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Mostrando postagens com o rótulo cultura popular

A fé move, une e promove montanhas em São João del-Rei

  A fé move montanhas!, nos ensina   a Bíblia, várias vezes, no Novo Testamento. Mas, sem discordar das Sagradas Escrituras, São João del-Rei proclama:  A fé move, une e promove as montanhas!  Esta foi a grande conclusão e a principal mensagem do Seminário Turismo Religioso 2025, promovido pela Secretaria de Cultura e Turismo de São João del-Rei, nesta "terra onde os sinos falam", nos dias 16 e 17 de outubro. O evento regional teve cerca de 200 participantes, entre prefeitos, secretários de cultura e turismo, representantes da Secretaria Estadual de Cultura e do Governo de Minas Gerais, da Associação das Cidades Históricas de MG, da Trilha dos Inconfidentes, da Associação dos Amigos de SJDR e da Associação Comercial de nossa cidade, bem como historiadores, intelectuais, turismólogos, professores, empresários, empreendedores e estudiosos dos segmentos turístico, religioso e cultural. Além da cidade promotora, estiveram oficialmente representadas por seus...

São João del Rei na língua do povo: 50 ditados e expressões populares

 Na São João del-Rei de outrora, os ditados e expressões populares eram poderosos recursos de linguagem na comunicação informal. Nesta terra onde os sinos falam, a língua do povo falava muito estas curiosas, surrealistas e inusitadas expressões, muitas delas com cores e significados locais. Não são raros os são-joanenses, principalmente os mais vividos - para não dizer os mais antigos, ou, ainda, os mais velhos -, que ainda hoje, nas suas conversas cotidianas, usam estas enigmáticas expressões da sabedoria popular para: justificar ou reforçar opiniões pessoais ou de terceiros, transmitir conhecimento, alertar, aconselhar, advertir ou simplesmente colocar uma pitada de humor e tornar mais leve e lúdico um assunto, que muitas vezes é espinhoso, indesejável e indigesto. Com o tempo, muitos ditados populares foram se tornando menos propagados e, consequentemente, menos conhecidos e pouco transmitidos entre sucessivas gerações. Alguns chegaram muito perto do desaparecimento e hoje são m...

O Sagrado Rosário da cultura viva em São João del-Rei

  - São João del-Rei é uma cidade histórica, patrimônio cultural do povo brasileiro, certo? - Certo.  - São João del-Rei é um museu a céu aberto, certo? -  Não. Mas objetivamente isto não é bom nem ruim. É a realidade da cidade, fruto de sua própria história. E é a história que se escreve a si própria! - Como assim? - Nossa cidade se relaciona com seus bens materiais e imateriais a partir da dinâmica que é própria dos tempos atuais. Deste modo, tais bens deixam de ser coisa do passado para se tornar parte de um cotidiano em constante e espiral movimento. Analisando com objetividade, racionalidade e isenção, vemos que aqui, culturalmente, o passado não ficou congelado no passado, como em uma vitrine onde o tempo não passou. O passado em São João del-Rei não é uma representação, não pode ser descrito como "era uma vez". Ele continua vivo porque é revisitado e revivido, atualizado, como parte da vida dos são-joanenses, que são - eles próprios-, exclusivamente, os agentes e s...

Em São João del-Rei, mistérios não são secretos. São encantamentos!

São João del-Rei é uma caixa de surpresas. Muitas vezes do nada, quando menos se espera, num lugar que sequer se imagina,  a gente depara com algo extraordinário, que chama nossa atenção, interrompe nosso caminhar e desvia nosso pensamento, de tão inusitado que é. Em geral são cenas, fatos, objetos e situações culturais que nos falam do modo de viver, de sentir, pensar e agir dos são-joanenses. Quase sempre são temas que perpassam a religiosidade, a crença, o passado, os afetos e o intangível. Quem se atenta, observa e analisa estas situações, com certeza passa a entender melhor que certezas, sonhos e esperanças povoam a alma do povo deste lugar. Um destes momentos mágicos acontece todo ano, nas ruas e largos do centro histórico, na semana entre o Natal e o Ano Novo. Não há quem não se surpreenda e se encante com as folias de reis "contemporâneas" que, entre igrejas, pontes e casarões, dão cor e ainda mais vida ao coração de São João del-Rei. Vindas de Juiz de Fora, que é sua...

