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Mostrando postagens com o rótulo patrimônio

Todo dia é Sexta-Feira da Paixão em São João del Rei

  Quando o assunto é cultura, em seu sentido mais genuinamente antropológico, São João del-Rei é uma das cidades históricas brasileiras mais ricas e mais dinâmicas. Seu conjunto arquitetônico não é  uniforme nem homogêneo, mas o que isto importa? Seu casario de estilos diversos, característicos de sucessivas épocas, registra em si, como em nenhuma outra cidade histórica mineira, a passagem dos séculos com seus ciclos de evolução econômica, estética e social. Tão ou mais do que outras cidades surgidas no tempo do ouro, a cultura local é autêntica e peculiar, e mantém-se viva de modo natural e espontâneo. Tanto que, por não se pautar na realização de eventos de inspiração e motivação externa, para um público "estrangeiro", há quem diga, desavisadamente,  que em  São João del-Rei não se promove cultura. Mas dependendo do ponto de vista e do que se tem como cultura, quem pensa assim não está de todo errado, por uma razão muito simples: São João del-Rei " não vive de cul...

Destombamento da Avenida Hermilo Alves deixou cicatriz inapagável na paisagem de São João del-Rei

Os representantes do povo, legitimados por meio do voto para o poder legislativo municipal, são defensores da memória coletiva da população que os elegeu? Lamentavelmente, nem sempre! Em São João del-Rei, isto aconteceu no começo da década de 1990, mais precisamente no dia 21 de março de 1990, quando a Câmara Municipal promulgou a Lei Orgânica que destombou construções de valor histórico situadas na Avenida Hermilo Alves. A proposta, do vereador José Vicente Davin, deixou fortes, inapagáveis e irrecuperáveis cicatrizes no conjunto arquitetônico eclético daquela importante via são-joanense. Na ocasião, a dois anos das grandiosas comemorações do Bicentenário da Inconfidência Mineira, o assunto ganhou destaque na imprensa de Minas Gerais e assim foi divulgado no jornal Hoje em Dia - página 25 do caderno Cultura -, edição de 05/04/1990: " Prédios históricos estão sendo destombados Em São João del-Rei, vereadores revogaram  decreto que preservava construções especiai...

Em São João del-Rei todo dia é Dia da Cultura. 24 horas por dia. 365 dias por ano! Há três séculos...

Desde quando Minas Gerais - ainda Capitania unida a São Paulo - no alvorecer do século XVIII, começava a construir sua identidade, arte, memória, criação, patrimônio, música, tradição, criatividade e várias formas de expressão erudita e popular fazem parte da alma de São João del-Rei. Os são-joanenses vivem isto cotidianamente, 365 dias por ano. Por este motivo, 5 de novembro, em princípio, deveria ser uma data reluzente no calendário de São João del-Rei. Começar com uma alvorada festiva, feita pelas cinco bandas de música, continuar movimentado durante todas as horas seguintes com exposições de arte, cortejos dos grupos de congada e folias, shows e recitais nas praças públicas, apresentações de música barroca, concertos sinfônicos, até encerrar-se, tarde da noite, com uma ruidosa, harmônica e colorida queima de fogos de artifício. Mas para os são-joanenses, nada disto é excepcional. Pelo contrário, tudo isto faz parte do dia a dia de São João del-Rei, em autêntica celebração do...

Crianças: a Arca da Memória de São João del-Rei

Quando se fala na preservação da memória e perpetuação da cultura de São João del-Rei, não se pode esquecer de um segmento muito importante: as crianças. São elas que, por gerações, levarão acesa na lembrança a chama da história do que nos legaram nossos antepassados. Que perpetuarão séculos afora, com amor, zelo e compromisso, as crenças, esperanças, tradições, sabedorias e saberes aqui construídos e cultivados há mais de três séculos. O dia 12 de outubro - Dia da Criança - é bom para se lembrar disto. Pensando assim, é preciso cada vez mais inserir a criança no universo cultural de São João del-Rei. Nas tradições barrocas, como as procissões e outras festas religiosas. Nas expressões populares, como congada, folia de reis, carnaval, artesanato. Em todas as artes, sejam música, teatro, literatura, dança ou artes plásticas. Na gastronomia... Na vanguarda de outras cidades, São João del-Rei já desenvolve algumas ações neste sentido. Em relação aos tapetes processionais, isto já ...

Devota, convicta e confiante, São João del-Rei dialoga com os Céus

Pelas encruzilhadas e esquinas de São João del-Rei, misteriosamente, as letras misturam-se em uma prece. Escorrem pelas ladeiras íngremes, espalham-se nos largos e praças. Aparecem, quando menos se espera, do fundo de sacolas de compras. Desejo dos são-joanenses, é a Oração por uma cidade , que clama o seguinte:                         “Pai Nosso, que estais no Céu,                           que estais no Alto do Cristo,                           com vossos braços estendidos,                           como a nos abençoar:                           Protegei nossa cidade,                         ...

