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Mostrando postagens com o rótulo festas populares

Quem mantém viva e acesa a alma de São João del-Rei?

O são-joanense. Você o conhece? Então me diz: - Quem é este ser, esta entidade, a quem se refere, quando genericamente se diz "o são-joanense"? Eis aí uma questão complexa... Longe de ser apenas um adjetivo gentílico, esta não é uma condição nata dos que vieram à luz sob o céu de São João del-Rei. Nem tampouco é um título que se concede aos cidadãos que escolheram o vale da Serra do Lenheiro para aqui viver. "O são-joanense" em questão é muito mais do que isto.  Engana-se também quem pensa que é um estado de espírito... São-joanense é aquele que herdou do tempo uma bagagem imensurável e intangível de mistério e sentimento e a materializa, corporalmente, no seu modo de ser, de pensar e de agir. De compreender este mundo e ainda em vida transitar pelo outro, quase todo dia. O são-joanense "legítimo" segue o relógio do sol, mede pelas estações do ano o seu tempo, que é a eternidade. Ele tem códigos próprios de comunicação e conduta, valores peculiares, lingua...

São João del-Rei, em festa, "põe nas coisas as cores que tem por dentro"

Não é sem motivo que muitas comemorações religiosas de São João del-Rei são popularmente chamadas de festas. Afinal, mesmo sendo eventos quase cotidianos no calendário sociocultural da cidade, são "fenômenos" extraordinários, que funcionam como parêntesis na rotina e criam uma nova territorialidade tempo/espaço no dia a dia dos são-joanenses. Sobretudo daqueles que vivem intensamente ou acompanham de perto tudo o que acontece no centro histórico da velha cidade, surgida no alvorecer do século XVIII. Assim como as festas sociais, inclusive as predominantemente profanas, as festas religiosas também são precedidas de desejo, espera e expectativa. Elas são como ponteiros de um relógio memorável, que marca a passagem de um tempo existencial. Para o povo daqui, essa marcação, por ser subjetiva, é mais precisa, importante e acreditada do que a sucessão das estações do ano, que informam quantas voltas a Terra já deu e em que posição ela se encontra no seu giro em torno do sol. ...

São Sebastião, mártir glorioso, é festejado de ponta a ponta em São João del-Rei

Engana-se quem pensa que as festas em homenagem a São Sebastião acontecem apenas no centro histórico de São João del-Rei, onde o "Guerreiro de Cristo", desde o início do século XVIII, tem altar na igreja do Pilar, é celebrado com uma novena e sai às ruas em procissão, no dia 20 de janeiro. No coração colonial são-joanense, ele também tem um nicho lateral ao altar-mor da Capela do Divino Espírito Santo e, ainda, em uma peanha do altar lateral direito da igreja das Mercês. Em outras partes da cidade, e até do município, o santo protetor contra a peste, a fome e a guerra também é querido e festejado. Um dos mais antigos distritos de São João del-Rei, por exemplo, chama-se São Sebastião da Vitória e certamente também realiza algum festejo em honra do santo, está presente no distrito do Rio das Mortes, em imagem no altar da igreja de Santo Antonio,  onde a beata são-joanense Nhá Chica foi batizada. E na urbana Paróquia de Matosinhos, a Comunidade de São Sebastião presta-lhe  ...

Ora iê iê ô, Oxum! Ora iê iê ô, São João del-Rei!

São João del-Rei nasceu do ouro. Foi este metal dourado que - assim como a Estrela Guia levou os Reis Magos até a gruta de Belém - atraiu os bandeirantes, os aventureiros, os forasteiros e o poder português, fazendo brotar aqui o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes. Aqui o ouro foi esplendor que reluz até hoje... Se o ouro foi a semente fértil do velho Arraial, São João del-Rei é, também, filha de Oxum - yabá das mais belas e nobres das religiões brasileiras de matriz africana. Oxum é a essência feminina em sua forma mais delicada, encantadora, amorosa, maternal. Rainha, é dona do ouro e de tudo o que é dourado. Mulher, é mãe da infância e da doçura. Natureza, vive na água doce que cai em cascatas e cachoeiras. Etérea, é senhora do dia e da noite de astros brilhantes. Talvez por desconhecimento deste laço original e pelos rumos que historicamente tomou a presença negra nesta região, em São João del-Rei não se realizam homenagens coletivas a Oxum. Seu cul...