quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Até na tristeza e na dor, São João del-Rei pulsa vida e cor


Vivacidade, vibração e cor. Esta é, no momento, uma das santíssimas trindades de São João del-Rei. Basta andar sem pressa e percorrer com olhar atento as praças, largos, ruas e becos do centro histórico para perceber que a cidade vive uma era de muita energia e corajosamente a proclama na cor das fachadas, dos portais, beirais e janelas.

A foto que ilustra este post mostra isso: a natureza generosa da árvore azul é uma cortina para janelas do Hospital Nossa Senhora das Mercês. Em uma delas, toalhas amarelo e laranja acenam a certeza de quem, mesmo em um leito, acredita que a vida intensamente pulsa do lado de dentro e do lado de fora, mediada pelos tons firmes dos tecidos tramados que secam ao sol.

domingo, 24 de novembro de 2013

Em São João del-Rei, tocar sino é sagrada sina





Sobre o amor "de nascença" e o encantamento dos meninos de São João del-Rei pelo ofício de dobrar sinos, o vídeo abaixo - testemunho inocente e verdadeiro - diz mais do que muitas mil palavras. Clique e confira!..


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

1713 / 2013 - São João del-Rei 300 anos - 8 de dezembro está chegando, mas a festa começa já!


A todo instante aparecem novos eventos que acontecerão para comemorar os 300 anos da elevação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar, fundado por volta de 1703, à categoria de vila, com o nome de São João del-Rei. Assim nasceu a 4a vila do ouro instituída em Minas Gerais, quando este território ainda fazia parte da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro.


Participe, comemore, festeje, cuidando de seu jardim, regando as flores que saltam para a rua, pulando por cima dos muros de sua casa, mantenha limpa sua calçada, sua rua, sua praça. Toda cidade é o espelho da alma do povo que mora nela!

Lembrando o que disse o poeta Antônio Marcos Noronha

                          "Era um dia comum 
                           e virou festa.
                           A gente põe nas coisas
                           as cores que tem por dentro."


Parabéns, São João del-Rei!

Para conhecer outros eventos que já estão acontecendo na cidade, em comemoração ao terceiro século da Vila de São João del-Rei, acesse
http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2013/11/1713-2013-contagem-regressiva-faltam-30.html

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

20 de novembro: São João del-Rei tem consciência negra



Não é verdade dizer que em São João del-Rei não existe preconceito racial. Os negros de nossa terra que aqui já sofreram - e os que ainda hoje sofrem - discriminação desmentiriam, testemunhando em contrário. O modo como foi constituída a sociedade são-joanense, nas origens do século XVIII, quando o ouro qual gabiroba era catado à mão nas encostas da Serra do Lenheiro, contribuiu para que em São João del-Rei as questões raciais fossem muito próprias.

Como em todo arraial nascido da mineração do século XVIII, a população era formada por pessoas de todos os níveis, classes e procedências, principalmente de aventureiros que, sem eira nem beira, viam no Eldorado das Alterosas a grande oportunidade de enriquecimento. Inclusive negros. Isto forjou uma sociedade mestiça e moldou um espírito coletivo favorável à diversidade, ao sincretismo, à tolerância e à miscigenação.

A verdade é que, desde aquela época, de algum modo o negro estava e está inserido na vida de São João del-Rei, muitas vezes como protagonista na escrita de nossa história. Tanto que, já em 1708, fundaram no Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes a primeira Irmandade do Rosário da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. No Brasil, só havia uma irmandade de negros com esta invocação no Rio de Janeiro, que era a sede do governo português em nosso país. Deste modo surgiu a primeira irmandade são-joanense, instituída cinco anos antes da Irmandade do Santíssimo Sacramento.

Daí por diante, os negros continuaram demonstrando seu valor e enriquecendo a cultura, as artes e a economia de São João del-Rei. Os compositores coloniais são um ótimo exemplo, pelas obras imortais que produziram e que até hoje ouvimos nas tradicionais celebrações religiosas são-joanenses. Não só os homens negros, mas também as mulheres se destacaram, como a negra Maria Viegas que, na metade de século XVIII, formou um rico patrimônio e, inclusive, deu educação primorosa a um filho, que se tornou sacerdote. Seu testamento, recentemente restaurado e digitalizado pelo órgão local do Ministério da Cultura, prova isto.

