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Mostrando postagens com o rótulo tradições coloniais

Museu dos Sinos: você conhece a riqueza da paisagem sonora de São João del-Rei?

 Acabou o sábado, deu meia-noite, o sol nasceu, mas, no coração de São João del-Rei, quem declara e proclama o domingo é o toque dos sinos da Matriz do Pilar, pouco depois de badalar 7 horas. A partir de então, o correr da manhã é medido e contado pelos toques dos sinos do Carmo, do Rosário, de São Francisco, de São Gonçalo e das Mercês, chamando os fiéis para as missas dominicais. Assim, é impossível não saber que é domingo, no centro histórico de São João del-Rei. Especificamente hoje (10 de janeiro) esta "rapsódia sonora" foi enriquecida por três toques fúnebres, às 9h, 10 e 11h, nos sinos da igreja do Rosário, informando o falecimento de algum membro da Confraria de Nossa Senhora do Rosário, que, fundada em 1708, é a mais antiga irmandade são-joanense, também uma das mais velhas do Brasil. E, minutos depois das 8 horas da noite, de um toque festivo especial nos sinos da Matriz do Pilar, anunciando que amanhã, com uma novena, começará a Festa de São Sebastião - mártir prot...

São João del-Rei. Aposto que aqui tem coisa que você ainda não viu!

Mesmo quem vive em São João del-Rei, e atravessa todo dia as ruas, praças e becos do centro histórico, pode sempre se surpreender com a paisagem. Basta desprender-se do pensamento demasiadamente racional e da visão rotineira dos caminhos e percursos, para deixar livre o olhar e, então, ver o que sequer  imagina. Os telhados, por exemplo, com suas sucessões de muitas águas, formando belas geometrias, com a textura das telhas curvas, coloniais, que alternam cores que vão do marrom e do avermelhado até o quase ocre-rosado das capas e bicas mais novas, que foram trocadas há pouco tempo. Eles mostram uma face surpreendente e praticamente desconhecida da paisagem são-joanense, acostumados que somos a olhar apenas as fachadas do casario. Que também são muito bonitas. Aliás, como são belas as fachadas das casas e sobradões do centro histórico de nossa cidade! Retratando diferentes estilos, característicos principalmente da evolução econômica, social e cultural que marcou São J...

Festa de Passos de São João del-Rei.Tempo de Eternidade!

Por mais que já se tenha visto 15, 30, 40, 50, 60 vezes, ou tantos anos mais já se tenha vivido, a emoção que sentimos diante de cada cerimônia da Festa de Passos de São João del-Rei é sempre a mesma: pura enlevação e absoluto encantamento! Como se fosse a primeira vez... Desde cada Via Sacra solene, em que a cruz com o lençol branco, penitencial, e o crucifixo sagrado percorrem nas três primeiras sextas-feiras da Quaresma o mesmo trajeto nas ruas de pedra do centro histórico  há quase 300 anos, parando na igreja de São Francisco e em cada um dos 5 passinhos, delicadamente enfeitados, ao som dos motetos do grande compositor são-joanense Ribeiro Bastos, até as procissões de depósitos, quando as imagens da Senhora das Dores e do Senhor dos Passos saem misteriosamente veladas até as igrejas do Carmo e de São Francisco, ao som das bandas e dos sinos. As duas rasouras, na manhã do domingo, e a Procissão do Encontro, no fim da tarde,  e também até o tocante Setenário das Do...

Tapetes de flores, areia e serragem trazem o Céu para o chão na Semana Santa de São João del-Rei

Já faz mais de três décadas que as ruas de São João Del-Rei, durante a Semana Santa, apresentam um novo atrativo que encanta sanjoanenses e turistas: os delicados tapetes decorativos. Especialmente aos sanjoanenses, essa expressão cultural atrai duplamente, pois além de admirá-la, eles podem participar de sua produção e, assim, ser protagonistas de uma ação criativa que demora oito, dez horas para ser realizada, mas é muito efêmera. Em quinze, vinte minutos, o céu no chão se desfaz sob o caminhar de anjos, virgens, virtudes, reis, profetas, heróis, apóstolos, guarda romana- personagens do Velho Testamento que, voltando no tempo, vêm à frente do Senhor Morto na procissão do Enterro de Sexta-Feira da Paixão. Enfeitar ruas para procissões é tradição em diversos países católicos e forrar as ruas com folhas e flores também é comum em países da Península Ibérica e da América Central. Nas velhas cidades brasileiras, essa manifestação evoluiu para a confecção de tapetes de areia, fl...

Sinos de São João del-Rei desobedecem Rei Momo e tocam até no Carnaval!

