cidadãos.

Você imagina que o Pelourinho, onde desde 1713 se castigavam escravos e executavam severas punições na Vila de São João del-Rei, pudesse servir de mastro para um toldo da principal barraca da quermesse da Festa de Nossa Senhora das Mercês? Pois é! Em setembro de 2013, isto aconteceu.

A face religiosa, tradicional e barroca, da Festa das Mercês continua fiel aos rituais setecentistas. Toques de sinos, foguetes, novenas, missas cantadas, incensos, irmãos com hábitos, escapulários e mantos caudalosos, andores enfeitados, procissões, fogos de artifícios.

A face popular, adaptou-se aos novos tempos. Abriu mão do barquinho elétrico-iluminado  que cortava de ponta a ponta a fachada da igreja no começo dos anos sessenta. Sente saudades das barracas de pescaria, do coelhinho branco que escolhia a casinha premiada. Do avião que, voando em círculo em redor do mundo, tinha escalas em Aparecida do Norte, Pitangui, Mariana, Bom Jesus de Pirapora, Bom Jesus do Amparo, Ouro Branco, Ouro Preto, Congonhas do Campo, Senhora da Abadia, São Francisco das Chagas de Canindé, Salvador, Dores de Campos, Bom Jesus da Lapa, Belém, Nazareno, São Miguel do Cajuru, Trindade, Pilar de Goiás, Santo Ângelo, Santo André, São Bernardo, São Caetano, São Sebastião da Vitória, São Paulo, Cruzília, Cruzeiro do Sul, Santa Luzia, São Luís dos Montes Belos, Nossa Senhora do Desterro, Santa Bárbara, São Tomé das Letras, São Lourenço, São Tiago, Santo Antônio do Rio das Mortes. Alguma delas traria prendas e alegrias...

Do leilão de frango assado, pernil com farofa de azeitona e ovo cozido, bolo de coco, broa de coalhada, vinho tinto, licor de folha de figo, perfume em frasco grande e colorido, ficou apenas saudade. Não é coisa deste tempo.

Mas o Pelourinho, que antes era a égide de autoritarismo, escravidão e terror, agora em São João del-Rei, tem outra finalidade. É um mastro, ou melhor, um marco que legitima o seguinte pensamento, bíblico, creio que de Chagall: "o destino do homem é a felicidade e sua morada deve ser o Paraíso!" Enquanto este tempo não chega, mas já está a caminho, à sombra da agulha de pedra se ouve o sino tocar, e também música alegre. Se namora, se cobiça a mulher do próximo, se conversa, se bebe cerveja, refrigerante e suco. Se come suculento churrasquinho de lombo e frango, pastel de queijo e "de pizza" , cigarrete, rissole, coxinha de galinha...

Quando o novo tempo chegar (e ele não demora...), é preciso estar satisfeito, alegre, feliz e de barriga cheia para recebê-lo!

domingo, 22 de setembro de 2013

24 de setembro. Data importante para São João del-Rei. E para a igreja de Nossa Senhora das Mercês.

Graciosa, leve, alegre, luminosa. Estes adjetivos são perfeitos para a pequenina igreja de Nossa Senhora das Mercês de São João del-Rei.

Sem dúvida, ela é uma das mais antigas igrejas da cidade, pois está mencionada na História do Distrito do Rio das Mortes, escrita pelo sargento-mor José Álvares de Oliveira, em 1751.

No entanto o edifício, na sua face atual, foi inaugurado no dia 24 de setembro de 1877, com bênção e procissão de Nossa Senhora das Mercês. Antes, em 1808, o templo havia passado por outra remodelação.

Com sua alta, vasta e farta escadaria, a igreja de Nossa Senhora das Mercês é singular entre os demais templos são-joanenses. Tem uma única torre, deslocada lateralmente do corpo da igreja, um delicado jardim lateral, encravado na pedra da Serra do Lenheiro, e um alto cruzeiro à sua frente.

Na Sexta-Feira da Paixão, converte-se no principal cenário barroco da Semana Santa de São João del-Rei. É no alto de sua escadaria que acontece o Descendimento da Cruz, que antecede e dá início à Procissão do Enterro, celebrizada mundialmente por sua fidelidade às tradições do século XVIII.


Propina legal em São João del-Rei. Era no século XVIII...


A história de São João del-Rei tem muitos registros curiosos e  inusitados. No dia 24 de setembro de 1781, por exemplo, um Acórdão autorizou o pagamento de “propinas” a cada membro da Câmara de São João del-Rei  – presidente, vereadores, procurador, e escrivão do Senado - que comparecesse às festas religiosas realizadas na Matriz do Pilar.

