sexta-feira, 30 de maio de 2014

Os faustosos 300 anos e a Memória Arquitetônica de São João del-Rei


Apesar de pouco conhecida, é grande a produção acadêmica, de historiadores e de pesquisadores sobre São João del-Rei. A história da cidade desde a chegada dos bandeirantes, a descoberta do ouro e o surgimento do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar, em 1703. A criação da Vila de São João del-Rei, em 1713, tendo no nome uma homenagem ao Rei Sol Português, Dom João V.

Toda a evolução sócio-geopolítico-cultural  da cidade e a preservação, viva, de sua cultura barroca: as tradições religiosas mundialmente singulares, a música colonial produzida na região e até hoje executadas pelas bisseculares orquestras são-joanenses. Além disso, outros fatores que, ao longo dos séculos XIX e XX, continuaram influenciando a vida de São João del-Rei, entre eles a chegada da estrada de ferro, a industrialização, o desenvolvimento urbano e muitos outros.

Hoje, à noite, ainda comemorando os 300 anos de instituição da Vila de São João del-Rei, os são-joanenses ganham um novo presente: o livro Memória Arquitetônica da Cidade de São João del-Rei, de autoria do arquiteto são-joanense André Dangelo, em parceria com a historiadora Vanessa Brasileiro. O lançamento será às 19 horas, no Centro Cultural Feminino, que fica na Rua da Cachaça, à direita de que desce o Beco do Capitão do Mato.

Este, aliás, é o segundo valioso presente que André e Vanessa oferecem a São João del-Rei pelo tricentenário da Vila. Nos últimos dias de 2013, no mesmo local, eles brindaram os são-joanenses com o livro Sentinelas Sonoras de São João del-Rei.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

1774 - 2014: são 240 anos de fervorosa devoção ao Divino Espírito Santo em São João del-Rei


Junho ainda se anuncia, mas São João del-Rei já começa hoje a festejar, com a grandeza e o entusiasmo que são próprios do povo daqui, a descida, à Terra, do Divino Espírito Santo. Na cidade, simultaneamente, acontecem duas festas - uma de cunho mais popular, no bairro de Matosinhos,  e outra de tradição barroca, no coração do centro histórico.

A mais movimentada delas começa nesta quinta-feira, antigo Dia da Ascensão do Senhor, no santuário de Bom Jesus de Matosinhos. Consta que ela acontece desde 1774 e que, em 150 anos, se tornou uma das mais importantes festas do Divino de Minas Gerais, tão grandiosa que foi elevada a Jubileu. Mas, segundo alguns estudiosos, por interesse da Igreja ela foi suspensa no começo do século XX, pelo arcebispo de Mariana, e só voltou a ser realizada há cerca de 30 anos, por anseio e ação da comunidade. E desde então já recuperou, em muito, sua importância regional.

A programação do Jubileu do Divino Espírito Santo de Matosinhos é muito intensa, e também diversificada. Inclui toque de tambores e caixas, missas, novena, cavalgadas, cortejo do Imperador e do Imperador Perpétuo Santo Antônio, folias do Divino, congadas e procissão, além de alvorada festiva, show musical e várias outras atividades. Em todas elas há grande participação popular, inclusive contribuindo para a organização e realização dos festejos.

O Jubileu realizado em São João del-Rei, no bairro de Matosinhos, apesar de sua indescritível riqueza cultural, é, acima de qualquer coisa, uma prática religiosa motivada pela devoção ao Espírito Santo Paráclito. Tanto que, em séculos passados, os devotos mandavam pintar, moldar e esculpir ex-votos de madeira e cera, para ilustrar milagres alcançados por intermediação daquele que é a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Vinha gente de longe, de trem, carro, carroça, a cavalo e a pé para beijar a imagem, fazer orações, deixar uma prenda ou uma esmola, agradecer milagres e também deixar seu testemunho na forma de uma estampa ou objeto devocional.

A festa só termina quando anoitece o Domingo de Pentecostes, que este ano cai no dia 8 de junho.

Despedida de maio em São João del-Rei (suíte)*


                                                    Maio,
                                                    mansamente
                                                    e aos poucos
                                                    se despede.
                                                    Vai-se embora.

                                                    Azul e branco.
                                                    Suave e sereno
                                                    terno e doce sorriso
                                                    de Nossa Senhora.




* Dedicado ao amigo Oscar Araripe e à sua missão de - com inspiração, telas, cores e pincéis - espalhar flores pelo mundo

domingo, 25 de maio de 2014

Ventos tecnológicos semeiam para os quatro cantos do mundo a cultura e a arte de São João del-Rei

Quem pensa que o velho e o novo são inimigos; que o ontem, o hoje e o amanhã não dialogam, não conhece São João del-Rei. Não é senso comum, mas a visão dinâmica reconhece que a face "heterogênea" da paisagem urbana são-joanense é fruto de um coração que pulsa vivo há 300 anos. Umas vezes ingênuo, outras inocente, iludido e algumas até ingrato, mas involuntariamente vivo diante do novo que chega a cada estação.