Carnaval ou não, todo domingo de manhã, de vários pontos da cidade  se ouve os sinos da igreja do Carmo chamando os fiéis para a missa,  tradicionalmente, com este sofisticado concertinho sonoro: ............................................................................... Texto e foto: Antonio Emilio da Costa

O enigmático, misterioso e encantador aniversário dos cemitérios de São João del-Rei

Alguém já ouviu falar que cemitério faz e celebra aniversário? Pois é, em São João del-Rei isto acontece. O que é popularmente conhecido pelos são-joanenses mais ligados às tradições litúrgicas coloniais como aniversário do cemitério é a cerimônia que a igreja local denomina Missas Aniversárias dos Cemitérios. Esta celebração, que se repete sete vezes em diferentes dias, consiste em uma Missa de Réquiem, ofício de responsórios e marchas fúnebres, executados pelas bicentenárias orquestras Lira Sanjoanense ou Ribeiro Bastos. O repertório é composto por obras de compositores são-joanenses dos séculos XIX e XX, destacadamente o padre José Maria Xavier, Luiz Baptista Lopes, Emídio Machado, João Feliciano de Souza, Pedro de Souza, Benigno Parreira e Geraldo Barbosa de Souza. Após esta missa, na igreja que é sede da Irmandade homenageada, os "irmãos" saem em procissão até o cemitério da referida Irmandade, onde o padre faz orações fúnebres, abençoa os presentes e pede a Deu...

Dia do Sineiro fará bater ainda mais sonoro e feliz o coração de São João del-Rei

Ninguém duvida: os sinos são um dos mais importantes, consagrados, conhecidos e reconhecidos símbolos de São João del-Rei. Não precisa nem olhar para o alto nem estar perto de alguma igreja do centro histórico para perceber. Eles falam por si.Todo dia - uns mais outros menos - toda hora, sua metade e quartos, eles estão ali, marcando o tempo e as eras, tocando, dobrando, mandando mensagens, quase todas falando de Deus. Alguns, toques alegres, entusiasmados, festivos, outros, dobres dolentes, reflexivos, pungentes, tristes, fúnebres. Chamadas para missas, momento do glória e da consagração, aviso de novena, saída, passagem e chegada de procissão, Te Deum, ofícios e funções litúrgicas especiais. Falecimentos. Enterros. Em São João del-Rei nada acontece sem a presença e a voz do sino. Até o Carnaval, quando várias vezes ele chama para as Quarenta Horas de Adoração ao Santíssimo Sacramento e avisa, às nove da noite da Terça-Feira Gorda, que dentro de três horas a Quarta-Feira de Cinza...

Encontro de Sineiros de Minas Gerais: da voz do bronze à voz dos homens em São João del-Rei

Dificilmente existe, no dia a dia de São João del-Rei, algum personagem mais presente do que ele: o sineiro. Assim como os sinos, é do alto das torres barrocas que eles anunciam júbilo ou tristeza, executando no bronze sons melodiosos que transmitem sinais litúrgicos e códigos seculares: dobres, repiques, chamadas, cinzas, tencões, terentenas, floreados, canjica queimou e uma infinidade de tantos outros. Se existem símbolos eternos de São João del-Rei, juntamente com os sinos, os sineiros estão entre eles. Por tudo isto, São João del-Rei é também conhecida como " a cidade onde os sinos falam " e, portanto, não poderia ser realizado em outro lugar o Primeiro Encontro de Sineiros de Minas Gerais . Aqui, ele está acontecendo neste fim de semana, com atividades diversas - apresentações, intercâmbios, visita às torres, relatos e conversas sobre este patrimônio imaterial brasileiro, que é o toque dos sinos de São João del-Rei e demais cidades históricas de Minas Gerais. Part...

Mágicos talismãs sonoros de São João del-Rei, a mais barroca cidade de Minas

Engana-se quem pensa que a única finalidade dos sinos de São João del-Rei, além de compor as torres das belas igrejas barrocas, é informar e anunciar, em linguagem setecentista, as horas, missas, novenas, quinquenas, trezenas, tríduos, ofícios, procissões, partos difíceis, agonias, mortes e sepultamentos. Ao darem vida e enriquecerem a tão singular sonoridade são-joanense, eles desempenham outra função, pouco conhecida na própria cidade. São talismãs sonoros que, ao dobrarem e repicarem, lançam céu afora, em forma de notas musicais, proteção contra tormentas e desejo de ventura, até os limites onde seu som, mesmo morrendo, alcança. Esta missão lhes é confiada no momento em que, antes de serem elevados pela primeira vez à torre, recebem a bênção do batismo e também o nome. A oração, rezada para o sino São João da Cruz, que este ano subiu para uma torre da igreja do Carmo, diz o seguinte:           " Que dos lugares onde ressoar este sino     ...

