Pular para o conteúdo principal

Modinha azul e amorosa para São João del-Rei

Capelinha do Senhor do Bonfim de São João del-Rei (foto do autor)

Que tal, no embalo desta cantiga, percorrer palmo a palmo as ruas, os becos, os largos;
atravessar as pontes, as praças, jardins e travessas; subir e descer as tantas escadarias de
São João del-Rei?

Por que não acariciar com os olhos seus santos, seus monumentos - altas torres, portais,
sacadas, telhados, encantamentos; nâo trazer corpo adentro seus cheiros de jasmim,
de alecrim, de incenso, rosmaninho, manacá e manjericão? O que impede  pulsar o coração
no festivo dobrar de seus sinos, dos violinos, das matracas, dos apitos e dos foguetórios?


Fazendo assim, você vai ver que em São João del-Rei quase sempre as nuvens são de
algodão doce. E que não há mais pepitas de ouro - só de hoje, feitas de açúcar, amendoim

e coco, mexidas à mão em fogo alto, com dedais de ferro em tachos de cobre. Mas pordemais preciosas...
Esta música, de Flávia Ventura, é um exemplo do extraordinário trabalho da
"Cambada Mineira" (www.cambadamineira.com.br)
 

..........................................................................
Se você gostou, leia / ouça também

Comentários

  1. Caro Emílio, muito obrigada por ter se lembrado de dividir comigo essa preciosidade. Também não conhecia nem o grupo, nem a música, mas como você bem imaginou, amei, me encantei com a homenagem a minha querida terrinha. Aproveitei pra dividir seu post com o pessoal do grupo Estrada Real, acho que eles também vão adorar. Com certeza estarei sempre por aqui. Até mais e parabéns pela descoberta linda.

    ResponderExcluir
  2. Andrea,

    que bom que esta postagem te proporcionou contentamento, pois a função deste almanaque eletrônico é ser útil a São João del-Rei e às pessoas.

    Obrigado pela força na divulgação e, mais ainda, por suas visitas, agora como seguidora.

    Grande abraço!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Debaixo de São João del-Rei, existe uma São João del-Rei subterrânea que ninguém conhece.

Debaixo de São João del-Rei existe uma outra São João del-Rei. Subterrânea, de pedra, cheia de ruas, travessas e becos, abertos por escravos no subsolo são-joanense no século XVIII, ao mesmo tempo em que construíam as igrejas de ouro e as pontes de pedra.

A esta cidade ainda ora oculta se chega por 20 betas de grande profundidade, cavadas na rocha terra adentro há certos 300 anos.  Elas se comunicam por meio de longas, estreitas e escuras galerias - veias  e umbigo do ventre mineral de onde se extraíu, durante dois séculos, o metal dourado que valia mais do que o sol.

Não se tem notícia de outra cidade de Minas que tenha igual patrimônio debaixo de seu visível patrimônio. Por isto, quando estas betas tiverem sido limpas e tratadas como um bem histórico, darão a São João del-Rei um atrativo turístico que será único, no Brasil e no mundo.

Atualmente, uma beta, nas imediações do centro histórico, já pode ser visitada e percorrida. Faltam outras 19, já mapeadas, dependendo da sensibiliza…

Padre José Maria Xavier, nascido em São João del-Rei, tinha na testa a estrela da música barroca oitocentista

 Certamente, há quase duzentos anos, ninguém ouviu quando um coro de anjos cantou sobre São João del-Rei. Anunciava que, no dia 23 de agosto de 1819, numa esquina da Rua Santo Antônio, nasceria uma criança mulata, trazendo nas linhas das mãos um destino brilhante: ser um dos grandes - senão o maior - músico colonial mineiro do século XIX. Pouco mais de um mês de nascido, no dia 27 de setembro, (consagrado a São Cosme e São Damião) em cerimônia na Matriz do Pilar, o infante foi batizado com o nome José Maria Xavier.

Ainda na infância, o menino mostrou gosto e vocação para música. Primeiro nos estudos de solfejo, com seu tio, Francisco de Paula Miranda, e, em seguida dominando o violino e o clarinete. Da infância para a adolescência, da música para o estudo das linguas, José Maria aprendeu Latim e Francês, complementando os estudos com História, Geografia e Filosofia. Tão consistente era seu conhecimento que necessitou de apenas um ano para cursar Teologia em Mariana. Assim, já ordenado…

Em São João del-Rei não se duvida: há 250 anos, Tiradentes bem andou pela Rua da Cachaça...

As ruas do centro histórico de São João del-Rei são tão antigas que muitas delas são citadas em documentos datados das primeiras décadas do século XVIII. Salvo poucas exceções, mantiveram seu traçado original, o que permite compreender como era o centro urbano são-joanense logo que o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes tornou-se Vila de São João del-Rei.
O Largo do Rosário, por exemplo, atual Praça Embaixador Gastão da Cunha, surgiu antes mesmo de 1719, pois naquele ano foi benta a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, nele situada e que originalmente lhe deu nome. Também neste ano já existia o Largo da Câmara, hoje, Praça Francisco Neves, conforme registro da compra de imóveis naquele local, para abrigar a sede da Câmara de São João del-Rei. A Rua Resende Costa, que liga o Largo do Carmo ao Largo da Cruz, antigamente chamava-se Rua São Miguel e, em 1727, tinha lojas legalizadas, funcionando com autorização fornecida pelo Senado da Câmara daquela Vila colonial.  Por …