Pular para o conteúdo principal

Doce mãe que viu nascer e desde sempre, protetora, adotou São João del-Rei

São João del-Rei vê, com alegria, raiar a véspera do dia de sua padroeira. Nossa Senhora do Pilar aqui chegou na alvorada dos anos setecentos, trazendo os primeiros bandeirantes que, por volta de 1703, fundaram um arraial  a ela dedicado: o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes.

Na cidade estendida ao longo da Serra e do Córrego do Lenheiro, Nossa Senhora do Pilar teve dois endereços, antes do atual. A imagem primitiva, ainda hoje existente, inicialmente era venerada em uma capelinha simples, no alto do Bonfim - incendiada em 1709, nos alvoroços da Guerra dos Emboabas.

Apagadas as chamas do fogo e da ira, permaneceram acesas  labaredas do fervor. Daí, não precisou muito tempo para que nova capela lhe fosse construída, um pouco mais abaixo, dizem que no local hoje conhecido como Morro da Forca. Como o núcleo urbano mudou de endereço, mais entre o Corrego do Lenheiro e o Morro das Mercês, Nossa Senhora do Pilar também mudou sua morada. Já em 1721 estava em uma Matriz em construção - obra que demorou quase cem anos e hoje é a Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar. Dizem que, nela, existem materiais de construção e adornos aproveitados da capela construída e poucos anos depois demolida no Morro da Forca.

A imagem da padroeira, hoje no altar-mor, é obra do início do século passado e, tanto ela quanto o menino que está em seu colo, tem na cabeça coroa do ouro mais puro, colhido nas betas da Serra do Lenheiro e presenteado por garimpeiros são-joanenses.

A festa de Nossa Senhora do Pilar, ainda hoje realizada no dia 12 de outubro, no século XVIII era considerada oficial e, portanto, patrocinada pelo Senado da Câmara da Vila de São João del-Rei. A programação musical, de cunho barroco, desde sempre esteve a cargo da bicentenária orquestra Lira Sanjoanense. Entretanto, é bastante popular o Hino a Nossa Senhora do Pilar, de autoria do compositor Felix Agüeras, sempre cantado com muito entusiasmo pelo vigário, não só na procissão da Padroeira mas também quando a procissão de Corpus Christi entra na Matriz do Pilar, antes do canto do Te Deum e da bênção do Santíssimo Sacramento.

Conheça, abaixo, a letra deste hino:

Virgem santa, virgem pia, luz formosa, claro dia
que à Terra São-joanense Te dignaste visitar.

Este povo, que a Ti agora, de teu amor favor implora
e Te aclama e Te bendiz abraçado ao teu pilar.

Pilar sagrado, farol esplendente, rico presente de Caridade,
pilar bendito, trono de glória: tu à vitória nos levarás!

Cantai, cantai, hinos de honra e de louvor,
cantai, cantai à Virgem do Pilar...

.............................................................................
Leia também
http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com/2011/08/matriz-do-pilar-de-sao-joao-del-rei.html
http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com/2011/09/big-ben-sao-joao-del-rei-tem.html





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Debaixo de São João del-Rei, existe uma São João del-Rei subterrânea que ninguém conhece.

Debaixo de São João del-Rei existe uma outra São João del-Rei. Subterrânea, de pedra, cheia de ruas, travessas e becos, abertos por escravos no subsolo são-joanense no século XVIII, ao mesmo tempo em que construíam as igrejas de ouro e as pontes de pedra.

A esta cidade ainda ora oculta se chega por 20 betas de grande profundidade, cavadas na rocha terra adentro há certos 300 anos.  Elas se comunicam por meio de longas, estreitas e escuras galerias - veias  e umbigo do ventre mineral de onde se extraíu, durante dois séculos, o metal dourado que valia mais do que o sol.

Não se tem notícia de outra cidade de Minas que tenha igual patrimônio debaixo de seu visível patrimônio. Por isto, quando estas betas tiverem sido limpas e tratadas como um bem histórico, darão a São João del-Rei um atrativo turístico que será único, no Brasil e no mundo.

Atualmente, uma beta, nas imediações do centro histórico, já pode ser visitada e percorrida. Faltam outras 19, já mapeadas, dependendo da sensibiliza…

Padre José Maria Xavier, nascido em São João del-Rei, tinha na testa a estrela da música barroca oitocentista

 Certamente, há quase duzentos anos, ninguém ouviu quando um coro de anjos cantou sobre São João del-Rei. Anunciava que, no dia 23 de agosto de 1819, numa esquina da Rua Santo Antônio, nasceria uma criança mulata, trazendo nas linhas das mãos um destino brilhante: ser um dos grandes - senão o maior - músico colonial mineiro do século XIX. Pouco mais de um mês de nascido, no dia 27 de setembro, (consagrado a São Cosme e São Damião) em cerimônia na Matriz do Pilar, o infante foi batizado com o nome José Maria Xavier.

Ainda na infância, o menino mostrou gosto e vocação para música. Primeiro nos estudos de solfejo, com seu tio, Francisco de Paula Miranda, e, em seguida dominando o violino e o clarinete. Da infância para a adolescência, da música para o estudo das linguas, José Maria aprendeu Latim e Francês, complementando os estudos com História, Geografia e Filosofia. Tão consistente era seu conhecimento que necessitou de apenas um ano para cursar Teologia em Mariana. Assim, já ordenado…

Em São João del-Rei não se duvida: há 250 anos, Tiradentes bem andou pela Rua da Cachaça...

As ruas do centro histórico de São João del-Rei são tão antigas que muitas delas são citadas em documentos datados das primeiras décadas do século XVIII. Salvo poucas exceções, mantiveram seu traçado original, o que permite compreender como era o centro urbano são-joanense logo que o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes tornou-se Vila de São João del-Rei.
O Largo do Rosário, por exemplo, atual Praça Embaixador Gastão da Cunha, surgiu antes mesmo de 1719, pois naquele ano foi benta a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, nele situada e que originalmente lhe deu nome. Também neste ano já existia o Largo da Câmara, hoje, Praça Francisco Neves, conforme registro da compra de imóveis naquele local, para abrigar a sede da Câmara de São João del-Rei. A Rua Resende Costa, que liga o Largo do Carmo ao Largo da Cruz, antigamente chamava-se Rua São Miguel e, em 1727, tinha lojas legalizadas, funcionando com autorização fornecida pelo Senado da Câmara daquela Vila colonial.  Por …