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Mostrando postagens com o rótulo igreja do Carmo

Em São João del-Rei, São Jorge perde a cabeça, mas não perde a vergonha! E nem a pose!

Antigamente, em São João del-Rei, no tempo em que nossos pais viviam a infância, certamente fazia parte do universo deles a mula-sem-cabeça: aquela figura imaginária e muito temida, que andava a horas mortas pelos locais ermos, nas noites da quaresma. Seu tropel, ora lento e bem compassado, ora veloz e desritmado, era percebido pelo bater de seus cascos no calçamento das ruas, e do mesmo modo que surgia, desaparecia, no silêncio, ao longe.  Fora a estória de uma ou outra alma penada, em um corpo decapitado, vagando pela noite à procura de sua cabeça, cortada por castigo, vingança, cobiça, inveja, ira - ou simplesmente por crueldade - em São João del-Rei, sempre que se falava (e ainda hoje quando se fala!) que alguém perdeu a cabeça, na maioria das vezes é para justificar desaforos, adultérios, crimes passionais, e até mesmo assassinatos. Mas neste domingo por volta do meio-dia, passando pela lateral direita da igreja do Carmo, uma cena incomum chamou minha atenção: São Jorge deca...

São João del-Rei, "verás que o filho teu não foge à luta, nem teme quem te adora, a própria morte..."

"Você sabe de onde eu venho"? - perguntou com poucas notas a Banda do Batalhão de Infantaria de Montanha, tocando o primeiro verso da Canção do Expedicionário, tão conhecida e tão cantada em São João del-Rei. Muito querida do povo são-joanense, esta marcha não pode nunca faltar no repertório de desfiles, marchas, retretas e concertos militares, por seu poder de, pela memória e pela lembrança, chamar de novo à vida nossos jovens soldados que, aqui deixando sonhos e família, atravessaram o oceano para combater e derrotar  na Itália o grande inimigo mundial. O nazi-facismo. Muitos, nesta 2a guerra mundial, deixaram lá a própria vida e outros tantos regressaram ao Brasil, para viver mais 50. 60, 70, 80 anos na terra da qual foram feitos, e nela fechar definitivamente os olhos, à luz de algum último raio de sol. Isto foi o que se reviveu no Largo do Carmo de São João del-Rei, no fim da tarde azul da quarta-feira, 22 de julho de 2020. Mesmo em tempos de pandemia, vários populares ...

Museu dos Sinos para comemorar os 305 anos da Vila de São João del-Rei!

305 anos de elevação à categoria de Vila, com o nome de São João del-Rei. Esta é a grande efeméride que nossa cidade comemora no próximo dia 08 (de dezembro), numa festa diversificada, que vai durar mais de três semanas, como tanto gosta o povo são-joanense. Aliás, se tem uma coisa que o povo de São João del-Rei não dispensa é festa, com tudo o que este tipo de acontecimento requer, merece e tem direito: banda de música, apito de trem, fogos de artifício, luzes coloridas, sorriso aberto, roupa nova, perfume, dança animada, comida boa, bebida de primeira, flores, juventude, gentilezas, maturidade, lembranças, agradecimentos, saudades e... toques de sino! - Ah, os toques dos sinos de São João del-Rei. Mesmo com todos os outros encantos histórico-culturais que colocam nossa terra em um lugar destacado frente às milhares de cidades que existem no Brasil e as centenas de milhares que existem no mundo, são eles que coroam a singularidade patrimonial são-joanense. Quando quem fala é a ...

Sinos de São João del-Rei desobedecem Rei Momo e tocam até no Carnaval!

Carnaval ou não, todo domingo de manhã, de vários pontos da cidade  se ouve os sinos da igreja do Carmo chamando os fiéis para a missa,  tradicionalmente, com este sofisticado concertinho sonoro: ............................................................................... Texto e foto: Antonio Emilio da Costa

Em São João del-Rei, Mãe do Ouro fez estrela virar pepita e dragão virar serpente no fundo Rio Jordão

Quem anda por São João del-Rei se encanta com a paisagem urbana. Seus casarios, suas pontes, seus largos, seus jardins, suas escadarias, balaústres e monumentos. Se encanta com a paisagem religiosa. Suas procissões, suas novenas, seus ritos, seus ofícios, responsórios, antífonas, Te Deum's. Suas igrejas, seus anjos, seus santos, suas portadas e suas torres. Se encanta com sua paisagem sonora. Seus toques de sino, dobres, tencões, terentenas, tens-tens, floreados, repicados, canjica queimou. Seus sons de orquestra, violinos, violas, bombardinos, trompetes, trompas, trombones, flautas, vozes. Seus toques de banda, dobrados, marchas. Seus apitos do trem, das fábricas, com o estrelamento ruidoso e brilhante de seus foguetórios... - Mas e a paisagem humana de São João del-Rei, o que ela nos mostra? - Ora, muito mais do que a gente imagina! A paisagem humana de São João del-Rei é feita de tempo, de sonho, imaginação e sentimento. Ela está em toda parte. O tempo todo. É só ...