O tempo, ao movimentar os ponteiros do relógio da Matriz, à revelia dos são-joanenses leva consigo muita coisa: certezas, crenças, costumes, saberes, sonhos. Só o cultivo da lembrança e da memória podem deter dele esta desesperada ação.

Mas o que desconfiadamente é visto de "esgueio" pelos conservadores e saudosistas - a tecnologia -, tem se mostrado valorosa aliada da cultura de São João del-Rei nestes tempos digitais, ao registrar e disponibilizar para mundo, pela internet, a riqueza singular de nossa terra.

Blogs, perfis pessoais e institucionais no facebook, canais no YouTube, reportagens, comentários, entrevistas, estudos, depoimentos, fotos, vídeos, sons e outros registros eletrônicos captam a essência de São João del-Rei nas ruas, nas igrejas, nos teatros, nas procissões, nas folias, nos congados, nos terreiros, nos folguedos, nas orquestras, nas torres, nos largos, nas rodas de samba e capoeira, nas esquinas e encruzilhadas, nos altos da Serra e ao longo do Córrego do Lenheiro - enfim, onde tiver sopro de vida nossa cidade.

Duvida? Então veja, entre as retrancas da coluna à direita desta página, alguns exemplos de registros e breves documentários sobre São João del-Rei disponibilizados principalmente no YouTube. E também no final de vários posts deste Alamanaque Eletrônico.

São frutos da ação louvável de são-joanenses, alguns muito jovens, que voluntariamente chamaram para si a responsabilidade de colher na fonte autêntica as genuínas expressões culturais de nossa cidade e semeá-las aos quatro ventos para que se disseminem e possam ser conhecidas por todos, o tempo todo, em todas as partes do mundo...

terça-feira, 20 de maio de 2014

Mágico caleidoscópio colorido dos becos, encruzilhadas e esquinas de São João del-Rei


A paisagem urbana de São João del-Rei é um caleidoscópio mágico e colorido. A cada passo que se dá, janelas trocam de lugar. Esquinas mostram encruzilhadas.Telhados se transformam em torres. Praças viram pontes. Largos se estreitam em becos. Todos entrelaçados, como secular trama do tempo.

Observivendo tão misterioso cenário, o professor, escritor e poeta são-joanense Hélio da Conceição Silva traçou em palavras este poético e austero retrato:

                                                     Três becos

                                               O Beco do Cotovelo
                                               e o Beco da Romeira
                                               têm um ponto em comum.
                                               Ambos ligam dois largos - 
                                               duas praças majestosas.
                                               O Beco do Cotovelo 
                                                tem forma sinuosa.
                                                O Beco da Romeira, 
                                                uma discreta ladeira.

                                                Bem diferente dos dois, 
                                                é o Beco da Escadinha,
                                                que tem curiosa sina:
                                                liga a pacata Rua do Carmo,
                                                onde o templo barroco se destaca,
                                                à outrora tumultuada
                                                Rua da Cachaça.

sábado, 17 de maio de 2014

Depois de 300 anos, caminhos de ouro fazem rebrilhar recantos de São João del-Rei



O ouro não acabou em São João del-Rei. Mesmo esgotados, os veios estão sendo redescobertos, novamente escavados, e cintilando um sol dourado nas frestas de suas fendas e galerias.

Do mesmo modo que fêz nos anos setecentos, os caminhos do ouro agora farão reviver e rebrilhar os eldorados destinos. Não mais bandeirantes cruzando montanhas com seus arcabuzes, nem faiscadores com seus almocrafes cortando a pedra, ou, ainda, garimpeiros, com bateias, peneirando rios.

Só que agora são outros tempos. O ouro de hoje é o turismo.

Revirando as páginas de sua história, escrita na paisagem urbana, São João del-Rei descobriu um grande tesouro: 20 betas de ouro que, por suas escuras e frias galerias, levam a ruas de uma cidade subterrânea, escavada a muitos metros de profundidade. Quase todas as galerias estão entupidas pelo lixo urbano, mas nada que a decisão política, a consciência patrimonial e o envolvimento da comunidade não possa solucionar.