Não apenas nas artes e como artífices os negros contribuíram para a história são-joanense. Também aqueles que trabalharam arduamente e sucumbiram pela violência e pelos horrores da escravidão deram, muitos com a vida, sua parcela para que São João del-Rei fosse e seja o que é.

Hoje, de modo geral, verifica-se grande integração e harmonia entre negros e brancos. Numa visão panorâmica, sequer se percebe, nas relações sociais e convívio, esta distinção. Mas não se pode negar que, herança de alguma ignorância do passado e por lamentável desinformação quanto aos valores que regem o tempo presente, ainda persistem, em alguns setores e em determinadas circunstâncias, preconceito de cor e discriminação racial quanto aos negros em São João del-Rei.

Mas estes, por sua vez, cada vez mais evoluem, se organizam, mergulham em busca do conhecimento profundo de suas origens etno-histórico-culturais para se fortalecerem como seres e indívíduos. Por meio da educação, da informação e da permanente atualização, buscam encontrar o caminho que lhes proporcione amplamente, a todos os descendentes dos homens negros escravizados, visibilidade social, respeito e cidadania.

A presença dos santos negros, como Santa Efigênia, São Benedito e Santo Antonio de Catingeró e Santo Elesbão, nos altares das igrejas das irmandades do Rosário e das Mercês e da Ordem Terceira do Carmo, cuja origem é predominantemente branca e abastada, mostra que isto é possível. Sem perder de vista que a santidade do negro de hoje não é abrir mão de sua identidade cultural, mas sim manter-se íntegro, capacitar-se com conhecimento e instrumentalizar-se com formação e informação para abolir, de nosso meio, toda forma de preconceito e discriminação.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

A música de São João del-Rei é a afilhada preferida de Santa Cecília.



São João del-Rei é terra abençoada. Santos e anjos que moram na corte celestial habitam também a terra que tem no nome uma homenagem ao Rei Sol português, D. João V. Entre as tantas divindades que habitam o firmamento, mas que não tiram os olhos do povo são-joanense, uma, inclusive, fica mais na cidade do que no céu. É Santa Cecília!

Mas pudera: como desde 1717 a Música firmou morada em São João del-Rei, aqui a santa tem para cuidar quatro bandas de música e três orquestras, vários corais, grupos de câmera, duos, trios e quartetos, muitos maestros, sineiros e compositores, sempre em permanente atividade. Nas igrejas, nos teatros, nas praças, nas ruas, nos auditórios. E como Santa Cecília é padroeira dos músicos, não é sem motivo que ela está em toda parte...

Mas aqueles a que a santa dedica tanto olhar e zelo não lhe são ingratos. Deram-lhe lugar de honra, em um dourado altar lateral da Matriz e Pilar, e a guardam consigo, em imagem ou estampa, na sede da Orquestra Ribeiro Bastos, da Lira Sanjoanense, da Sociedade de Concertos Sinfônicos, das três bandas, no Conservatório e na casa de muitos músicos.

Este mês, desde o dia 12 - coincidentemente o mesmo do batismo de Tiradentes em São João del-Rei -  Santa Cecília está sendo festejada com concertos, sinfonias, recitais e tríduo barroco. No anoitecer da sexta-feira, 22,  ela sairá em andor enfeitado, a passear em procissão pelo centro histórico da cidade, no ritmo de marchas festivas e alegres, tocadas pelas bandas locais. É a Semana da Música - curiosamente uma semana de 9 dias, o que é possível acontecer em nossa cidade.

É deste modo - e também com orações, pedidos e agradecimentos - que os músicos de São João del-Rei alimentam, há três séculos, grande amizade com Santa Cecília. E a Santa, deles não se separa. Sempre os protege, inspira e estimula. Nunca os desampara.

Viva Santa Cecília! Viva as notas musicais de sua harpa! Viva sua harmonia...
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Sobre o mesmo assunto, leia também
http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2011/04/o-pai-da-musica-vive-em-sao-joao-del.html


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Rondó do Apocalipse segundo São João del-Rei


Em São João del-Rei, passeando pela Rua Direita,
descobri que no Bazar Apocalipse
não vende passagem para o fim do mundo.
Nem para a casa do capeta.

Não vende Arca de Noé, nem costela de Adão,
nem a lira de Davi, nem lança de centurião,
nem trombeta de Jericó, nem o 'cinco' Salomão...

Vende vuvuzela, argola, agulha, arruda, arruela,
sacola, corneta, cadarço, caneca, caneta,
boneca, barbante e monte de tudo que é invenção.