O valor variava de acordo com a importância social da celebração e procissão. As quatro festas mais importantes – Corpo de Deus, Visitação de Santa Isabel, Anjo Custódio do Reino e Nossa Senhora do Pilar – rendiam cada uma, ao  bolso de cada servidor público, dez mil réis. Igual valor ganharia quem comparecesse às festividades de São Francisco da Bórgia e do Patrocínio de Nossa Senhora.

Consideradas de menor expressão, as festas de São Sebastião, São João Batista e da Publicação da Bula garantiam, cada uma, cinco mil réis.

A assiduidade no cumprimento social do compromisso religioso, representando o poder público, poderia aumentar em até 96 mil réis a renda anual de cada membro da Câmara. Nisto, não havia nada de irregular ou escuso. As propinas eram reguladas pela Ordem Régia de 1744.
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Fonte: CINTRA, Sebastião de Oliveira. Efemérides de São João del-Rei. Volume 2, segunda edição revista e aumentada. Imprensa Oficial de Minas Gerais, Belo Horizonte, 1982.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Devota, convicta e confiante, São João del-Rei dialoga com os Céus


Pelas encruzilhadas e esquinas de São João del-Rei, misteriosamente, as letras misturam-se em uma prece. Escorrem pelas ladeiras íngremes, espalham-se nos largos e praças. Aparecem, quando menos se espera, do fundo de sacolas de compras. Desejo dos são-joanenses, é a Oração por uma cidade, que clama o seguinte:

                        “Pai Nosso, que estais no Céu,
                          que estais no Alto do Cristo,
                          com vossos braços estendidos,
                          como a nos abençoar:
                          Protegei nossa cidade,
                          livrando-a de toda maldade.
                          Famosa “cidade dos sinos”,
                          em que a música dança no ar.

                                  Que o pão de cada dia
                                  não falte pra nossa gente;
                                  que sempre exista trabalho,
                                  pra esse povo decente.

                          Abençoai nossas serras,
                          riachos e cachoeiras.
                          Que a nossa Maria Fumaça,
                          com seu apito, sua graça,
                          trafegue sempre altaneira.

                                  Protegei nossos monumentos,
                                  casarões e igrejas.
                                  Protegei este povo hospitaleiro
                                  que tanto o progresso deseja;
                                  abençoai nossas crianças,
                                  nossa linda juventude,
                                  e que nossos anciões
                                  desfrutem de muita saúde.

                           E para nossos políticos,
                           mandai Vosso Espírito Santo
                           para que trabalhem honestos,
                           sem se corromperem tanto.

                                   Pedimos com devoção.
                                   Seremos ouvidos, eu sei.
                                   Nossa cidade merece.
                                   Paz e amor, São João del-Rei!"


Genézio Thadeu da Silva            

Festa das Mercês - Doce, sereno e sublime encanto de São João del-Rei

Há quase 300 anos o povo de São João del-Rei participa - com fé, devoção e encantamento - da sublime novena barroca de Nossa Senhora das Mercês. É um ofício encantador, numa capela delicadamente dourada, entre flores, incensos, música suave que vem de violas, violinos, violoncelos, flautas, clarinetas e de belas vozes que se harmonizam em rendilhados de notas musicais que formam volutas sonoras inigualáveis.

O sino sozinho, na torre altaneira, soberana e solitária, toca alegre. Padre Geraldo canta vigoroso responsórios seculares, que orquestra e fieis, em coro único, respondem convictos. Fieis em sua maioria negros de carapinha branca, entre jovens e crianças, compenetrados vivenciam por uma hora e meia, um amoroso abraço imaginário com Nossa Senhora das Mercês. Com o olhar trocam palavras, fazem pedidos, promessas, agradecimentos. A tudo a Virgem acolhe de braços abertos e face levemente inclinada na direção da mão direita, que estende para o povo são-joanense com um buquê de cravos brancos, jasmins, flores de laranjeira, graças, bênçãos, alegrias, vitórias e favores.

Quem a vê, serena em seu trono, não imagina que, outrora, mãe zelosa, desceu sua colina para despedir-se dos filhos soldados que embarcaram para a Guerra da Itália. Protegeu-os no combate nas montanhas nevadas e, tempos depois, novamente foi às ruas para buscá-los - sempre de braços abertos, com o buquê de felicidades e sorrisos.

Aqueles que não resgatou vivos do inimigo nazista, Nossa Senhora das Mercês um a um conduziu-os ao céu, onde até hoje, como meninos, eles brincam com as estrelas e se encantam com os fogos de artifício que brilham no anoitecer de todo dia 24 de setembro.





quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Setembro deveria ter mais dias em São João del-Rei. É pouco tempo para muita festa e muita fé...


