quarta-feira, 28 de novembro de 2012

São João del-Rei precisa valorizar mais sua história, de páginas escritas com o sangue de seus filhos

Novembro está chegando ao fim e, com ele, o mês do 266º aniversário do batismo de Joaquim José da Silva Xavier, o herói Tiradentes, na então Vila de São João del-Rei. Este ano, completou-se 220 anos de sua execução. O batismo de Tiradentes, em nossa cidade, não só por razões históricas, mas também por significado e emblemática, merece ser sempre vigorosamente lembrado, difundido e divulgado em nossa cidade, com uma programação que evidencie o justo e exato grau de sua importância para a história local, do estado de Minas Gerais e do país. Mais uma vez não o foi, apesar do empenho pessoal de alguns valorosos são-joanenses e dos esforços empreendidos por algumas instituiçõe locais.

Na Terra da Música, o batismo do herói "inflamado de esperança" não motivou a celebração de uma missa cantada, um concerto ou recital, sequer serenata ou roda de samba, apesar de a cidade orgulhar-se desta sua alcunha, conferida pela tradição musical de quase trezentos anos. Não foi enredo de nenhuma peça teatral nem tema de nenhuma exposição; não inspirou nenhum sarau, lançamento de livro, nem de cartaz ou cartão postal, não se destacou em nenhuma intervenção urbana. Desta forma, por não congregar a população em torno deste acontecimento histórico, sua lembrança continuou tão afastada do dia a dia e da realidade, tão desvinculada da herança histórica dos são-joanenses comuns, como em outras épocas. Quanto mais isso acontece menos os são-joanenses se apropriam de sua própria história e menos dela se beneficiam com a elevação da autoestima.

Por não comemorar coletivamente esta efeméride, pode-se dizer que, negativamente, nossa cidade, sem motivo, parou no tempo e menospreza fatos importantes de sua história. Vem ignorando a possibilidade de  desenvolver ações extensas e consistentes, como por exemplo o projeto 1792 / 1992 - Duzentos sonhos de liberdade, lançado em São João del-Rei há 20 anos, para marcar o bicentenário da Inconfidência Mineira. Sequer o marco inaugurado por diversas autoridades governamentais e eclesiásticas, entre elas o presidente Itamar Franco e o Cardeal Primaz Dom Lucas Moreira Neves, no dia 21 de abril de 1992,vem sendo  conservado. Já perdeu a composição superior que o coroava com grande simbolismo nativista, religioso e patriótico e agora consiste em três degraus e uma coluna de pedra, na qual está assentada uma placa lembrando o acontecimento e a data.

Este marco fica no Largo Tamandaré, exatamente em frente ao majestoso edifício onde funciona o Museu Regional, escritório do IPHAN na cidade. Por que não integrá-lo ao conjunto do Museu, restaurando-o e iluminando-o com efeito semelhante ao que faz a "Casa do Comendador" destacar-se na noite de São João del-Rei? Já seria uma ação de efeito cotidiano e permanente...
Enquanto não reverenciamos o batismo do herói Tiradentes com a amplitude e a grandiosidade que são dignos deste fato histórico, facilitando à população de São João del-Rei apropriar-se, identificar-se e orgulhar-se deste capítulo importante de sua história, lembremos então da caminhada para a força e da dignidade dos últimos atos de nosso conterrâneo maior, nosso velho irmão. Quem nos conta é o inglês Francis Burton, que a tudo testemunhou:

"O lugar escolhido para a execução era então um sítio agreste na parte oeste do Rio de Janeiro, chamado Campo dos Ciganos. Ali se enterravam  os ciganos e negros escravos recém-importados.

Seis corpos de infantaria e duas companhias de cavalaria, além dos milicianos, rodeavam o cadafalso. Grande multidão se agitava no campo, se concentrava nas faldas do morro de Santo Antônio. Um filho do Conde de Rezende, D. Luiz de Castro Benedicto, que montava um cavalo com ferraduras de prata, comandava as tropas.

Primeiramente foi entoado um Te Deum no Carmo, em honra a Sua Majestade (Dona Maria I). Enquanto se pregava o Semão da Lealdade e da Fidelidade, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia, como então era costume, fazia coleta de esmolas para serem dispendidas em missas por alma do condenado.

