Pular para o conteúdo principal

Estava à toa na vida São João del-Rei me chamou pra ver a banda passar...



São João del-Rei, desde o nome, é cidade sonora, musical. Sem dúvida, este atributo muito se deve à existência ativa das bandas de música que - volta e meia - estão a percorrer as ruas ou a se apresentar nos largos, nas praças, nos teatros, nos adros das igrejas, enfim em toda parte, dando ritmo a tudo: procissões, festas populares, concertos, atos oficiais, solenidades cívicas e até, bem de manhãzinha, à marcha dos soldados do batalhão. Houve um tempo em que as bandas faziam parte até de cortejos fúnebres, mas hoje isso não é mais comum.

Qual são-joanense não sente o coração bater mais forte ao ouvir, entre dobres de sinos, a Marcha dos Passos, quando a procissão sai da Matriz ou atravessa a Ponte da Cadeia? Quem, nascido aqui ou visitante, não se entristece com a Melodia Fúnebre, tocada no adro da igreja de São Francisco, na manhã de domingo em que o Senhor dos Passos  sai em razoura para contornr o jardim que tem formato de lira? Não sente o peito apertado quando escuta a Marcha da Paixão, entre matracas, na Sexta-Feira Santa? E também não volta à infância  quando a banda toca, com notas vivas de muita cor, as marchas da Boa Morte, das Mercês e de todas as Nossas Senhoras?

Tão importante é a presença da banda na alma de São João del-Rei que o maestro são-joanense Marcelo Ramos gravou recentemente, juntamente com a Companhia dos Inconfidentes, o CD Marchas Mineiras para banda, que reúne as cinco marchas citadas e muitas outras que quase cotidianamente são ouvidas na cidade. Como trabalho de pesquisa, resgatou até o Hino do Rancho Carnavalesco Custa Mas Vae (com "e" mesmo!), agremiação criada em São João del-Rei por volta de 1930 e que desfilou no Carnaval durante muitas décadas.

O disco é uma preciosidade. Custa apenas R$ 10,00 + envio postal, se comprado pelos telefones (32) 3371-2289 e 8866-0349. Em algumas (e especiais) ocasiões, deveria ser pedido como carteira de identidade, passaporte e crachá dos são-joanenses. E até apresentado como senha para acessos vips, privativos, secretos e misteriosos...

Conheça, no vídeo abaixo, algumas faixas do CD e a foto dos compositores das marchas.


Saiba mais sobre este importante trabalho de resgate da memória musical de São João del-Rei e como adquirir do disco acessando http://www.movimento.com/2011/09/lancamento-do-cd-%E2%80%9Cmarchas-mineiras-para-banda%E2%80%9D/.

Comentários

  1. Este CD é incrível! Um ótimo trabalho de valorização de nossa cultura executado pelo são-joanense Marcelo Ramos.
    São pessoas como essas que enchem nosso peito de orgulho ao dizer: Sou mineiro, amo e valorizo minha terra e meus conterrâneos!

    Parabéns Marcelo e Cia. dos Inconfidentes. E mais que tudo, continuem com o trabalho maravilhoso!

    ResponderExcluir
  2. JbM, você tem razão: o disco é precioso em todos os sentidos - como pesquisa, como resgate, como divulgação da cultura musical de nossa terra. Uma realização primorosa, como tudo que é feito por Marcelo Ramos e pela Cia. dos Inconfidentes.

    Marchas Mineiras para Banda merece ser conhecido por todos e, uma sugestão neste sentido é sempre dá-lo como presente, de aniversário, Natal, ou só de amizade mesmo...

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Debaixo de São João del-Rei, existe uma São João del-Rei subterrânea que ninguém conhece.

Debaixo de São João del-Rei existe uma outra São João del-Rei. Subterrânea, de pedra, cheia de ruas, travessas e becos, abertos por escravos no subsolo são-joanense no século XVIII, ao mesmo tempo em que construíam as igrejas de ouro e as pontes de pedra.

A esta cidade ainda ora oculta se chega por 20 betas de grande profundidade, cavadas na rocha terra adentro há certos 300 anos.  Elas se comunicam por meio de longas, estreitas e escuras galerias - veias  e umbigo do ventre mineral de onde se extraíu, durante dois séculos, o metal dourado que valia mais do que o sol.

Não se tem notícia de outra cidade de Minas que tenha igual patrimônio debaixo de seu visível patrimônio. Por isto, quando estas betas tiverem sido limpas e tratadas como um bem histórico, darão a São João del-Rei um atrativo turístico que será único, no Brasil e no mundo.

Atualmente, uma beta, nas imediações do centro histórico, já pode ser visitada e percorrida. Faltam outras 19, já mapeadas, dependendo da sensibiliza…

Padre José Maria Xavier, nascido em São João del-Rei, tinha na testa a estrela da música barroca oitocentista

 Certamente, há quase duzentos anos, ninguém ouviu quando um coro de anjos cantou sobre São João del-Rei. Anunciava que, no dia 23 de agosto de 1819, numa esquina da Rua Santo Antônio, nasceria uma criança mulata, trazendo nas linhas das mãos um destino brilhante: ser um dos grandes - senão o maior - músico colonial mineiro do século XIX. Pouco mais de um mês de nascido, no dia 27 de setembro, (consagrado a São Cosme e São Damião) em cerimônia na Matriz do Pilar, o infante foi batizado com o nome José Maria Xavier.

Ainda na infância, o menino mostrou gosto e vocação para música. Primeiro nos estudos de solfejo, com seu tio, Francisco de Paula Miranda, e, em seguida dominando o violino e o clarinete. Da infância para a adolescência, da música para o estudo das linguas, José Maria aprendeu Latim e Francês, complementando os estudos com História, Geografia e Filosofia. Tão consistente era seu conhecimento que necessitou de apenas um ano para cursar Teologia em Mariana. Assim, já ordenado…

Em São João del-Rei não se duvida: há 250 anos, Tiradentes bem andou pela Rua da Cachaça...

As ruas do centro histórico de São João del-Rei são tão antigas que muitas delas são citadas em documentos datados das primeiras décadas do século XVIII. Salvo poucas exceções, mantiveram seu traçado original, o que permite compreender como era o centro urbano são-joanense logo que o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes tornou-se Vila de São João del-Rei.
O Largo do Rosário, por exemplo, atual Praça Embaixador Gastão da Cunha, surgiu antes mesmo de 1719, pois naquele ano foi benta a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, nele situada e que originalmente lhe deu nome. Também neste ano já existia o Largo da Câmara, hoje, Praça Francisco Neves, conforme registro da compra de imóveis naquele local, para abrigar a sede da Câmara de São João del-Rei. A Rua Resende Costa, que liga o Largo do Carmo ao Largo da Cruz, antigamente chamava-se Rua São Miguel e, em 1727, tinha lojas legalizadas, funcionando com autorização fornecida pelo Senado da Câmara daquela Vila colonial.  Por …