terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Poesia e beleza que se revelam nas misteriosas entrelinhas de São João del-Rei


São João del-Rei é cidade aliciante e sedutora, porém recatada. Não é óbvia. Não exibe suas belezas todas nem na primeira vez, nem de uma vez só. É aos poucos que se mostra cenário delicado e poético. Devagar e na sombra é que seu encantamento atravessa pontes, que cruza praças e largos. Às vezes segue por ruelas distraídas, faz curva em becos que quase parecem querer escapar da vista de quem, distraído, perde o olhar mirando frontispícios e torres das imponentes igrejas.

A beleza, o encantamento e a poesia de São João del-Rei voam como pássaros sob o céu azul. Pousam, com suavidade e em silêncio, onde muitas vezes só com olhos contemplativos de admiração se consegue ver. Beco da Romeira, Rua das Flores, Ponte dos Suspiros, Beco do Cotovelo, Rua da Prata, Beco do Salto, da Matriz, do Agá, Muxinga, Largo da Cruz. Pulando muros ou atrás dos portões, bouganviles, azaleias, miosótis, jasmins, alecrins, bugarins,manacás, fogo de mulher velha...

Beiras-seveiras, beirais de cachorro, cimalhas, franjas de estuque, baldaquins rendados - sobre tudo, altos telhados. Portais geométricos, arqueados, canga-de-boi, em ogiva, convidativas portas almofadadas. Janelas coloridas, de guilhotina, de gelosia, de treliças, de bandeiras, sorrateiras e inesperadas. Cúbicas soleiras, curtas e breves escadas, ondulados e ilustres balaústres. Casas abraçadas. Alegres e vivas em cor, ainda hoje do mesmo jeito que em épocas passadas.

A surpresa do belo nos espreita de onde não se suspeita nem espera...

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