sábado, 1 de outubro de 2016

Nossa Senhora do Rosário: com terço de contas e rosas, a grande Matriarca de São João del-Rei


Se Nossa Senhora do Pilar, vinda com os brancos, bandeirantes, desaforados e opressores, é a padroeira de São João del-Rei, Nossa Senhora do Rosário, que veio com os negros - com os cativos, com os escravos, com os libertos e com os livres - é a matriarca desta terra.

Sua corte na cidade começou oficialmente em 1708, quando a territorialidade são-joanense não passava de um arraial. A Irmandade do Rosário de São João del-Rei, uma das três mais antigas do Brasil e a pioneira de Minas Gerais, talvez seja a primeira instituição de direito civil, privado e religioso constituída na Comarca do Rio das Mortes. Documentos e datas não mentem. O orgulho dos irmãos do Rosário também não.

Sua igreja foi das primeiras edificadas no Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes, numa situação geográfica que  ostenta sua expressão e seu significado na sociedade daquela época dourada e colonial. Também festejada no mês de outubro, porém durante todos os trinta e um dias, é aquela a quem se chama em silêncio, nas horas de mais profundo recolhimento. Às vezes nem é preciso chamá-la: pressentindo o sofrimento, ela se antecipa em socorrer, anunciando a chegada de seu amor na forma de uma brisa misteriosa e docemente perfumada de rosas suaves.

O séquito de Nossa Senhora do Rosário é formado por reis congadeiros, marujos, catupés, caboclinhos, guerreiros, todos roucamente ruidosos no rufar de suas caixas e nos cantos guturais, que venceram noites, chibatas e oceanos; transporam a Serra do Lenheiro e pulsam eternamente no coração de cada negro são-joanense.

Conversando com Nossa Senhora do Rosário, Jota Dangelo disse:

Nas contas do teu rosário,
contou-se dores de escravos.
Curou-se chagas de açoite,
com a invocação do teu nome.
Luz que findou a noite,
consolo dos que têm fome.
Rainha dos congadeiros,
quer dizer, dos brasileiros,
pois nas raças, misturados,
não somos brancos nem negros.
Todos nós somos só pardos!

Texto: Antonio Emilio da Costa / Foto: Danilo Gallo






sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Nossas Senhoras de São João del-Rei - No Pilar, desde sempre, a Padroeira


Por mais que às vezes deseje estar em silêncio e sozinho, o são-joanense traz sempre alguém consigo, que o acompanha e com quem conversa. Homem ou mulher, criança ou velho, rico ou pobre, nas piores tristezas ou nas mais felizes horas, mudos ou ruidosos, sempre exclamam: Nossa Senhora! Por economia ou discreção, pode ser apenas Nossa! e, dependendo do susto ou do aperto, se resume a uma sílaba: Nó! Tão poucas letras, tamanha é a pressa, a infinita surpresa, o desmedido susto,o sufocante aperto, a desmesurada aflição.

Aliás, Nossa Senhora é madrinha de São João del-Rei. Em seu pilar, veio para cá nos oratórios dos bandeirantes portugueses, no comecinho dos anos setecentos. Viu o arraial transformar-se em vila e teve que proteger o povo das furiosas chamas paulistas e emboabas. Dizem que salvou até as imagens de São Sebastião e São Miguel Arcanjo que, antes na incendiada capela do Morro da Forca, agora habitam a Matriz do Pilar.

O tempo todo Nossa Senhora é festejada em São João del-Rei, todo mês, senão toda semana, tantas são as suas missões e invocações. Sobre isto, o multi-intelectual são-joanense Jota Dangelo, em 1995, escreveu dezenove versos, divulgados na "visitação" de Quinta-Feira Santa do ano de 1995 na igreja do Rosário, quando foram expostas muitas das mais belas imagens de Nossa Senhora veneradas a "terra onde os sinos falam" - a mais barroca cidade de Minas Gerais.

Nesta e nas próximas postagens apresentamos, com satisfação, as preces e os clamores poéticos de Jota Dangelo. Comecemos pela padroeira de São João del-Rei, festejada no dia 12 de outubro.

Nossa Senhora do Pilar
Minha santa padroeira
desta terra de emboabas.
Pilar da fé dos primeiros
que chegaram nestas plagas.
Derrama graças e bênçãos,
cicatriza nossas chagas,
que a cidade anda a deriva,
a mercê de muitas pragas.
Desperta o vale que, inerte,
adormece ao pé da Serra.
Ilumina a consciência
do povo de minha terra!

