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Mostrando postagens de 2018

São João del-Rei sempre a encantar. É só abrir o coração, o ouvido e o olhar!

Quando passeamos pelo centro histórico de São João del-Rei, apreciando a paisagem urbana, é comum focarmos nosso olhar no casario e sua arquitetura colonial. As fachadas, brancas em sua maioria, com as portas e janelas coloridas de vermelho, azul. ocre, verde, amarelo, dão à cidade um tom vivo e alegre, capaz de aliviar o humor até da pessoa mais aborrecida. As cores têm esse poder e esse efeito: alegram a vida!

Mas se levantarmos um pouco mais o olhar para a linha onde o céu encontra os telhados, principalmente se for ao anoitecer ou amanhecer, certamente vamos nos supreender com algumas formas recortadas que, em geral, não percebemos facilmente na luz do dia. Como por exemplo essa grimpa que fica no ponto mais alto da torre da capela do Divino Espírito Santo, na Rua das Flores - Muxinga.

São João del-Rei tem tudo para o tempo todo a nos encantar. É só abrir o coração, os ouvidos e o olhar!

A Paixão segundo São João (del-Rei)

Quem anda com o coração aberto em São João del-Rei colhe e recolhe imagens vivas de puro sentimento. Oportunidades de rever a vida e entender que a existência humana é breve e passa.
Dela, restará viva apenas alguma lembrança, por algum tempo.

Este poema é um retrato, tirado no entardecer de hoje (19/07), na Rua das Flores. Fará parte do livro A Paixão segundo São João (del-Rei), quando ele vier a ser publicado.

XIV Estação - Procissão das LágrimasEstá doendo demais!, gritava a mulher negra aos prantos,
amparada por dois homens negros, silenciosos.
Dos olhos dela desciam rios caudalosos, ladeira abaixo,
pelo beco, até a encruzilhada onde às vezes se encontram
o Espírito Santo, Nossa Senhora do Rosário e Santo Antônio.
A tarde fugia, o sino tocou Ângelus, mas nada adiantou.
Nenhum dos três veio trazer alento, obedientes ao que,
no Velho Testamento, pregou o profeta Jeremias:
"Grande como o mar é tua dor. Quem poderá te consolar?"
A tarde caiu mais um pouco. O cortejo parecia…

Betas de São João del-Rei. Se o homem foi feito de barro, o são-joanense, foi feito de ouro!

Em São João del-Rei, o Ciclo do Ouro já acabou há muito tempo, mas deixou em nossa cidade um patrimônio valiosíssimo, tanto construído quanto imaterial. E não estamos falando aqui apenas da paisagem colonial, com suas belas igrejas, pontes, monumentos e toda a paisagem urbana, nem somente das tradições barrocas que tão bem conservamos até hoje, e que nos fazem únicos no Brasil e no mundo. Estamos falando também do nosso modo de ser, pensar e ver o mundo; do nosso modo de comportar diante da vida; imaginar, entender e explicar o que não se vê e o quê, com que, não se pode. Nossa essência, são-joanense, é de ouro!

Mas além disso tudo o metal dourado, de onde saiu, nos deixou mais. Uma riqueza de valor inestimável, pouco conhecida e menos ainda valorizada, sobretudo para fins culturais e turísticos: as betas de ouro. Somente no centro histórico e arredores, elas são muitas - há quem fale em mais de 20! - o que também é extraordinário em relação às demais cidades históricas.

Porém muito …

Em São João del-Rei, ainda há muitos tesouros a descobrir!

Não é de hoje que a beleza de São João del-Rei seduz e encanta pintores, que se esmeram na busca de cores e no domínio dos pincéis, gravuras e aquarelas, para tentar retratá-la, segundo cada olhar. De Rugendas e R. Whalsh a Pancetti, Guignard, e Carlos Bracher, passando por vários outros artistas plásticos, inclusive são-joanenses, Carlos Magno, Paulinho, Fábio Braga, Mauro Marques, Wangui, entre outros, a verdade é que não se tem notícia da existência de um catálogo com registro de artistas plásticos que pintaram paisagens de nossa terra.

Taí uma sugestão: nestes tempos de hiperconectividade, po rque não começar a elaborar um catálogo virtual, de participação coletiva e voluntária, aberto para inclusões, correções e atualizações? Para ser uma "obra" séria, o ideal é que esta ação estivesse sob a responsabilidade de um pesquisador, de um profissional especializado, de uma pessoa verdadeiramente interessada na pesquisa ou de alguma instituição, de modo a garantir a qualifica…

As duas magníficas faces da Festa do Divino em São João del-Rei

O calendário cultural-religioso de São João del-Rei é tão vasto que grande parte dos são-joanenses, quando conversam sobre esse assunto, costumam citar apenas as festas que são mais grandiosamente tradicionais, como a Festa de Passos, a Semana Santa, a Festa da Boa Morte e as procissões de Nossa Senhora das Mercês, Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora do Rosário.