O heróico Tiradentes, calmo e solene, foi conduzido, vestindo a túnica dos condenados, da prisão pela Rua da Cadeia (hoje Rua da Assembleia) e pela Rua do Piolho, acompanhado por dois padres e uma guarda de cem baionetas, fazendo preces até chegar ao cadafalso.

Ali deu os valores que tinha ao carrasco e após repetir com seu confessor o Credo católico, gritou: cumpri minha palavra, morro pela Liberdade!"

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Visões mágicas de São João del-Rei



Por mais que se procure São João del-Rei, nossa terra está sempre muito além e até onde menos imaginamos. Misteriosa, mais do que uma cidade ou um território, é um sentimento, uma emoção, um desejo. Quem sabe um delírio? Tão misteriosa e onírica é São João del-Rei que parece ter sido feito para ela o poema abaixo, A palavra Minas, escrito por Carlos Drummond de Andrade:

Minas não é palavra montanhosa.
É palavra abissal.
Minas é dentro e fundo.
As montanhas escondem o que é Minas.
No alto mais celeste, subterrânea,
é galeria vertical varando o ferro
para chegar ninguém sabe onde.
Ninguém sabe Minas.
A pedra
o buriti
a carranca
o nevoeiro
o raio
selam a verdade primeira,
sepultada em eras geológicas de sonho.
Só mineiros sabem.
E não dizem nem a si mesmos
o irrevelável segredo
chamado Minas.


Ilustração: “Paisagem de São João del Rey”, 1838.
Desenho de Vanderburch.
Gravador:  H. Lalaisse.
Gravura em metal, 1838.
09cm x 14cm - copiada do site http://www.opapeldaarte.com.br/pintores-viajantes/

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Precioso álbum de família: São João del-Rei & suas quatro filhas

Assim como a santa Nhá Chica, que nasceu no distrito são-joanense de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, as cidades de Baependi, Campanha e Três Pontas também são filhas de São João del-Rei. Isto é o que mostra uma representação setecentista do Termo da Vila de São João del-Rei, cabeça da antiga Comarca do Rio das Mortes. Desde a criação daquela Comarca, e por muitas décadas, as três cidades ficavam em território geopoliticamente pertencente à quarta vila instituída na Capitania de Minas Gerais.

Quase trezentos anos depois, novamente as quatro cidades se juntam, como contas e mistérios de um terço, no roteiro turístico-religioso dos santos Nhá Chica e Padre Vitor. Quem pesquisar vai saber que existem muitas afinidades entre os dois santos: ambos eram negros, viveram na mesma época e na mesma região e dedicaram todos os anos de suas existências à fé, à caridade e ao amor a Deus e aos semelhantes.

Tal qual o maná caiu do céu, nasceu em São João del-Rei, em Baependi, em Campanha e em Três Pontas  o desejo de, como os dois santos, darem-se as mãos para louvar e propagar a devoção a Nhá Chica e ao Padre Vítor. Mas por essa união em torno do amor divino, os santos agradecerão às quatro cidades,criando oportunidades para o desenvolvimento cultural, turístico, religioso, humano, econômico e social.

Aliás, pensando bem, se a santa e as três cidades nasceram em e de São João del-Rei, Baependi, Campanha e Três Pontas, de algum modo, são irmãs de Nhá Chica. Por isso se amam tanto!

O povo do Rio das Mortes, distrito de São João del-Rei, anda entusiasmado com essa ideia e já se mobiliza para cumprir a sua parte, desenvolvendo uma vasta programação religiosa e cultural. Cidade barroca, antigamente sede da Comarca do Rio das Mortes e hoje, sede do município, famosa internacionalmente por suas tradicionais celebrações religiosas, São João del-Rei se honra de ser o marco zero do roteiro turístico-religioso de Nhá Chica e Padre Vitor.

E com isto certamente acrescentará novos eventos ao seu rico calendário litúrgico-religioso  e cultural. Tudo indica que já a partir de abril de 2013, quando se comemorará o 203º aniversário de nascimento da santa Nhá Chica. E também os 300anos da elevação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes à categoria de Vila de São João del-Rei, em 1713...
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Fonte: a ilustração deste post é reprodução da representação mencionada. Foi reproduzida para este post a partir do livro Desclassificados do Ouro, de Laura de Mello e Sousa.

