Pular para o conteúdo principal

Quer passear por São João del-Rei de todos os tempos? Então, embarque nesta viagem...

São João del-Rei ainda guarda muito da face que tinha nos séculos passados. Isto é o que vai conferir quem folhear o livro São João del-Rei - Minas Gerais, editado pelo IPHAN / Programa Monumenta, em 2010. Pena que uma obra tão rica e tão importante para a memória arquitetônica local até hoje não tenha sido amplamente divulgada na cidade - fato que é muito comum no que diz respeito aos trabalhos produzidos sobre São João del-Rei e que este almanaque eletrônico gostaria muito de minimizar.

Composto por cerca de 80 fotografias e desenhos em preto e branco, em sua maioria pertencentes ao acervo do IPHAN, o livro - uma preciosa pesquisa iconográfica coordenada por Maria da Graça Soto Queiróz - traz interessantes imagens de São João del-Rei. Desde um desenho retratando a paisagem local no começo do século XIX até registros fotográficos da evolução urbana da cidade durante quase todo o século XX, passando pelos riscos artístico-arquitetônicos originais das igrejas do Carmo e de São Francisco e pela imagem de ruinas de um chafariz colonial que existiu no bairro de Matosinhos.

Muitas edificações já não existem mais, é verdade, destruídas pela inclemência do tempo ou pelo descaso e crueldade dos próprios são-joanenses. Mas muitas outras ainda existem (e serão perpetuadas, nos comprometamos!), testemunhas e sentinelas de uma época que já se passou. Mas de um modo geral a paisagem do centro histórico ainda preserva muito, e majoritariamente de forma harmônica, sua feição setecentista, oitocentista e dos anos novecentos.

Para acessar o livro e passear eletronicamente por São João del-Rei de todos os tempos, mirando suas paisagens e detalhes das suas edificações, monumentos e equipamentos urbanos, acesse o link abaixo. Você vai se surpreender e se encantar...


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Debaixo de São João del-Rei, existe uma São João del-Rei subterrânea que ninguém conhece.

Debaixo de São João del-Rei existe uma outra São João del-Rei. Subterrânea, de pedra, cheia de ruas, travessas e becos, abertos por escravos no subsolo são-joanense no século XVIII, ao mesmo tempo em que construíam as igrejas de ouro e as pontes de pedra.

A esta cidade ainda ora oculta se chega por 20 betas de grande profundidade, cavadas na rocha terra adentro há certos 300 anos.  Elas se comunicam por meio de longas, estreitas e escuras galerias - veias  e umbigo do ventre mineral de onde se extraíu, durante dois séculos, o metal dourado que valia mais do que o sol.

Não se tem notícia de outra cidade de Minas que tenha igual patrimônio debaixo de seu visível patrimônio. Por isto, quando estas betas tiverem sido limpas e tratadas como um bem histórico, darão a São João del-Rei um atrativo turístico que será único, no Brasil e no mundo.

Atualmente, uma beta, nas imediações do centro histórico, já pode ser visitada e percorrida. Faltam outras 19, já mapeadas, dependendo da sensibiliza…

Padre José Maria Xavier, nascido em São João del-Rei, tinha na testa a estrela da música barroca oitocentista

 Certamente, há quase duzentos anos, ninguém ouviu quando um coro de anjos cantou sobre São João del-Rei. Anunciava que, no dia 23 de agosto de 1819, numa esquina da Rua Santo Antônio, nasceria uma criança mulata, trazendo nas linhas das mãos um destino brilhante: ser um dos grandes - senão o maior - músico colonial mineiro do século XIX. Pouco mais de um mês de nascido, no dia 27 de setembro, (consagrado a São Cosme e São Damião) em cerimônia na Matriz do Pilar, o infante foi batizado com o nome José Maria Xavier.

Ainda na infância, o menino mostrou gosto e vocação para música. Primeiro nos estudos de solfejo, com seu tio, Francisco de Paula Miranda, e, em seguida dominando o violino e o clarinete. Da infância para a adolescência, da música para o estudo das linguas, José Maria aprendeu Latim e Francês, complementando os estudos com História, Geografia e Filosofia. Tão consistente era seu conhecimento que necessitou de apenas um ano para cursar Teologia em Mariana. Assim, já ordenado…

Em São João del-Rei não se duvida: há 250 anos, Tiradentes bem andou pela Rua da Cachaça...

As ruas do centro histórico de São João del-Rei são tão antigas que muitas delas são citadas em documentos datados das primeiras décadas do século XVIII. Salvo poucas exceções, mantiveram seu traçado original, o que permite compreender como era o centro urbano são-joanense logo que o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes tornou-se Vila de São João del-Rei.
O Largo do Rosário, por exemplo, atual Praça Embaixador Gastão da Cunha, surgiu antes mesmo de 1719, pois naquele ano foi benta a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, nele situada e que originalmente lhe deu nome. Também neste ano já existia o Largo da Câmara, hoje, Praça Francisco Neves, conforme registro da compra de imóveis naquele local, para abrigar a sede da Câmara de São João del-Rei. A Rua Resende Costa, que liga o Largo do Carmo ao Largo da Cruz, antigamente chamava-se Rua São Miguel e, em 1727, tinha lojas legalizadas, funcionando com autorização fornecida pelo Senado da Câmara daquela Vila colonial.  Por …