segunda-feira, 27 de junho de 2011

O mineiro, por João Guimarães Rosa


O mineiro é um mistério. Intrigante e misterioso, tal qual o Mistério da Santíssima Trindade, que se resume em uma pergunta: como podem ser três pessoas em uma só? Do mesmo modo, o homem natural das Alterosas - como podem os nativos de um estado que é diverso, múltiplo e plural (Minas Gerais) ser uma "entidade" só?

Esta provocação inicial ambiciona lembrar que o mineiro nada mais é do uma construção simbólica, forjada a partir de elementos culturais. Entenda-se "culturais" como um balaio de gatos onde se misturam  aspectos psicológicos, sociológicos e antropológicos em todas as suas variáveis: religiosidade, identidade, história, autoimagem, memória, territorialidade, imaginário, representatividade, mineirismo, mineirice, mineiridade e por aí afora.

Mineiro é uma construção simbólica, mas existe em corpo, alma, sangue e divindade! Como pode? Mistério complicado este dos mineiros...

  O Mineiro, por João Guimarães Rosa

"... mineiro não se move de graça.
Ele permanece e conserva.
E espia, escuta, indaga, protela ou palia,

se sopita, tolera, remancheia, perrengueia,
sorri, escapole, se retarda, faz véspera,
tempera, cala a boca, matuta,
destorce, engambela, pauteia, se prepara.
Mas, sendo a vez, sendo a hora,
Minas entende, atende, toma tento,

avança, peleja e faz. "

Homenagem a Guimarães Rosa, nesta segunda-feira, 27 de junho, que é a data de seu 103º aniversário de nascimento.

Fonte: Ave Palavra, 3a edição, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, páginas 273 e 274.

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