segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Lembranças dos velhos, alegres e cordiais carnavais de São João del-Rei


Rei Momo já foi deus em São João del-Rei - No ano de 1879, o Carnaval aconteceu no dia 27 de fevereiro e, segundo o jornal são-joanense Arauto de Minas, que noticiou o acontecimento, quem "incumbiu-se de festejar ao deus Momo foi a Sociedade Juvenil. A Rua Direita converteu-se em bosque e aí, ao som da música, postada em um palanque, se divertiam os mascarados, distribuindo graças e flores".

Esta descrição, divulgada pelo historiador Sebastião de Oliveira Cintra, aponta alguns aspectos interessantes. Primeiro, a expressão "deus Momo", que dá à majestade carnavalesca a condição de divindade. Isso, de algum modo, reforça a religiosidade do Carnaval.

Segundo, destaca o tom lúdico, divertido e cordial da festa, visível principalmente na atuação dos mascarados (em algumas culturas usar máscara permite dar passagem para um ser sub ou sobre humano), que distribuíam graças (divertidos agrados? brincadeiras bem-humoradas?) e flores.

Quando o Rei Momo dançou valsas - Vinte e dois anos mais tarde, o segundo carnaval de São João del-Rei no século XX, ao que parece, buscou agradar a todos, com tudo para todos os gostos: dos mais nobres e aristocráticos até os mais populares. Já no sábado, 16 de fevereiro, barulhentos Zé Pereiras dia e noite percorriam as ruas da cidade enquanto que à noite, em um coreto montado na Rua Municipal, uma banda de música se apresentava animadamente.

Classificado como perigoso, durante quatro dias o Entrudo também movimentou São João, com seus limões de cheiro, seringões, jarros e bacias d'água.

Mas a grande atração foi o baile à fantasia, promovido pela Sociedade Filarmônica São-joanense no domingo, dia 17, em sua sede, na Rua Municipal, local onde hoje existe o Edifício São João. A expectativa era tanta que muita gente foi para  frente da sede  ver a chegada dos ricos fantasiados, que encarnavam  personagens fabulosos. Da rua ouviam e também dançavam no ritmo de uma trilha sonora requintada: exatamente às dez da noite, ninguém menos do que a Orquestra Ribeiro Bastos começou a tocar nada menos do que refinadas valsas. Coisas de antigamente...

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