sábado, 5 de novembro de 2011

Respeito e voz para os terreiros e para a negritude mulata de São João del-Rei

Cultura afrobrasileira? São João del-Rei tem, sim senhor! Só que aqui, por eufemismo tão típico dos mineiros, afrobrasileiros "mais claros, desbotados" e seus descendentes são, muitas vezes, regionalmente, classificados e chamados de mulatos.

Entendido isto, vamos lá: a música colonial do Campos das Vertentes, quem compôs? Os músicos mulatos. E nas orquestras barrocas bicentenárias, o que muito tem? Músicos mulatos. As Folias de Reis, Congadas e Pastorinhas, quem as mantém? São-joanenses mulatos. Os sinos e seus toques, no alto das torres, viram dobres mulatos.

Mulatos são os Passinhos da Paixão, as Pontes da Cadeia e do Rosário, os Cruzeiros e as matracas, a couve picada fininha, o angu, o torresmo, a farofa, a feijoada, a pimenta, o doce de abóbora com coco, as amêndoas no tacho de cobre, a cachaça com mel, o bolinho de feijão - São João del-Rei é cada vez mais uma cidade mulata. E não era para ser, pois os censos realizados no tempo da Colônia falam que a Vila de São João del-Rei era, de todas, a que possuía a maior população branca de Minas Gerais.

Quem tiver dúvida sobre a negritude (epa! sobre a mulatice...) de São João del-Rei não pode deixar de visitar a exposição "Fala terreiro e que soem os tambores de Minas!" Nela, vai conhecer fotografias e outros registros das manifestações da cultura afrobrasileira próprias das comunidades de terreiros e dos grupos de congada e de folias de São João del Rei e de outras cidades da região.

A anfitriã é a Associação Afrobrasileira Casa do Tesouro de São João del-Rei e o local da exposição não poderia ser mais convidativo: a Casa de Bárbara Heliodora, no Largo de São Francisco.

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