Mas na verdade a fé são-joanense é marcada por muito mais eventos, entre os quais as celebrações de Pentecostes, cujo ponto máximo acontece no sétimo domingo depois do Domingo da Ressurreição. Na verdade, a festa começa muitos dias antes, com novenas e vários outros ritos muito peculiares.

Em nossa cidade, a Festa do Divino, considerando seu modo de expressão, tem duas faces, ou melhor, dois formatos, diferentes na linguagem  estética, mas igualmente bonitos e importantes: o de manifestação popular, sediado na paróquia de Matosinhos, e o de liturgia influenciada pelo barroco, promovido pela Paróquia do Pilar.

O primeiro é …

Divino Espírito Santo: descei sobre nós! Alumiai nossa São João del-Rei!

Depois do Domingo de Páscoa, conte sete outros domingos. Então chegamos ao Domingo de Pentecostes, que em 2018 cai no dia 20 de maio. Em São João del-Rei é um dia de grandes festas, no bairro de Matosinhos, onde desde o século XVIII acontece o Jubileu do Espírito Santo, e no centro histórico, mais precisamente na Capela do Divino, que fica na Rua das Flores, logo depois do Largo da Muxinga.

Mas na verdade, nos dois locais, a festa já começou há mais de uma semana, com uma novena. Na igreja de Bom Jesus de Matosinhos, a festa tem forte espírito popular, marcada principalmente pelas cores, pelos ritmos e pela dança das folias e congadas. Na Rua das Flores, as celebrações são influenciadas pelas tradições barrocas, com demorados tencões tocados pelos sinos da capela, diariamente ao meio dia, às três e as seis da tarde e no encerramento de cada dia da novena, lembrando que amanhã tem mais.

Na tarde do sábado, há um momento em que as duas formas de expressão se dão as mãos: às 17 horas sa…

No Dia de Santa Cruz, descubra uma Arca da Aliança em São João del-Rei

Quem passeia por São João del-Rei, e não apenas pelo centro histórico, vê inúmeras cruzes espalhadas pela cidade, sejam os monumentais e bicentenários cruzeiros da Penitência, sejam as grandes cruzes de madeira ou ferro fincadas na pedra ou plantadas nos jardins ou  sejam, ainda, as pequenas cruzes penduradas nas portas de muitas casas. Todas elas ganham muitas flores e muitas cores no dia 03 de maio - Dia de Santa Cruz.

Antigamente a tradição de ter cruzes na porta de casa e enfeitá-las com flores naturais, flores de papel crepom ou mesmo apenas com papel de seda colorido repicado para marcar a passagem do terceiro dia de maio era mais viva e se fazia presente do Bonfim ao Senhor dos Montes, do Tejuco a Matosinhos, mas hoje ela está mais esparsa. Perdemos a graça de ritualizar os dias para marcar de felicidade a passagem do tempo, assim como estamos desaprendendo a colorir o mundo em que vivemos e, por isso, não ensinamos mais este segredo às novas gerações.

Mas nos últimos tempos, …

Em São João del-Rei quem gosta de velho é museu? Mentira! Todo mundo gosta!

- Quem gosta de velho é museu? Mentira pura! Museu gosta de tudo e de todos, independentemente da idade. Museu gosta de tudo a seu tempo!
Pelo menos, com os museus de São João del-Rei é assim. E olha que a cidade tem 7! Em São João del-Rei, museu não cheira a mofo. Pelo contrário, eles têm cheiro de agora. Mostram o passado com o olhar do presente. Todos eles: Museu Regional, Museu Municipal, Museu de Arte Sacra, Museu dos Ex-Combatentes, Memorial Dom Lucas, Memorial Tancredo Neves, Centro de Referência Musicológica...
Que tal a gente sair por aí e visitar o Museu Regional, que fica no Largo Tamandaré? De qualquer lado que você venha, o caminho é muito bonito. Seja do Largo do Rosário, descendo o Beco da Romeira, seja vindo da Ponte da Cadeia, da Ponte dos Suspiros, da Ponte do Rosário, dos Quatro Cantos – todos os casarões, sobrados, igrejas, tudo é muito bonito. Dependendo da hora e da ocasião, você ainda vai ouvir os dobres de vários sinos das igrejas do centro histórico.
A atração do…