Texto e foto: Antonio Emilio da Costa



segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A fé floresce orquídeas e esperanças nos quintais para os altares de São João del-Rei

O mundo é pequeno, o tempo é pouco, a existência é breve e a eternidade é insuficiente para a dinâmica cultural de São João del-Rei, sempre em enriquecedora evolução. Mesmo quando e do que não se imagina, tradições surgem silenciosas no limiar do sonho, no lusco-fusco da aurora, do orvalho sereno do fundo dos quintais, no silêncio madrugoso das almas, atravessa sentimentos e refulge na fé, ostentando-se em altares,  oratórios e olhares. É isto o que, há dois anos, vem acontecendo nos dias 14 e 15 de setembro, para eternizar a lembrança do Dia de Santa Cruz e o Dia de Nossa Senhora das Dores, na Matriz do Pilar, e o Dia de Bom Jesus do Perdão, na igreja das Mercês.

Estas datas há séculos já fazem parte do calendário religioso da cidade, mas na Paróquia do Pilar eram celebradas com discrição contrita em pregação modesta, na missa noturna que acontecia nas duas igrejas. A grande celebração acontecia na Paróquia de Matosinhos, onde até hoje a comunidade, relembrando uma tradição do século XVIII, até hoje realiza uma majestosa procissão - evocação moderna do antigo Jubileu, que até começos do século XX era um dos mais importantes de Minas Gerais.

De 2015 para cá, a devoção dos Irmãos dos Passos à Paixão de Cristo e às Dores de Maria Santíssima retomaram uma atitude legítima e espontânea, sinal de humildade, doação e amor, na demonstração de fé e gratidão ao Salvador e sua Mãe: cultivam nas sombras fundas de seus quintais orquídeas róseas que se entremeiam entre o fim do inverno e a chegada da primavera e as colhem na manhã do dia 13 de setembro, levando-as para enfeitar o altar do Encontro de Jesus com Maria na Matriz do Pilar.

A cascata de delicadas orquídeas nasce nos braços da cruz, escorre e desce pelos lances do altar e finda esparramada na bancada onde, nas três primeiras sextas-feiras da Quaresma, repousa o Crucificado antes e depois da Via Sacra Ali, os fiéis lhe beijam as mãos, os pés e a face, lhe acariciam a face e as chagas dos cravos e da coroa de espinhos. depositando na salva de prata a seus pés moedas, pedidos e esperanças.

Outra tradição dos tempos coloniais, resgatada este ano pela Irmandade dos Passos, é a celebração de uma missa em frente ao Passinho da Piedade, no Largo do Rosário, em frente ao Museu de Arte Sacra. Era das grades das celas daquele prédio setecentista, onde no século XVIII funcionava a Cadeia Pública, que os presos, condenados à forca, assistiam sua última missa e pediam o perdão celeste para suas penas e culpas, antes de subirem, arrastados, para a morte infame no cadafalso armado no alto do Morro do Bonfim.

E assim atravessam as eras e a eternidade, vencem os tempos e os homens, a fé, a tradição e a cultura de São João del-Rei...

Texto e foto: Antonio Emilio da Costa


quinta-feira, 3 de março de 2016

Quanto encanto na Festa de Passos de São João del-Rei


Nesta sexta-feira, que é a quarta da Quaresma, começa em São João del-Rei uma era muito profunda, quase ancestral, que, porém, dura não mais do que três dias: a Sexta-Feira das Dores, o Sábado de Passos e o Domingo do Encontro.

Os são-joanenses nativos ou adotivos, sabem de cor do que se trata, mas muita gente que é de outros lugares certamente não reconhecem em seu universo o sentido que tem aqui o quarto final de semana depois do Carnaval. Em São João del-Rei vive-se nestes dias, com grande liturgia, sentimentos e sensações, uma das mais emocionantes cenas da Paixão de Cristo. O Encontro de Jesus  coroado de espinhos, e todo machucado,carregando uma grande cruz nas costas, com sua mãe serenamente desolada, cujo coração foi transpassado por quatro espadas de prata.

Tudo remonta ao século XVIII. Das imagens e andores, ora enfeitados com manjericão, ora com hortências e orquídeas, até a rosmaninha cheirosa espalhada pelo chão das igrejas barrocas. Do incenso que enfumaça e perfume o ambiente até o vigoroso, triste e apavorado toque dos sinos. Das músicas coloniais que a banda toca e que a orquestra canta até a contrição e encantamento do coração do povo que reza nas missas e acompanha as procissões.

A representação desta cena bíblica, na forma como é a Festa de Passos em São João del-Rei, é um ritual barroco ímpar, original e tipicamente são-joanense. Em datas diferentes ele é realizado também em outras cidades, inclusive nas demais cidades históricas de Minas, mas em nenhuma delas tem a expressão e a grandiosidade das celebrações realizada na "terra onde os sinos falam".

