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Em São João del-Rei, no mês de outubro, salve Nossa Senhora do Rosário!

Em São João del-Rei, antes que em qualquer outro lugar de Minas

                     "Bendito, louvado seja ô ganga,
                       o rosário de Maria!
                       No mundo, já era noite, ô ganga.
                       Lá no céu, parece dia...

Foi por meio de nossa cidade que a Senhora do Rosário desceu nas terras mineiras. Antes que surgisse o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar, ela ainda não havia chegado nas regiões onde o ouro brilhava qual as estrelas. A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São João del-Rei é a mais antiga de Minas Gerais. A segunda mais velha do Brasil. Como não se orgulhar disso? Como não ser grato à Senhora do Rosário por esta preferência pelos são-joanenses, a quem, desde a madrugada do século XVIII, oferece o Menino Jesus e o rosário da salvação? Como não se rejubilar por esta distinção?

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Negros de São João del-Rei foi fundada em 1708, quando fervia na região a sangrenta Guerra dos Emboabas. Nenhuma vila tinha sido instituída na Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Isto mostra que os negros africanos fixados naquela região, posicionando-se além da condição de escravos, estavam organizados a ponto de criar uma entidade de representação legítima, reconhecida pela Igreja colonial. Tanto que instituíram uma irmandade - o que era alheio à sua cultura - antes mesmo que os negros dos demais arraiais mineiros e que os brancos do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes fundassem a Irmandade do Santíssimo Sacramento.

Como outubro é o mês do Rosário, São João del-Rei celebra com muita devoção e entusiasmo Nossa Senhora que tem esta invocação. Sobretudo nas periferias e distritos do município, as congadas tocam caixas e entoam cantos muito antigos, que bem lembram o tempo da escravidão. Vestidos de branco, com saiotes ou não, e com chapéus enfeitados de flores, fitas e espelhos, os congadeiros, em sua maioria homens, realizam cerimônias plenas de fé, respeito, magia, mandingas e encantamentos. Por meio da congada eles voltam à mãe-África e reafirmam, teluricamente, suas origens e identidades.

No centro histórico, as celebrações têm cunho barroco. Missas, reza do terço, toque de sinos, música de orquestra colonial, procissão, queima de fogos e canto do Te Deum Laudamos. Este ano, a Irmandade do Rosário homenageia Monsenhor Sebastião Raimundo de Paiva - Padre Paiva, como atende e é querido por todos.

Em 2013 comemorando 60 anos de sacerdócio, Padre Paiva é um dos baluartes da tradicionalidade das celebrações de São João del-Rei. A ele, os são-joanenses devem, além da preservação dos ritos barrocos das festas religiosas, entre outras ações e posicionamentos, a criação do Museu de Arte Sacra e o resgate, a recuperação e a restauração dos altares e teto que motivaram a construção da capela do Divino Espírito Santo.

Por tudo isso, que Nossa Senhora do Rosário conceda ao hoje octogenário Padre Paiva um ano de vida em cada conta do terço que ela e o Menino Jesus, generosamente, oferecem aos são-joanenses, faça sol, faça lua ou faça chuva. O terço tem mais de150 contas...

Em louvor a Nossa Senhora do Rosário e em homenagem a Padre Paiva, clique no link abaixo e ouça um tencão  e um floreado,tocados magistralmente nos sinos da Igreja do Rosário de São João del-Rei e gravado por Helvécio Benigno.





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