Você vê a marca da besta-fera na placa pinguela?
Se não, fica esperto. É questão de tempo.
Espera...

domingo, 10 de novembro de 2013

Em São João del-Rei, herói Tiradentes encontra Tancredo Neves. Séculos XVIII e XXI se abraçam!



Há 267 anos, no dia 12 de novembro de 1746, na capela de São Sebastião do Rio Abaixo, pertencente à paróquia da Vila de São João del-Rei, foi batizado um menino, nascido na Fazenda do Pombal, então pertencente à mesma Vila. Seu nome de batismo? Joaquim José da Silva Xavier. Apelido como ele ficou mais conhecido? Tiradentes. O maior herói de Minas Gerais e o grande símbolo do sentimento brasileiro de soberania e amor à liberdade.

Sua história, todo mundo sabe: não teve madrinha, era o quarto de nove irmãos, ficou órfão de mãe aos 9 anos, tornou-se dentista - daí o apelido Tiradentes - e alferes de cavalaria. Foi o grande idealizador da Inconfidência e o único sumariamente castigado com o sacrifício da morte em forca, diante da multidão. Esquartejado, seu corpo, antes suspenso no cadafalso, novamente fora elevado, em partes, pelos caminhos onde andou.

Transformado em símbolo, Tiradentes tornou-se um ente abstrato. Uma lembrança distante na cidade onde, historicamente, em 1746, ficava a Fazenda do Pombal. É nome de uma avenida importante, no centro cidade, e estátua em outra, face a face - quem sabe em diálogo - com a de Tancredo Neves. Mas não se transformou em um mito e, por isto mesmo, não povoa muito o imaginário dos são-joanenses. De algum modo, isto é compreensível. No período colonial foi considerado traidor da Coroa Portuguesa, praticante do crime de lesa-majestade, desonrado, derrotado e fracassado. Por isso, o desfecho de sua história por muito tempo não fazia bem para a autoestima de seus conterrâneos. Muito pelo contrário...

Às vezes, percebe-se que isto está mudando. Nas últimas décadas viu-se a cidade se mobilizar pelo reconhecimento como terra natal de Tiradentes, condição que mineiramente, de forma política buscando não desagradar a ninguém, foi partilhada, ignorando-se uma divisão geopolítica histórica. O bicentenário da Inconfidência Mineira foi celebrado com grandiosidade em São João del-Rei, com eventos que tiveram grande repercussão nacional, inclusive em segmentos políticos importantes como a Presidência da República.

Este ano já se encontrou, em uma loja de souvenirs do Largo do Rosário, uma escultura de papel marchê do herói Tiradentes, executada por um artista popular, representando o mártir, certamente na hora do enforcamento. Na prateleira para venda, ela estava ao lado de outra escultura de um são-joanense famoso, até hoje muito cultuado e, mesmo morto, muito festejado: Tancredo Neves. Ao fundo, como cenário, em relevo, a delicada e pequenina capela são-joanense de Santo Antônio.

Mesmo sem ter sido intenção, nem do artista, nem da dona da loja, que dispôs as peças na prateleira, este arranjo era uma expressão plástica - uma instalação. Colocou, em um mesmo tempo histórico e em um mesmo território, dois são-joanenses que figuram importantes na história nacional. Não levou Tancredo Neves para o século XVIII, mas trouxe Tiradentes para São João del-Rei do século XXI.

Que Tiradentes, agora com 267 anos, continue entre nós, inspirando nossas atitudes cidadãs e nossos artistas, eruditos e populares, nas suas criações. Pintores, escultores, ceramistas, músicos, atores, diretores de teatro, cineastas, chefs, produtores, professores, videomakers, bordadeiras, santeiros, escritores, cantores, carnavalescos, cantadores, repentistas, artistas plásticos, designers, webartistas, multimídias e muito mais...

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Leia também
http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2012_11_01_archive.html

http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2011/11/sao-joao-del-rei-constroi-novo-sudario.html

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

1713 - 2013 . Contagem regressiva: faltam 30 dias para os 300 anos da Vila de São João del-Rei

Daqui a exatos 30 dias, no dia 8 de dezembro, São João del-Rei estará vivendo uma data especial: os 300 anos da elevação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes à condição de Vila, com o nome de São João del-Rei.

A quarta vila instituída na Capitania de Minas Gerais homenageia, no nome, o rei sol Português, Dom João V, soberano daquela época. Sua esposa, Mariana, havia sido homenageada nomeando a primeira vila de Minas. Na Casa de Câmara e Cadeia daquela cidade existe, até hoje, em pintura, um retrato de cada um deles.