São Benedito, me responda: Aqui tem ou não tem uma coisa?

  Em São João del Rei não é raro, volta e meia a gente ouvir, algum são-joanense, com um quê de mistério, dizer: - "Aqui em São João, parece que tem uma coisa!..." Se prestar bem a atenção na vida da cidade, você vai ver que de fato eles têm razão. Em São João del Rei, às vezes do nada, parece que uma porta se abre, rompendo a delimitação dos tempos e dos mundos. Nestes momentos, há quem quase fique sem saber se está no  aqui e agora, no hoje, presente, ou se está lá e antes, no ontem, passado. E isto não ocorre só nas grandiosas, solenes e pomposas tradições barrocas, que são a principal identidade são-joanense não. Esta dúvida, na verdade, é a certeza de que foi transposto o portal  do lado  racional, pragmático e definitivo e então se está a transitar nos territórios da emoção e da memória afetiva. A procissão de São Benedito, realizada em meados de maio na capelinha do Bonfim, é um dos melhores exemplos. Extremamente delicada e singela, assim como a capela, não p...

Viva o Príncipe Celeste nas terras de São João del Rei!

  - Valei-me, meu São Miguel Arcanjo! Não foram poucos os são-joanenses que com estas palavras, algum dia, invocaram a proteção dele: o anjo poderoso que, com sol no peito e espada de fogo, é invencível na luta contra o mal e contra os maus. É infalível no combate ao Maligno, a quem, com seu olhar brilhante e firme, porém sereno, e o nome de Deus em pensamento, afugenta e acorrenta no fundo do Inferno. Trazendo-nos a temperança, a justeza, a justiça e o equilíbrio, dele pende na mão esquerda uma balança de dois pratos, onde compara em peso as virtudes e as impurezas do mundo. Dizem que São Miguel estabeleceu-se em São João del Rei nos primeiros anos do século XVIII, antes até que a febre do ouro e a cobiça pelo rico metal fizessem dos homens inimigos, na sangrenta Guerra dos Emboabas.   Sangue, selvageria, tortura, crueldade, destruição, morte, desolação, pavor. Nesta cruenta peleja, o  Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar ardeu-se em chamas, mas como por milagre, ...

Quem mantém viva e acesa a alma de São João del-Rei?

O são-joanense. Você o conhece? Então me diz: - Quem é este ser, esta entidade, a quem se refere, quando genericamente se diz "o são-joanense"? Eis aí uma questão complexa... Longe de ser apenas um adjetivo gentílico, esta não é uma condição nata dos que vieram à luz sob o céu de São João del-Rei. Nem tampouco é um título que se concede aos cidadãos que escolheram o vale da Serra do Lenheiro para aqui viver. "O são-joanense" em questão é muito mais do que isto.  Engana-se também quem pensa que é um estado de espírito... São-joanense é aquele que herdou do tempo uma bagagem imensurável e intangível de mistério e sentimento e a materializa, corporalmente, no seu modo de ser, de pensar e de agir. De compreender este mundo e ainda em vida transitar pelo outro, quase todo dia. O são-joanense "legítimo" segue o relógio do sol, mede pelas estações do ano o seu tempo, que é a eternidade. Ele tem códigos próprios de comunicação e conduta, valores peculiares, lingua...

"Deus te ajude mas a mim não desampare", em São João del-Rei!

A sabedoria mineira ensina que, " Em Minas, entender logo já é muito tarde. O bom mesmo é antecipar ". Sendo assim, mesmo que não pareça, imagina como é matreiro e arisco o são-joanense, e não é sem motivos. Afinal, a Vila de São João del-Rei foi uma das primeiras e mais importantes matrizes de nosso Estado, instituída  no tempo em que Minas e São Paulo formavam uma única Capitania. Daí é que, pelo bem ou pelo mal - e com muita propriedade -, o são-joanense não dá ponto sem nó.  Vê fumaça onde não há fogo, não amarra cachorro com linguiça, não bota a mão na cumbuca nem procura chifre em cabeça de cavalo. Vai que ele ache!... E isso vale para tudo. Para as coisas desse mundo e também do outro. Nesse tempo de pandemia, preocupados e precavidos, muitos são-joanenses colocaram uma cruz na porta principal de suas casas, e outros, além desse apelo ao Deus-Filho e por garantia, ainda colocaram ao lado, em uma folha de papel A-4, a seguinte mensagem para o Deus-Pai: ...

