terça-feira, 15 de maio de 2012

O ouro branco e líquido de São João del-Rei

Rua da Cachaça ou Rua da Alegria. S.J. Del-Rei. 2011.Foto do autor
Quase tão procurada quanto o ouro, a cachaça era um produto muito valorizado nos primeiros anos da Vila de São João del-Rei. Pelos vários poderes da canjibrina, a branquinha servia para tudo - da alegria à medicina popular - e sua fabricação e comércio eram tão expressivos que requeriam regulamentação própria.

Tanto que, no dia 15 de maio de 1719, o contratador João da Silva Costa arrematou, por 760 oitavas de ouro, o contrato das aguardentes de cana. Com isso "as pessoas que venderem aguardentes da terra com licença deste contratador não serão obrigadas a tirar licença deste Senado" esclarecia o Edital do Senado da Câmara da Vila de São João del-Rei, publicado naquela data.

Memorial imaginário na geografia urbana da cidade, a Rua da Cachaça é clara homenagem a este produto tão típico de nosso país. O nome, dizem alguns, compete com Rua da Alegria, numa alusão à zona de prostituição que ali existiu durante muitas décadas. Mas há registro de que, muito antes disso, a rua já tinha lá cama e fama. Consta até que um taberneiro, ali instalado, foi envolvido e interrogado nos Autos da Inconfidência Mineira, por ter recebido certa noite, em seu estabelecimento, o heroi Tiradentes que, aproveitando a plateia, fez inflamado discurso libertário propagando os ideais do movimento inconfidente. Libertas Quae Sera Tamen...

Agora sabendo disto tudo, quando num buteco pé-sujo, antes do primeiro gole, em silêncio você jogar um pouquinho pro santo, peça a ele por nossa História...

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