Festa das Mercês - Doce, sereno e sublime encanto de São João del-Rei

Há quase 300 anos o povo de São João del-Rei participa - com fé, devoção e encantamento - da sublime novena barroca de Nossa Senhora das Mercês. É um ofício encantador, numa capela delicadamente dourada, entre flores, incensos, música suave que vem de violas, violinos, violoncelos, flautas, clarinetas e de belas vozes que se harmonizam em rendilhados de notas musicais que formam volutas sonoras inigualáveis. O sino sozinho, na torre altaneira, soberana e solitária, toca alegre. Padre Geraldo canta vigoroso responsórios seculares, que orquestra e fieis, em coro único, respondem convictos. Fieis em sua maioria negros de carapinha branca, entre jovens e crianças, compenetrados vivenciam por uma hora e meia, um amoroso abraço imaginário com Nossa Senhora das Mercês. Com o olhar trocam palavras, fazem pedidos, promessas, agradecimentos. A tudo a Virgem acolhe de braços abertos e face levemente inclinada na direção da mão direita, que estende para o povo são-joanense com um buquê de crav...

Dom Lucas Moreira Neves - Primavera floresce igualdade, gratidão e memória em São João del-Rei

Entre as várias preciosidades culturais que o cardeal Dom Lucas Moreira Neves deixou para São João del-Rei, uma delas se multiplica e se repete a cada ano: é a Semana Cultural Dom Lucas, realizada sempre no período de 08 a 15 de setembro, no memorial que leva o nome dele, que é um dos mais queridos são-joanenses, filho de família a quem muito deve a cultura de nossa terra. Em 2013, o tema que norteia todos os eventos mostra como a cada alvorecer mais evolui e se ilumina a compreensão, a humanidade, o pensamento, a democracia, a religiosidade - enfim a própria sociedade são-joanense. É que o nobre espaço, durante oito dias, abre-se com todo respeito e dignidade para cultura afro-sãojoanense, aqui brotada e frutificada quando o século XVIII, entre raios luminosos de ouro e sol, começava a amanhecer. Melhor reconhecimento e tributo aos são-joanenses de ontem e de hoje não poderia haver, do que a escolha de tema tão rico e tão pertinente, 300 anos vivo na sociedade local. Ora n...

Igreja de São Francisco de São João del-Rei é uma divina epopeia, esculpida em pedra - I

Não é exagero dizer que a igreja de São Francisco de Assis de São João del-Rei - um dos mais expressivos exemplares da arquitetura religiosa barroca brasileira - é também uma das mais belas obras de arte da humanidade. Tão maravilhosamente bonita e a tantos já seduziu, encantou e inspirou que é muito difícil ser original ao dizer qualquer coisa sobre ela. Uma das mais precisas e fieis descrições desta joia da sensibilidade são-joanense foi feita no livro Igrejas de São João del-Rei , lançado há exatos cinquenta anos. Nele, o historiador são-joanense Luís de Melo Alvarenga assim  começa a narrativa, que será reproduzida em diversas partes neste Almanaque Eletrônico Tencões e terentenas : "Magnífica obra de arte é este templo dedicado a São Francisco de Assis. Notável não só pelo trabalho em pedra e madeira, como por seu risco original, em linhas curvas, formando um conjunto harmonioso. Aureliano Pimentel, em página magistral, descreve esta igreja e sintetiza sua descrição...

São João del-Rei. D'Além-mar, tropical, capital de Portugal!

Há apenas três meses da data exata - 8 de dezembro - em que se comemorarão os 300 anos da elevação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes à condição de Vila de São João del-Rei, a todo instante chegam informações mostrando que, tanto quanto rica, é também ainda pouco conhecida a história da tricentenária São João del-Rei. Quantos são-joanenses, por exemplo, sabem que, em 1755, quando um forte terremoto sacudiu Lisboa, São João del-Rei foi cogitada para ser a capital do império português? Quem nos conta é o juiz de direito Auro Aparecido Maia de Andrade, que resgatou esta intenção do Primeiro Ministro do rei D. José I, Marquês de Pombal - sábio administrador que viu na quarta vila instituída em Minas Gerais importância singular na mais importante colônia portuguesa de além-mar, que era o Brasil. Capital do país sonhado pelos inconfidentes; quase capital de Minas quando da Proclamação da República, São João del-Rei, em 2007, com muita justiça e propriedade, fo...

Tira-se o véu por trinta dinheiros em São João del-Rei. Findava agosto de 1755...

Mesmo nas solenidades mais tradicionais, tocantes e piedosas, como as da Festa de Passos e da Semana Santa, hoje é muito raro, nas igrejas de São João del-Rei, ver uma mulher usando véu para cobrir a cabeça, quando segue a caminho da mesa da comunhão. Até pouco mais do que a metade do século passado, este lenço retangular de renda fina e transparente ainda fazia parte do vestuário religioso feminino, como símbolo de respeito, devoção, obediência, pureza e elegância. A cor variava entre branco, azul claro, cinza e preto, sinalizando entre outras coisas a idade e o estado civil da jovem ou senhora que o véu usava. Poucos sabem, mas houve um tempo em que as mulheres de São João del-Rei só podiam andar em determinados espaços sagrados são-joanenses com a cabeça bem coberta por um gorro padrão, possivelmente adquirido da própria igreja. Prova disso é que no dia 28 de agosto de 1755, o padre comissário Manoel da Costa Faro propôs -  em reunião da Ordem Terceira de São Francis...