Marmelada com canela. O doce caminho para a morte na velha São João del-Rei

Pela formação colonial-barroca da cultura são-joanense, mesmo sob a ilusória égide da temperança, da serenidade e da discrição mineira, aqui em São João del-Rei tudo é exacerbado, extremado, monumentalizado. Independentemente se são o idílio ou o inferno, o sagrado ou profano, o luto ou o gozo, a alegria ou o sofrimento. Quando não as duas coisas ao mesmo tempo. Porta de entrada deste mundo para o outro, a Morte é um eixo importante e presente em quase todas as manifestações culturais são-joanenses, sejam elas expressões coletivas, celebradas no mundo da rua, ou vivências individuais, que acontecem entre as paredes cobertas pelo telhado de um lar. No primeiro caso, como em geral são ocasiões festivas, programadas para a coletividade rememorar, viver ou reviver situações simbólicas, consagradas e preservadas como tradição, o passar do tempo não foi suficiente para modificá-las tanto. Isto porque,  mesmo veladamente ou inconscientemente, elas têm uma finalidade - e até mesmo u...

No Carnaval de São João del-Rei tem a Bandalheira do bem!

Se São João del-Rei, por sua infinita riqueza sonora e musical, deseja ser consagrada também como "terra da música", nada mais certo do que seu carnaval - efetivamente - começar com uma banda: a Bandalheira! Na verdade, a Bandalheira é bem mais do que uma banda, e do que um bloco carnavalesco. Com suas tantas décadas de existência, ela é mesmo uma corporação. Um sentimento que vive adormecido durante um ano inteiro para, na tarde do sábado que antecede o sábado de carnaval, corporificar-se por algumas horas, exalando alegria, samba, marchinhas e amizade, conforme declaravam seus estandartes este ano. Na Bandalheira, democraticamente, há igual espaço para todos, independentemente da idade, sexo, raça, religião, condição social ou econômica e qualquer outro tipo de diferença. Desse modo, como toda e qualquer ação humana, seu cortejo é um ato político em favor da alegria, da fraternidade, do respeito humano e da igualdade. Tanto que as marchinhas e sambas que a banda toc...

Orações fortes amarram o amor nas esquinas e becos de São João del-Rei

Dizem que o mineiro é desconfiado de tudo e, tal qual São Tomé, só acredita naquilo que vê. Mas não é bem assim. Pelo menos em São João del-Rei, não é! A verdade é que os mineiros - e os são-joanenses em especial - guardam tudo a sete chaves, não alardeiam o que suspeitam nem proclamam o que imaginam e muito menos o que desconfiam. O que desejam, então... O são-joanense acredita no que não vê e, mais do que isto, dialoga e se relaciona intimamente com o que a vista não alcança. Mas isto ele não confessa. Se por algum motivo - crença, promessa ou obrigação - tem que professar essa sua crença, o faz da forma mais anônima. Torna pública a sua fé com tanto segredo e tanto mistério que é impossível identificá-lo, mesmo que a revelação seja no local mais público, na mais movimentada esquina da cidade. Você quer local mais visível, dia e noite, do que o sobradão do lado direito de quem se vira para a Matriz do Pilar, exatamente aquele onde começa o bequinho de degraus largos que disfar...

Cara e coroa. A outra face da rica memória de São João del-Rei

Nem só de grandiosidade e opulência vive o patrimônio arquitetônico de São João del-Rei. Para além de igrejas magníficas, nobres casarões e elegantes sobrados, que encantam gentes do mundo todo, a cidade possui também outro tipo de patrimônio construído, igualmente importante.  Assim como os monumentos patrimonialmente consagrados, que em geral registram a história dourada do domínio português, da igreja católica e da nobreza da época colonial, este outro patrimônio é igualmente valioso, porém muito diferente. Em sua grande maioria, ele é registro da história das pessoas humildes, que em épocas passadas viveram entre muitas dificuldades e, mesmo assim, contribuíram decisivamente com sua força de trabalho - e também com sua criatividade - para a construção do que é a identidade são-joanense. Aliás, mais do que a identidade, mas a própria alma de São João del-Rei. Um ótimo exemplo é esta residência da foto. Edificada na subida do Largo da Cruz rumo ao Alto das Mercês, fa...