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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Também em São João del-Rei hão de brilhar como ouro a consciência negra e o desejo de igualdade


São João del-Rei, como em todo o Brasil, no dia 20 de novembro comemora-se o Dia da Consciência Negra, homenageando o herói Zumbi dos Palmares. Oxalá nos ajude que esta data comemorativa se fortaleça a ponto de se transformar no Dia Nacional de Luta Contra a Desigualdade e a Discriminação Racial, estendendo-se as homenagens, hoje dedicadas ao herói pioneiro, para todos os brasileiros que, efetivamente, dedicaram sua vida - e até a sua morte - para as causas da igualdade e da verdadeira democracia racial, servindo de exemplo para as gerações que desde então os sucedem.

Como em todo o país, a população negra de São João del-Rei é quantitativamente muito expressiva. Mas qualitativamente, ela tem ainda maior valor. Desde os tempos coloniais, os escravos vindos da África e seus descendentes muito contribuíram e contribuem concretamente para o desenvolvimento desta nossa cidade, nos mais importantes e preciosos setores: da mineração à arquitetura barroca; dos serviços domésticos e braçais às composições musicais e à manutenção e preservação das orquestras mais antigas das Américas; das tradicionais irmandades e suas festas magníficas ao samba, ao carnaval e à congada. Das fábricas de tecido à prática do ensino superior. Enfim, da economia à arte, da mão de obra à inteligência, à cultura e ao saber.

Mas nem sempre a população são-joanense reconheceu e valorizou o importante papel desempenhado pelos negros e a verdadeira contribuição que eles deram - e dão! - para o desenvolvimento de nossa cidade. Apesar de no fim da primeira década do século XVIII - no tempo da Guerra dos Emboabas e quando sequer o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes havia sido elevado à condição de Vila - ter-se fundado aqui a Irmandade de Nossa Senhora dos Homens Pretos - a primeira irmandade negra dedicada à santa protetora dos escravos criada em Minas Gerais e a terceira no Brasil; apesar de desde aquela época ser notória a participação dos negros na vida social e cultural de São João del-Rei, principalmente por meio da música, esculturas e pinturas barrocas, aqui foi grande, e por muito tempo, o sofrimento dos escravos africanos e de seus dependentes.

Laura de Mello e Souza, por exemplo, no seu livro Desclassificados do Ouro, conta que em nossa cidade, no ano de 1764, a escrava Maria Angola, alforriada e encarcerada sem motivo por muitos meses, sofrendo na prisão castigos terríveis e torturas desumanas, precisou encaminhar petição ao capitão-general pedindo que lhe "devolvessem a liberdade". A mesma autora fala do desconforto e protestos dos moradores da nossa ainda hoje tradicional e nobre Rua Direita diante do namoro e da cantoria de uma vizinha, "mulata que vivia sobre si".

O viajante Pohl, quando hospedou-se em São João del-Rei em 18...viu uma cena urbana tão brutal que registrou-a na caderneta de anotações que lhe servia como diário de campo.O que o assustou foi ver da janela de seu quarto na hospedaria a cabeça de um negro espetada em um poste e coberta de moscas. Esta era a forma encontrada pelo poder publico para provar como era severo o castigo  imposto aos escravos.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

São João del-Rei está em toda parte. Até onde ninguém imagina...


São João del-Rei ainda não tem, mesmo que preliminar, um catálogo das obras fotográficas ou pictóricas que retratam sua paisagem e suas manifestações culturais. Carlos Bracher, Pancetti, Alfredo Norfini, Oscar Araripe, Tom Maia, Pedro Oswaldo Cruz, Gil Prates e muitos outros pintores e fotógrafos acharam sublime inspiração em nossas igrejas, pontes e casarios e tudo perenizaram em fotografias e pinturas que muitos de nós desconhemos ou ignoramos.

Quem advinha qual é a paisagem que serve de fundo para esta fotografia do grande compositor popular Herivelto Martins? Isso mesmo: nada mais, nada menos do que a igreja do Rosário, tendo, à esquerda, um pouco do casario de seu largo, e, à direita, a entrada da Rua Santo Antônio.