A programação comemorativa do tricentenário é longa e vasta. Além dos eventos pontuais já realizados este ano, se tornará mais intensa a partir do dia 22 de novembro, com uma jornada de educação patrimonial. Mas a partir do dia 2 de dezembro, vários eventos acontecerão todo dia, até encerrar-se no dia 6 de janeiro, com o já tradicional Encontro de Folias de Reis.

Do barroco ao popular, do erudito ao artesanal, da fé à festa, do sagrado ao profano, do acadêmico ao afetivo sentimento. Assim é a programação que comemorará os 300 anos da Vila de São João del-Rei. E mais: ela tem a cor e tom local, pois os eventos, em sua grande maioria, são produzidos por são-joanenses e têm a simplicidade que brilha nos olhos de nosso povo e salta em flor dos velhos muros de pedra e cal.

Apesar de mais condensados no centro histórico, alguns eventos chegarão também ao bairro de Matosinhos, inclusive na igreja moderna, que substituiu à colonial. Mas bem que poderiam abraçar outros braços do cruzeiro que é São João del-Rei. Chegar ao Tijuco, subir para o Senhor dos Montes e para o Bonfim.

A festa pode ser maior ainda e quem sabe esta parte ainda não revelada não venha a ser mais um grande presente neste aniversário? Bares, restaurantes, pizzarias, pubs e butecos (sim, butecos simples, esses de esquina) bem poderiam criar pratos, petiscos e drinks especiais sobre os 300 anos. E serví-los em festins, jantares e baladas temáticas.

Os 300 anos da Vila de São João del-Rei são, antes de mais nada, 300 anos de nascimento do povo são-joanense como organização reconhecida pelo Estado. Portanto, é motivo para que a festa brote também da alma do povo, que pode participar pintando fachadas, mantendo limpa a frente de suas casas, cuidando dos jardins, colocando vasos de flores nas janelas, nas paredes e nas sacadas, caprichando na .iluminação externa de Natal. Pegando espontaneamente seus instrumentos e talentos para apresentá-los no meio da rua. Sejam canto, instrumento, artesanato, doces, quitutes, poemas, estórias, folclores, flores, crenças, saberes...

Apesar dos eventos irem até 6 de janeiro de 2014, depois de 8 de dezembro de 2013, é bom ficar ligado. Aí então, inegavelmente, são outros 300!


Para conhecer a programação completa, acesse  http://www.cidadeshistoricas.art.br/images/dez05/Programacao_300_anos_SJDR.pdf

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Foto antiga mostra São João del-Rei em 1922, comemorando os 100 anos do Grito do Ipiranga


Me diga: que lugar de São João del-Rei é este? De onde foi tirada esta foto? Em que hora, dia, mês e ano? O que de tão importante estava para acontecer?

Vamos por partes, o título ajuda. Esta é a visão que antigamente se tinha da atual Avenida Presidente Tancredo Neves, na altura do Círculo Militar, a partir da Ponte da Cadeia.

Ela foi tirada na tarde do dia 7 de setembro de 1922 quando, comemorando o primeiro centenário da Independência do Brasil, o povo são-joanense esperava, em massa, com expectativa e entusiasmo, o desfile cívico do 11º Regimento.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Em São João del-Rei todo dia é Dia da Cultura. 24 horas por dia. 365 dias por ano! Há três séculos...


Desde quando Minas Gerais - ainda Capitania unida a São Paulo - no alvorecer do século XVIII, começava a construir sua identidade, arte, memória, criação, patrimônio, música, tradição, criatividade e várias formas de expressão erudita e popular fazem parte da alma de São João del-Rei. Os são-joanenses vivem isto cotidianamente, 365 dias por ano.

Por este motivo, 5 de novembro, em princípio, deveria ser uma data reluzente no calendário de São João del-Rei. Começar com uma alvorada festiva, feita pelas cinco bandas de música, continuar movimentado durante todas as horas seguintes com exposições de arte, cortejos dos grupos de congada e folias, shows e recitais nas praças públicas, apresentações de música barroca, concertos sinfônicos, até encerrar-se, tarde da noite, com uma ruidosa, harmônica e colorida queima de fogos de artifício.