Ave Maria do Morro no céu azul de São João del-Rei

Engana-se quem pensa que a religiosidade do povo são-joanense, no recorte do catolicismo, restringe-se às práticas, rituais e liturgias realizadas nas igrejas do centro histórico e de todos os bairros. Quanto mais belas, envolventes e encantadoras forem essas celebrações, sobretudo as tradicionalmente barrocas, mais elas são prestigiadas e frequentadas, pois  refletem o paraíso que, principalmente os humildes, não encontram na terra. Se a beleza é, sem dúvida, o mais sedutor e lúdico instrumento de convencimento e educação, ela é também o mais suave, confortante e eficaz meio de evangelização. Principalmente nestes tempos estéreis, áridos e ásperos! Entretanto, a despeito delas, muitos são-joanenses estabelecem um meio próprio para sua comunicação com o universo divino, com canais, formas, códigos, espaços e linguagens criados por eles mesmos. É uma comunicação direta, quase "ao pé do ouvido", sem necessidade de qualquer orientação, mediação, consentimento, aprovação ou ...

Em São João del-Rei todas as ruas levam à religiosidade

São João del-Rei é território sagrado. Principalmente na região que compreende o centro histórico onde, a curtas distâncias entre si e das formas mais variadas, diversos marcos lembram e servem como pórticos para o são-joanense adentrar no universo profundo de sua religiosidade e chegar até as profundezas de sua fé, suas crenças e lembranças. Quem, andando pelos lados antigos de São João del-Rei, nunca viu um são-joanense, jovem ou mais vivido, interromper seu pensamento, diminuir o ritmo de seus passos e fazer o sinal da cruz ao passar diante de um cruzeiro, de um cemitério ou de uma igreja?  Este é um comportamento que, mesmo diante dos novos modelos, padrões e valores impostos pela sociedade hiperconectada, digital e virtual, continua firme como parte da rotina de muitos são-joanenses. E as razões são infinitas: pedir proteção divina, fortalecer-se na luta contra os maus e contra os males, abrir e desembaraçar os caminhos tortuosos e confusos, abrandar a ira e amansar o c...

Festa do Bonfim. Tesouro espiritual de São João del-Rei!

Gira o mundo, passa o tempo, renovam-se ideais, valores e desejos, vão-se costumes, fama, pessoas e nomes, apaga-se promessas, abandona-se juras... Acontece tudo, mas aqui tem coisas que não mudam: a fé do povo de São João del-Rei e o modo como os são-joanenses se relacionam com o que é sagrado. A intimidade de, ainda vivos, transitarem pelos territórios celestes a conversar com os santos, os recursos e expedientes que criaram e sustentam para fazer seus pedidos, empenhar votos, expressar confiança, agradecer intercessões e graças, atravessar séculos e esperar a vida eterna. É isso o que os são-joanenses fazem, com suas incontáveis e quase cotidianas procissões. É isso o que vai ser feito no próximo domingo - o primeiro do mês de agosto - no alto do Bonfim. A festa já começou há mais de uma semana, com novenas e procissões, mas seu ponto máximo será no anoitecer daquele dia, quando o sino, na torre pequenina, dobrará veloz e alegre e foguetes e fogos de artifício lançarão para...

São João del-Rei, com respeito, se curva e"bate paó" pra São Benedito!

Em São João del-Rei, o ano tem 365 dias, e todos eles são de festa. Inclusive não é raro, no calendário religioso, haver dias com mais de uma festa, o que nos leva a pensar que, em nossa terra, o ano precisa ter mais dias, para nele caber melhor todas as festas. E então, com isso, as pessoas são-joanenses viverão muito mais... Aliás, vamos pedir esse milagre a São Benedito? Afinal, não é possível que ele, desde o dia 29 de abril passado recebendo satisfeito as homenagens festivas que a comunidade do Bonfim lhe presta com grande fraternidade, alegria e entusiasmo - tríduo, missas, adorações, bênçãos, orações, cânticos, confraternizações, comunhões, shows e doações - faça a desfeita de não dar importância a este nosso pedido! A festa de São Benedito é singular no calendário religioso de nossa cidade. A começar que ela é devotada a um santo negro e, sendo assim, convém que seja também uma homenagem de lembrança, resgate e reconhecimento a todos os negros que participaram e participa...

