domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tristes capítulos da história de São João del-Rei

Nem todas as letras são brilhantes e gloriosas nas páginas da história de São João del-Rei. Se por um lado, por meio da arte e da cultura, desde suas remotas origens até os dias atuais, a sociedade são-joanense é reconhecida nacionalmente pela riqueza de seu patrimônio material e imaterial, especialmente por seu amor e zelo às tradições, por outro ela foi e é vítima de seu próprio tempo.

Assim, também nas sombras da Serra do Lenheiro em séculos passados, se praticou muitas atrocidades - atos bárbaros executados e incentivados pelo poder público, que com certeza foram repetidos com crueldade e gosto por representantes civis da aristocracia e por pessoas das classes dominantes.

Em fevereiro de 1772, por exemplo, a Câmara da Vila de São João del-Rei registrou, no dia 22, triste e imperativa correspondência recebida do Conde de Valadares. Na carta, a importante autoridade determinava que fosse feito um ferro, semelhante ao de marcar cavalos, tendo na ponta a letra F. Ele deveria ser usado, em brasa, para marcar escravos que voluntariamente fossem encontrados  pela primeira vez em um quilombo.

A mesma ordem legal determinava que, caso fossem encontrados nos quilombos escravos marcados com a letra F, deveriam ter uma orelha impiedosamente cortada.

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