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Mostrando postagens com o rótulo artesanato

As linhas da mão e a fibra real do coração de São João del-Rei

Cidade colonial, barroca, as linhas de São João del-Rei, em sua maioria, são curvas. Curvas telhas, curvas torres, curvas beira-seveiras, curvas pontes, curvas conchas, rocalhas e volutas, curvas barroquices, como a curva lua crescente de prata que firma o pé de Nossa Senhora da Assunção, em sua subida ao céu no dia 15 de agosto. Diferentes destas, tem também a linha do trem, paralela e reta, que agora só leva à vizinha Tiradentes... Mas além destas, tem muitas outras linhas, que desenham o passado no presente, mostrando às vezes o que, a olho nu, no corre-corre da rotina, muitas vezes não se vê: as tramas do pau-a-pique das velhas paredes, os detalhes das aldabras e dos gradis de ferro batido, a harmonia secular das pedras pé-de-moleque, as nervuras e formatos das pétalas e das folhas de nossas plantas devocionais e da medicina popular. Tudo isso tem fibra, e esta fibra é real. Isso mesmo: Fibra Real é o nome de um projeto são-joanense muito interessante. Discreto como os minei...

São Miguel Arcanjo: um luminoso corpo celeste em São João del-Rei

Divindade que é, São Miguel Arcanjo não tem corpo. É espírito, um dos mais elevados das Potestades. Quando Deus criou a luz e, em seguida, o universo, com seus astros, planetas e cometas, São Miguel há muito já existia. Mas em São João del-Rei, desde séculos passados até hoje, muitos artistas se dedicam a dar ao Anjo Maior forma humana. E, com isto, existe na cidade um sem-número de representações de São Miguel, nas mais diversas técnicas, formas e materiais - madeira, cerâmica, ferro, pinturas, bordados, pedra sabão, cobre, papel, palha, aninhagem. Todas aladas, a maioria com a balança na mão esquerda, várias com espada flamejante, algumas com escudo e lança, tendo o demônio, assustado e temeroso, a seus pés. Na ilustração deste post, a representação do arcanjo São Miguel - obra em cerâmica, criada pelo saudoso artista plástico são-joanense Marcos Mazzoni, em 1992 (acervo do autor) .

Em São João del-Rei, herói Tiradentes encontra Tancredo Neves. Séculos XVIII e XXI se abraçam!

Há 267 anos, no dia 12 de novembro de 1746, na capela de São Sebastião do Rio Abaixo, pertencente à paróquia da Vila de São João del-Rei, foi batizado um menino, nascido na Fazenda do Pombal, então pertencente à mesma Vila. Seu nome de batismo? Joaquim José da Silva Xavier. Apelido como ele ficou mais conhecido? Tiradentes. O maior herói de Minas Gerais e o grande símbolo do sentimento brasileiro de soberania e amor à liberdade. Sua história, todo mundo sabe: não teve madrinha, era o quarto de nove irmãos, ficou órfão de mãe aos 9 anos, tornou-se dentista - daí o apelido Tiradentes - e alferes de cavalaria. Foi o grande idealizador da Inconfidência e o único sumariamente castigado com o sacrifício da morte em forca, diante da multidão. Esquartejado, seu corpo, antes suspenso no cadafalso, novamente fora elevado, em partes, pelos caminhos onde andou. Transformado em símbolo, Tiradentes tornou-se um ente abstrato. Uma lembrança distante na cidade onde, historicamente, em 1746...