Os trinta dias do mês de setembro são pouco para a quantidade das celebrações religiosas que acontecem em São João del-Rei no nono mês do ano. São cinco grandes festas e há dias em que, até, são simultâneas. Todas com toques de sinos, foguetes, cantos, flores, anjos, cores, incensos, mistérios, crenças, esperanças e certezas...

Este ano, logo no dia 1º, a procissão do Senhor Bom Jesus do Monte encerrou a festa do Cristo crucificado que mora em uma colina no lado oeste da cidade, à sombra da Serra do Lenheiro. Quatro dias depois, começou a novena que terminou em procissão no dia 14, também para homenagear Nosso Senhor Bom Jesus. Desta vez, o de Matosinhos, na face norte da cidade - imediações de onde, a História diz, assentou-se por volta de 1704, cobrando pedágios pela travessia do Rio das Mortes, o bandeirante taubateano fundador de São João del-Rei, Tomé Portes del-Rei.

Antes de tal procissão, no dia 12 começou a Quinquena de São Francisco - série de cinco ofícios sacros que precedem o dia do mistério divino em que o "pai da humildade e da pobreza" recebeu no próprio corpo as cinco chagas de Jesus Cristo. 

Neste mesmo período, a partir do dia 15, começou a barroca novena de Nossa Senhora das Mercês, que termina em gloriosa procissão, no entardecer do dia 24. A música, executada da Orquestra Lira Sanjoanense, tem ecos do século XVIII, pois, fundada em 1776 e ainda hoje atuante, é a corporação musical mais antiga das Américas.

Na sequência, no dia 25, começa a novena barroca de São Francisco de Assis, que se estende até a procissão do dia 4 de outubro - data em que se realiza também a celebração da morte (trânsito) do santo tão querido dos brasileiros. Aí, quem toca é a Orquestra Ribeiro Bastos, ativa desde 1790.

Mas enquanto isso ainda acontece, no dia 26 começa o Tríduo de São Miguel Arcanjo, preparatório para as procissões do "Príncipe das Milícias Celestes" guarnecido pelos anjos custódios São Gabriel e São Rafael, dia 29, e do Anjo da Guarda, dia 30.

Como se vê, setembro é um mês curto e breve diante da intensidade das tradições religiosas de São João del-Rei. Mais isto não diminui a fé dos são-joanenses nem lhes desmotiva a fazerem festa...
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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Dom Lucas Moreira Neves - Primavera floresce igualdade, gratidão e memória em São João del-Rei



Entre as várias preciosidades culturais que o cardeal Dom Lucas Moreira Neves deixou para São João del-Rei, uma delas se multiplica e se repete a cada ano: é a Semana Cultural Dom Lucas, realizada sempre no período de 08 a 15 de setembro, no memorial que leva o nome dele, que é um dos mais queridos são-joanenses, filho de família a quem muito deve a cultura de nossa terra.

Em 2013, o tema que norteia todos os eventos mostra como a cada alvorecer mais evolui e se ilumina a compreensão, a humanidade, o pensamento, a democracia, a religiosidade - enfim a própria sociedade são-joanense. É que o nobre espaço, durante oito dias, abre-se com todo respeito e dignidade para cultura afro-sãojoanense, aqui brotada e frutificada quando o século XVIII, entre raios luminosos de ouro e sol, começava a amanhecer.

Melhor reconhecimento e tributo aos são-joanenses de ontem e de hoje não poderia haver, do que a escolha de tema tão rico e tão pertinente, 300 anos vivo na sociedade local. Ora nos coros das douradas igrejas, ora nos e bairros periféricos, ora na força de  música barroca das suntuosas novenas, missas e procissões, ora no som telúrico das caixas, tambores, pandeiros, sanfonas, triângulos, reco-recos e cantigas das congadas, batuques, cateretês e sambas. Orações, ladainhas, rezas, benzeções, crenças, pontos, incelenças, "mandingas". Fé viva, em Deus que é um só e está igualmente em toda parte - assim na África como no Brasil.

Vídeo sobre os congadeiros, colóquio sobre afrobrasilidade, palestras sobre o negro na música barroca são-joanense, o processo de criação artística, concerto de piano, teatro de rua representando as lendas de São João del-Rei e, para terminar, uma animada roda de choro.

Que pode haver de mais rico, evoluído, avançado, fraterno, digno, contemporâneo e humanista do que esta programação? Somente a grandiosa atitude do Memorial Dom Lucas Moreira Neves, ao escolher um tema tão relevante e ainda pouco evidenciado pela cultura são-joanense.

