Pular para o conteúdo principal

Festa barroca de Nossa Senhora do Carmo encanta São João del-Rei


Desde sábado passado, dia 7 de julho, São João del-Rei vive clima de festa muito antiga, que nos remonta aos idos de 1727. Naquela época Nossa Senhora do Carmo era cultuada em um altar da então recém-inaugurada Matriz do Pilar e sua festa, já era pomposamente celebrada todo dia 16 de julho pela Confraria do Escapulário, agremiação que precedeu e deu origem à Irmandade - e depois Ordem Terceira - de Nossa Senhora do Monte Carmelo.

Na cidade onde os sinos falam, a festa de Nossa Senhora do Carmo ainda hoje mantém a mesma estrutura litúrgica do século XVIII: toques de sino, novena, muitas missas, missa solene, procissão e canto do Te Deum. A bela procissão percorre várias ruas do centro histórico são-joanense e, em alguns anos, adentra o alto e imponente portão do Cemitério do Carmo, para que Nossa Senhora visite o sono de seus mortos.

Os textos da novena foram musicados nos anos setecentos e oitocentos por vários compositores mineiros e são-joanenses, entre eles Jerônimo de Souza Lobo, Padre José Maria Xavier, Manuel Dias de Oliveira e João Francisco da Matta.

Desde 1925 a música da Festa do Carmo é responsabilidade da Orquestra Ribeiro Bastos. No fim do século passado, por volta de 1980, esta tricentenária orquestra gravou, em LP, diversas peças da novena do Carmo - uma obra rara, tanto pela autenticidade do registro musical quanto por sua tiragem limitada. Para o bem de todos e felicidade geral da cultura brasileira, trinta anos depois a Orquestra Ribeiro Bastos fez nova gravação de trechos da mesma novena, agora em CD.

Novamente a tiragem é reduzida e a distribuição bastante limitada, possivelmente apenas em São João del-Rei. Quem quiser adquirir o CD deve entrar em contato com a Orquestra Ribeiro Bastos e informar-se sobre os locais de venda ou com que pessoas a joia preciosa e rara pode ser encontrada.

Veja, no vídeo abaixo, um magnífico trecho da Novena de Nossa Senhora do Carmo, executado pela Orquestra Ribeiro Bastos, sob regência da maestrina Maria Stella Neves Vale.



Leia também http://www.diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2012/07/igreja-do-carmo-brilho-luminoso-estrela.html
............................................................................
Fonte: CATEDRAL DO PILAR de São João del Rei, Equipe de Liturgia. Piedosas e solenes tradições de nossa terra, volume II. SEGRAC. São João del-Rei, 1997.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Debaixo de São João del-Rei, existe uma São João del-Rei subterrânea que ninguém conhece.

Debaixo de São João del-Rei existe uma outra São João del-Rei. Subterrânea, de pedra, cheia de ruas, travessas e becos, abertos por escravos no subsolo são-joanense no século XVIII, ao mesmo tempo em que construíam as igrejas de ouro e as pontes de pedra.

A esta cidade ainda ora oculta se chega por 20 betas de grande profundidade, cavadas na rocha terra adentro há certos 300 anos.  Elas se comunicam por meio de longas, estreitas e escuras galerias - veias  e umbigo do ventre mineral de onde se extraíu, durante dois séculos, o metal dourado que valia mais do que o sol.

Não se tem notícia de outra cidade de Minas que tenha igual patrimônio debaixo de seu visível patrimônio. Por isto, quando estas betas tiverem sido limpas e tratadas como um bem histórico, darão a São João del-Rei um atrativo turístico que será único, no Brasil e no mundo.

Atualmente, uma beta, nas imediações do centro histórico, já pode ser visitada e percorrida. Faltam outras 19, já mapeadas, dependendo da sensibiliza…

Padre José Maria Xavier, nascido em São João del-Rei, tinha na testa a estrela da música barroca oitocentista

 Certamente, há quase duzentos anos, ninguém ouviu quando um coro de anjos cantou sobre São João del-Rei. Anunciava que, no dia 23 de agosto de 1819, numa esquina da Rua Santo Antônio, nasceria uma criança mulata, trazendo nas linhas das mãos um destino brilhante: ser um dos grandes - senão o maior - músico colonial mineiro do século XIX. Pouco mais de um mês de nascido, no dia 27 de setembro, (consagrado a São Cosme e São Damião) em cerimônia na Matriz do Pilar, o infante foi batizado com o nome José Maria Xavier.

Ainda na infância, o menino mostrou gosto e vocação para música. Primeiro nos estudos de solfejo, com seu tio, Francisco de Paula Miranda, e, em seguida dominando o violino e o clarinete. Da infância para a adolescência, da música para o estudo das linguas, José Maria aprendeu Latim e Francês, complementando os estudos com História, Geografia e Filosofia. Tão consistente era seu conhecimento que necessitou de apenas um ano para cursar Teologia em Mariana. Assim, já ordenado…

Em São João del-Rei não se duvida: há 250 anos, Tiradentes bem andou pela Rua da Cachaça...

As ruas do centro histórico de São João del-Rei são tão antigas que muitas delas são citadas em documentos datados das primeiras décadas do século XVIII. Salvo poucas exceções, mantiveram seu traçado original, o que permite compreender como era o centro urbano são-joanense logo que o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes tornou-se Vila de São João del-Rei.
O Largo do Rosário, por exemplo, atual Praça Embaixador Gastão da Cunha, surgiu antes mesmo de 1719, pois naquele ano foi benta a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, nele situada e que originalmente lhe deu nome. Também neste ano já existia o Largo da Câmara, hoje, Praça Francisco Neves, conforme registro da compra de imóveis naquele local, para abrigar a sede da Câmara de São João del-Rei. A Rua Resende Costa, que liga o Largo do Carmo ao Largo da Cruz, antigamente chamava-se Rua São Miguel e, em 1727, tinha lojas legalizadas, funcionando com autorização fornecida pelo Senado da Câmara daquela Vila colonial.  Por …