Pular para o conteúdo principal

Piedosas e solenes tradições de São João del-Rei

Cruzeiro do Morro da Forca - São João del-Rei. Foto do autor
São João del-Rei iniciou ontem, Domingo de Ramos, com muita pompa, fé e cultura, a celebração de mais uma tradicional Semana Santa. Com toques de sinos, motetos sacros, procissões, missa barroca e Canto da Paixão, a cidade marcou o primeiro dia de sua semana mais importante - extenso e intenso evento religioso cultural que faz parte da vida de todo são-joanense, independentemente de sua cor, classe social, nível econômico ou formação educacional.

Em São João del-Rei não há quem, de alguma forma, não viva a Semana Santa como um fenômeno. Isto porque, na cidade, Paixão de Cristo é uma festa mais forte e mais importante do que o Natal, apesar de sua linguagem estética, artística e comunicacional ser originária dos séculos XVIII e XIX.

A língua oficial da maioria das celebrações é o latim, mas isso não constitui dificuldade de compreensão para os são-joanenses por vários motivos.Um deles é que os maduros, pelo amor que têm à tradição, conhecem de cor as músicas e os textos cantados nas missas e ofícios. Segundo porque a Paróquia do Pilar, promotora da Semana Santa mais tradicional do país, editou um livro - Piedosas e Solenes Tradições de Nossa Terra - que descreve minuciosamente todas as solenidades, incluindo os textos e leituras que constituem o ritual, com tradução comparativa em português para tudo o que é lido, recitado ou cantado em latim. 

Na Semana Santa de 2012 o livro esgotou sua segunda edição, mas trata-se de obra tão importante que, certamente, a Paróquia de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei, logo que possível, cuidará de providenciar a terceira edição, disponibilizando-a para fiéis, estudiosos e turistas. É o que todos esperamos...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Debaixo de São João del-Rei, existe uma São João del-Rei subterrânea que ninguém conhece.

Debaixo de São João del-Rei existe uma outra São João del-Rei. Subterrânea, de pedra, cheia de ruas, travessas e becos, abertos por escravos no subsolo são-joanense no século XVIII, ao mesmo tempo em que construíam as igrejas de ouro e as pontes de pedra.

A esta cidade ainda ora oculta se chega por 20 betas de grande profundidade, cavadas na rocha terra adentro há certos 300 anos.  Elas se comunicam por meio de longas, estreitas e escuras galerias - veias  e umbigo do ventre mineral de onde se extraíu, durante dois séculos, o metal dourado que valia mais do que o sol.

Não se tem notícia de outra cidade de Minas que tenha igual patrimônio debaixo de seu visível patrimônio. Por isto, quando estas betas tiverem sido limpas e tratadas como um bem histórico, darão a São João del-Rei um atrativo turístico que será único, no Brasil e no mundo.

Atualmente, uma beta, nas imediações do centro histórico, já pode ser visitada e percorrida. Faltam outras 19, já mapeadas, dependendo da sensibiliza…

Padre José Maria Xavier, nascido em São João del-Rei, tinha na testa a estrela da música barroca oitocentista

 Certamente, há quase duzentos anos, ninguém ouviu quando um coro de anjos cantou sobre São João del-Rei. Anunciava que, no dia 23 de agosto de 1819, numa esquina da Rua Santo Antônio, nasceria uma criança mulata, trazendo nas linhas das mãos um destino brilhante: ser um dos grandes - senão o maior - músico colonial mineiro do século XIX. Pouco mais de um mês de nascido, no dia 27 de setembro, (consagrado a São Cosme e São Damião) em cerimônia na Matriz do Pilar, o infante foi batizado com o nome José Maria Xavier.

Ainda na infância, o menino mostrou gosto e vocação para música. Primeiro nos estudos de solfejo, com seu tio, Francisco de Paula Miranda, e, em seguida dominando o violino e o clarinete. Da infância para a adolescência, da música para o estudo das linguas, José Maria aprendeu Latim e Francês, complementando os estudos com História, Geografia e Filosofia. Tão consistente era seu conhecimento que necessitou de apenas um ano para cursar Teologia em Mariana. Assim, já ordenado…

Em São João del-Rei não se duvida: há 250 anos, Tiradentes bem andou pela Rua da Cachaça...

As ruas do centro histórico de São João del-Rei são tão antigas que muitas delas são citadas em documentos datados das primeiras décadas do século XVIII. Salvo poucas exceções, mantiveram seu traçado original, o que permite compreender como era o centro urbano são-joanense logo que o Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar do Rio das Mortes tornou-se Vila de São João del-Rei.
O Largo do Rosário, por exemplo, atual Praça Embaixador Gastão da Cunha, surgiu antes mesmo de 1719, pois naquele ano foi benta a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, nele situada e que originalmente lhe deu nome. Também neste ano já existia o Largo da Câmara, hoje, Praça Francisco Neves, conforme registro da compra de imóveis naquele local, para abrigar a sede da Câmara de São João del-Rei. A Rua Resende Costa, que liga o Largo do Carmo ao Largo da Cruz, antigamente chamava-se Rua São Miguel e, em 1727, tinha lojas legalizadas, funcionando com autorização fornecida pelo Senado da Câmara daquela Vila colonial.  Por …