A Paixão segundo São João (del-Rei)

Quem anda com o coração aberto em São João del-Rei colhe e recolhe imagens vivas de puro sentimento. Oportunidades de rever a vida e entender que a existência humana é breve e passa. Dela, restará viva apenas alguma lembrança, por algum tempo. Este poema é um retrato, tirado no entardecer de hoje (19/07), na Rua das Flores. Fará parte do livro A Paixão segundo São João (del-Rei) , quando ele vier a ser publicado. XIV Estação - Procissão das Lágrimas Está doendo demais! , gritava a mulher negra aos prantos, amparada por dois homens negros, silenciosos. Dos olhos dela desciam rios caudalosos, ladeira abaixo, pelo beco, até a encruzilhada onde às vezes se encontram o Espírito Santo, Nossa Senhora do Rosário e Santo Antônio. A tarde fugia, o sino tocou Ângelus, mas nada adiantou. Nenhum dos três veio trazer alento, obedientes ao que, no Velho Testamento, pregou o profeta Jeremias: "Grande como o mar é tua dor. Quem poderá te consolar?" A tarde caiu mais um pouc...

Vamos ao Presépio da Muxinga? Fica no coração de São João del-Rei

Jesus sorri, os anjos cantam, a estrela brilha, os sinos dobram, a criança brinca, a luz acende, o carrossel gira, a negra passa  roupa com o ferro de brasa, o homem pesca, o jacaré abre a boca, o cachorro late, o passarinho voa, o marceneiro serra madeira, o ferreiro forja o ferro da ferradura que põe no cavalo, a carroça passa, a mulher corre atrás do gato que roubou a carne, o trem faz a curva e atravessa o túnel. A vida passa devagar nessa pequenina cidade qualquer do interior de Minas, no começo do século 20. Que bem podia ser, ou em sonho foi, São João del-Rei, por exemplo. Pequenina cidade, não, minúscula. Tão diminuta que cabe em um tablado alto, do tamanho de uma mesa grande, com borda de chitão estampado de grandes flores coloridas. Um mundo tão pequeno que só cabe na infância, mas que encantadamente é infinito e dura para sempre na imaginação e na lembrança de adultos e velhos, como um atestado de viva existência. - Do que estamos falando? - Ora, do Presépio da...

A Paixão de Cristo, os mistérios, encantos e a magia da antiga Semana Santa de São João del-Rei

Antigamente em São João del-Rei, além da fé e da devoção, muitos outros sentimentos ocupavam os corações são-joanenses durante a Quaresma e a Semana Santa. Desde a piedade e a penitência, passando pelo jejum e abstinência voluntária de carne, até a restrição do lazer. Os bailes, por exemplo, eram suspensos nos clubes e salões locais e só voltavam a acontecer após a meia noite do Sábado Santo, ou melhor, do primeiro minuto do Domingo de Páscoa. Era o famoso Baile da Aleluia. O Domingo de Ramos era um contexto especial e uma ambiência religiosa singular. Começava com o som longo e espaçado dos sinos e a bênção das palmas, na igreja do Rosário, ao fim do que, na Matriz do Pilar se assistia a missa que, segundo os antigos, tinha o Evangelho mais demorado do ano. Teatralizado e cantado, narrava a história de Cristo,  da prisão no Horto das Oliveiras até o último suspiro, no Monte Calvário. As palmas bentas, acreditava-se, tinham poderes mágicos de proteção da casa que a guar...

Santa Clara, clareai minha São João del-Rei!

São João del-Rei é um lugar onde o viver feliz requer, dia e noite, céu aberto. Suas ruas estreitas e sinuosas, seus becos, jardins e largos são palcos públicos onde desde sempre tudo acontece, para todos. O entusiasmo, a vitalidade e a alegria dos são-joanenses precisam de céu limpo para se materializar como procissões, desfiles de carnaval, cortejos, concertos, serenatas, cinema,teatro, recitais e retretas - tudo ao ar livre. Antigamente, nos tempos românticos que duraram até os anos setenta, era comum as pessoas ficarem nas janelas ou sentadas na calçada ou soleira da porta de suas casas, olhando o tempo e a vida passar. Algumas vezes por dia iam dar uma volta na rua, para comprar a verdura e a carne do almoço, encontrar com os conhecidos, ler o Jornal do Poste, saber quem morreu ou se internou e mandar lembrança para os amigos. Tudo a céu aberto. Podiam até levar sombrinha ou guarda-chuva, tanto se prevenindo de algum aguaceiro quanto se protegendo do sol forte. Dor de cabeç...