A  fotografia foi publicada pelo jornal Correio Braziliense, na edição do sábado, 17 de novembro, no caderno Diversão & Arte, como ilustração da matéria Um rei de volta ao trono, sobre a obra e o centenário de nascimento de Herivelto Martins.

Se Herivelto, ou se sua esposa Dalva de Oliveira, estiveram em São João del-Rei, não se sabe. Gal Costa o trouxe à cidade em 1973, no show Índia, quando cantou Ave Maria do Morro. Mas o certo é que, possivelmente, Herivelto Martins tinha algum encanto pela paisagem são-joanense, pois não seria sem motivo que ele tinha em sua casa o quadro que lhe serviu de moldura para a foto.

Herivelto Martins. Na matéria, "Um rei de volta ao trono". Na fotografia, mais um rei em São João del-Rei!

E então: que tal ouvir a música Cabelos Brancos, de Herivelto, em duas batidas, modernas porém diferentes? Uma levada por Paulinho Moska e outrs por Baia e Bárbara Ohana? Esta segunda é meio jazz, meio  jam session e, de quebra, funde Cabelos Brancos com Summertime, unindo num abraço musical Herivelto Martins e Guershwin. Diante disso, apure os ouvidos, aumente o som ou ponha o fone de ouvido...


terça-feira, 13 de novembro de 2012

São João del-Rei homenageia, com uma semana musical, Santa Cecília, padroeira dos músicos


 Sem dúvida, mais do que um presente, a música é uma das maiores virtudes que Deus deu a São João del-Rei. Do erudito das músicas barrocas ao popular dos sambas e das congadas, na 'Terra dos Sinos' ela está presente em todas as horas: na alegria e na tristeza,na saúde e na doença (e até na morte!)  nas procissões e no Carnaval, nos ambientes sagrados e nos bares, nos teatros,  nas praças públicas e até mesmo no meio da rua... Enfim, em São João del-Rei, a música é onipresente: está o tempo todo, em toda parte, ao mesmo tempo.

Reconhecendo este mérito, a cidade realiza anualmente, no período de 14 a 22 de novembro, a Semana da Música, sempre em homenagem a Santa Cecília  - padroeira dos músicos. É uma semana atípica, pois começa em uma quarta-feira (14) e tem 9 dias, se encerrando numa sexta-feira (22), dia consagrado à santa, cuja imagem (foto) desfruta o privilégio de ficar no nicho de um altar dourado, na Matriz do Pilar.

Como não poderia deixar de ser, é uma semana repleta de música, da qual participam dez corporações musicais são-joanenses, de bandas a orquestras sinfônica e barroca. Os eventos, todos gratuitos, em sua grande maioria acontecerão à noite. Se você estiver em São João del-Rei, não perca!...

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Nascido na Fazenda do Pombal, herói Tiradentes foi batizado em São João del-Rei. Há 266 anos atrás...

"Aos doze dias do mes de novembro de mil setecentos e quarenta e seis anos,
na capela de São Sebastião do Rio Abaixo, filial desta paróquia de São João
del-Rei - o reverendo Padre João Gonçalves Chaves, capelão da dita capela,
batizou e pôs os santos óleos a Joaquim, filho legítimo de Domingos da Silva
e Antônia da Encarnação Xavier. Foi padrinho Sebastião Ferreira Leitão
e não teve madrinha, do que fiz este assento.
O coadjutor Jerônimo da Fonseca Alves"

Esta é a transcição literal do Atestado de Batismo de Joaquim José da Silva Xavier, o herói Tiradentes, lavrado na folha 51 do Livro de Batizados de São João del-Rei, no ano de 1746. À época, este documento era considerado o registro civil.

Lembrando o nascimento do herói, em dia anterior próximo a 12/11/1746, ouça alguns versos do clássico Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, na voz de Chico Buarque. A grande poetisa pesquisou durante dez anos a Inconfidência Mineira para escrever este livro e a música faz parte da trilha do filme Os Inconfidentes

domingo, 11 de novembro de 2012

Das umbigadas, cateretês e batuques ao Samba nas Praças de São João del-Rei


A música chegou em São João del-Rei em 1717 - antes do Conde de Assumar - e desde então fixou residência na cidade. Hoje, quem tem olhos abertos e ouvidos apurados, sabe: ainda não reconhecida nem valorizada em toda sua amplitude, a sonoridade é a grande característica de São João del-Rei. Nesta sonoridade incluem-se, além da produção musical erudita e popular, o toque dos sinos, o apito da Maria Fumaça, o som da banda militar em sua marcha matinal, os concertos e apresentações ao ar livre, o apito - quase afogado e desaparecido - das fábricas de tecido.

