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Cem anos antes que a ONU, São João del-Rei cantou solenemente o fim da escravidão

Largo do Rosário, Padre José Maria Xavier. S.J. Del-Rei . 2011 . Foto do Autor

A música. Sempre a música a marcar com grandeza e dignidade o ritmo em que bate no peito o coração do povo de São João del-Rei. Sendo assim, foi com música, da melhor qualidade, que os são-joanenses comemoraram o primeiro aniversário da libertação dos negros cativos.

Era 13 de maio de 1889. Na igreja do Rosário dos  Pretos, luminosos festejos. No largo em sua frente, a Orquestra Ribeiro Bastos apresentou um concerto solene, em que a música de notas coloridas e alegres ecoou liberdade por todos os cantos. Há um ano estava extinta a escravidão no Brasil. E também revogadas as disposições em contrário...

123 anos depois, a iniciativa se repete. Não mais no Largo do Rosário nem em São João del-Rei, mas em Nova Iorque e na sede das Nações Unidas. Ali, na noite do dia 15 de maio de 2012 acontece o concerto Honrar os Herois, Resistentes e Sobreviventes, em memória das vítimas da escravidão, em todas as formas e de todos os tempos, e do comércio transatlântico de escravos.

Há mais de cem anos, a Irmandade do Rosário são-joanense saiu na frente da ONU e a Orquestra Ribeiro Bastos se antecipou, abrindo o caminho para artistas norte-americanos, senegaleses, jamaicanos e haitianos que este ano, pela mesma causa, se apresentam em Nova Iorque. Pena que em São João del-Rei concerto tão importante quanto aquele de 1889 - e por um motivo tão nobre - não esteja mais sendo realizado. Quem sabe a partir de 13 de maio do ano que vem?

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