Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo arte coletiva

Tapetes de flores, areia e serragem trazem o Céu para o chão na Semana Santa de São João del-Rei

Já faz mais de três décadas que as ruas de São João Del-Rei, durante a Semana Santa, apresentam um novo atrativo que encanta sanjoanenses e turistas: os delicados tapetes decorativos. Especialmente aos sanjoanenses, essa expressão cultural atrai duplamente, pois além de admirá-la, eles podem participar de sua produção e, assim, ser protagonistas de uma ação criativa que demora oito, dez horas para ser realizada, mas é muito efêmera. Em quinze, vinte minutos, o céu no chão se desfaz sob o caminhar de anjos, virgens, virtudes, reis, profetas, heróis, apóstolos, guarda romana- personagens do Velho Testamento que, voltando no tempo, vêm à frente do Senhor Morto na procissão do Enterro de Sexta-Feira da Paixão. Enfeitar ruas para procissões é tradição em diversos países católicos e forrar as ruas com folhas e flores também é comum em países da Península Ibérica e da América Central. Nas velhas cidades brasileiras, essa manifestação evoluiu para a confecção de tapetes de areia, fl...

Meio Ambiente é o novo verde, brilhante e sonhado Eldorado de São João del-Rei

Encontrar o verde Eldorado, colher do chão esmeraldas. Esta era a febre dos bandeirantes que, na aurora  do século XVIII, atravessaram serras, venceram abismos, estancaram rios, domesticaram a natureza, subverteram dia e noite para chegar ao coração do território que mais tarde viria a ser Minas Gerais. Na forma de douradas pepitas, as sementes de São João del-Rei brotaram naquele tempo, nas encostas da Serra do Lenheiro, em meio a capim e a quartzo. Floreceram entre barroco e arte. Medo, ousadia, pavor, cultura e castigo. Fé, trabalho, traição, tradição e paciência. Sofrimento, sentimento, temperança, lembrança, sensatez e desvario. Bravura, crueldade, covardia, memória, iluminismo e humanidades. Também em São João del-Rei, nestes 300 anos, o desenvolvimento custou o domínio, a escravidão, a exploração e a expropriação da natureza. Do solo, o ouro. Do solo, a água. Do solo, as matas. Das matas, os animais. Dos animais, a carne. Da carne, a alma. Do homem, o homem. Sonho explo...

Tapetes de flores de São João del-Rei: arte-manifesto lembra que "os sonhos não envelhecem"

Areia, serragem, sementes, flores. Gestos delicados, contornos cuidadosos, concentração, cordialidades, sorrisos. Cores. Muitas cores, escorrendo entre os dedos a formar símbolos sagrados, paisagens celestiais, querubins, cálices, pietás, sudários, estrelas, rocalhas, volutas, rendilhados. É deste modo que o céu desce ao chão em forma de tapete processional e se alastra nas ruas de pedra durante as festas religiosas de São João del-Rei. Mas como tudo na cidade, esta história já vem de um bom tempo. E o tempo passa a favor de São João del-Rei.  Este ano, quando se completam 300 anos da elevação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes a Vila de São João del-Rei, completaram-se, no mês de abril, 30 anos da re-criação dos tapetes de serragem e flores como expressão artística, arte-manifesto em favor da preservação e valorização turístico-cultural da quarta vila do ouro instituída em Minas Gerais. Tudo começou em 1983 numa conversa de jovens que começou em uma ...