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Fogo, sangue e morte na São João del-Rei de 1709


Quem, neste 15 de fevereiro, caminhar pelas ruas de São João del-Rei, dificilmente vai imaginar que nestas paragens, há 303 anos, o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar ardeu em chamas, se dissolvendo em nuvens de fumaça, pondo fim - com a derrota dos paulistas no Capão da Traição - à cruel e sangrenta Guerra dos Emboabas. A data foi apurada, segundo o historiador são-joanense Sebastião de Oliveira Cintra, por outro historiador, e também folclorista, do século XIX: o valoroso, mas pouco conhecido e reconhecido intelectual  são-joanense, Basílio de Magalhães.

A Guerra dos Emboabas foi um dos primeiros e mais graves conflitos ocorridos no chão de Minas Gerais no alvorecer do século XVIII, motivada pela ambição e pela cobiça por poder e riquezas. Naquela época, a descoberta do ouro abundante a todos parecia indicar o surgimento de um novo Eldorado, atraindo para a região desclassificados rudes e aventureiros inescrupulosos e vorazes, todos  vindos de toda parte.

Neste ambiente, a inexistência de um poder constituído e disciplinador facilitou o surgimento de um conflito, que chegou às últimas consequências. De um lado estavam os  paulistas, bandeirantes, descobridores das minas, e de outro portugueses e forasteiros, também desejosos de se apossar do que tornava aquela terra tão preciosa. Ainda que para isso fosse preciso semear fogo e derramar sangue. Muito sangue! Assim se fez...

Certamente a Guerra dos Emboabas muito contribuiu para a elevação do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes à categoria de Vila, quatro anos depois, em 1713, com o nome de São João del-Rei.

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