Especialmente para quem é observador, atencioso, as solenidades promovidas pela Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos de São João del-Rei é um inestimável e único tesouro. Suas riquezas tricentenárias conjugam elementos estéticos sensoriais refinados e raros, envolvendo, ao mesmo tempo todos os sentidos - a visão, a audição, o olfato, o tato e até mesmo o paladar.

Por isto, ao assistir a Festa de Passos não deixe de observar estes detalhes:

. A ambiência mística da Matriz do Pilar com os andores velados, antes da saída dos depósitos
. A bênção no momento em que o velário do andor vai ser fechado para saída dos depósitos, ao som de um moteto cantado pela Orquestra Ribeiro Bastos.
. Os dobres dos sinos nas saídas, percurso e chegada dos depósitos nas igrejas do Carmo e de São Francisco
. O encontro das irmandades nas procissões dos depósitos, na Rua Direita e em frente à Prefeitura
. A retirada dos velários, ao som do canto do Miserere, quando da chegada dos andores nas duas igrejas acima
. A figura de Maria Madalena e sua naveta de perfume
. A figura de São João Evangelista, com sua tradicional túnica verde e manto pregueado vermelho, com diadema de prata, levando à mão um livro e uma pena de prata
. O pálio vermelho, bordado com fios de ouro um céu estrelado, os suplícios da Paixão e outros símbolos pascais
. As rasouras do domingo na igreja do Carmo (8h) e na igreja de São Francisco (9h)
. O pendão roxo SPQR que vai na frente da procissão do Encontro, saindo da igreja de São Francisco
. Os cinco passinhos da Paixão delicadamente enfeitados
. As marchas das Dores, dos Passos e do Encontro que as bandas tocam nas respectivas procissões
. A parada do andor de Nossa Senhora das Dores em frente ao Cemitério do Carmo, quando a orquestra, alinhada na frente do maravilhoso pórtico, canta o moteto Domine Jesu
. A maravilhosa Melodia Fúnebre que a Banda do 11o Regimento de Montanha toca no adro da igreja de São Francisco, antes da saída da rasoura do Senhor dos Passos
. A tradição de passar três vezes debaixo da cruz do Senhor dos Passos, rodeando o andor em sentido anti-horário e beijando a fita roxa que pende da imagem
. Os anjinhos nas procissões, os altostocheiros de prata que vão à frente dos cortejos e as varas de prata com insignias de seus cargos, que os mesários das irmandades carregam
. O modo como as partituras são fixados com pregadores de madeira na parte de trás das golas dos músicos das bandas de música
. Os penachos de papel crepom roxo enfeitando os badalos dos sinos. Com o dobras dos sinos as fitas roxas vão se desprendendo, algumas caindo no chão e telhados e outras voando pelos ares, todas se movimentando com o vento


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Texto: Antônio Emilio da Costa
Foto: Sidney Saab

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Em São João, o Céu desce ao chão, Domingo de Passos, na procissão



Faltam menos de duas semanas para o Domingo de Passos, um dos dias mais belamente impactantes da religiosidade de São João del-Rei. Com suas rasouras, missas cantadas, adoração da Cruz, oque de sinos enfeitados com penachos de papel crepom, procissão do Encontro, canto dos motetos sacros e sermões, é uma tradição grandiosa e singular de nossa cidade e, pela riqueza de sua autenticidade barroca, não encontra similar tão genuína, original, tocante e expressiva em outras partes do mundo. Muito amada pelos são-joanenses, a Festa de Passos é um dos orgulhos de São João del-Rei.

Uma das faces mais bonitas da Festa de Passos é a legião dos anjinhos, com a delicadeza e a inocência das crianças, algumas muito pequenas, às vezes até carregadas no colo,  vestidas com túnicas de cetim claro, coroa de flores miúdas e até com asas. Mas acontece de alguns anos o número de crianças vestidas de anjo ser menor, principalmente porque a Festa de Passos é a primeira grande celebração da Semana Santa e, em nossa cidade, acontece quando a Quaresma ainda está pela metade.

Pensando nisto, este Almanaque Eletrônico, juntamente com a Irmandade dos Passos, com o Museu de Arte Sacra, com a Atitude Cultural, com a Associação dos Amigos de São João del-Rei e com a JUNFEC, lançou o projeto Anjos del-Rei, cujo objetivo é incentivar o aumento da quantidade de anjinhos nas procissões de São João del-Rei, em especial nas atividades do Domingo de Passos, que acontecem em horário muito favorável para as crianças.

Uma das atividades deste projeto em 2016 é esta mensagem dirigida aos pais, mães, tios e padrinhos de crianças que gostariam de sair nas procissões:

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Projeto Anjos del-Rei

Com inocentes anjinhos
o Céu desce ao chão
nas belas procissões
de São João del-Rei


Prezado são-joanense,

A infância é uma das fases mais abençoadas, bonitas, felizes e importantes de nossa vida. As coisas boas que vivemos quando somos crianças não esquecemos mais, nem quando crescemos e ficamos adultos. Por isto, as crianças devem aproveitar bem e viver tudo o que a infância lhes oferece.