Uma beta de ouro desativada, situada no alto da Bica da Prata, já está aberta à visitação turística. Outras tantas, nas imediações das igrejas do Carmo e das Mercês, já foram mapeadas e, espera-se, serão limpas e requalificadas em breve, como patrimônio histórico e atração turística. Patrimônio e atração que nenhuma outra cidade histórica tem, em tamanha quantidade e expressividade, tão próximos de tantos monumentos arquitetônicos coloniais.
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Para saber mais sobre este assunto, clique no link abaixo
http://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2014/05/abertura-de-minas-de-ouro-em-sao-joao-del-rei-e-atrasada-pelo-lixo.html

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Os sinos estão para São João del-Rei assim como o Papa está para Roma e a Rainha para a Inglaterra...

Os sinos são  tão onipresentes em São João del-Rei que não é engano dizer que eles estão para a barroca cidade assim como as pirâmides estão para o Egito, a Torre Eiffel está para Paris, a Estátua da Liberdade está para Nova Iorque e o monumento do Cristo Redentor está para o Rio de Janeiro.

É impossível não vê-los e não ouví-los. No centro histórico de São João del-Rei os sinos estão em toda parte, soberanos e imponentes, do alto das torres coloniais. Seus dobres, repiques e badaladas - ora melancólicos, ora felizes; ora austeros, ora festivos; ora sóbrios, nunca instintivos - falam várias vezes por dia coisas que, atualmente, só os são-joanenses mais vividos conseguem entender e compreender. Também em pontos mais afastados, porém bastante visíveis, eles estão: no Morro da Forca, na capelinha do Bonfim, na bucólica igrejinha da colina do Senhor dos Montes, e até na maior praça do movimentado bairro de Matosinhos.

Por sua expressividade e representatividade como ícones da cidade setecentista, eles são o personagem principal do livro Sentinelas Sonoras de São João del-Rei, escrito a quatro mãos pelo arquiteto são-joanense André Dangelo, conjuntamente com Vanessa Borges Brasileiro, doutora em História.

O livro é uma obra singular, preciosa e única que fala dos sinos desde os primórdios de sua origem na história da humanidade até sua imperiosa - e até hoje viva - presença há 300 anos em São João del-Rei. Como não faz sentido e é mudo sino sem sineiro, estes "músicos" também estão presentes no livro, em memória ou em entrevistas e depoimentos.

Sentinelas Sonoras de São João del-Rei foi lançado em dezembro de 2013, na programação comemorativa dos 300 anos de elevação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes a Vila de São João del-Rei. A quarta unidade geopolítico-administrativa instituída na Capitania de Minas Gerais, que à época ainda era unidade com São Paulo.

Não se conhece, no Brasil, outra obra que trate da mesma temática com tanta riqueza, profundidade e propriedade como Sentinelas Sonoras. Nem que tenha,  leitura tão fácil e agradável, livre de qualquer vaidade ou ranço academicista...

Para arrematar, veja e ouça esta bela composição feita apenas de repiques, executada nos sinos de uma torre da igreja de São Francisco.


sábado, 10 de maio de 2014

Doces lembranças de maio em São João del-Rei


O Dia das Mães, como é hoje, é coisa nova em São João del-Rei. Não tem mais do que cinqutenta anos - muito pouco diante dos três séculos de história da cidade.

Mas de outro modo, as mães sempre foram homenageadas no quinto mês do ano na terra "onde os sinos falam". Aliás, eram exatamente eles - os sinos - que às seis da tarde, hora do Ângelus, anunciavam estar acabando mais um dia do Mês de Maria e ser hora de as famílias rezarem o terço, em casa, em volta do rádio, ou as pessoas solitárias, em conjunto e em voz alta, na penumbra das igrejas.

Mês azul de céu claro, estrelas vivas, vento manso, sereno ameno e perfumado, era um tempo doce. Libertos das penitências, sacrifícios, jejuns e abstinências da Quaresma, os são-joanenses desfrutavam com calma o outono, vendo dia a dia chegar mais perto a Festa do Divino Espírito Santo, da Santíssima Trindade, do Corpo de Deus, de Santo Antônio, de São João, e com elas o frio severo de manhãs orvalhadas, neblinas vespertinas e madrugadas de serração gelada.

Durante as semanas de maio, em dias diferentes, ao fim da missa das sete da noite, crianças vestidas de anjo coroavam de flor, no alto do altar, a imagem de Nossa Senhora (Coração de Maria). Cantavam hinos religiosos infantis, tocavam sininhos e jogavam pétalas na Virgem de rosto levemente pendido e mãos postas. Parecia um recorte do Céu, com anjos de toda cor, na capela-mor das douradas igrejas de São João del-Rei.

Hoje isto não é mais tão comum, mas de vez em quando, no mês de maio, naquela terra sagrada, ainda é possível se deparar com momentos sublimes como este abaixo, colhido na Matriz do Pilar em maio de 2013.


