quinta-feira, 15 de setembro de 2011

São João del-Rei amanheceu em estado de graça para a festa de Nossa Senhora das Mercês!

Uma igrejinha colonial alegre, singela e delicada, junto ao cruzeiro e ao cemitério, um pouco acima do Passinho da Paixão, mais alta do que todas as monumentais igrejas barrocas do centro histórico de São João del-Rei. Tão mais alta que a ela se chega subindo uma larga e elegante escadaria. Atrás dela, como proteção, a Serra do Lenheiro é uma muralha abissal e a seus pés derrama-se a cidade brotada em 1703. Assim pode ser descrita a igreja de Nossa Senhora das Mercês.

A partir do entardecer de hoje ela estará ainda mais iluminada, mais visível de todos os pontos da cidade, para avisar, aos são-joanenses, que a Festa de Nossa Senhora das Mercês está começando. E que durante os próximos dez dias vai movimentar aquela colina e o seu grande largo - que é quase uma esplanada - com música barroca, novena, barraquinhas, foguetórios, banda de música, coloridos fogos de artifício e todos os encantamentos que deixam São João del-Rei em estado de graça.

Por dentro, a igreja parece um recorte do céu. Tem altar-mor azul claro e dourado e, nele Nossa Senhora das Mercês, com sua coroa de prata e grinalda de flor de laranjeira, equilibradas sobre o rosto pendido como para um terno abraço. Para isso, os braços estão abertos, tendo em uma das mãos, como presente para os são-joanenses, um buquê de cravos, graças, mercês e favores. Em nichos laterais, São Pedro Nolasco e São Raimundo Nonato, como escudeiros, tudo assistem. Pouco mais abaixo, na linha do arco-cruzeiro, dois altares laterais lembram, em cenas da flagelação de Cristo e do Calvário, que a igrejinha das Mercês é templo do amor de Deus em favor dos homens.

Com suas missas, novenas barrocas, terços, leilões, procissões, música e divertimento, a festa das Mercês acontece há séculos em São João del-Rei. Outrora, além da importância religiosa, desfrutava também de muito prestígio social, sendo marca importante na contagem do tempo pelos são-joanenses. Era ocasião de se mostrar, ver e ser visto. Na modernidade de nossos dias, muita coisa mudou, mas a festa continua firme, hoje não só como expressão de fé e religiosidade, mas também como manifestação cultural que é patrimônio da "terra da música, onde os sinos falam".
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