As procissões de São João del-Rei são muito bonitas, com seus belos andores enfeitados, as irmandades, a banda de música e as crianças vestidas de anjinho. Quanto mais crianças vestidas de anjinhos, mais bonitas são as procissões. Parecem o Céu, onde as crianças, inocentes, adoram a Deus em Seu Trono e brincam em redor de Nossa Senhora e de todos os santos. Por isto, os anjinhos são tradição importante nas procissões de nossa terra.

 Diante disto, convidamos você a proporcionar a seus filhos, netos e sobrinhos a oportunidade de vestir-se de anjinho nas procissões e viver uma experiência de que jamais se esquecerão. É só providenciar uma túnica de cetim de cor clara, uma coroa de flores miúdas (e, se possível, as asas) e comparecer na igreja meia hora antes do início da procissão. Se não for possível fazer a roupa, talvez seja possível conseguir alguma emprestada na Casa Paroquial do Pilar, mas é bom lembrar que existem poucas disponíveis.


Vestir-se de anjinho é agradar a Deus, contribuindo para a beleza das tradições de nossa terra, e também viver uma experiência única e encantadora. Traga sua criança para ser  anjinho em nossas procissões. Elas serão gratas pelo resto da vida!

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Texto: Antonio Emilio da Costa
Foto: JUNFEC

sábado, 20 de fevereiro de 2016

São João del-Rei e suas esquinas. São João del-Rei e suas sinas. São João del-Rei & outras Minas!


A escolha do nome São João del-Rei, dedicando a Vila erigida em 1713 em honra ao faustoso Rei Sol Português D. João V, selou para a cidade um destino luminoso. A cidade reluz como ouro, brilha como o astro-rei, pulsa como um coração apaixonado, sopra como uma brisa suave, murmura como a confessar um carinhoso segredo de amor. São João del-Rei é festa, é luz, é música, é arte, é vida, é devoção, é gozo. São João del-Rei é inspiração.

Tanto é assim que no ano passado a cidade ganhou parte do título de um livro e vários poemas do escritor Nelson Di Francesco, paulista da capital do estado bandeirante, apaixonado por São João del-Rei desde que aqui veio pela primeira vez, há coisa de dez anos. A obra, chamada São João d'El-Rey e outras Minas, foi lançada em 2015 e reúne poemas, crônicas, reflexões poéticas, pensamentos, sentimentos e percepções do autor sobre o universo histórico-barroco destas coloniais cidades alterosas, visto e sentido, principalmente, a partir desta terra de El Rey.

Nelson Di Francesco é apaixonado pela cidade: seu casario, suas ruas sinuosas, suas igrejas de muitos sinos e exércitos de anjos, seu chão de pedras, seus becos serpentinos apertados por casas tortas, seus doces, seus sabores, seus temperos, sua rica e musical sonoridade, sua tradicional religiosidade, sua gente simples, alegre, comedida, digna, generosa, modesta, acanhada, humilde, simpática, mineira.

Tudo isto ele nos mostra, com um olhar a um só tempo contemplativo e contemporâneo, em seu livro, que já está caminhando para a 3a edição, de tiragens muito limitadas. Tão minimamente limitadas que os exemplares bem poderiam ser numerados, como são as xilogravuras, litogravuras, gravuras em metal e outras obras de arte.

Nosso autor é de tal modo são-joanamente enfeitiçado que por duas vezes ao ano passa uma temporada na cidade.  Já pensou até em se mudar para cá, mas por enquanto alimenta esta paixão a uma certa distância, com o romantismo de antigamente, quando se namorava por correspondência.

Sua simbiose com São João del-Rei é tamanha que, quem o ver andando pelas ruas e largos da cidade certamente pensará que ele é o mais comum dos são-joanenses. E se algum desconfiado ou incrédulo lhe perguntar a origem, a resposta virá rápida, sincera, convicta e decidida: "sou são-joanense de coração"!

Ah, onde encontrar e como adquirir o livro? Na agência de turismo Rumos em Rotas (Rua da Prata), na Pousada Estação do Trem (Praça da Estação) e diretamente com o autor, pela internet / facebook






domingo, 7 de fevereiro de 2016

Sinos de São João del-Rei desobedecem Rei Momo e tocam até no Carnaval!



Carnaval ou não, todo domingo de manhã, de vários pontos da cidade 
se ouve os sinos da igreja do Carmo chamando os fiéis para a missa, 
tradicionalmente, com este sofisticado concertinho sonoro:



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Texto e foto: Antonio Emilio da Costa