domingo, 10 de julho de 2011

Poucas palavras, de ferro e movimento, neste domingo de São João del-Rei

O trem de ferro de São João del-Rei, com sua serelepe Maria Fumaça, nâo carrega pessoas, cargas nem animais.

Carrega almas, lembranças e saudades.

Carrega alegrias de quem, vindo a passeio, de fora, vive pela primeira vez, no cheiro de fumaça
de óleo queimado, no calor do fogo e do vapor da máquina, no sacudido vai-e-vem dos vagões,
no galope veloz do Rio das Mortes, das lagoas, do gado e da Serra de São José, o que anima
e faz brilhar os olhos das crianças que, da beira da linha, das janelas sem vidraça e dos quintais,
acenam desconhecidas para quem vai mundo adentro, trilho afora. Acenam pesarosamente
para o tempo, dando adeus a sonhos e desejos que, pressentem, não vão se realizar.

Explicação de poesia sem ninguém pedir

Um trem de ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessou a noite, a madrugada, o dia
atravessou a minha vida,
virou só sentimento.




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PRADO, Adélia. Poesia Reunida, 1991:44. São Paulo, Editora Arx.
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