PAC das Cidades Históricas - Em São João del-Rei, palavra de rei não volta atrás. Nem de Presidenta...

Mais uma vez São João del-Rei destacou-se no panorama de todas as cidades históricas brasileiras, da mais soberba à mais humilde. Neste 20 de agosto, mais uma vez a cidade recebeu um presidente da República, em 2013 a Presidenta Dilma Roussef. Na terra onde os sinos falam, ela anunciou a destinação de R$ 1,6 bilhões para o Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas brasileiras. Nesta etapa, serão contempladas 44 cidades de 20 estados, com o desenvolvimento de 425 projetos de restauração de bens históricos, revitalização de espaços culturais e áreas circunvizinhas. Sem dúvida um marco importante que deve ser considerado homenagem da Presidência da República aos 300 anos da elevação do Arraial Novo de Nossa Senhor do Pilar do Rio das Mortes a Vila de São João del-Rei. Em seu discurso, Dilma Rousseff destacou o valor dos são-joanenses na história e na cultura do Brasil, entre eles o herói Tiradentes, sacrificado por defender a liberdade dos brasileiros frente ao c...

São João del-Rei celebrou exéquias para o rei da Itália, Humberto I

Não se sabe bem porque, mas  a simpatia e a afeição de São João del-Rei pela Itália fertilmente germinavam antes mesmo que chegassem à cidade os primeiros imigrantes italianos. E também que soldados são-joanenses imaginassem um dia atravessar oceanos rumo aos gelados campos de batalha italianos, para bravamente lutar na segunda guerra mundial. Tanto que no dia 9 de agosto de 1900 - ou seja, há 113 anos -, a cidade realizou solenes exéquias em memória do rei italiano Humberto I, assassinado por um compatriota anarquista no dia 23 de julho daquele ano- o primeiro do século XX. Até então, durante todo o período da colônia e do império, São João del-Rei realizava este tipo de solenidade fúnebre apenas para homenagear defuntos da família real portuguesa. Em nossa terra, as cerimônias póstumas dedicadas ao falecido rei Humberto realizaram-se num único dia, mas em dois locais e em duas ocasiões diferentes. Primeiro, foi um ato litúrgico, na igreja do Carmo, com participação especial...

A eterna primavera da fé em São João del-Rei

São João del-Rei é como um jardim, sempre em primavera a florescer. Todo mês, durante as festas religiosas, altares e andores em cascatas se cobrem das flores mais diversas: angélicas, antúrios, cravos, crisântemos, copos-de-leite, "egpsy", gérberas, hortências, lírios, margaridas, palmas e rosas, entre muitas outras. São as estrelas da terra luzindo gentileza, cor e perfume; brilhando fé, suavidade e devoção. Agosto, por exemplo, quando chega, acende em todos memórias antigas, que se tornam realidade nas ladeiras, largos e becos do centro histórico da terra onde os sinos falam. A bicentenária Orquestra Lira Sanjoanense afina instrumentos e vozes, ensaia partituras antigas para que, no período de 5 a 15, a música barroca de mulatos compositores locais se junte ao som dos sinos e ao perfume de incenso para criar ambiência celeste em honra a Nossa Senhora da Boa Morte, Nossa Senhora da Assunção, Nossa Senhora da Glória e também à Santíssima Trindade - Pai, Filho e Espírito...

Vandalismo e conto do vigário na Matriz do Pilar de São João del-Rei. Era 24 de janeiro de 1844...

Com quase trezentos anos, a Matriz de Nossa Senhora do Pilar figura como um dos mais belos, imponentes e importantes templos  barrocos de São João del-Rei. Não só de nossa cidade, mas também de Minas Gerais e do Brasil. Sua talha dourada é requintada, as pinturas de seu teto muito originais e singulares, sua prataria refinada e valiosa e suas imagens, todas muito antigas e expressivas. Dizem até que algumas existem desde o tempo da capela primitiva que, no morro do Bonfim, foi incendiada durante a Guerra dos Emboabas. Pois bem, há 169 anos, no dia 24 de janeiro, o "vetusto" templo foi alvo de vandalismo que, na verdade, começou com um conto do vigário . Sabe como aconteceu? Altas horas, o sacristão dormia em sua casa, em beco próximo à igreja, quando foi acordado com fortes pancadas em sua porta e alguém gritando: - "A porta lateral da igreja, no lado do Cemitério está aberta! Convém fechar!". Preocupado, ele não pensou duas vezes. Vestiu um agasalho, ...