O modernista Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e a Semana Santa de São João del-Rei

Estamos em São João del-Rei, mais precisamente no Largo do Carmo, no ano de 1924. Pela sombra oblíqua projetada da esquerda para a direita, sabemos que devem ser, mais ou menos, 3 horas da tarde. Um soldado, em primeiro plano, anda depressa, atravessando a praça, como a fugir da paisagem rumo ao Largo da Cruz. Dois meninos brincando, um homem de pé, encostado na monumental fachada, do lado oposto mais algumas crianças. Uma mulher, na janela, espia o dia  escorrer e a vida passar... - Quem é aquele homem de terno preto e chapéu no centro da foto, de frente à portada? - Ora, não é ninguém menos do que Oswald de Andrade! Era abril, Semana Santa, e ele adentrava o interior de Minas para redescobrir o Brasil, na companhia da pintora Tarsila do Amaral e do poeta e intelectual francês Blaise Cendars. Ficaram todos tão encantados com o que viram que, entre outros poemas, Oswald de Andrade, após descrever sumariamente nossa cidade por não encontrar para ela adjetivos, pediu aos...

Em São João del-Rei, Santa Cecília dedilha amorosas canções para ninar Aleijadinho

Há exatos duzentos anos, nesta data, fechou os olhos para o mundo o mineiro Antonio Francisco Lisboa - maior nome do barroco nas Américas e o grande mestre das artes plásticas americanas no século XVIII, por todos conhecido como Aleijadinho. Sua vida foi repetir, com maestria, o ato da criação. Cristos, virgens, anjos, apóstolos, soldados romanos, gente do povo, cordeiros, corações flamejantes, rocalhas e volutas graciosamente brotavam da pedra e da madeira pelo movimento até do que restaram de suas mãos. Aleijadinho reproduziu o céu entre os riachos, os vales, pepitas de ouro e as montanhas de Minas Gerais. São João del-Rei recebeu a graça divina de ter em seu centro histórico dois dos seis mais belos templos barrocos criados pelo grande mestre - a igreja do Carmo, com as quinas angulosas de suas torres que misteriosamente ao alto se tornam sinuosas até diluir-se no infinito, e a igreja de São Francisco, absolutamente toda em curvas. As fachadas destas igrejas, com sua...

Novo sino do Carmo ameniza efeitos do tempo no patrimônio sonoro de São João del-Rei

Dizem que o mineiro trabalha em silêncio. Se isto é verdade, o são-joanense, então... Mesmo e até quando trabalha para fazer barulho! É assim sempre que um novo sino vai ser batizado e subir à torre de uma barroca igreja de São João del-Rei: intenção, dedicação, ação, emoção em palavras certas, no tom exato. Pura e silenciosa melodia. Mal o domingo amanhece e tudo o que no centro histórico de São João se ouve é um melodioso e vivaz concerto de sinos. Anunciando as celebrações matutinas, em horas esparsas, as torres das igrejas de São Gonçalo, São Francisco, Bonfim, Rosário, Matriz do Pilar, Mercês e Carmo dobram seus sinos, anunciando que aquele é o Dia do Senhor. E que por isso, em instantes, naquela igreja começará uma missa. Mas no próximo domingo, 22 de junho, a partir das 8 horas, além de chamar para a missa costumeira, os sinos da igreja do Carmo dobrarão ainda mais alegres e festivos, por um motivo maior: a bênção e batismo do sino São João da Cruz e sua subida à torre es...

Líricos e poéticos becos de São João del-Rei: Beco do Salto, veiazinha de um coração colonial

O Beco do Salto é como uma veiazinha estreita e acanhada, na aurícula mais colonial do coração histórico de São João del-Rei. Unindo a Rua Santa Teresa à Rua Santo Elias e desaguando em esquina da casa mais antiga da cidade, tem por vizinhos próximos, quase porta a porta, uma grande pedreira com uma mina de ouro, a igreja e o Cemitério do Carmo, o Chafariz da Municipalidade, o Largo da Cruz, o Largo do Carmo e a Sociedade de Concertos Sinfônicos de São João del-Rei. Tão grande e por tanto tempo foram sua timidez e autoabandono que suas casas quase se autoarruinaram. Hoje, com restaurações, estão novamente reforçando sua face de outros tempos. A memória nacional ganha com isto. Personagens famosos, verdadeiramente importantes na cultura musical de São João del-Rei, moradores de um pequenino sobrado no Beco do Salto, foram o violinista Geraldo Ivon da Silva, o Geraldo Patusca, e sua primeira esposa, Maria José, a Maricota - ambos músicos da Orquestra Lira Sanjoanense. Ali, sob esta...