Ninguém duvida que a música barroca é um dos mais ricos patrimônios culturais de São João del-Rei. É ela que preenche todos os espaços das festas religiosas, dando ambiência a novenas, missas, procissões, via-sacras, encomendação de almas e um sem-fim de solenidades só existentes naquela cidade. Entretanto, a música popular também faz parte da cultura são-joanense. E não é de hoje!

Estudos acadêmicos baseados em pesquisas na imprensa local no século XIX  mostram que, já naquela época São João del-Rei, em suas periferias, era palco de muitos e muito animados batuques e cateretês. Alguns até com a presença de autoridades masculinas que escandalosamente se esbaldavam nas atrevidas e irreverentes umbigadas.

A musicalidade erudita de São João del-Rei é consagrada e cada vez mais se fortalece e se perpetua, não só nas cerimônias religiosas mas também nos inúmeros concertos e recitais que continuamente se repetem como parte do dia a dia da cidade.

Os sons típicos, alguns continuam e ecoam mais fortes; outros rumam para o silêncio, dependendo do impacto positivo ou negativo que sofrem das transformações urbanas, econômicas e sociais a que, de algum modo, estão ligados.

Já a música popular local resiste, persiste e esforça-se para ampliar seu território, o que é facilitado pela espontaneidade e relativa alegria dos são-joanenses. Sambistas que, surgidos desde a metade dos anos cinquenta, por muitas décadas foram a alma do carnaval de São João del-Rei, até hoje são lembrados e reverenciados, apesar de muitos deles já estarem do outro lado, "cantando em outro terreiro".

Prova disto é o projeto Samba na(s) Praça(s), que um sábado por mês leva à noite o povo de São João del-Rei para uma praça histórica, para saudar, com cantos e palmas, grandes sambistas do lado de cá e do lado de lá da Serra do Lenheiro. Como os organizadores afirmam, eles "não deixam o samba morrer, não deixam o samba acabar!". Graças a Deus...

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

São João del-Rei se subverte: como se dança, se toca!


Uma das expressões populares muito conhecidas em São João del-Rei, principalmente pelos são-joanenses mais antigos, é a frase "como se toca, se dança" - versão local da clássica "dançar conforme a música".

Mas as vezes a cultura local se subverte e muda a ordem das coisas, ora "botando a carroça na frente dos burros", ora "botando o carro na frente dos bois".

Quer saber o que isto tem a ver com o ritmo lento das marchas que as bandas de música tocam acompanhando as tradicionais procissões de São João del-Rei? Então ouça o que nos ensina o maestro são-joanense Marcelo Ramos, nesta breve entrevista ao jornalista José Mário de Araújo e transmitida nas rádios São João del-Rei e Itatiaia.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

No retrovisor, São João del-Rei



Colhido no blog Tertúlia Pão de Queijo http://www.tertuliapaodequeijo.com/2012/07/no-retrovisor-sao-joao-del-rei.html, o poema abaixo, de Ronald Clever, é delicado retrato de São João del-Rei, em palavras, imagens, emoções e sentimentos...

Os sinos de São João del-Rei não badalam em vão.
São irmãos nos acordes e, em romaria,
acordam os possíveis pecados e pesadelos
que ficaram nos vãos da Rua da Cachaça.

Um passarim marrom é fina flauta
nas palmeiras de São Francisco de Assis.

O Lenheiro escorre a memória da cidade
em seu tênue e fino fio de água.

O rei e o santo atravessam, em procissão, a ponte da Cadeia.
Bárbara, ainda bela, repousa eterna na alcova inconfidente.
"Beija-me com os beijos de sua boca". Éo mascate Salomão
cantando para a Baronesa, que do alto da sacada,
travestida em Sabá, retruca: "Beba-me com a sede de seus rios".

O sino do Rosário fia seu terço, o das Dores chora em cantochão.
E os sinos irmanados de São João del-Rei vão
acordando os homens que vêm e vão.

Ronald Claver
SJDR, 20-07-2012