Novo sino do Carmo ameniza efeitos do tempo no patrimônio sonoro de São João del-Rei

Dizem que o mineiro trabalha em silêncio. Se isto é verdade, o são-joanense, então... Mesmo e até quando trabalha para fazer barulho! É assim sempre que um novo sino vai ser batizado e subir à torre de uma barroca igreja de São João del-Rei: intenção, dedicação, ação, emoção em palavras certas, no tom exato. Pura e silenciosa melodia. Mal o domingo amanhece e tudo o que no centro histórico de São João se ouve é um melodioso e vivaz concerto de sinos. Anunciando as celebrações matutinas, em horas esparsas, as torres das igrejas de São Gonçalo, São Francisco, Bonfim, Rosário, Matriz do Pilar, Mercês e Carmo dobram seus sinos, anunciando que aquele é o Dia do Senhor. E que por isso, em instantes, naquela igreja começará uma missa. Mas no próximo domingo, 22 de junho, a partir das 8 horas, além de chamar para a missa costumeira, os sinos da igreja do Carmo dobrarão ainda mais alegres e festivos, por um motivo maior: a bênção e batismo do sino São João da Cruz e sua subida à torre es...

O divino e barroco Espírito Santo de São João del-Rei

Vermelho vivo e vibrante, amarelo dourado e brilhante. Estas, neste fim de semana, são as cores de São João del-Rei. É que a cidade festeja, no seu máximo esplendor, o Divino Espírito Santo - terceira pessoa da Santíssima Trindade. Durante o dia, o coração do centro histórico pulsa em taquicardia, ao som de sinos, toques de caixa, tropéus de cavalos, sanfonas, percussões e cantos de congadas e de folias. Dali partem cavalgadas e coloniais cortejos de imperadores e festeiros, rumo à igreja de Bom Jesus de Matosinhos, onde a festa tem alma popular. À noite, cenário sereno, das torres imponentes se ouvem dos sinos dobres e repiques. Do coro, o canto do coral dos Coroinhas de Dom Bosco, em novena e vigília. Nos altos, foguetes e as piruetas  prateadas dos fogos de artifício. No pequeno largo, em frente aos portões e muros dos cemitérios, a banda tocando alegres marchas de procissão. É o espírito barroco de São João del-Rei. Espírito barroco e alma popular, fundidos em um só sen...

1774 - 2014: são 240 anos de fervorosa devoção ao Divino Espírito Santo em São João del-Rei

Junho ainda se anuncia, mas São João del-Rei já começa hoje a festejar, com a grandeza e o entusiasmo que são próprios do povo daqui, a descida, à Terra, do Divino Espírito Santo. Na cidade, simultaneamente, acontecem duas festas - uma de cunho mais popular, no bairro de Matosinhos,  e outra de tradição barroca, no coração do centro histórico. A mais movimentada delas começa nesta quinta-feira, antigo Dia da Ascensão do Senhor, no santuário de Bom Jesus de Matosinhos. Consta que ela acontece desde 1774 e que, em 150 anos, se tornou uma das mais importantes festas do Divino de Minas Gerais, tão grandiosa que foi elevada a Jubileu. Mas, segundo alguns estudiosos, por interesse da Igreja ela foi suspensa no começo do século XX, pelo arcebispo de Mariana, e só voltou a ser realizada há cerca de 30 anos, por anseio e ação da comunidade. E desde então já recuperou, em muito, sua importância regional. A programação do Jubileu do Divino Espírito Santo de Matosinhos é muito intensa,...

Os sinos estão para São João del-Rei assim como o Papa está para Roma e a Rainha para a Inglaterra...

Os sinos são  tão onipresentes em São João del-Rei que não é engano dizer que eles estão para a barroca cidade assim como as pirâmides estão para o Egito, a Torre Eiffel está para Paris, a Estátua da Liberdade está para Nova Iorque e o monumento do Cristo Redentor está para o Rio de Janeiro. É impossível não vê-los e não ouví-los. No centro histórico de São João del-Rei os sinos estão em toda parte, soberanos e imponentes, do alto das torres coloniais. Seus dobres, repiques e badaladas - ora melancólicos, ora felizes; ora austeros, ora festivos; ora sóbrios, nunca instintivos - falam várias vezes por dia coisas que, atualmente, só os são-joanenses mais vividos conseguem entender e compreender. Também em pontos mais afastados, porém bastante visíveis, eles estão: no Morro da Forca, na capelinha do Bonfim, na bucólica igrejinha da colina do Senhor dos Montes, e até na maior praça do movimentado bairro de Matosinhos. Por sua expressividade e representatividade como ícones da cid...