Mas para os são-joanenses, nada disto é excepcional. Pelo contrário, tudo isto faz parte do dia a dia de São João del-Rei, em autêntica celebração dos feitos passados e da vida presente, na intensa programação que - cultural no sentido mais amplo e absoluto desta palavra - reúne manifestações que vão da arte e da fé até a reivindicação de mudanças político-sociais, em nome da democracia e da cidadania.

Talvez seja por este motivo que 5 de novembro, em São João del-Rei, é um dia comum. Não que precisasse ser um festival, uma maratona cultural no estilo das "viradas" que acontecem nas grandes cidades. Mas bem que poderia, como um espelho, ser uma oportunidade para o são-joanense se mirar e ver como é rica sua história, sua memória, suas artes e tradições. Enfim, sua cultura.

E ao conhecer reconhecer a singularidade e o valor deste patrimônio, aumentar ainda mais sua autoestima cidadã.
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Na foto, capela-mor da igreja de Nossa Senhora das Mercês na manhã de 24/09/2013, durante a missa da padroeira ( http://www.youtube.com/watch?v=wgFEUklkm6E)

sábado, 2 de novembro de 2013

Finados. Junto aos veios de ouro, às raízes e às nascentes de São João del-Rei, requiescat in pace

São João del-Rei, desde sempre, tem intimidade com a morte. Cemitérios colados às casas, os vivos são vizinhos dos mortos. No século XVIII, a Procissão das Cinzas lembrava em cortejo solene e figurado, nas ruas coloniais, a finitude da vida. Desde aquela época, durante a Quaresma, no ciclo da Festa de Bom Jesus dos Passos, Encomendações de Almas, em três consecutivas sextas-feiras, percorrem encruzilhadas, cruzeiros e portões de cemitérios, a chamar os mortos e entregar-lhes músicas e orações.

São João del-Rei, a religião, a morte e as contradições. No Carnaval, uma escola de samba ensaia sua bateria no limite exato que une e separa os mortos e os vivos - o alto portão de ferro do Cemitério do Carmo. Nos desfiles, o Bloco dos Caveiras expõe debochadamente a morte, com a irreverência em estandartes, caixões, defuntos, ossos, fogo, fumaça e figuras tenebrosas. É medonho.

Na Sexta-feira da Paixão, o grande momento é a Procissão do Enterro, também chamada Procissão do Senhor Morto. A cidade também celebra, com consternação e piedade, a morte de Nossa Senhora, no dia 14 de agosto, e de São Francisco de Assis, no dia 4 de outubro.

Com tanto envolvimento com a morte - e até mesmo enlaces - no dia 2 de novembro não poderia ser diferente: nos cemitérios e igrejas barrocas se celebram missas, enquanto durante todo o dia, de tempos em tempos, os sinos tocam dobres fúnebres, no dia a dia executados para anunciar falecimentos, quando o corpo entra na igreja para a missa de corpo presente e na hora em que o caixão desce à cova.

Deste modo, o que melhor define São João del-Rei no dia de finados são estes versos do são-joanense Jota Dângelo:

                          "Tumbas e ossários
                            falam daqueles
                            que não têm mais
                            o que dizer:
                            tudo aqui tem
                            gosto de chão."




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Fonte: DÂNGELO, Jota. São João del-Rei. Spala Editora. Rio de Janeiro, (1986?)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Na memória de São João del-Rei, onde foram parar Todos os Santos?

Uma tradição muito antiga que já dobrou a  esquina - e há décadas não se vê mais em São João del-Rei - é a Ladainha de Todos os Santos. Apesar de o dia de Todos os Santos ser 1º de novembro, em nossa cidade a ladainha era rezada na alvorada dos três dias que antecediam o domingo em que se comemorava a Ascensão do Senhor. A recitação acontecia durante uma procissão sem andor, que saía da Matriz do Pilar ainda de madrugada, antes do nascer do sol.

Puxada pelo vigário, percorria em círculo irregular ruelas e becos do centro histórico, retornando para a mesma igreja de onde saíra. O padre, cantando, chamava alto, pelo nome, todos os santos e os devotos, em coro cantado, suplicavam também em alta voz: rogai por nós! No passado, o clamor era em latim: ora pro nobis!

Tem coisas que o tempo leva e não traz de volta. Em São João del-Rei, a Ladainha de Todos os Santos foi uma delas. Ficou em algumas lembranças. Oxalá para sempre vire memória.

Sobre o mesmo tema, leia também
http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2011/11/novembro-de-saudades-lembrancas-e.html