Foto: Mês de Maria na Matriz do Pilar (cerca 1980) cortesia KK Freitas

segunda-feira, 5 de maio de 2014

As boas coisas de São João del-Rei: a Taberna d'Omar e seus mistérios...

Em São João del-Rei, dizem que os menores frascos guardam os melhores perfumes e secretam os piores venenos. Quem aqui conhece a Taberna d'Omar não só confirma este adágio quanto fica completamente intrigado: como pode em um lugar tão diminuto se encontrar tantas coisas boas?

Diminuto é quase pouco, pois o lugar é - alegoricamente falando - uma pepita de prata onde a Rua Direita fica estreita no centro histórico de São João del-Rei. Mas ali se degusta, e também se compra, o que de mais delicado e refinado existe para o paladar de quem procura uma pausa. Cervejas artesanais, cachacinhas especiais, drinks descomunais, chás orientais, sucos frugais, petiscos transcedentais e até mesmo o irrecusável cafezinho, que é a bebida preferida de muitos mortais.

Queijo catauá do João Dutra? Lá tem. Doce de leite Caxambu? Lá tem. Geleias da própria casa? Lá tem... Livros do Professor Gaio? Lá tem. CDs das orquestras barrocas e dos músicos de São João del-Rei? Lá bem podia ter...

Poucas mesas, três pequenos balcões - um, inclusive, para se conversar do lado de fora da porta -  muito esparsos quadros de fotos p&b, duas pequenas estantes, uma prateleira e uma, mini, geladeira. Tudo na Taberna d'Omar é minimalista.

Mas numa coisa a casa exagera: na cordialidade sincera de seus donos, na ordem natural que ali garante harmonia e equilíbrio a todas as coisas, fazendo do lugar um recanto claro, iluminado e ventilado. E também, por seu tamanho, intimista.

Na sua proposta de ser útil a quem tem fome e sede de algo mais do que alimento para o corpo, a taberna, além do seu horário noturno, costuma ficar aberta em horas diurnas incomuns para bares, bistrôs e cafés em São João del-Rei. Como por exemplo nas tardes e anoiteceres de domingo.

Se bem que às10 da ensolarada manhã do Domingo da Ressurreição (ah! a sonhada ressurreição...), quem estava lá, rodando em vinil na vitrola, entre os clientes, era ninguém mais, ninguém menos, do que o grande violonista espanhol Paco de Lucia. Solo quiero caminar...

A Taberna d'Omar tem estes encantamentos...


Sobre as boas coisas de São João del-Rei, leia também
http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2011/05/as-boas-coisas-de-sao-joao-del-rei.html
http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2013/04/as-boas-coisas-de-sao-joao-del-rei-8.html
. http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2012/04/as-coisas-boas-de-sao-joao-del-rei.html

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Cruz enfeitada: lembrança desbotada pelo tempo na paisagem colonial de São João del-Rei


Três de maio é o Dia da Santa Cruz - uma data comemorativa outrora muito marcante no calendário religioso de São João del-Rei. Entretanto, nas últimas décadas, uma bela tradição relativa a este dia praticamente desapareceu da área urbana são-joanense, principalmente no centro histórico: a colocação de cruzes enfeitadas na porta das casas.

Geralmente adornadas com flores naturais (crisântemos pequenos, em São João del-Rei antigamente conhecidos como "monsenhor") ou de papel crepom, ou simplesmente cobertas com papel de seda repicado, eram adereços coloridos que - em contraste com as portas azuis, vermelhas, verdes, cinzas, amarelas ou marrons - davam viva alegria à paisagem colonial de nossa cidade.

As cruzes enfeitadas ficavam nas fachadas até que se desbotassem pela exposição ao sol, à chuva e ao sereno do inverno, que em São João del-Rei já começa forte nesta época do ano. Funcionavam como a guirlanda natalina, porém pendurada na porta no terceiro dia de maio, como declaração de que naquela casa morava um cristão.

Folheando a Bíblia, é como se a cruz enfeitada lembrasse a passagem do Velho Testamento em que o sangue do cordeiro, pintado nos umbrais, sinalizava para o Anjo Externinador que não entrasse naquela casa na noite da ira do Senhor . Que passasse adiante na sua missão de sacrificar primogênitos.

Desacreditados do Anjo Exterminador, os são-joanenses estão abrindo mão da cruz enfeitada, sinal devoto de outros tempos. E não percebem que agora o sacrifícado não é mais o filho primogênito, mas sim a alegria, a graça, a cor e o encantamento que eram o enfeitar a própria cruz e ostentá-la, como declaração de fé e talismã, na principal porta de sua casa.

Marca no calendário, a cruz de maio era um ponteiro do tempo...