Semana Santa de São João del-Rei: Domingo de Ramos, determinista domingo de angústias...

Hoje, Domingo de Ramos, em São João del-Rei o tempo já mudou. O início oficial da Semana Santa imerge os são-joanenses em uma outra era emocional, emoldurada e conduzida pelo mais profundo sentimento religioso. Há em tudo uma expectativa determinista do que já é conhecido, que se repete há muitos séculos, mas que é anualmente revivido, como se fosse sempre a primeira vez. Um pesar denuncia o desejo irrealizável de que a história acontecida pudesse ainda ter outro rumo, ou não mais se repetir, como se faz desde sempre. Tudo começa na Igreja do Rosário, aos pés do Senhor do Triunfo, entre palmas viçosas, pratarias brilhantes, paramentos vermelhos, incensos aromáticos, cruzes cobertas, em meio ao povo que levanta nas mãos ramos verdes que o bispo benze, ao som de antífonas e hinos  barrocos do século XVIII que a Orquestra Ribeiro Bastos entoa. Tudo lembra tristemente a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, a caminho do sofrimento e do sacrifício. O sino toca pungente nota...

Setenário das Dores: a angústia, a desolação e a saudade de Deus segundo São João del-Rei

Certamente bem poucos lugares celebram tão barrocamente as sete dores de Maria Santíssima como São João del-Rei. Aliás, é bem possível que, no mundo, nenhum outro, pois na ' cidade onde os sinos falam ' o Setenário das Dores é singular: é um ritual de características próprias, estrutura litúrgica única e músicas compostas nos séculos XVIII e XIX por compositores locais, especialmente para a celebração. É uma cerimônia tocante desde o início, quando a bicentenária Orquestra Ribeiro Bastos executa o " Domine ad adjuvandum ", clamando a presença divina, e a Irmandade de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos adentra o templo dourado, com suas opas roxas. O altar-mor, antes fechado por uma grossa cortina, se abre mostrando a solidão de Nossa Senhora das Dores diante da cruz vazia, no são-joanense calvário. Nuvens de incenso perfumam e embaçam tudo, materializando uma ambiência de sonho. O Setenário das Dores era um dos atos litúrgicos que o recém-falecido Padre Paiva mai...

Céu Aberto: mais anjinhos nas procissões de São João del-Rei

Quando a questão é resgatar e fortalecer tradições que tornam sua cultura singular no Brasil e no mundo, São João del-Rei é mais forte, mais competente e mais capaz do que se imaginga. Tanto que, apenas nove dias após o lançamento, neste Almanaque Eletrônico , da campanha Céu Aberto: mais anjinhos nas procissões de São João del-Rei , a proposta apresentou resultados surpreendentes. Mais de 20 anjinhos atenderam ao chamado e alinharam-se em legião diante do andor do Senhor dos Passos, na igreja de São Francisco, para acompanhá-lo na setecentista e barroca Procissão do Encontro. A campanha Céu Aberto surgiu da observação de que pouco a pouco estava diminuindo a quantidade de crianças vestidas de anjo nas procissões de São João del-Rei. Isto, ao mesmo tempo em que enfraquecia a beleza dos cortejos religiosos tradicionais de nossa terra, não oferecia às crianças a oportunidade de vivenciar uma experiência que seria lembrada por toda vida. De imediato a campanha recebeu adesão da I...

Na Semana Santa barroca de São João del-Rei ouve-se em Via Sacra : Senhor Deus, misericórdia!

Nesta primeira sexta feira da Quaresma, o sino da Irmandade de Bom Jesus dos Passos já dobrou várias vezes, avisando aos são-joanenses que hoje é dia de Via Sacra solene. Nas ruas coloniais do centro histórico, os "passinhos" - como são conhecidas na cidade as capelas-oratório de uma grande porta de madeira  e acabamento barroco encimado por uma cruz de pedra - já tiveram seus entalhes dourados espanados com cuidado. O altar já está forrado por um tecido de cetim roxo e toalha de bordado antigo, no qual repousam castiçais e jarras de flores, ladeando imagens de Cristo crucificado ou com cruz às costas. Entre o esgotamento e o cansaço do carnaval e o consternamento pela morte do grande patriarca da preservação da liturgia barroca nas tradições religiosas de São João del-Rei, o povo são-joanense não espera a hora de, no começo do anoitecer de hoje sair às ruas, acompanhando a cruz da qual pende um lençol branco conduzida pela Irmandade dos Passos, e de tempos em tempos, a...