Inegavelmente, a IV Semana Cultural Dom Lucas é um marco ímpar na história da cultura afro-são-joanense, ou melhor, da cultura são-joanense, já que ela, ricamente multifacetada, é una e indivisível. Assim, é uma homenagem não apenas aos afro-são-joanenses, mas a todos os são-joanenses, independentemente da etnia e da origem de seus ancestrais.

Dom Lucas, Dona Stella, Maestro José Maria Neves, lá do alto, certamente nos sorriem, também felizes e agradecidos com esta homenagem. Brisa de bondade serena que anuncia a chegada da primavera de 2013!


Foto da abertura: Congado de São Gonçalo do Amarante, distrito de São João del-Rei - Ulisses Passarelli

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Igreja de São Francisco de São João del-Rei é uma divina epopeia, esculpida em pedra - I

Não é exagero dizer que a igreja de São Francisco de Assis de São João del-Rei - um dos mais expressivos exemplares da arquitetura religiosa barroca brasileira - é também uma das mais belas obras de arte da humanidade.

Tão maravilhosamente bonita e a tantos já seduziu, encantou e inspirou que é muito difícil ser original ao dizer qualquer coisa sobre ela. Uma das mais precisas e fieis descrições desta joia da sensibilidade são-joanense foi feita no livro Igrejas de São João del-Rei, lançado há exatos cinquenta anos.

Nele, o historiador são-joanense Luís de Melo Alvarenga assim  começa a narrativa, que será reproduzida em diversas partes neste Almanaque Eletrônico Tencões e terentenas:

"Magnífica obra de arte é este templo dedicado a São Francisco de Assis. Notável não só pelo trabalho em pedra e madeira, como por seu risco original, em linhas curvas, formando um conjunto harmonioso.

Aureliano Pimentel, em página magistral, descreve esta igreja e sintetiza sua descrição  nas seguintes e expressivas palavras:


                             "Seu todo 
                               harmônico 
                               exprime um pensamento 
                               arquitetônico.      
                               É como uma epopeia 
                               de pedra."

A localização, em ampla praça ajardinada e terreno elevado, contribui para realçar o conjunto majestoso e artístico, um dos mais belos de Minas Gerais e do Brasil.

É dotado de um adro, delimitado por balaústres de mármore branco, vindos de Portugal, com parapeito em pedra azul, até determinado ponto e, daí em diante, por balaustres de cimento. Um portão largo de ferro, ladeado de gradil de ferro batido, fecha o adro na parte inferior da frente. Lateralmente, existem dois portões menores.

Uma escadaria de lajes de pedra com balaústres também de mármore branco, em ziguezague, com espaçosos patamares e corrimão de pedra, dá acesso ao adro. O paredão da escadaria é decorado com desenho e flores de pedra, tendo no centro do florão a data de 1874. As pilastras são bonitas e terminam em ornatos com laminados de pedra.

O templo, todo construído de alvenaria, foi iniciado em 1774. Tem mais de 55 metros de cumprimento e 15 de largura, por uma altura de 30 metros, nas torres."
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Fonte: ALVARENGA, Luís de Melo. Igrejas de São João del-Rei. Editora Vozes, Petrópolis, 1963.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

São João del-Rei. D'Além-mar, tropical, capital de Portugal!


Há apenas três meses da data exata - 8 de dezembro - em que se comemorarão os 300 anos da elevação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes à condição de Vila de São João del-Rei, a todo instante chegam informações mostrando que, tanto quanto rica, é também ainda pouco conhecida a história da tricentenária São João del-Rei.

Quantos são-joanenses, por exemplo, sabem que, em 1755, quando um forte terremoto sacudiu Lisboa, São João del-Rei foi cogitada para ser a capital do império português? Quem nos conta é o juiz de direito Auro Aparecido Maia de Andrade, que resgatou esta intenção do Primeiro Ministro do rei D. José I, Marquês de Pombal - sábio administrador que viu na quarta vila instituída em Minas Gerais importância singular na mais importante colônia portuguesa de além-mar, que era o Brasil.

Capital do país sonhado pelos inconfidentes; quase capital de Minas quando da Proclamação da República, São João del-Rei, em 2007, com muita justiça e propriedade, foi eleita Capital Brasileira da Cultura. E tão bem honrou este título que o cunhou em perene auréola dourada e brilhante, que aos são-joanenses muito orgulha: "São João del-Rei. Capital Brasileira da Cultura, para sempre!"


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Fonte: ANDRADE, Auro Aparecido Maia. São João del-Rei: uma breve abordagem histórica. Gazeta de São João del-Rei, 17/08/2013