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Mostrando postagens com o rótulo devoção popular

Em São João del-Rei, mistérios não são secretos. São encantamentos!

São João del-Rei é uma caixa de surpresas. Muitas vezes do nada, quando menos se espera, num lugar que sequer se imagina,  a gente depara com algo extraordinário, que chama nossa atenção, interrompe nosso caminhar e desvia nosso pensamento, de tão inusitado que é. Em geral são cenas, fatos, objetos e situações culturais que nos falam do modo de viver, de sentir, pensar e agir dos são-joanenses. Quase sempre são temas que perpassam a religiosidade, a crença, o passado, os afetos e o intangível. Quem se atenta, observa e analisa estas situações, com certeza passa a entender melhor que certezas, sonhos e esperanças povoam a alma do povo deste lugar. Um destes momentos mágicos acontece todo ano, nas ruas e largos do centro histórico, na semana entre o Natal e o Ano Novo. Não há quem não se surpreenda e se encante com as folias de reis "contemporâneas" que, entre igrejas, pontes e casarões, dão cor e ainda mais vida ao coração de São João del-Rei. Vindas de Juiz de Fora, que é sua...

Ave Maria do Morro no céu azul de São João del-Rei

Engana-se quem pensa que a religiosidade do povo são-joanense, no recorte do catolicismo, restringe-se às práticas, rituais e liturgias realizadas nas igrejas do centro histórico e de todos os bairros. Quanto mais belas, envolventes e encantadoras forem essas celebrações, sobretudo as tradicionalmente barrocas, mais elas são prestigiadas e frequentadas, pois  refletem o paraíso que, principalmente os humildes, não encontram na terra. Se a beleza é, sem dúvida, o mais sedutor e lúdico instrumento de convencimento e educação, ela é também o mais suave, confortante e eficaz meio de evangelização. Principalmente nestes tempos estéreis, áridos e ásperos! Entretanto, a despeito delas, muitos são-joanenses estabelecem um meio próprio para sua comunicação com o universo divino, com canais, formas, códigos, espaços e linguagens criados por eles mesmos. É uma comunicação direta, quase "ao pé do ouvido", sem necessidade de qualquer orientação, mediação, consentimento, aprovação ou ...

A fé floresce orquídeas e esperanças nos quintais para os altares de São João del-Rei

O mundo é pequeno, o tempo é pouco, a existência é breve e a eternidade é insuficiente para a dinâmica cultural de São João del-Rei, sempre em enriquecedora evolução. Mesmo quando e do que não se imagina, tradições surgem silenciosas no limiar do sonho, no lusco-fusco da aurora, do orvalho sereno do fundo dos quintais, no silêncio madrugoso das almas, atravessa sentimentos e refulge na fé, ostentando-se em altares,  oratórios e olhares. É isto o que, há dois anos, vem acontecendo nos dias 14 e 15 de setembro, para eternizar a lembrança do Dia de Santa Cruz e o Dia de Nossa Senhora das Dores, na Matriz do Pilar, e o Dia de Bom Jesus do Perdão, na igreja das Mercês. Estas datas há séculos já fazem parte do calendário religioso da cidade, mas na Paróquia do Pilar eram celebradas com discrição contrita em pregação modesta, na missa noturna que acontecia nas duas igrejas. A grande celebração acontecia na Paróquia de Matosinhos, onde até hoje a comunidade, relembrando uma tradição do...

São Raimundo Nonato. O santo que nasceu depois da morte em São João del-Rei

Se depender dos santos que são cultuados na cidade, os são-joanenses já moram no céu. Por todo lado se vê santos e anjos, alguns ostentando símbolos e insígnias, outros orando, cantando ou voando - todos sentenciando que o destino e a morada do homem é a felicidade. Sem dúvida, é um número sem fim de devoções e seu culto ocupa praticamente todos os dias do ano, mas com o passar do tempo, muito está se perdendo. É mais fácil dizer que isto é culpa da televisão, da internet e de outras modernidades, mas a verdade é que este esgarçamento da memória muito se deve a um certo comodismo e desmazelo cultural e religioso dos pais, que não transmitem tanto aos filhos a força, a beleza, o significado, a importância e a riqueza destas tradições que são singulares, únicas mesmo de nossa cidade. Uma destas devoções hoje bastante fragilizadas é a de São Raimundo Nonato, cuja data celebrativa de suas virtudes é 31 de agosto. Um dos escudeiros de Nossa Senhora das Mercês, é protetor dos aflitos...