quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Setembro floresce fé, festa, fogos e flores em São João del-Rei


O calendário das festas religiosas de São João del-Rei seguramente é o mais vasto, diversificado e intenso do Brasil. Começou a ser construído em 1703, quando no vale da Serra do Lenheiro chegaram os primeiros bandeirantes e forasteiros, trazendo como padroeira uma imagem primitiva de Nossa Senhora do Pilar. Se sofisticou e singularizou ao longo dos séculos XVIII e XIX, perpetuando-se nos séculos XX e XXI.

Neste calendário, setembro é um mês que se destaca. Somente em novenas e tríduos, somam-se 30 dias, e a eles se somam 5 tradicionais procissões: Senhor dos Montes, Bom Jesus de Matosinhos, Nossa Senhora das Mercês, São Miguel Arcanjo e Anjos Custódios.

A de Bom Jesus de Matosinhos (foto), por exemplo, acontece no dia 14, quando também se celebra a Exaltação da Santa Cruz. Sem dúvida, é realizada desde a segunda metade dos anos setecentos e tem o status de Jubileu. Outra peculiaridade é que acontece em um bairro comercialmente muito movimentado e distante do centro histórico. Dura doze dias e, seguindo a feição do Bairro de Matosinhos, tem características mais urbanas, bem diferentes daquelas tradicionais que acontecem na área colonial ou adjacente.

A igreja original de Bom Jesus de Matosinhos, de feição setecentista, foi deliberadamente demolida no começo da década de 70 e de seus adornos ninguém sabe. A não ser a artística portada de pedra sabão, que foi vendida para um afortunado paulista. Mas após incansável luta do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, com a morte do comprador, segundo o multiqualificado são-joanense Jota Dangelo, em sua coluna semanal Pelas Esquinas, publicada na Gazeta de São João del-Rei, os herdeiros concordaram em devolver a São João del-Rei aquela joia barroca.

O templo que substituiu a igreja demolida é um edifício moderno, "diferente", e generosamente pode ser classificado como, no mínimo, "cubista". Em sua fachada não há cabimento estético que justifique deixar ali a preciosa portada. Certamente o povo de São João del-Rei, a Igreja local e os órgãos de preservação, em consenso, encontrarão a alternativa ideal para que aquele pórtico integre algum acervo e fique permanentemente em exposição, inclusive como alerta para prejuízos irremediáveis que a insensibilidade e a ignorância podem causar ao bem público, no caso ao patrimônio cultural brasileiro.

Que Bom Jesus de Matosinhos ajude e que a sociedade são-joanense, na questão capitaneada pelos três setores citados, se una, se comprometa e se mobilize, com seriedade e competência, para que a portada volte logo para São João del-Rei e aqui receba a destinação e o cuidado que merece.

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Foto: reprodução de cartaz publicado site da Diocese de São João del-Rei

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